Talmud Yerushalmi · Massechet Bikurim · Perek Bet · Halachá 2
בִּכּוּרִים

O maasser e os bikurim: o Lugar, o viduy e o onen; os gidulin e a mechitzá de Jerusalém

Perek Bet, Halachá 2, no Talmud Yerushalmi, Massechet Bikurim

Segunda halachá do Perek Bet de Massechet Bikurim. A Mishná ensina que o maasser e os bikurim exigem ser trazidos ao Lugar, exigem viduy e são proibidos ao onen, que estão sujeitos ao biur e que, em Jerusalém, proíbem em qualquer quantidade, até para os zarim e para o animal, o que não é assim para a terumá; Rabi Shimon diverge. A guemará deriva cada regra dos versículos de Devarim; corrige o texto da Mishná quanto aos gidulin e discute a mechitzá de Jerusalém; distingue as misturas dos gidulin e o maasser, que não tem aliyá, dos bikurim, que a têm; traz o episódio em que Rabi Yochanan se disse o Ben Azai daqui, e a resposta de Rabi Yanai; e pergunta, à luz da Mishná de Maasser Sheni, se quem tem só terumá faz o viduy.

A Mishná · מַתְנִיתִין

יֵשׁ בְּמַעֲשֵׂר וּבְבִיכּוּרִים מַה שֶׁאֵין כֵּן בִּתְרוּמָה. שֶׁהַמַּעֲשֵׂר וְהַבִּיכּוּרִים טְעוּנִין הֲבָאַת מָקוֹם וּטְעוּנִין וִידּוּי וַאֲסוּרִין לָאוֹנֵן. רִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר. וְחַיָיבִין בַּבִּיעוּר וְרִבִּי שִׁמְעוֹן פּוֹטֵר. וְאוֹסְרִין כָּל שֶׁהֵן מִלּוֹכַל בִּירוּשָׁלֵם אַף לְזָרִים וְאַף לִבְהֵמָה. רִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר. הֲרֵי אֵילּוּ בְּמַעֲשֵׂר וּבְבִכּוּרִים מַה שֶׁאֵין כֵּן בִּתְרוּמָה.

Mishná: Há no maasser (o dízimo; aqui, o maasser sheni, que se come em Jerusalém) e nos bikurim (os primeiros frutos levados ao Templo) o que não é assim na terumá (a porção da colheita dada ao cohen): que o maasser e os bikurim exigem ser trazidos ao Lugar que Deus escolheu, exigem viduy (a declaração recitada perante Deus) e são proibidos ao onen (o enlutado no dia da morte de um parente próximo, antes do sepultamento); Rabi Shimon permite os bikurim ao onen. E estão sujeitos ao biur (a remoção dos dízimos e das coisas sagradas da casa, na véspera de Pessach do quarto e do sétimo ano do ciclo), e Rabi Shimon isenta os bikurim. E proíbem, em qualquer quantidade, de comer em Jerusalém, isto é, se caem em produto comum dentro de Jerusalém, a mistura não se anula e só pode ser comida segundo as suas próprias regras, até para os zarim (os que não são cohanim) e até para o animal; Rabi Shimon permite. Estas regras valem para o maasser e para os bikurim, o que não é assim para a terumá.

A Halachá · הֲלָכָה ב

01Trazidos ao Lugar: “a terumá da vossa mão”
Yerushalmi · Bikurim 2:2
טְעוּנִין הֲבָאַת מָקוֹם. דִּכְתִיב וַהֲבֵאתֶם שָׁמָּה עוֹלוֹתֵיכֶם וְזִבְחֵיכֶם וְאֵת מַעְשְׂרוֹתֵיכֶם וְאֵת תְּרוּמַת יֶדְכֶם. תְּרוּמַת יֶדְכֶם אֵילּוּ הַבִּיכּוּרִים. דִּכְתִיב וְלָקַח הַכֹּהֵן הַטֶּנֶא מִיָּדֶךָ.

“Exigem ser trazidos ao Lugar.” De onde se aprende? Pois está escrito: “E trareis para lá os vossos holocaustos e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos e a terumá da vossa mão” (Devarim 12:6). “A terumá da vossa mão”: estes são os bikurim, pois a respeito deles está escrito: “e o cohen tomará o cesto da tua mão” (Devarim 26:4).

02Os bikurim e “o sagrado” de que se falou acima
Yerushalmi · Bikurim 2:2
עַד כְּדוֹן מַעֲשֵׂר. בִּיכּוּרִים מְנַיִין. כַּיי דְאָמַר רִבִּי יַעֲקֹב בַּר חָמָא בְשֵׁם רִבִּי לָעְזָר. הַקּוֹדֶשׁ הַקּוֹדֶשׁ הָעֶלְיוֹן מַשְׁמַע.

