Sexta halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que, se alguém estava passando pelo vinhedo e lhe caíram sementes, ou se saíram junto com o esterco ou com a água, ou se alguém semeava e o vento lhe espalhou as sementes para trás, isso é permitido; se o vento as espalhou para a frente dele, Rabi Akiva diz: se produziram ervas, que seja arado; se espiga verde, que seja quebrado; se trouxe grão, que seja queimado. A guemará, com Rabi Elazar e Rabi Zeirá, restringe a Mishná a quem estava parado em campo de cereais com o vento levando as sementes para o campo do vinhedo, apoiando-se no ensino de Rabi Shimon ben Yehudá em nome de Rabi Shimon; discute, com Rabi Shimon ben Lakish em nome de Rabi Hoshaia e a opinião divergente de Rabi Yochanan, o que fica permitido ou proibido em cada um dos três estágios de crescimento mencionados, comparando-os à Mishná de Temurá sobre o que se deve queimar e o que se deve enterrar; e fecha, com Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Shimon ben Lakish, explicando os dois casos em que a palha e o grão recebem tratamentos opostos, e com a dificuldade de Rabi Zeirá resolvida por sua própria posição, transmitida em nome de Rabi Yonatan, de que o crescimento a partir do proibido nunca legitima o proibido — exemplificada pela cebola de kilayim do vinhedo que, arrancada e replantada, permanece proibida por maior que seja seu aumento.
Mishná: Se alguém estava passando pelo vinhedo e lhe caíram sementes (sem intenção), ou se saíram junto com o esterco ou com a água (usados para adubar ou irrigar o vinhedo, trazendo sementes escondidas neles) — isso é permitido, por não haver intenção de semear ali. Assim também, quem semeava em campo próprio e o vento lhe espalhou as sementes para trás dele, levando-as ao vinhedo, isso é permitido (por se tratar de acidente, sem intenção de misturar as espécies). Mas se o vento as espalhou para a frente dele, e ele continuou semeando na mesma direção, sabendo que as sementes cairiam no vinhedo, Rabi Akiva diz: se as sementes já produziram apenas ervas (brotos verdes recém-nascidos), que seja arado (basta revirar a terra, sem necessidade de outra medida); e se já formaram espiga verde (estágio intermediário de crescimento), que seja quebrado (arrancado e destruído fisicamente); e se já trouxe grão (maduro, no estágio final), que seja queimado (destruição mais completa, exigida pela maior gravidade do produto já formado).
Halachá: Rabi Elazar disse: a nossa Mishná fala de alguém parado em campo de cereais (branco, isto é, semeado de grãos, não de vinhedo), com o vento espalhando suas sementes para o campo do vinhedo.
Halachá: Rabi Zeirá indagou: a Mishná foi dita a respeito de quem está parado no campo de cereais, ou mesmo de quem está parado no próprio vinhedo, semeando ali diretamente? Se disseres que foi dita a respeito de quem está parado no campo de cereais, então não se aplica ao campo do vinhedo (pois, dentro do próprio vinhedo, mesmo o vento acidental não isentaria); mas se disseres que se aplica até mesmo a quem está parado no vinhedo, então a Mishná é a mesma coisa que esta outra fonte, e não haveria distinção entre elas. Ouçamos a resposta desta baraita: Rabi Shimon ben Yehudá diz, em nome de Rabi Shimon: quem semeava e o vento lhe espalhou as sementes para trás, é permitido, porque isso é acidente (forçado por circunstância alheia à sua vontade). Em que caso estamos tratando? Se fosse a respeito de quem está parado no campo do vinhedo, ele estaria realizando um trabalho proibido ali mesmo, ao semear dentro do vinhedo, e tu dirias que é permitido? Isso seria contraditório. Mas, de fato, estamos tratando de quem está parado no campo de cereais, com o vento espalhando as sementes para o campo do vinhedo (confirmando a leitura de Rabi Elazar).
Halachá: Rabi Zeirá transmitiu o que disse Rabi Shimon ben Lakish em nome de Rabi Hoshaia: "se produziram ervas, que seja arado" — tudo é permitido (pois nesse estágio inicial nada ainda se consagrou); "se espiga verde, que seja quebrado" — a palha é permitida, mas o grão é proibido (pois o grão já começou a se formar dentro da espiga); "se trouxe grão, que seja queimado" — tudo é proibido (pois, no estágio final, tanto a palha quanto o grão já se beneficiaram do crescimento completo). Rabi Yochanan disse: tudo é proibido (em todos os três estágios, sem distinção). Pergunta-se: o que significa isto que ensinamos: "se produziram ervas, que seja arado; se espiga verde, que seja quebrado; se trouxe grão, que seja queimado"? A resposta é que isso é como aquilo que ensinamos ali (em outra Mishná): a respeito da orlá e do kilayim do vinhedo — o que costuma ser queimado, que seja queimado; o que costuma ser enterrado, que seja enterrado (ou seja, a Mishná aqui apenas prescreve o método de destruição adequado a cada estágio, e não uma distinção entre permitido e proibido).
