Talmud Yerushalmi · Massechet Bikurim · Perek Guimel · Halachá 1 (abertura do capítulo)
בִּכּוּרִים

Como se separam os bikurim: a designação no campo e a medida de um em sessenta

Perek Guimel, Halachá 1 (abertura do capítulo), no Talmud Yerushalmi, Massechet Bikurim

Primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Bikurim, abrindo o terceiro e último capítulo: a Mishná ensina como se separam os bikurim: a pessoa desce ao seu campo, vê o primeiro figo, o primeiro cacho de uvas e a primeira romã que amadureceram, amarra-os com um junco e diz “eis que estes são bikurim”; Rabi Shimon diz que ela volta a designá-los depois que forem arrancados do solo. A guemará explica as consequências da opinião de Rabi Shimon e a razão dos rabanim, a partir do versículo “eis que trouxe as primícias do fruto da terra”; traz a pergunta de Rabi Zeirá sobre os bikurim de um ramo enxertado; e termina com a medida de um em sessenta, ensinada também por Rabi Yishmael.

Abre-se Perek Guimel de Massechet Bikurimפֶּרֶק שְׁלִישִׁי

A Mishná · מַתְנִיתִין

כֵּיצַד מַפְרִישִׁין אֶת הַבִּיכּוּרִין. יוֹרֵד אָדָם לְתוֹךְ שָׂדֵהוּ וְרוֹאֶה תְאֵינָה שֶׁבִּיכֵּירָה אֶשְׁכּוֹל שֶׁבִּיכֵּר רִימּוֹן שֶׁבִּיכֵּר קוֹשְׁרָן בְגֶמִי וְאוֹמֵר הֲרֵי אֶלּוּ בִּיכּוּרִים. רִבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר אַף עַל פִּי שֶׁזֶּה כֵן חוֹזֵר וְקוֹרֵא אוֹתָם בִּיכּוּרִין מֵאַחַר שֶׁיִּתָּלְשׁוּ מִן הַקַּרְקַע.

Mishná: Como se separam os bikurim (os primeiros frutos levados ao Templo)? Uma pessoa desce ao seu campo e vê um figo que amadureceu primeiro, um cacho de uvas que amadureceu primeiro, uma romã que amadureceu primeiro; então amarra-os com um junco, com os frutos ainda presos à planta, e diz: eis que estes são bikurim. Rabi Shimon diz: ainda que seja assim, ele volta e os designa de novo como bikurim depois que forem arrancados do solo.

A Halachá · הֲלָכָה א

01Rabi Shimon e os rabanim: designar os bikurim ainda presos à planta
Yerushalmi · Bikurim 3:1
כֵּיצַד מַפְרִישִׁין אֶת הַבִּיכּוּרִין כול׳. עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן לֹא קָרָא שֵׁם בְּתָלוּשׁ לֹא קִידְּשׁוּ אֵינָן מְדַמְּעִין אֵין חַיָיב עֲלֵיהֶן חוֹמֶשׁ וְאֵין לוֹקִין עֲלֵיהֶן חוּץ לַחוֹמָה. מַה טַעֲמָא דְּרַבָּנִין. וְעַתָּה הִנֵּה הֵבֵאתִי אֶת רֵאשִׁית פְּרִי הָאֲדָמָה. בִּשְׁעַת הֲבָאָה פֶּרִי אַף בִּשְׁעַת הַפְרָשָׁה. אֲפִילוּ בוֹסֵר אֲפִילוּ פַגִּים. עַל דַּעְתֵּיהּ דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן מַה בִּשְׁעַת הֲבָאָה פֶּרִי אַף בִּשְׁעַת הַפְרָשָׁה פֶּרִי.

“Como se separam os bikurim etc.” Segundo a opinião de Rabi Shimon, se não designou o nome de bikurim quando os frutos já estavam arrancados, os frutos não se consagraram: se se misturaram com produto comum, não causam demua (a mistura que fica proibida aos que não são cohanim); não se está obrigado, por eles, ao chomesh (o acréscimo de um quinto, pago por quem os come por engano); e não se recebem chicotadas por eles quando são comidos fora da muralha de Jerusalém. Qual é a razão dos rabanim? “E agora, eis que trouxe as primícias do fruto da terra” (Devarim 26:10): na hora de trazê-los, exige-se que sejam fruto; mas também na hora da separação? Não, pois podem ser separados mesmo como bosser (as uvas ainda verdes), mesmo como pagim (os figos ainda verdes). Segundo a opinião de Rabi Shimon: assim como na hora de trazê-los exige-se que sejam fruto, também na hora da separação exige-se que sejam fruto, e por isso ele volta a designá-los depois de colhidos.

