Perek Vav de Massechet Kilayim. O Perek Heh se encerrou por completo em 5:7, com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre a alcaparreira e a objeção da alcachofra. O Perek Vav continua no tema do vinhedo, e abre definindo o que é arís, a treliça de videiras junto a uma cerca ou a um fosso, e qual é o seu espaço de trabalho.
Primeira halachá do Perek Vav de Massechet Kilayim, abertura do capítulo: a Mishná ensina o que é arís (uma treliça: fileira de videiras plantada junto a uma cerca ou a um fosso, que empresta apoio às ramas) — quem planta uma fileira de cinco videiras junto a uma cerca de dez palmos de altura, ou junto a um fosso de dez palmos de profundidade e quatro de largura, dá-se a ele seu espaço de trabalho de quatro côvados (a área reservada ao cultivo da fileira, dentro da qual não se pode semear); Bet Shamai diz: medem-se os quatro côvados a partir do tronco das videiras até o campo; e Bet Hilel diz: a partir da cerca até o campo. Disse Rabi Yochanan ben Nuri: erram todos os que assim dizem; antes, se há quatro côvados do tronco das videiras até a cerca, dá-se a ele seu espaço de trabalho e semeia-se o restante. E quanto é o espaço de trabalho da videira? Seis palmos para cada lado; e Rabi Akiva diz: três. A guemará abre observando que, segundo Bet Shamai, mesmo sem essa regra a área já não seria proibida por causa de vinhedo, o que leva Reish Lakish a explicar que a Mishná trata de um arís torto (em ziguezague), com a pergunta de Rabi Yoná sobre semear entre as videiras; traz Rabi Yochanan propondo, ao contrário, que a Mishná trata de um arís alinhado, e a harmonização de Rabi Chananya, segundo a qual ambos concordam — cada posição a respeito de uma parte diferente da Mishná —, com o detalhamento de Rabi Yoná sobre troncos parcialmente dentro e parcialmente fora dos quatro côvados; segue a demonstração de Rabi Yochanan de que Rabi Yossei, Rabi Yishmael e Rabi Yochanan ben Nuri disseram, no fundo, a mesma coisa, com os casos do pequeno jardim cercado por arís e a explicação de Rabi Chananya sobre duas videiras num mesmo canto; e fecha com a halachá decidida segundo Rabi Akiva, transmitida por Rav Yehudá em nome de Rav, e segundo a opinião mais leniente fora da Terra de Israel, transmitida por Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, e confirmada por Rabi Yaakov bar Achá.
Mishná: Qual é o arís (treliça: fileira de videiras que se apoia numa cerca ou num fosso)? Quem planta uma fileira de cinco videiras junto à cerca que é alta dez palmos, ou junto a um fosso que é fundo dez palmos e largo quatro, dá-se a ele (a essa fileira) seu espaço de trabalho de quatro côvados (área reservada ao seu cultivo, dentro da qual não se pode semear). Bet Shamai dizem: medem-se os quatro côvados a partir do tronco das videiras até o campo (vizinho, onde se poderá semear); e Bet Hilel dizem: a partir da cerca até o campo. Disse Rabi Yochanan ben Nuri: erram todos os que assim dizem; antes, se há quatro côvados do tronco das videiras até a cerca (ou seja, se o espaço de trabalho já cabe inteiro entre as videiras e a cerca), dá-se a ele seu espaço de trabalho (nessa faixa) e semeia-se o restante (a partir da cerca). E quanto é o espaço de trabalho da videira (isolada, fora do contexto do arís)? Seis palmos para cada lado; e Rabi Akiva diz: três.
