Perek Dalet de Massechet Kilayim. O Perek Guimel se encerrou por completo em 3:6, com a regra da abóbora plantada em meio a cereal. O Perek Dalet muda de assunto: passa das hortaliças ao vinhedo, e abre com as medidas da calvície do vinhedo e do perímetro do vinhedo.
Primeira halachá do Perek Dalet de Massechet Kilayim, abertura do capítulo: a Mishná ensina as medidas da calvície do vinhedo (um vinhedo seco em seu interior) — vinte e quatro côvados segundo Bet Shamai, dezesseis segundo Bet Hilel — e do perímetro do vinhedo (a faixa entre o vinhedo e a cerca) — dezesseis côvados segundo Bet Shamai, doze segundo Bet Hilel —, definindo cada termo e as regras de quando é permitido semear dentro deles; e traz a opinião de Rabi Yehudá, que restringe o perímetro ao espaço entre dois vinhedos, e define cerca e valeta. A guemará traz Rabi Yochanan igualando a calvície ao vinhedo seco por inteiro, e a ressalva de Rabi Yossei de que a regra só vale para vinhedo grande; cita a baraita que define a calvície pelo número de videiras remanescentes, com o exemplo geométrico de cinco fileiras de sete videiras cada; traz Cahaná igualando a medida da calvície à do início da plantação, a discordância de Rabi Yochanan sobre o rigor de Bet Shamai, e o princípio de que Bet Shamai sempre acrescenta um terço; discute o espaço de trabalho da videira, o caso do treliça curvo segundo Reish Lakish, e se ripas contam como cerca; traz a distinção de Rabi Chanina de que o que é proibido não serve de divisória para salvar; discute a posição de Rabi Yehudá e a pergunta de Rabi Yoná sobre troncos alinhados; pergunta se a cerca precisa envolver todos os quatro lados, respondendo que não, com o ensino de Rabi Zeirá em nome de Rav Matená sobre vinhedo grande não ter "cauda" e vinhedo pequeno não ter perímetro; e fecha com a pergunta de Rabi Yudan sobre cerca dentro de cerca, e as posições de Rabi Yaakov bar Idi em nome de Reish Lakish, Rabi Chizkiyá e Rabi Maná sobre o espaço de doze côvados que elimina o perímetro.
Mishná: A calvície do vinhedo (a área ressecada no meio de um vinhedo, onde as videiras morreram): Bet Shamai diz vinte e quatro côvados; e Bet Hilel diz dezesseis côvados. O perímetro do vinhedo (a faixa que circunda o vinhedo por fora): Bet Shamai diz dezesseis côvados, e Bet Hilel diz doze côvados. E qual é a calvície do vinhedo? Vinhedo que secou em seu meio (ficando as videiras vivas apenas nas bordas): se não há ali dezesseis côvados (de diâmetro na área seca), não se deve trazer semente para lá (a área é pequena demais para valer como "calvície" — permanece proibida como o resto do vinhedo). Havendo ali dezesseis côvados, dá-se-lhe seu espaço de trabalho (a faixa reservada ao cultivo das videiras vizinhas) e semeia-se o restante. E qual é o perímetro do vinhedo? Entre o vinhedo e a cerca. Se não há ali doze côvados, não se deve trazer semente para lá. Havendo ali doze côvados, dá-se-lhe seu espaço de trabalho e semeia-se o restante. Rabi Yehudá diz: isto não é senão a cerca do vinhedo (a faixa contígua à cerca; Rabi Yehudá discorda da definição anterior); e qual é o perímetro do vinhedo? O (espaço entre um) vinhedo e outro, entre dois vinhedos. E o que é uma cerca? A que tem dez palmos de altura; e uma valeta, a que tem dez de profundidade e quatro de largura.
Halachá: "A calvície do vinhedo etc." Disse Rabi Yochanan: a calvície do vinhedo é o mesmo que o vinhedo seco (mencionado adiante, em 5:1 — a mesma regra de medida se aplica a ambos). A calvície do vinhedo, torna-se calva a partir de seu meio (a área ressecada fica cercada de videiras vivas em todos os lados); o vinhedo seco, torna-se calvo a partir de todos os seus lados (a área seca toca a borda do vinhedo em um, dois, três ou quatro lados). Disse Rabi Yossei: e isto é quando (a calvície) vem de uma plantação de vinhedo grande; mas se vem de uma plantação de vinhedo pequeno (que já não chega ao mínimo de duas fileiras exigido para contar como vinhedo), isto não é calvície do vinhedo (e a regra desta Mishná não se aplica).
