Quinta halachá do Perek Bet de Massechet Bikurim. A Mishná ensina que o sangue do ser humano se iguala ao sangue do animal para o hechsher das sementes, isto é, para torná-las suscetíveis à impureza, e que não se é culpado por comer o sangue do sheretz. A guemará traz o ensino de Rav, segundo o qual quem foi advertido e comeu o sangue do sheretz é açoitado; a resposta de Rabi Ba, de que a Mishná exclui apenas o karet; a objeção a partir da baraita que exclui esse sangue da proibição; e a distinção de Rabi Chiya bar Ada entre a advertência pelo sangue e a advertência pelo shékets.
Mishná: O sangue dos seres que andam sobre dois pés, isto é, do ser humano, se iguala ao sangue do animal doméstico para o hechsher (tornar suscetíveis à impureza) dos zeraim (as sementes e os produtos do campo). E, quanto ao sangue do sheretz (o réptil impuro), não se é culpado por ele, quando alguém o come.
Rabi Ba disse em nome de Rav Huna, em nome de Rav: se o advertiram, e mesmo assim comeu o sangue do sheretz, ele é açoitado. Mas não aprendemos na Mishná: “e, quanto ao sangue do sheretz, não se é culpado por ele”? Disse Rabi Ba: não se é culpado por ele da pena de karet (a extirpação), mas pode-se ser açoitado. Mas não se ensinou numa baraita, que exclui da proibição do sangue: “o sangue dos seres que andam sobre dois pés, no qual não há impureza leve; o sangue do sheretz, no qual não há impureza grave”? Se o sangue do sheretz está excluído da proibição, por que seria açoitado? Disse Rabi Chiya bar Ada: isso que dizes vale quando o advertiram por causa da proibição do sangue; mas se o advertiram por causa da proibição do shékets (a criatura abominável), ele é açoitado, pois o sangue é parte do corpo do sheretz.
Esta é a quinta halachá do Perek Bet de Massechet Bikurim. Corresponde à Mishná Bikurim 2:7 da Mishná avulsa, inteira.
A Mishná ensina que o sangue do ser humano, como o sangue do animal, torna as sementes e os produtos do campo suscetíveis à impureza, e que não se é culpado por comer o sangue do sheretz. A guemará discute se quem come esse sangue, depois de advertido, é açoitado: Rabi Ba explica que a Mishná só exclui o karet; a baraita parece excluir o sangue do sheretz de toda a proibição do sangue; e Rabi Chiya bar Ada responde que o açoite vem da proibição do shékets, e não da proibição do sangue.
Observações de leitura. Segundo Guggenheimer, os “que andam sobre dois pés” são os seres humanos; os produtos do campo só se tornam suscetíveis à impureza depois de um contato desejado com um líquido, e o sangue humano tem esse efeito como o do animal; a proibição bíblica de comer sangue limita-se ao sangue da ave e do animal (Vayikrá 7:26), e a pena de karet para quem o come está em Vayikrá 7:27. Os sheratzim impuros são as oito espécies enumeradas em Vayikrá 11:29–30; como a sua impureza não distingue carne e sangue, comer o seu sangue equivale a comer a sua carne, uma transgressão simples, sem karet. Na seção 01, Guggenheimer lê “Rabi Abba” onde o hebraico traz Rabi Ba; segundo ele, no Talmud Bavli (Keritot 21b) o ensino é de Rav Yehudá em nome de Rav, e a resposta de Rabi Chiya bar Ada aparece em nome de Rabi Zeirá. A baraita citada está, de forma mais completa, no Sifra sobre Vayikrá 7:26 e no Talmud Bavli, Keritot 20b: a ave e o animal têm impureza leve e impureza grave, ao passo que o ser humano não é fonte de impureza leve e o sheretz não é fonte de impureza grave, e por isso o sangue de ambos fica fora da proibição do versículo.