Halachá: E é difícil segundo a opinião de Bet Shamai: sem essa regra dos quatro côvados, já não seria proibido por causa de vinhedo (cinco videiras alinhadas junto a uma cerca não constituem, por si, um vinhedo — logo a regra do arís pareceria supérflua). Rabi Shimon ben Lakish disse: ensinaram a respeito de um arís torto (em ziguezague, cujo formato irregular já bastaria, sem a cerca, para configurar vinhedo segundo o padrão de fileiras alternadas). Se ensinaram a respeito de um arís torto, sem cerca já não seria proibido por causa de vinhedo (pois o formato torto, sozinho, não atinge o padrão mínimo de vinhedo — daí a necessidade da cerca para o proibir). Rabi Yoná pergunta: o que se pode dizer quanto a semear entre elas (as videiras do arís torto)? São elas como alinhadas, e tu dizes que é proibido semear entre elas? O que se pode dizer quanto a semear entre as videiras — como se diz a respeito do (vinhedo) em forma de losango, que é proibido semear entre as covas (mesmo ali onde o padrão parece deixar espaço); também aqui é proibido semear entre as videiras.
Halachá: Rabi Yochanan disse: ensinaram a respeito de um arís alinhado (reto). Se ensinaram a respeito de um arís alinhado, sem cerca já não seria proibido por causa de vinhedo. Diremos, então, que se ensinou por causa de Bet Hilel (apenas, e não segundo Bet Shamai)? Disse Rabi Chananya: é razoável dizer que Rabi Shimon ben Lakish concorda com Rabi Yochanan que se ensinou a respeito de um arís alinhado por causa de Bet Hilel; e Rabi Yochanan concorda com Rabi Shimon que se ensinou a respeito de um arís torto por causa de Rabi Yochanan ben Nuri, pois Rabi Yochanan ben Nuri disse: erram todos os que assim dizem (cada mestre, portanto, explica uma parte diferente da mesma Mishná). Se disseres que se ensinou a respeito de um arís alinhado, que erro há nele (na posição de Bet Shamai e Bet Hilel, segundo Rabi Yochanan ben Nuri)? Seja segundo quem diz que se mede a partir do tronco das videiras, seja segundo quem diz que se mede a partir da cerca (ambos parecem corretos nesse caso). Qual a diferença entre eles? Disse Rabi Yoná: explica-se que os troncos estavam postos, uma parte deles dentro dos quatro côvados e uma parte fora dos quatro côvados. Segundo quem diz que se mede a partir do tronco das videiras, está bem (a medida é clara); segundo quem diz que se mede a partir da cerca, o lugar onde o fio (esticado a partir da cerca) termina é proibido, e o restante é permitido. Havia ali apenas dois côvados (entre o tronco e a cerca): segundo quem diz que se mede a partir do tronco das videiras, não é proibido senão dois côvados; segundo quem diz que se mede a partir da cerca, é proibido até outros dois côvados (além disso, completando os quatro a partir da cerca).
Halachá: Disse Rabi Yochanan: Rabi Yossei, Rabi Yishmael e Rabi Yochanan ben Nuri, os três disseram a mesma coisa. Rabi Yishmael, pois ensinamos (noutra Mishná): quanto a um pequeno jardim que está cercado por arís, se há nele o suficiente para que caiba o cesto cheio de um colhedor de um lado e o cesto cheio de um colhedor do outro lado, semeia-se; e se não, não se semeia. Disse Rabi Yoná: um côvado para o colhedor e um côvado para o seu cesto, um côvado para o colhedor e um côvado para o seu cesto (dois côvados de cada lado, quatro ao todo — a mesma medida do arís desta Mishná). Quiseram dizer: segundo quem diz que se mede a partir do tronco das videiras, está bem; segundo quem diz que se mede a partir da cerca, não seriam esses troncos (das videiras do arís que cerca o jardim) que diminuem os quatro côvados? Explica-se que estavam colados à parede (sem ocupar espaço próprio que reduzisse a medida). Objetaram: não são quatro? A regra do arís é com cinco videiras, não com uma medida de côvados! Nada, pois disse Rabi Chananya: explica-se que havia duas videiras postas num mesmo canto, que, se as esticassem (em linha), pareceriam como quatro intervalos. Rabi Yossei, pois ensinamos: Rabi Yossei diz: se não há ali quatro côvados, não se traga semente para ali. Segundo quem diz que se mede a partir do tronco das videiras, está bem; segundo quem diz que se mede a partir da cerca, não seria esse tronco que diminui os quatro? Explica-se que estava colado à parede. E assim concorda Rabi Yochanan ben Nuri aqui. É razoável dizer que Rabi Yossei e Rabi Yishmael concordam com Rabi Yochanan ben Nuri; mas Rabi Yochanan ben Nuri não concorda com Rabi Yossei e Rabi Yishmael. Rabi Yossei concorda com Rabi Yishmael; Rabi Yishmael não concorda com Rabi Yossei.