Halachá: Rabi Yaakov bar Idi, em nome de Rabi Shimon ben Lakish: às vezes a palha é permitida e o grão é proibido; às vezes a palha é proibida e o grão é permitido. Como se dá isso? Se alguém semeou com permissão (em campo livre de vinhedo) e depois as vinhas estenderam ramagem por cima dele (formando cobertura de kilayim sobre a plantação já crescida), a palha é permitida, mas o grão é proibido (pois a palha já havia crescido lícita, e só o grão, formado depois, sofreu a proibição). Mas se semeou com proibição (já debaixo da ramagem do vinhedo) e depois removeram a cobertura (cessando a condição de kilayim antes de o grão se formar), a palha é proibida, mas o grão é permitido (pois a palha cresceu sob proibição, mas o grão só se formou depois, já livre dela). Rabi Zeirá indagou: está bem entendido que a palha seja permitida e o grão proibido; mas que a palha seja proibida e o grão permitido — ora, o grão cresceu a partir do que estava debaixo do proibido, e tu dizes que é permitido? Isso é uma dificuldade. Rabi Zeirá respondeu esta dificuldade segundo sua própria posição, pois Rabi Zeirá disse em nome de Rabi Yonatan: a cebola de kilayim do vinhedo que alguém arrancou e replantou (em solo permitido) é proibida, mesmo que aumente quantas vezes for (em seu tamanho), pois o crescimento a partir do proibido nunca legitima o proibido (princípio geral que, aplicado aqui, mostra que mesmo quando o grão se forma já fora da condição proibida, algo de sua origem permanece ligado ao que cresceu sob proibição, exigindo o raciocínio próprio de Rabi Zeirá para admitir a permissão nesse caso).
Esta é a sexta halachá do Perek Heh de Massechet Kilayim. A Mishná volta a um caso de acidente, mas agora com sementes, não com hortaliça já crescida: se sementes caem, ou saem junto com esterco ou água, ou se o vento as espalha para trás de quem semeava, não há intenção de misturar as espécies, e tudo é permitido. Mas se o vento as leva para a frente do semeador — que percebe o que está acontecendo e poderia impedir, mas continua — Rabi Akiva distingue três estágios de crescimento, cada um exigindo um método de destruição próprio: arar, se ainda são ervas; quebrar, se já é espiga verde; queimar, se já trouxe grão maduro.
A guemará abre com Rabi Elazar restringindo a Mishná a quem está parado em campo de cereais, e não dentro do próprio vinhedo — leitura que Rabi Zeirá defende com uma baraita de Rabi Shimon ben Yehudá em nome de Rabi Shimon, mostrando que a permissão só faz sentido fora do vinhedo, pois dentro dele o próprio ato de semear já seria proibido. Em seguida, discute-se o sentido exato dos três estágios de Rabi Akiva: Rabi Shimon ben Lakish, em nome de Rabi Hoshaia, entende que cada estágio traz um grau diferente de proibição — tudo permitido no estágio das ervas, só o grão proibido no estágio da espiga verde, e tudo proibido no estágio do grão maduro —, enquanto Rabi Yochanan sustenta que, em todos os três estágios, tudo é proibido, e que a Mishná apenas prescreve o método de destruição adequado a cada caso, tal como se faz com a orlá e o kilayim do vinhedo em outra fonte. Por fim, Rabi Yaakov bar Idi, em nome de Rabi Shimon ben Lakish, explica os dois casos em que palha e grão recebem tratamentos opostos, conforme a ordem em que a cobertura proibida do vinhedo se formou ou foi removida em relação ao crescimento da plantação; e Rabi Zeirá levanta uma dificuldade sobre o caso em que o grão, tendo crescido a partir de uma base proibida, ainda assim seria permitido — dificuldade que ele mesmo resolve com seu próprio princípio, transmitido em nome de Rabi Yonatan, de que o crescimento a partir do proibido nunca legitima o proibido, ilustrado pela cebola de kilayim do vinhedo que, arrancada e replantada em solo permitido, permanece proibida por maior que seja seu aumento. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.