Até agora, aprendemos isso para o maasser; os bikurim, de onde se aprende que entram também no viduy dos dízimos? Como disse Rabi Yaakov bar Chamá em nome de Rabi Elazar: “o sagrado” (Devarim 26:13), “o sagrado”: o sagrado de que se falou acima na Torá, isto é, os bikurim do trecho anterior, se entende nessa palavra.

03Exigem viduy: “e responderás e dirás”
Yerushalmi · Bikurim 2:2
וּטְעוּנִין וִידּוּי. דִּכְתִיב וְעָנִיתָ וְאָמַרְתָּ לִפְנֵי יי אֱלֹהֶיךָ. עַד כְּדוֹן מַעֲשֵׂר. בִּיכּוּרִין מְנַיִין. כַּיי דְאָמַר רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא בְשֵׁם רִבִּי לָעְזָר. הַקּוֹדֶשׁ הָעֶלְיוֹן בְּמַשְׁמַע.

“E exigem viduy.” De onde se aprende? Pois está escrito: “E responderás e dirás perante o Eterno, teu Deus” (Devarim 26:5). Até agora, aprendemos isso para o maasser; os bikurim, de onde? Como disse Rabi Yaakov bar Acha em nome de Rabi Elazar: o sagrado de que se falou acima está incluído no sentido de “o sagrado” (Devarim 26:13).

04Proibidos ao onen: “não comi dele no meu luto”
Yerushalmi · Bikurim 2:2
וַאֲסוּרִין לָאוֹנֵן. דִּכְתִּיב לֹא אָכַלְתִּי בְּאוֹנִי מִמֶּנּוּ. עַד כְּדוֹן מַעֲשֵׂר. בִּיכּוּרִין מְנַיִין. כַּיי דְאָמַר רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא בְשֵׁם רִבִּי לָעְזָר. הַקּוֹדֶשׁ הַקּוֹדֶשׁ הָעֶלְיוֹן בְּמַשְׁמַע.

“E são proibidos ao onen.” De onde se aprende? Pois está escrito: “Não comi dele no meu luto” (Devarim 26:14). Até agora, aprendemos isso para o maasser; os bikurim, de onde? Como disse Rabi Yaakov bar Acha em nome de Rabi Elazar: “o sagrado” (Devarim 26:13), “o sagrado”: o sagrado de que se falou acima está incluído no sentido dessa palavra.

05Rabi Shimon não diverge quanto ao viduy
Yerushalmi · Bikurim 2:2
תַּנִּינָן כָּל אִילֵּין מִילַּיָּא וְרִבִּי שִׁמְעוֹן פַּלִּיג. גַּבֵּי וִידּוּי לֵית רִבִּי שִׁמְעוֹן פַּלִּיג. וִידּוּי זוֹ קִרְיָיה. וְלֵית רִבִּי שִׁמְעוֹן פַּלִּיג דִּכְתִיב וְעָנִיתָ וְאָמַרְתָּ.

Ensinamos na Mishná todas estas coisas, e Rabi Shimon diverge em cada uma delas. Mas quanto ao viduy, Rabi Shimon não diverge. O viduy dos bikurim: esta é a leitura da declaração; e nela Rabi Shimon não diverge, pois está escrito: “E responderás e dirás” (Devarim 26:5), e o versículo fala expressamente dos bikurim.

06“Assim é a Mishná”: os gidulin e a mechitzá de Jerusalém
Yerushalmi · Bikurim 2:2
כֵּינִי מַתְנִיתָא וְאוֹסְרִין כָּל שֶׁהֵן מִלּוֹכַל בִּירוּשָׁלֵם. רִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר. וְגִידוּלֵיהֶן אֲסוּרִין מִלּוֹכַל בִּירוּשָׁלֵם וְרִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר. וְאַף לְזָרִים וְאַף לִבְהֵמָה רִבִּי שִׁמְעוֹן מַתִּיר. וְאוּף רַבָּנִין מוֹדוֹי לֵיהּ. מִן דּוּ מָתִיב לוֹן. אֵין אַתֶּם מוֹדִין בָּהֶן מוּתָּרִין לְזָרִים שֶׁהֵן מוּתָּרִין לַאֲכִילַת בְּהֵמָה. וְיֵשׁ מְחִצָה לַאֲכִילַת זָרִים וְיֵשׁ מְחִצָה לַאֲכִילַת בְּהֵמָה. כְּשֵׁם שֶׁאֵין מְחִצָה לְזָרִים כָּךְ אֵין מְחִצָה לַאֲכִילַת בְּהֵמָה. רַבָּנִין אָמְרִין יְרוּשָׁלֵם עָשׂוּ אוֹתָהּ כְּדָבָר שֶׁאֵין לוֹ מַתִּירִין. כְּמַה דְתֵימַר דָּבָר שֶׁאֵין לוֹ מַתִּירִין אֹסֵור כָּל שֶׁהוּא. וְדִכְוָותֵיהּ יְרוּשָׁלֵם אוֹסֵר כָּל שֶׁהוּא.