Halachá: Rav Yehudá, em nome de Rav: a halachá é segundo Rabi Akiva (que fixa o espaço de trabalho da videira em três palmos, e não em seis). Rabi Yaakov bar Idi, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: a halachá é segundo as palavras de quem é mais leniente fora da Terra de Israel (entre as opiniões divergentes desta Mishná e desta halachá). Disse Rabi Yaakov bar Achá: e ensinaram ali (noutra fonte): a halachá é segundo as palavras de quem é mais leniente fora da Terra de Israel.
Esta é a primeira halachá do Perek Vav de Massechet Kilayim, que abre o capítulo. Encerrado por completo o Perek Heh em 5:7, com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre a alcaparreira e a objeção não plenamente resolvida da alcachofra, o Perek Vav permanece no tema do vinhedo e passa a definir o arís: uma fileira de cinco videiras plantada junto a uma cerca de dez palmos de altura, ou junto a um fosso de dez palmos de profundidade e quatro de largura, à qual se dá um espaço de trabalho de quatro côvados. Bet Shamai mede esses quatro côvados a partir do tronco das videiras até o campo vizinho; Bet Hilel, a partir da própria cerca; e Rabi Yochanan ben Nuri corrige ambos, propondo que, havendo já quatro côvados entre o tronco e a cerca, dá-se o espaço de trabalho ali mesmo e semeia-se o restante a partir da cerca. A Mishná fecha fixando o espaço de trabalho da videira isolada em seis palmos para cada lado, reduzido para três segundo Rabi Akiva.
A guemará abre observando uma dificuldade na posição de Bet Shamai: sem a regra do espaço de trabalho, cinco videiras junto a uma cerca já não seriam proibidas por causa de vinhedo, o que levaria a regra a parecer supérflua. Rabi Shimon ben Lakish resolve propondo que a Mishná trata de um arís torto, cujo formato em ziguezague não bastaria, por si, para configurar vinhedo — daí a função da cerca —, com a pergunta correlata de Rabi Yoná sobre a proibição de semear entre as próprias videiras do arís, comparada ao vinhedo em forma de losango. Rabi Yochanan propõe o caminho inverso: a Mishná trata de um arís alinhado, cujo formato reto tampouco bastaria sem a cerca — o que levanta a suspeita de que a Mishná refletiria apenas a opinião de Bet Hilel, resolvida por Rabi Chananya com a harmonização de que Reish Lakish e Rabi Yochanan, no fundo, concordam: cada um explica uma metade diferente da mesma Mishná, uma por causa de Bet Hilel, outra por causa de Rabi Yochanan ben Nuri — acompanhada do detalhamento de Rabi Yoná sobre troncos parcialmente dentro e parcialmente fora dos quatro côvados, e do cálculo de como a proibição se estende de modo diferente conforme se meça a partir do tronco ou a partir da cerca. Segue a demonstração de Rabi Yochanan de que Rabi Yossei, Rabi Yishmael e Rabi Yochanan ben Nuri disseram, no fundo, a mesma coisa, ilustrada pelo caso do pequeno jardim cercado por arís — que só se pode semear se sobrar o espaço de dois cestos cheios de colhedor, segundo a glosa de Rabi Yoná — e pela explicação de Rabi Chananya sobre duas videiras postas num mesmo canto, que, esticadas em linha, parecem formar quatro intervalos; a guemará também mapeia com precisão quem concorda com quem entre os quatro sábios citados. A halachá fecha com duas decisões finais: segundo Rav Yehudá em nome de Rav, a halachá segue Rabi Akiva quanto ao espaço de trabalho da videira; e segundo Rabi Yaakov bar Idi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, confirmado por Rabi Yaakov bar Achá, a halachá segue, de modo geral, a opinião mais leniente entre as divergências desta Mishná para quem vive fora da Terra de Israel. Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade.