Talmud Yerushalmi · Massechet Maaser Sheni · Perek Heh · Halachá 4
מַעֲשֵׂר שֵׁנִי

Rabi Akivá e os frutos que não chegaram à estação, a história de Rabán Gamliel no navio, e quem adquire para um terceiro

Perek Heh, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Maaser Sheni

Quarta halachá do Perek Heh de Massechet Maaser Sheni. A Mishná traz o relato de Rabi Yehuda: no início, mandavam-se mensageiros aos donos de propriedades nas províncias, apressando seus frutos antes que chegasse a hora da remoção, até que Rabi Akivá veio e ensinou que todo fruto que ainda não chegou à estação dos dízimos está isento da remoção; quem tem frutos distantes de si precisa dar-lhes um nome. Segue a história de Rabán Gamliel e os anciãos, que vinham num navio, e como Rabán Gamliel, Rabi Yehoshua e outros designaram seus dízimos futuros a diferentes destinatários, alugando-lhes o lugar, e receberam uns dos outros o aluguel.

A guemará abre perguntando por que o próprio tevel — o produto ainda não dizimado — também precisa ser removido, respondendo, em nome de Shmuel, que o tevel também é chamado de sagrado. Traz então, em nome de Rabi Yehuda, a história completa de Rabán Gamliel e os anciãos sentados nos degraus do salão no Monte do Templo, ditando a Yochanan, o kohen escrivão, a carta aos irmãos da Galileia Superior e Inferior, do Sul Superior e Inferior, e das diásporas da Babilônia, da Média e da Grécia, anunciando o tempo da remoção e a intercalação do ano. Discute se o episódio do navio ensina que não se dá dízimo ao sacerdócio, com a exceção de que ali estava Rabi Yehoshua ben Chananyá, e se Rabán Gamliel precisou transferir formalmente a posse do dízimo ainda preso ao solo. Fecha com Rabi Redifa trazendo a disputa entre Rabi Yirmeya e Rabi Yossei sobre se quem tem direito de receber, ou apenas quem tem direito de dar, pode adquirir um bem para um terceiro — testada contra a Mishná do documento de divórcio e de alforria, e contra a Mishná do dízimo confiado a Rabi Akivá — e com a palavra de Rabi Yehoshua ben Levi, que a resolve a favor de quem tem direito de receber.

A Mishná · מַתְנִיתִין

אָמַר רִבִּי יְהוּדָה בָּרִאשׁוֹנָה הָיוּ שׁוֹלְחִין אֵצֶל בַּעֲלֵי בָתִּים שֶׁבַּמְדִינוֹת מַהֲרוּ פֵּירוֹתֵיהֶם עַד שֶׁלֹּא תַגִּיעַ שְׁעַת הַבִּיעוּר עַד שֶׁבָּא רִבִּי עֲקִיבָה וְלִימֵּד שֶׁכָּל הַפֵּירוֹת שֶׁלֹּא בָאוּ לְעוֹנַת הַמַּעְשְׂרוֹת פְּטוּרִין מִן הַבִּיעוּר. מִי שֶׁהָיוּ פֵירוֹתָיו רְחוֹקִים מִמֶּנּוּ צָרִיךְ לִקְרוֹת לָהֶן שֵׁם. מַעֲשֶׂה בְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל וְהַזְּקֵנִים שֶׁהָיוּ בָאִין בִּסְפִינָה אָמַר רַבָּן גַּמְלִיאֵל עִישּׂוּר שֶׁאֲנִי עָתִיד לָמוּד נָתוּן לִיהוֹשֻׁעַ וּמְקוֹמוֹ מוּשְׂכָּר לוֹ. עִישּׂוּר אַחֵר שֶׁאֲנִי עָתִיד לָמוּד נָתוּן לַעֲקִיבָה שֶׁיִּזְכֶּה בוֹ לָעֲנִיִים וּמְקוֹמוֹ מוּשְׂכָּר לוֹ. אָמַר רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ עִישּׂוּר שֶׁאֲנִי עָתִיד לָמוּד נָתוּן לְאֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה וּמְקוֹמוֹ מוּשְׂכָּר לוֹ. וְנִתְקַבְּלוּ זֶה מִזֶּה שָׂכָר.

Mishná: Disse Rabi Yehuda: no início, mandavam-se mensageiros aos donos de propriedades nas províncias, dizendo: apressai vossos frutos antes que chegue a hora da remoção — até que veio Rabi Akivá e ensinou que todos os frutos que ainda não chegaram à estação dos dízimos estão isentos da remoção. Quem tinha seus frutos distantes de si precisa dar-lhes um nome (designá-los verbalmente para os dízimos, ainda que não possa medi-los de fato).

Aconteceu com Rabán Gamliel e os anciãos, que vinham num navio: disse Rabán Gamliel: o dízimo que hei de medir no futuro está dado a Yehoshua, e seu lugar está alugado a ele. Outro dízimo que hei de medir no futuro está dado a Akivá, para que ele o distribua aos pobres, e seu lugar está alugado a ele. Disse Rabi Yehoshua: o dízimo que hei de medir no futuro está dado a Elazar ben Azaria, e seu lugar está alugado a ele. E receberam uns dos outros o aluguel.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01E não é tevel? — Rabi Hila em nome de Shmuel: o tevel também é chamado sagrado
Yerushalmi · Maaser Sheni 5:4
וְלֹא טֵבֵל הוּא. רִבִּי הִילָא בְשֵׁם שְׁמוּאֵל זֹאת אוֹמֶרֶת שֶׁהַטֵּבֵל קָרוּי קוֹדֶשׁ.

Halachá: Pergunta-se sobre o fruto ainda não dizimado que Rabi Akivá isentou da remoção: mas não é ele tevel (produto do qual ainda não foram separados os dízimos)? Pois a declaração diz "eu removi o sagrado da casa" — se o tevel permanecer, isso deveria impedir a declaração! Disse Rabi Hila em nome de Shmuel: isso ensina que o tevel também é chamado de sagrado (e, por isso, mesmo estando isento da remoção física, ele precisa ao menos ser levado à ordem de tevel antes de Pessach, para não impedir a declaração).

02Rabán Gamliel e os anciãos nos degraus do salão: a carta aos irmãos da Galileia, do Sul e da diáspora
Yerushalmi · Maaser Sheni 5:4
אָמַר רִבִּי יוּדָה מַעֲשֶׂה בְּרַבָּן גַּמְלִיאֶל וְהַזְּקֵנִים שֶׁהָיוּ יוֹשְׁבִין עַל מַעֲלוֹת הָאוּלָם בְּהַר הַבָּיִת. וְהָיָה יוֹחָנָן הַכֹּהֵן הַסּוֹפֵר הַלָּז יוֹשֵׁב לִפְנֵיהֶן. אָמְרוּ לוֹ צֵא וּכְתוֹב. אַחֵינוּ בְּנֵי גָלִילָא עִילָּאָה בְּנֵי גָלִילָא אַרְעִיתָא שְׁלָמְכוֹן יִסְגֵּא. מוֹדַעְנָא לְכוֹן דְּמָטָא זְמַן בִּיעוּרָא תַּפְקוּן מַעְשְׂרַיָּא מִן מַעֲטָנֵי זֵיתָא. לְאַחָנָא בְּנֵי דְרוֹמָא עִילָּאָה וּבְנֵי דְרוֹמָא אַרְעִיתָא מוֹדַעְנָא לְכוֹן דְּמָטָא זְמַן בִּיעוּרָא תַּפְקוּן מַעְשְׂרַיָּא מֵעֳמְרֵי שִׁיבֳּלַיָּא. לְאַחָנָא בְּנֵי גָלוּתָא דְבָבֶל וּבְנֵי גָלוּתָא דְמָדַי וּבְנֵי גָלוּתָא דְיָוָון וּשְׁאָר כָּל גַּלְוָותְהוֹן דְּיִשְׂרָאֵל שְׁלָמְכוֹן יִסְגֵּא. מוֹדַע אֲנָא לְכוֹן דְּאִימְרַיָּא רְכִיכִין וְגוֹזָלַיָיא דְּקִיקִין וּשְׁפַר בְאַנְפַּיי וּבְאַנְפֵּי חֲבֵרַיי מוֹסְפָא עַל שַׁתָּא זֶה תַּלְתִּין יוֹמִין.

Disse Rabi Yehuda: aconteceu com Rabán Gamliel e os anciãos, que estavam sentados nos degraus do salão, no Monte do Templo, e Yochanan, aquele kohen escrivão, estava sentado diante deles. Disseram-lhe: sai e escreve.

"A nossos irmãos, filhos da Galileia Superior e filhos da Galileia Inferior: que vossa paz cresça. Informamo-vos que chegou o tempo da remoção: tirai os dízimos das tinas de amadurecimento das azeitonas. A nossos irmãos, filhos do Sul Superior e filhos do Sul Inferior: informamo-vos que chegou o tempo da remoção: tirai os dízimos dos feixes de espigas. A nossos irmãos, filhos do exílio da Babilônia, filhos do exílio da Média, filhos do exílio da Grécia, e todos os demais exílios de Israel: que vossa paz cresça. Informo-vos que os cordeiros ainda estão tenros, e os pombinhos de sacrifício ainda pequenos, e pareceu bem a mim e a meus colegas acrescentar a este ano trinta dias (intercalar um mês antes de Nissan, pois a estação da primavera ainda não estava madura o bastante para Pessach)."

