Sétima e última halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim: a Mishná muda de assunto e ensina que quem mantém espinhos no vinhedo (deixando-os crescer de propósito, por lhes achar alguma utilidade), Rabi Lieezer diz: consagrou (tornou proibido tudo o que crescer ali, como se tivesse semeado com intenção); mas os sábios dizem: não consagrou, salvo se for algo que se costuma manter (por hábito reconhecido nalgum lugar). O íris, a hera, a rosa-do-rei, e toda espécie de sementes (ornamentais semelhantes) não são kilayim no vinhedo. Quanto ao cânhamo, Rabi Tarfon diz que não é kilayim, mas os sábios dizem que é kilayim; e o cardo é kilayim no vinhedo. A guemará abre com Rabi Abahu, explicando o motivo de Rabi Lieezer pelo costume, na Arábia, de manter espinhos para alimentar camelos; identifica em grego os nomes do íris, da hera e da rosa-do-rei; distingue, entre juncos, roseiras, espinheiros e as plantas que crescem no charco, o que conta como espécie de árvore e o que conta como espécie de erva, apoiando-se na baraita de Rabi Hoshaia sobre as espécies de erva e na observação de Rabi Yossei sobre o etrog, cuja bênção muda conforme o estágio; e fecha com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre a alcaparreira — kilayim no vinhedo mas não entre sementes, para um, nem uma coisa nem outra, para o outro, embora todos concordem que ela deve orlá —, o critério de Rabi Chinena bar Papa entre o que brota do tronco e o que brota da raiz, e a objeção não plenamente resolvida da alcachofra. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Heh de Massechet Kilayim.
Mishná: Quem mantém espinhos no vinhedo (deixando-os crescer de propósito, por lhes dar alguma utilidade), Rabi Lieezer diz: consagrou (tornou proibido, como kilayim, tudo o que crescer no vinhedo junto a eles, por tratá-los como cultivo intencional); mas os sábios dizem: não consagrou, a não ser que se trate de algo que se costuma manter (por hábito conhecido nalguma região, o que basta para caracterizá-lo como plantio proposital). O íris, e a hera, e a rosa-do-rei, e toda espécie de sementes (ornamentais assemelhadas a estas) não são kilayim no vinhedo (por não serem consideradas cultivo agrícola verdadeiro). O cânhamo — Rabi Tarfon diz: não é kilayim; mas os sábios dizem: é kilayim. E o cardo (espécie de cardo silvestre comestível) é kilayim no vinhedo.
Halachá: Disse Rabi Abahu: o motivo de Rabi Lieezer é que os espinhos costumam ser mantidos para alimentar os camelos na Arábia (basta que exista, nalguma região, o costume reconhecido de manter espinhos com essa finalidade, para que sua conservação no vinhedo conte como cultivo intencional e, portanto, consagre).
Halachá: O íris (da Mishná) é o irósia (seu nome em grego). A hera é o kissossá. E a rosa-do-rei é o krínon (o lírio, identificando as três plantas ornamentais mencionadas na Mishná pelos seus nomes correntes).
Halachá: Os juncos, e os junquilhos, e a roseira, e os espinheiros são espécie de árvore, e não são kilayim no vinhedo. O papiro, e o chitton, e o junco de charco, e todo o restante do que cresce no pântano são espécie de erva, e não são kilayim no vinhedo. E ensinou Rabi Hoshaia: estas são as espécies de erva: o cardo, a chalimá, o demua, e o espinheiro (listadas como espécie de erva, apesar de algumas delas terem sido antes qualificadas de árvore, o que a guemará entende conforme o contexto de cada fonte). Ali (na fonte sobre a bênção dos alimentos), contam-se para a bênção de "que cria as espécies de erva"; e aqui (nesta halachá sobre kilayim), contam-se para kilayim (segundo critério próprio desta matéria, que não coincide necessariamente com o da bênção). Disse Rabi Yossei: isto ensina que, quanto ao etrog — ainda que sobre ele digas "que cria o fruto da árvore" (a bênção normal recitada sobre frutas de árvore, já maduras) —, sobre o que dele brota antes de se formar em fruto (o broto ainda tenro, semelhante à flor) dizes "que cria as espécies de erva" (mostrando que a mesma árvore recebe, conforme o estágio de crescimento de sua produção, ora o tratamento de árvore, ora o de erva — o mesmo princípio que sustenta a lista dupla desta baraita).