Halachá: E ensinamos (numa baraita): qual é a calvície do vinhedo? Vinhedo que secou em seu meio e restou nele (ao redor) o suficiente para (contar como) vinhedo (pelo menos duas fileiras mínimas), seja de quatro lados, seja de três, seja de dois, um em frente ao outro (lados opostos). Como se dá isso (na prática)? Cinco fileiras de sete (videiras) cada: tirou-se uma fileira de (dentro do) vinhedo (deixando um vazio no meio); quando há (ainda) quatro fileiras de vinhedo e três intervalos (entre elas) — tirou-se outra: há ali três fileiras de vinhedo e dois intervalos; tirou-se outra: há ali duas fileiras de vinhedo e um intervalo (o mínimo que ainda conta como vinhedo remanescente ao redor de uma calvície central).
Halachá: Cahaná disse: (a medida da calvície) trata-se como o início de sua plantação (a mesma medida de vinte e quatro côvados que separa dois vinhedos ao serem plantados, ensinada adiante em 4:9, aplica-se aqui): Bet Shamai diz (que) o início de sua plantação (exige) vinte e quatro, e sua destruição (a calvície, também) vinte e quatro. Disse Rabi Yochanan: Bet Shamai é mais rigoroso em sua destruição do que em sua plantação: o início de sua plantação, dezesseis; e sua destruição, vinte e quatro. E em todas as coisas Bet Shamai acrescenta um terço (sobre a medida de Bet Hilel — princípio geral que explica a razão entre as duas escolas). O perímetro do vinhedo, na opinião de Bet Shamai, dezoito; na opinião de Bet Hilel, doze. Mas não ensinamos (na Mishná): o perímetro do vinhedo, Bet Shamai diz dezesseis côvados e Bet Hilel diz doze côvados (nem dezoito, como o princípio do terço exigiria)? Há quem queira dizer: tira-se dali quatro côvados para o trabalho (reduzindo a medida bruta antes de aplicar a proporção) — resultam doze na opinião de Bet Shamai e oito na de Bet Hilel (mantendo a proporção de três para dois).
Halachá: E o espaço de trabalho da videira, na opinião de Bet Shamai, oito côvados; e na opinião de Bet Hilel, seis côvados. Mas não ensinamos (alhures): portanto, quem semeia quatro côvados dentro do vinhedo — Bet Shamai diz que consagrou uma fileira (apenas a fileira mais próxima da semeadura fica proibida), e Bet Hilel diz que consagrou duas fileiras (porque, para Bet Hilel, o espaço de trabalho de seis côvados não cobre inteiramente os quatro côvados de distância da semente, deixando a segunda fileira também vulnerável)? Digamos que (esta baraita) foi ensinada por causa de Bet Hilel (apenas para explicar sua opinião, não contradizendo a medida de seis côvados aqui estabelecida). Mas não ensinamos: o que é um treliça (que transforma uma única fileira de cinco videiras em vinhedo pleno)? Quem planta uma fileira de cinco videiras (junto a uma cerca — e ali se dá o mesmo espaço de trabalho de quatro côvados, não seis)? Diferente é (este caso), pois disse Reish Lakish: sobre o treliça curvo (dobrado em ângulo, não reto) ensinaram isso; por causa da curvatura, duas (videiras da fileira) ficam absorvidas (escondidas no ângulo, de modo que a fileira de cinco na prática funciona como se fossem três — e por isso não prova nada sobre a medida da fileira reta).
Halachá: Não é só cerca (que conta como divisória), mas mesmo (quem) fez ripas (espaçadas): se entre uma ripa e a outra não há três palmos, são julgadas como cerca (o espaço é pequeno demais para cabra passar, e a barreira funciona legalmente como uma cerca contínua). (E a pergunta se estende:) mesmo cereal em pé, e mesmo palha (um campo de cereal alto, de dez palmos, também serviria de cerca)? E isto se ajusta ao que disse Rabi Chanina: o que é proibido (semear cereal junto ao vinhedo é, em si, proibido) não se torna divisória para salvar (um campo de cereal proibido não pode servir de "cerca" que dispensaria a distância exigida). Entendem dizer (os que fazem a pergunta): o que é proibido torna-se divisória para proibir (embora não sirva para salvar da proibição, o cereal alto ainda funciona como divisória para o efeito oposto — tornando a área entre vinhedo e cereal um "perímetro" que exige a distância maior, e não a menor distância interna ao vinhedo).
Halachá: Na opinião de Rabi Yehudá, (o perímetro entre dois vinhedos) é tratado como (se estivesse) dentro do vinhedo (um único vinhedo contínuo). Então dezesseis (côvados de distância) deveria (bastar para) proibir (pela medida da calvície, e não doze — por que Rabi Yehudá exige o mesmo perímetro?). Disse Rabi Yoná: isto que disseste é quando os troncos (as fileiras dos dois vinhedos) não estão alinhados (entre si — então a área intermediária não conta como calvície plena); mas, se os troncos estavam alinhados (paralelos, como se fossem um único vinhedo), proíbe-se em dezesseis (a medida da calvície se aplica normalmente).
