Quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Bikurim, o terceiro e último capítulo. A Mishná traz a disputa entre Rabi Shimon ben Nanas, para quem se enfeitam os bikurim com qualquer fruto exceto os das sete espécies, e Rabi Akiva, para quem só se enfeitam com as sete espécies; e as três categorias de Rabi Shimon: os bikurim, o acréscimo dos bikurim, que é da mesma espécie e tem a sua santidade, e o enfeite dos bikurim, que é de outra espécie e está sujeito ao demai. A guemará, em duas versões, de Rabi Yossi e de Rabi Mana, discute em que ponto concordam e em que ponto discordam os dois tannaim: os frutos de Amon e Moav e os frutos de fora da Terra de Israel.
Mishná: Rabi Shimon ben Nanas diz: enfeitam-se os bikurim com quaisquer frutos, exceto com os das sete espécies. Rabi Akiva diz: não se enfeitam os bikurim senão com frutos das sete espécies.
Rabi Shimon diz: há três midot (categorias) nos bikurim: os bikurim propriamente ditos, a tossefet habikurim (o acréscimo dos bikurim) e o itur bikurim (o enfeite dos bikurim). O acréscimo dos bikurim é de uma espécie junto com a sua própria espécie, e o enfeite dos bikurim é de uma espécie junto com o que não é da sua espécie. O acréscimo dos bikurim é comido em pureza, como os próprios bikurim, e está isento do demai (a separação dos dízimos sobre o produto duvidoso); e o enfeite dos bikurim está sujeito ao demai, como qualquer fruto comum.
Rabi Yossi disse: todo o mundo concorda que se enfeitam os bikurim com frutos de fora da Terra, porque as pessoas não se enganam pensando que se trazem bikurim de fora da Terra. Antes, discordam somente sobre os frutos de Amon e Moav, isto é, da Transjordânia. Para quem diz: “Enfeitam-se os bikurim exceto com as sete espécies”, enfeitam-se os bikurim com frutos de Amon e Moav, pois nada ali se confunde com os bikurim. Para quem diz: “Não se enfeitam senão com as sete espécies”, não se enfeitam os bikurim com frutos de Amon e Moav, pois as sete espécies de lá poderiam ser tomadas por bikurim. Rabi Mana disse: todo o mundo concorda que não se enfeitam os bikurim com frutos de Amon e Moav, porque as pessoas se enganam e chegam a dizer que se trazem bikurim de Amon e Moav. Em que discordam? Sobre os frutos de fora da Terra. Para quem diz: “Enfeitam-se os bikurim exceto com as sete espécies”, enfeitam-se os bikurim com frutos de fora da Terra. Para quem diz: “Não se enfeitam os bikurim senão com as sete espécies”, não se enfeitam os bikurim com frutos de fora da Terra, pois ali ninguém os confundiria, mas o enfeite deve vir da mesma Terra que os bikurim.
Esta é a quinta halachá do Perek Guimel de Massechet Bikurim, o terceiro e último capítulo. A halachá anterior terminou com os cestos de prata e de ouro dos ricos e os cestos de vime dos pobres, e com as traduções aramaicas da Torá que devem ser corrigidas; esta Mishná passa ao enfeite que se põe nos cestos: Rabi Shimon ben Nanas permite enfeitá-los com qualquer fruto exceto os das sete espécies, e Rabi Akiva só com as sete espécies. Rabi Shimon distingue três categorias: os bikurim, o acréscimo da mesma espécie, que tem a sua santidade, e o enfeite de outra espécie, que é fruto comum. Corresponde às Mishnayot Bikurim 3:9 e 3:10 da Mishná avulsa, inteiras.
A guemará é uma só passagem, em duas versões paralelas. Para Rabi Yossi, todos permitem enfeitar com frutos de fora da Terra, já que ninguém pensa que deles se trazem bikurim, e a disputa é sobre Amon e Moav; para Rabi Mana, todos proíbem Amon e Moav, onde o engano é possível, e a disputa é sobre os frutos de fora da Terra.
Observações de leitura. Na primeira frase de Rabi Yossi, o hebraico diz apenas “da Terra” ou “para a Terra” (לָאָרֶץ), e Guggenheimer traduz “com produtos da Terra”; mas a razão dada logo em seguida (“as pessoas não se enganam pensando que se trazem bikurim de fora”) e a simetria com a versão de Rabi Mana, que discute justamente os frutos de fora da Terra, mostram que se trata dos frutos de fora da Terra, e assim se traduziu, marcando a adição em itálico. A forma לְאֵלֶּא, no início da frase seguinte, é incomum; traduziu-se pelo sentido, “antes, discordam somente sobre Amon e Moav”. Nas frases de Rabi Yossi, as razões em itálico (“pois nada ali se confunde”, “poderiam ser tomadas por bikurim”) são explicação do raciocínio, não texto do Yerushalmi. Na Mishná, o texto deste Yerushalmi tem pequenas diferenças em relação à Mishná avulsa (por exemplo, עֲקִיבָה em vez de עֲקִיבָא, e “enfeite de bikurim” sem artigo na primeira enumeração), sem mudança de sentido.