03Isso ensina que não se dá dízimo ao sacerdócio — a exceção de Rabi Yehoshua ben Chananyá, e a cesta de Rabán Gamliel
Yerushalmi · Maaser Sheni 5:4
הָדָא אָמְרָה שֶׁאֵין נוֹתְנִין מַעֲשֵׂר לִכְהוּנָה. שַׁנְיָיא הִיא שֶׁהָיָה רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן חֲנַנְיָה תַּמָּן. אָמַר רִבִּי חֲנַנְיָה הָדָא אָמְרָה שֶׁהָיָה רַבָּן גַּמְלִיאֵל צָרִיךְ לְזַכּוֹת. אָמַר רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בְּפֵירוֹת מְחוּבָּרִין לְקַרְקַע. אִילּוּ קוּפָּתוֹ שֶׁלְּרַבָּן גַּמְלִיאֵל נְתוּנָה לְתוֹךְ בֵּיתוֹ שֶׁלְּרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ וְאוֹמֵר יִזְכֶּה לְמַעֲשֵׂר שֶׁבָּהּ כְּלוּם עָשָׂה עַד שֶׁיְּסַיֵים.

Isso ensina que não se dá dízimo ao sacerdócio (pois Rabán Gamliel, no episódio do navio, designou seu dízimo ao levita Yehoshua, e não diretamente a um kohen). Há uma diferença, pois Rabi Yehoshua ben Chananyáele mesmo um levita pobre — estava ali (um levita pobre é preferível a um kohen rico em qualquer caso, o que não prova a regra geral). Disse Rabi Chananyá: isso ensina que Rabán Gamliel precisava transferir a posse formalmente (a Mishná exige apenas "dar um nome", mas Rabán Gamliel foi além, e efetivamente transferiu a titularidade). Disse Rabi Yehoshua: isso se aplica a frutos ainda presos ao solo (que ainda não estavam reunidos em montes ordenados). Se a cesta de Rabán Gamliel estivesse posta dentro da casa de Rabi Yehoshua, e ele dissesse: que ele adquira o dízimo que há nela — teria ele feito algo, sem especificar o lugar exato até o fim?

04Rabi Redifa: a disputa entre Rabi Yirmeya e Rabi Yossei sobre quem adquire para um terceiro
Yerushalmi · Maaser Sheni 5:4
רִבִּי רְדִיפָה אָמַר אִיתְפַּלְּגוּן רִבִּי יִרְמְיָה וְרִבִּי יוֹסֵי. חַד אָמַר הָרָאוּי לִיטּוֹל זָכָה. וְחָרָנָה אָמַר הָרָאוּי לִיתֵּן זָכָה. מָאן דְּאָמַר הָרָאוּי לִיטּוֹל זָכָה כָּל שֶׁכֵּן רָאוּי לִיתֵּן. וּמָן דְּאָמַר הָרָאוּי לִיתֵּן הָא לִיטּוֹל לֹא.

Disse Rabi Redifa: Rabi Yirmeya e Rabi Yossei discordaram. Um disse: quem tem direito de receber o dízimo adquire-o para um terceiro por meio de designação, sem precisar de ato formal. E o outro disse: quem tem direito de dar adquire. Quem diz "quem tem direito de receber adquire" — com mais razão inclui quem tem direito de dar. E quem diz "quem tem direito de dar adquire" — mas quem tem direito apenas de receber, não.

05A Mishná do documento de divórcio e de alforria contra "quem tem direito de receber adquire"
Yerushalmi · Maaser Sheni 5:4
הָא מַתְנִיתָא פְלִיגָא עַל מָאן דְּאָמַר הָרָאוּי לִיטּוֹל זָכָה. וְתַמָּן תַּנִּינָן הָאוֹמֵר תֵּן גֶּט זֶה לְאִשְׁתִּי שֶׁכֵּן רָאוּי הוּא לְקַבֵּל גֶּט בִּתּוֹ. וּשְׁטָר שִׁחְרוּר זֶה לְעַבְדִּי שֶׁכֵּן הוּא רָאוּי לְקַבֵּל שְׁטָר שִׁחְרוּרוֹ. וְתַנִּינָן הִתְקַבֵּל גֶּט זֶה לְאִשְׁתִּי אוֹ הוֹלִךְ גֶּט זֶה לְאִשְׁתִּי אִם רָצָה לְהַחֲזִיר יַחֲזִיר. וְהָעֶבֶד רָאוּי לְהוֹלִיךְ אֶת הַגֶּט. פָּתַר לִצְדָדִין הִיא מַתְנִיתָא.

