Primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Bikurim, abrindo o terceiro e último capítulo: a Mishná ensina como se separam os bikurim: a pessoa desce ao seu campo, vê o primeiro figo, o primeiro cacho de uvas e a primeira romã que amadureceram, amarra-os com um junco e diz “eis que estes são bikurim”; Rabi Shimon diz que ela volta a designá-los depois que forem arrancados do solo. A guemará explica as consequências da opinião de Rabi Shimon e a razão dos rabanim, a partir do versículo “eis que trouxe as primícias do fruto da terra”; traz a pergunta de Rabi Zeirá sobre os bikurim de um ramo enxertado; e termina com a medida de um em sessenta, ensinada também por Rabi Yishmael.
Mishná: Como se separam os bikurim (os primeiros frutos levados ao Templo)? Uma pessoa desce ao seu campo e vê um figo que amadureceu primeiro, um cacho de uvas que amadureceu primeiro, uma romã que amadureceu primeiro; então amarra-os com um junco, com os frutos ainda presos à planta, e diz: eis que estes são bikurim. Rabi Shimon diz: ainda que seja assim, ele volta e os designa de novo como bikurim depois que forem arrancados do solo.
“Como se separam os bikurim etc.” Segundo a opinião de Rabi Shimon, se não designou o nome de bikurim quando os frutos já estavam arrancados, os frutos não se consagraram: se se misturaram com produto comum, não causam demua (a mistura que fica proibida aos que não são cohanim); não se está obrigado, por eles, ao chomesh (o acréscimo de um quinto, pago por quem os come por engano); e não se recebem chicotadas por eles quando são comidos fora da muralha de Jerusalém. Qual é a razão dos rabanim? “E agora, eis que trouxe as primícias do fruto da terra” (Devarim 26:10): na hora de trazê-los, exige-se que sejam fruto; mas também na hora da separação? Não, pois podem ser separados mesmo como bosser (as uvas ainda verdes), mesmo como pagim (os figos ainda verdes). Segundo a opinião de Rabi Shimon: assim como na hora de trazê-los exige-se que sejam fruto, também na hora da separação exige-se que sejam fruto, e por isso ele volta a designá-los depois de colhidos.
Rabi Zeirá perguntou: os bikurim de um yichur (um ramo enxertado na árvore), qual é a lei: será que permitem a sua chanatá (os frutos da árvore que só começam a brotar), dispensando-os de serem designados depois?
Ensinou-se: os bikurim, dá-se um em sessenta da colheita; a reshit hagez (as primícias da tosquia, dadas ao cohen), um em sessenta; a terumá impura, um em sessenta. Rabi Yishmael ensinou: os bikurim, um em sessenta; a peá (o canto do campo deixado aos pobres), um em sessenta; a reshit hagez, um em sessenta; a terumá impura, um em sessenta; a terumá com a qual os cohanim não se importam, também um em sessenta. O que tens como exemplo dela? Por exemplo, a terumá de kelissin (um tipo de fruto de pouco valor), a de alfarrobas e a da cevada que há em Edom, com as quais os cohanim não se importam.
Esta é a primeira halachá do Perek Guimel de Massechet Bikurim, abrindo o terceiro e último capítulo: a Mishná ensina como se designam os bikurim ainda no campo, e Rabi Shimon acrescenta que é preciso designá-los de novo depois de colhidos. Corresponde à Mishná Bikurim 3:1 da Mishná avulsa.
A guemará mostra que, para Rabi Shimon, a designação feita sobre o fruto ainda preso à planta não o consagra, e por isso ele não está sujeito às leis dos bikurim: a mistura com produto comum, o acréscimo do quinto e a pena de quem os come fora de Jerusalém (Devarim 12:17). Os rabanim derivam do versículo da apresentação (Devarim 26:10) que só na hora de trazer se exige fruto maduro, e por isso a separação vale mesmo sobre frutos verdes; Rabi Shimon aprende do mesmo versículo que também a separação exige fruto. Segue-se a pergunta de Rabi Zeirá sobre o ramo enxertado, e por fim a baraita da medida de um em sessenta para os bikurim, as primícias da tosquia (Devarim 18:4), a terumá impura e, segundo Rabi Yishmael, também a peá (Vayikrá 19:9) e a terumá com a qual os cohanim não se importam.
Observações de leitura. Na seção 01, Guggenheimer lê a frase dos rabanim como pergunta retórica: na hora de trazer se exige fruto, mas também na hora da separação? Não, pode-se separar mesmo uvas e figos verdes. Na seção 02, segundo Guggenheimer, a pergunta é se, quando um ramo enxertado já tem frutos reconhecíveis e o tronco original só tem brotos, a designação de um fruto do enxerto dispensa designar depois um fruto da árvore original; a pergunta fica sem resposta. Na seção 03, segundo ele, a medida de um em sessenta para os bikurim é aceita por Maimônides como regra rabínica. A terumá de kelissin, de alfarrobas e da cevada de Edom aparece também em Orlá 2:1.