Assim é o texto da Mishná: “E proíbem, em qualquer quantidade, de comer em Jerusalém; Rabi Shimon permite. E os seus gidulin (as plantas que crescem deles, quando são semeados) são proibidos de comer em Jerusalém, isto é, ficam sujeitos às mesmas regras, e Rabi Shimon permite. E até para os zarim e até para o animal, Rabi Shimon permite.” Também os rabanim concordam com ele, a julgar pelo que ele lhes objeta: “Não admitis, a respeito deles, que, quando são permitidos aos zarim, são permitidos para alimento do animal? E há mechitzá (a muralha de Jerusalém, dentro da qual o sagrado deve ser comido) para o comer dos zarim, e há mechitzá para o alimento do animal? Assim como não há mechitzá para os zarim, assim não há mechitzá para o alimento do animal”. Os rabanim dizem: Jerusalém, fizeram-na como coisa que não tem meio de permissão. Assim como dizes que coisa que não tem meio de permissão proíbe em qualquer quantidade, do mesmo modo Jerusalém proíbe em qualquer quantidade.

07Gidulin e eruvin; o maasser não tem aliyá, os bikurim têm
Yerushalmi · Bikurim 2:2
מַה פְלִיגִין רִבִּי שִׁמְעוֹן וְרַבָּנִין. בְּגִידּוּלִין. אֲבָל בְּעֵירוּבִין אוּף רִבִּי שִׁמְעוֹן מוֹדֵיי. מַה בֵין עֵירוּבִין מַה בֵין גִּידּוּלִין. עֵירוּבִין בְּעֵיְינָן הֵן. גִּידּוּלִין כְּבָר בָּטְלוּ. כְּמַה דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן מוֹדֵי לְרַבָּנִין בְּעֵירוּבֵי מַעֲשֵׂר. אֲבָל בְּעֵירוּבֵי בִּיכּוּרִין כְּגִידּוּלִין הֵן. וְכֵן הָיָה רִבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר. אֵין הַבִּיכּוּרִין אוֹסְרִין אֶת עֵירוּבֵיהֶן וְגִידּוּלֵיהֶן מִלּוֹכַל בִּירוּשָׁלֵם. מַה בֵין מַעֲשֵׂר מַה בֵין בִּיכּוּרִין. מַעֲשֵׂר אֵין לוֹ עֲלִיָיה. בִּכּוּרִים יֵשׁ לָהֶן עֲלִיָיה. הֲוֵי מַה דְּרִבִּי שִׁמְעוֹן מוֹדֵי לָרַבָּנִין בַּדָּבָר שֶׁאֵין לוֹ עֲלִיָיה. מוֹדֵי רִבִּי שִׁמְעוֹן בְּאוֹתָהּ הַסְּאָה שֶׁהֶעֱלָה מִתּוֹךְ סְאָה שֶׁהִוא טְעוּנָה מְחִיצָה וּטְעוֹנָה הֲנָיָיה. וְרַבָּנִין אָמְרִין כּוּלְּהֶן טְעוּנוֹת מְחִיצָה וּטְעוּנוֹת הֲנָיָיה.

Em que divergem Rabi Shimon e os rabanim? Nos gidulin. Mas nos eruvin (as misturas com produto comum) também Rabi Shimon concorda. Que diferença há entre os eruvin e os gidulin? Os eruvin estão na sua essência, pois o sagrado continua presente na mistura; os gidulin já se anularam, pois a semente desapareceu na planta. Aquilo em que Rabi Shimon concorda com os rabanim é nos eruvin do maasser; mas, nos eruvin dos bikurim, estes são como os gidulin. E assim dizia Rabi Shimon: os bikurim não proíbem os seus eruvin e os seus gidulin de comer em Jerusalém. Que diferença há entre o maasser e os bikurim? O maasser não tem aliyá (a “subida”, a anulação pela retirada de uma porção igual à que caiu, como na terumá, que sobe em um e cem); os bikurim têm aliyá. Resulta que aquilo em que Rabi Shimon concorda com os rabanim é em coisa que não tem aliyá. Rabi Shimon concorda, a respeito daquela seá que o dono retirou por uma seá de bikurim que caiu na mistura, que ela exige mechitzá e exige proveito, isto é, deve ser comida dentro da muralha e não pode ser destruída. E os rabanim dizem: todas elas, as do maasser e as dos bikurim, exigem mechitzá e exigem proveito.