Halachá: (A regra do perímetro exige que o vinhedo) esteja cercado por uma cerca em seus quatro lados (para valer a medida menor, ou basta um lado)? Do que ensinamos "entre dois vinhedos" (na opinião de Rabi Yehudá, referindo-se a apenas um lado comum entre dois vinhedos vizinhos), isto ensina que (basta a cerca) mesmo de um só lado. (E outra dúvida:) a cerca precisa envolver todo aquele lado (inteiro, de ponta a ponta do vinhedo, ou apenas parte dele já basta)? Ouçamos isto do seguinte: disse Rabi Zeirá, e Rabi Yassa em nome de Rav Matená: não há "cauda" para vinhedo grande, nem perímetro para vinhedo pequeno. Não há cauda para vinhedo grande (a quinta videira que, sozinha, prolonga um retângulo de quatro e conta como parte do "vinhedo mínimo" para vinhedos pequenos), pois não precisas dela (um vinhedo grande já conta como vinhedo sem depender dessa videira extra); e nem perímetro para vinhedo pequeno, para não proibir fora dele mais do que dentro dele: dentro dele, oito (côvados — a distância normal de semeadura dentro de um vinhedo pequeno), e fora dele, doze (a medida do perímetro, que seria maior — e por isso não se aplica a vinhedo pequeno). E qual é o vinhedo pequeno? Três (videiras) em frente a três. Eis que três em frente a três em frente a três (nove videiras em três fileiras — este sim) tem perímetro. Disse Rabi Zeirá: isto ensina que, se fez ripas em frente a três videiras, este arranjo tem perímetro (mesmo sem a terceira fileira completa de videiras vivas, a cerca de ripas junto a três videiras basta para gerar a regra do perímetro).
Halachá: Rabi Yudan perguntou: fez uma cerca dentro de outra cerca (duas cercas, uma mais próxima do vinhedo, outra mais afastada — qual determina a regra do perímetro)? E ele mesmo respondeu: se há três palmos (entre a cerca externa e o ponto de semeadura), é permitido trazer semente para lá; e se não, é proibido trazer semente para lá (a cerca externa é a que conta, desde que haja o mínimo de três palmos de folga além dela). Rabi Yaakov bar Idi em nome de Reish Lakish: havendo ali um espaço de doze côvados (entre o vinhedo e a cerca, em algum ponto), elimina-se (a exigência de) perímetro (e passa a valer a medida interna, menor, de quatro côvados de trabalho, mesmo que em outros pontos o espaço seja menor). Disse Rabi Chizkiyá: e contanto que (o espaço seja) de doze por doze (um quadrado pleno de doze côvados, não apenas doze de largura em um ponto). Disse Rabi Maná: mesmo que (a faixa) vá se estreitando continuamente (depois do ponto de doze côvados, basta que em algum lugar tenha havido essa medida cheia).
Esta é a primeira halachá do Perek Dalet de Massechet Kilayim, que abre o capítulo. Encerrado por completo o Perek Guimel em 3:6, a Mishná muda de assunto: das hortaliças e da abóbora, passa ao vinhedo, tema que domina o restante do tratado. Ensina as medidas da calvície do vinhedo — a área ressecada no meio de um vinhedo, vinte e quatro côvados para Bet Shamai e dezesseis para Bet Hilel — e do perímetro do vinhedo — a faixa entre o vinhedo e sua cerca, dezesseis côvados para Bet Shamai e doze para Bet Hilel —, define cada termo com precisão, e traz a posição divergente de Rabi Yehudá, que restringe o perímetro ao espaço entre dois vinhedos vizinhos, além das definições de cerca e de valeta.
A guemará abre com Rabi Yochanan igualando a calvície ao vinhedo seco mencionado adiante, e a ressalva de Rabi Yossei de que a regra vale só para vinhedo grande; cita a baraita que define a calvície pelo número mínimo de videiras remanescentes ao redor, ilustrada pelo exemplo geométrico de cinco fileiras de sete; traz Cahaná comparando a medida da calvície à do início da plantação, a discordância de Rabi Yochanan e o princípio de que Bet Shamai sempre acrescenta um terço sobre a medida de Bet Hilel; discute o espaço de trabalho da videira e a objeção do treliça curvo, resolvida por Reish Lakish; examina se ripas espaçadas contam como cerca, e a distinção de Rabi Chanina de que o que é proibido não serve de divisória para salvar, mas serve para proibir; discute a posição de Rabi Yehudá e a pergunta de Rabi Yoná sobre troncos alinhados; pergunta se a cerca precisa envolver os quatro lados do vinhedo ou todo um único lado, respondendo que não, com o apoio do ensino de Rabi Zeirá e Rabi Yassa em nome de Rav Matená sobre vinhedo grande não ter "cauda" e vinhedo pequeno não ter perímetro; e fecha com a pergunta de Rabi Yudan sobre cerca dentro de cerca, e as posições de Rabi Yaakov bar Idi em nome de Reish Lakish, Rabi Chizkiyá e Rabi Maná sobre o espaço de doze côvados que elimina a exigência de perímetro.