02A pergunta de Rabi Zeirá: os bikurim de um ramo enxertado
Yerushalmi · Bikurim 3:1
רִבִּי זְעִירָא בָּעֵי. בִּיכּוּרֵי יִיחוּר מַהוּ שֶׁיַּתִירוּ חֲנָטוֹ.

Rabi Zeirá perguntou: os bikurim de um yichur (um ramo enxertado na árvore), qual é a lei: será que permitem a sua chanatá (os frutos da árvore que só começam a brotar), dispensando-os de serem designados depois?

03A medida de um em sessenta
Yerushalmi · Bikurim 3:1
תַּנֵּי הַבִּיכּוּרִים אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. רֵאשִׁית הַגֵּז אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. תְּרוּמָה טְמֵיאָה אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. תַּנֵּי רִבִּי יִשְׁמָעֵאל הַבִּיכּוּרִים אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. פֵּיאָה אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. רֵאשִׁית הַגֵּז אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. תְּרוּמָה טְמֵיאָה אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. תְּרוּמָה שֶׁאֵין הַכֹּהֲנִים מַקְפִּידִין עָלֶיהָ אֶחָד מִשִּׁשִּׁים. מַה אִית לָךְ. כְּגוֹן תְּרוּמַת הַכְּלֵיסִין וְהֶחָרוּבִין וּשְׂעוֹרִין שֶׁבְּאֶדּוֹם.

Ensinou-se: os bikurim, dá-se um em sessenta da colheita; a reshit hagez (as primícias da tosquia, dadas ao cohen), um em sessenta; a terumá impura, um em sessenta. Rabi Yishmael ensinou: os bikurim, um em sessenta; a peá (o canto do campo deixado aos pobres), um em sessenta; a reshit hagez, um em sessenta; a terumá impura, um em sessenta; a terumá com a qual os cohanim não se importam, também um em sessenta. O que tens como exemplo dela? Por exemplo, a terumá de kelissin (um tipo de fruto de pouco valor), a de alfarrobas e a da cevada que há em Edom, com as quais os cohanim não se importam.

Nota

Esta é a primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Bikurim, abrindo o terceiro e último capítulo: a Mishná ensina como se designam os bikurim ainda no campo, e Rabi Shimon acrescenta que é preciso designá-los de novo depois de colhidos. Corresponde à Mishná Bikurim 3:1 da Mishná avulsa.

A guemará mostra que, para Rabi Shimon, a designação feita sobre o fruto ainda preso à planta não o consagra, e por isso ele não está sujeito às leis dos bikurim: a mistura com produto comum, o acréscimo do quinto e a pena de quem os come fora de Jerusalém (Devarim 12:17). Os rabanim derivam do versículo da apresentação (Devarim 26:10) que só na hora de trazer se exige fruto maduro, e por isso a separação vale mesmo sobre frutos verdes; Rabi Shimon aprende do mesmo versículo que também a separação exige fruto. Segue-se a pergunta de Rabi Zeirá sobre o ramo enxertado, e por fim a baraita da medida de um em sessenta para os bikurim, as primícias da tosquia (Devarim 18:4), a terumá impura e, segundo Rabi Yishmael, também a peá (Vayikrá 19:9) e a terumá com a qual os cohanim não se importam.

Observações de leitura. Na seção 01, Guggenheimer lê a frase dos rabanim como pergunta retórica: na hora de trazer se exige fruto, mas também na hora da separação? Não, pode-se separar mesmo uvas e figos verdes. Na seção 02, segundo Guggenheimer, a pergunta é se, quando um ramo enxertado já tem frutos reconhecíveis e o tronco original só tem brotos, a designação de um fruto do enxerto dispensa designar depois um fruto da árvore original; a pergunta fica sem resposta. Na seção 03, segundo ele, a medida de um em sessenta para os bikurim é aceita por Maimônides como regra rabínica. A terumá de kelissin, de alfarrobas e da cevada de Edom aparece também em Orlá 2:1.