Halachá: A alcaparreira — Bet Shamai dizem: é kilayim no vinhedo, mas não é kilayim entre sementes (semeada junto a hortaliças). Bet Hilel dizem: não é kilayim, nem no vinhedo, nem entre sementes. Todos concordam que ela é obrigada em orlá (os frutos de seus três primeiros anos são proibidos, como os de qualquer árvore frutífera, o que pressupõe reconhecê-la, ao menos quanto à orlá, como árvore). Ensinou Rabi Chinena bar Papa: o que brota do tronco de uma planta é espécie de árvore; o que brota das raízes é espécie de hortaliça (critério que explica por que a alcaparreira, brotando de ambos os modos, divide as escolas quanto à sua classificação). Objetaram: eis a alcachofra — ela também brota do tronco (e no entanto é tratada, sem controvérsia, como hortaliça, contradizendo o critério proposto)! Respondeu-se: aqui (a alcachofra) é com certeza (hortaliça, por tradição já firmada); ali (a alcaparreira) é com dúvida (permanecendo por isso controvertida entre árvore e hortaliça, sem que a objeção da alcachofra a resolva).
Esta é a sétima e última halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim. A Mishná muda de assunto em relação às halachot anteriores, que trataram de hortaliça e sementes dentro do vinhedo, e passa a examinar quais plantas contam, ou não, como cultivo capaz de gerar kilayim: quem mantém espinhos no vinhedo de propósito consagra, segundo Rabi Lieezer, tudo que crescer ali, enquanto os sábios exigem que se trate de algo que se costuma manter por hábito reconhecido; plantas ornamentais como o íris, a hera e a rosa-do-rei, por não constituírem cultivo agrícola verdadeiro, nunca são kilayim no vinhedo; o cânhamo divide Rabi Tarfon dos sábios; e o cardo é kilayim no vinhedo sem controvérsia.
A guemará abre com Rabi Abahu explicando o fundamento da posição de Rabi Lieezer: os espinhos consagram porque, na Arábia, costumam ser mantidos para alimentar camelos — bastando que o costume exista nalguma região para caracterizar a conservação como plantio intencional. Segue-se uma breve identificação, em grego, dos nomes das três plantas ornamentais da Mishná — íris, hera e rosa-do-rei —, e depois uma discussão mais ampla sobre o que conta como espécie de árvore e o que conta como espécie de erva entre juncos, roseiras, espinheiros e as plantas que crescem no charco, apoiada na baraita de Rabi Hoshaia, que lista o cardo, a chalima, o demua e o espinheiro como espécies de erva para efeito da bênção dos alimentos — mesmo quando, noutro contexto, algumas dessas plantas contam como árvore —, e na observação de Rabi Yossei de que o próprio etrog recebe, conforme o estágio de seu crescimento, ora a bênção da árvore, ora a da erva. A guemará fecha com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre a alcaparreira — kilayim no vinhedo mas não entre sementes, para Bet Shamai; nem uma coisa nem outra, para Bet Hilel, embora ambas as escolas concordem que ela é obrigada em orlá, como qualquer árvore —, o critério proposto por Rabi Chinena bar Papa, segundo o qual o que brota do tronco é árvore e o que brota da raiz é hortaliça, e a objeção da alcachofra, que também brota do tronco mas é reconhecida sem dúvida como hortaliça — objeção respondida distinguindo o caso certo da alcachofra do caso duvidoso da alcaparreira, sem resolver plenamente a controvérsia inicial. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Heh de Massechet Kilayim. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.