Eis que esta Mishná discorda de quem diz "quem tem direito de receber adquire". Pois ali aprendemos: quem diz "dá este documento de divórcio à minha esposa" a um menor — porque este é capaz de receber o documento de divórcio de sua própria filha menor; e "este documento de alforria ao meu escravo" — porque ele é capaz de receber seu próprio documento de alforria. E aprendemos noutro lugar: "recebe este documento de divórcio para minha esposa", ou "leva este documento de divórcio à minha esposa" — se o marido quiser retroceder, pode retroceder; mas o escravo enviado como mensageiro é capaz de levar o documento de divórcio (o que deveria, segundo a primeira regra, impedir o remetente de retroceder, já que o mensageiro tem direito de receber por si mesmo — mas ele pode retroceder mesmo assim)! Resolve-se explicando que esta Mishná trata de casos diferentes.

06A Mishná do dízimo confiado a Rabi Akivá contra "quem tem direito de dar adquire"
Yerushalmi · Maaser Sheni 5:4
מַתְנִיתָא פְלִיגָא עַל מָאן דְּאָמַר הָרָאוּי לִיתֵּן זָכָה. דְּתַנִּינָן תַּמָּן עִישּׂוּר אֶחָד שֶׁאֲנִי עָתִיד לִמוֹד נָתוּן לַעֲקִיבָה בֶּן יוֹסֵף כְּדֵי שֶׁיִּזְכֶּה בוֹ לָעֲנִיִים וּמוּשְׂכָּר לֹו מְקוֹמוֹ. וְרִבִּי עֲקִיבָה רָאוּי הוּא לִיטּוֹל. פָּתַר לָהּ עַד שֶׁלֹּא הֶעֱשִׁיר. וַאֲפִילוּ תֵימַר מִשֶּׁהֶעֱשִׁיר תִּיפְתָּר שֶׁהָיָה פַּרְנָס וְיַד הַפַּרְנָס כְּיַד הֶעָנִי.

Uma outra Mishná discorda de quem diz "quem tem direito de dar adquire". Pois ali aprendemos: "um dízimo que hei de medir no futuro está dado a Akivá ben Yossef, para que ele o distribua aos pobres, e seu lugar está alugado a ele" — mas Rabi Akivá tinha direito de receber o dízimo dos pobres, sendo ele mesmo pobre — e, ainda assim, a Mishná exigiu um ato formal de aquisição, o que contradiz "quem tem direito de receber adquire" sozinho! Resolve-se explicando: isso se refere a antes que ele Rabi Akivá enriquecesse. E mesmo que digas que já havia enriquecido, explica-se que ele era administrador dos fundos de caridade, e a mão do administrador é como a mão do pobre.

07A palavra de Rabi Yehoshua ben Levi: quem tem direito de receber adquire
Yerushalmi · Maaser Sheni 5:4
מִילְתֵיהּ דְּרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי אָמְרָה הָרָאוּי לִיטּוֹל זָכָה. דְּרִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי אָמַר בְּבַעַל הַבַּיִת עָשִׁיר נֶחְלְקוּ. אֲבָל בְּבַעַל הַבַּיִת עָנִי מֵאַחַר שֶׁהוּא רָאוּי לִיטוֹל זָכָה.

A palavra de Rabi Yehoshua ben Levi ensina que "quem tem direito de receber adquire". Pois Rabi Yehoshua ben Levi disse: discordaram a respeito do dono de casa rico (pois um rico não tem direito de receber o dízimo dos pobres, e por isso exige-se um ato formal); mas a respeito do dono de casa pobre, visto que ele tem direito de receber, o mensageiro adquiriu para ele mesmo sem ato formal.

Nota

Esta é a quarta halachá do Perek Heh de Massechet Maaser Sheni: a Mishná traz o ensino de Rabi Akivá sobre frutos que ainda não chegaram à estação dos dízimos, isentos da remoção, e a história de Rabán Gamliel e os anciãos no navio, designando seus dízimos futuros a diferentes destinatários mediante o aluguel do lugar.

A guemará explica por que o próprio tevel também precisa ser removido, pois é chamado de sagrado; traz a carta completa de Rabán Gamliel e os anciãos aos irmãos da Galileia, do Sul e da diáspora anunciando o tempo da remoção e a intercalação do ano; discute se o episódio do navio prova que não se dá dízimo ao sacerdócio, e se Rabán Gamliel precisou transferir formalmente a posse do dízimo; e fecha com a disputa entre Rabi Yirmeya e Rabi Yossei, testada contra as Mishnayot do documento de divórcio e do dízimo de Rabi Akivá, e resolvida pela palavra de Rabi Yehoshua ben Levi a favor de quem tem direito de receber.