Nova Mishná: quem compra produto do pobre — e também o pobre a quem se deram fatias de pão ou pedaços de develá (bolo prensado de figos secos) — dizima de cada peça separadamente; mas tâmaras e figos secos podem ser misturados e tomados juntos, contanto que, segundo Rabi Yehuda, o donativo seja grande — se pequeno, dizima-se peça por peça. Quem compra do siton (o atacadista de grãos) e volta a comprar dele uma segunda vez não dizima de uma compra sobre a outra, mesmo que sejam do mesmo lote e do mesmo tipo; mas o siton é confiável para dizer que são da mesma fonte. A guemará discute se a mistura vale só para líquidos ou também para sólidos de até o tamanho de uma azeitona, explica a condição de Rabi Yehuda sobre doação grande e pequena com a definição numérica da academia de Rabi Yanai na época da eira, traz a pergunta de Rabi Yirmeya sobre a satisfação declarada do comprador, e fecha com o caso de quem compra do lojista e reconhece a mesma ânfora.
Mishná: Quem compra produto do pobre — e também o pobre a quem se deram fatias de pão ou pedaços de develá (bolo prensado de figos secos) — dizima de cada um separadamente (peça por peça, pois cada doação pode vir de uma fonte diferente). Mas em tâmaras e em figos secos (gerogarot), mistura e toma (pode misturar as peças recebidas de diferentes doadores e separar delas um único dízimo). Disse Rabi Yehuda: quando é isso? Quando o donativo é grande. Mas quando o donativo é pequeno, dizima de cada um separadamente. Quem compra do siton (o atacadista de grãos) e volta a comprar dele uma segunda vez não deve dizimar de uma compra sobre a outra, mesmo que sejam da mesma remessa, mesmo que sejam do mesmo tipo. Contudo, o siton é confiável para dizer que são de uma única fonte (e, nesse caso, pode-se dizimar de uma compra sobre a outra).
Rabi Yosei em nome de Rabi Pedaya, Rabi Yona em nome de Chizkiyáhu: não há mistura (para fins de dizimar junto) senão para vinho e para azeite somente. Rabi Yochanan disse: até pedaços do tamanho de azeitonas, que também podem ser misturados. Nossa Mishná discorda de Rabi Yochanan, ao ensinar: "mas em tâmaras e em figos secos, mistura e toma" (o que sugere peças maiores que uma azeitona). A guemará resolve isso, explicando que a Mishná se refere a pedaços até o tamanho de azeitonas (concordando, assim, com Rabi Yochanan).
Rabi Yosei em nome de Rabi Zeira: no demai, permitiram a mistura mais ampla segundo Rabi Yehuda, pois ensinamos: "Rabi Yehuda diz: quando é isso? Quando o donativo é grande. Mas quando o donativo é pequeno, dizima de cada um separadamente."
Na academia de Rabi Yanai dizem: a Mishná ensinou isso em referência à época da eira (quando o produto é trazido em massa, e a distinção entre donativo grande e pequeno se mede pela prática comum de doação), quando todos os doadores davam ao pobre a partir de uma colheita de cem seá (um donativo proporcionalmente grande, e por isso podia ser misturado). Mas se todos davam a partir de uma colheita de cem seá, e um doador dava a partir de cinquenta, o pobre dizima separadamente a partir desse donativo de cinquenta (pois, sendo proporcionalmente menor que o dos demais, conta como pequeno em relação ao conjunto). Se todos davam a partir de cinquenta e um doador dava a partir de quarenta, dizima a partir de quarenta. Se todos davam a partir de quarenta e um doador dava a partir de trinta, dizima a partir de trinta. Se todos davam a partir de vinte e um doador dava a partir de dez, dizima a partir de dez. Se todos davam a partir de dez e um doador dava a partir de um só, dizima de cada um separadamente.
Rabi Yirmeya perguntou: o siton continua confiável mesmo se o comprador elogiou para ele (o próprio siton) sua compra anterior, dizendo: "aquele trigo que comprei de ti ontem era bom — é daquele mesmo lote"? (Nesse caso, o siton teria interesse financeiro em confirmar que sim, pois isso o beneficiaria comercialmente, o que poderia comprometer sua confiabilidade — a pergunta fica sem resposta explícita.)
Foi ensinado: quem compra do lojista (chenvani) e volta a comprar dele uma segunda vez — se reconhece que a ânfora (de vinho ou azeite) é a mesma, dizima dela sobre a compra anterior. Mas se não reconhece aquela ânfora, não é assim (não pode dizimar de uma sobre a outra). Isso quer dizer, nos casos de vasos guardados à parte. Mas nos vasos chamados shefaya (recipientes de transporte usados para tirar vinho do reservatório e reabastecer as ânforas de venda), o costume é esvaziar uns dentro dos outros (de modo que se misturam continuamente, e por isso não se pode confiar em reconhecer um vaso específico como fonte de uma compra anterior).
Esta quinta halachá do Perek Heh traz nova Mishná: quem compra do pobre — e também o pobre a quem se deram fatias de pão ou pedaços de develá — dizima de cada peça separadamente; mas tâmaras e figos secos podem ser misturados e dizimados juntos, contanto que, segundo Rabi Yehuda, o donativo seja grande. Quem compra do siton e volta a comprar dele uma segunda vez não dizima de uma compra sobre a outra, ainda que do mesmo lote e tipo — mas o siton é confiável para afirmar que vêm da mesma fonte.
A guemará abre discutindo se a permissão de misturar antes de dizimar vale só para líquidos (vinho e azeite), segundo Rabi Yosei em nome de Rabi Pedaya e Rabi Yona em nome de Chizkiyáhu, ou também para sólidos até o tamanho de uma azeitona, segundo Rabi Yochanan — resolvendo a aparente contradição com a própria Mishná ao explicar que ela também se refere a pedaços do tamanho de azeitonas. Em seguida, Rabi Yosei em nome de Rabi Zeira explica que, no demai, a permissão mais ampla de misturar segue a posição de Rabi Yehuda sobre doação grande. A academia de Rabi Yanai então define essa distinção numericamente, situando a Mishná na época da eira, com uma escala decrescente — de cem seá até uma única unidade — em que o donativo de cada doador é medido em proporção ao dos demais: sempre que um doador dá menos que a média do grupo, o pobre deve dizimar esse donativo separadamente. Rabi Yirmeya levanta a pergunta, não resolvida, sobre se o siton permanece confiável quando o próprio comprador elogia a compra anterior, o que lhe traria interesse financeiro na resposta. A halachá fecha com o caso do comprador do lojista: se reconhece a mesma ânfora de uma compra para outra, pode dizimar de uma sobre a outra; mas isso vale apenas para vasos guardados à parte, e não para os recipientes de transporte (shefaya), que por costume são constantemente esvaziados uns dentro dos outros, misturando as fontes.