08“Eu sou o Ben Azai daqui”: a semente que não perece
Yerushalmi · Bikurim 2:2
רִבִּי יוֹחָנָן אָזַל לְחָד אָתָר אָמַר אֲנָא בֶּן עַזַּיי דְּהָכָא. אָתָא חַד סָב שָׁאַל לֵיהּ. אָמַר גִּידּוּלֵי תְרוּמָה תְרוּמָה וְגִידּוּלֵי גִידּוּלִין חוּלִין. אֲבָל טֵבֵל וּמַעֲשֵׂר שֵׁינִי וּמַעֲשֵׂר רִאשׁוֹן וּסְפִיחֵי שְׁבִיעִית וּתְרוּמַת חוּץ לָאָרֶץ הַמְּדוּמָּע וְהַבִּיכּוּרִין גִּידוּלֵיהֶן חוּלִין. תַּמָּן אַתְּ אָמַר גִּידּוּלֵיהֶן מוּתָּרִין. וְהָכָא אַתְּ אָמַר גִּידּוּלֵיהֶן אֲסוּרִין. אָמַר לֵיהּ. הֵן דְּתֵימַר גִּידּוּלֵיהֶן מוּתָּרִין בְּדָבָר שֶׁזַּרְעוֹ כָלָה. וְהֵן דְּתֵימַר גִּידּוּלֵיהֶן אֲסוּרִין בְּדָבָר שֶׁאֵין זַרְעוֹ כָלָה. אָמַר לֵיהּ וְהָתַנִּינָן אֵי זֶהוּ דָבָר שֶׁאֵין זַרְעוֹ כָלָה. כְּגוֹן הַלּוּף וְהַשּׁוּם וְהַבְּצָלִים. וְהַלּוּף וְהַשּׁוּם וְהַבְּצָלִים חַיָיבִין בְּבִיכּוּרִים. אָמַר אָזַל בֶּן עַזַּאי דְּהָכָא אַתְּ אָמַר. שָׁאַל לְרִבִּי יַנַּאי. אָמַר לֵיהּ לְמַעֲשֵׂר הוּשְׁבָה דָּבָר שֶׁאֵין זַרְעוֹ כָלָה.

Rabi Yochanan foi a um lugar e disse: eu sou o Ben Azai daqui, isto é, podem perguntar-me o que quiserem, como a Ben Azai, que respondia a tudo. Veio um ancião e perguntou-lhe. Disse o ancião: ensinamos na Mishná: “Os gidulin da terumá são terumá, e os gidulin dos gidulin são chulin (produto profano). Mas o tevel (o produto do qual ainda não se separaram as porções devidas), o maasser sheni, o maasser rishon, os sefichei sheviit (o que brota por si no ano sabático), a terumá de fora da Terra, o meduma (a mistura de terumá com produto comum) e os bikurim: os seus gidulin são chulin.” Lá dizes que os seus gidulin são permitidos, e aqui dizes que os seus gidulin são proibidos! Disse-lhe: onde dizes que os seus gidulin são permitidos, é em coisa cuja semente perece; e onde dizes que os seus gidulin são proibidos, é em coisa cuja semente não perece. Disse-lhe: mas não ensinamos: “Qual é a coisa cuja semente não perece? Por exemplo, o luf (uma planta de bulbo, o arum), o alho e as cebolas”? E o luf, o alho e as cebolas estão obrigados aos bikurim? Os bikurim só se trazem das sete espécies! Disse Rabi Yochanan: foi-se o Ben Azai daqui, bem podes dizer. Perguntou a Rabi Yanai, que lhe disse: a regra da coisa cuja semente não perece foi dita para o maasser.

09A posição de Rabi Yochanan; a proibição da mechitzá e a permissão aos zarim
Yerushalmi · Bikurim 2:2
מִחְלְפָה שִׁיטָּתֵיהּ דְּרִבִּי יוֹחָנָן. תַּמָּן אָמַר רִבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי. לְקַרְנָהּ שֶׁלִּנְבֵילָה הוּשְׁבָה. אָמַר לֵיהּ לֹא כֵן אִילְפָן רִבִּי. רָאִיתִי כִגְרִיס שְׁנַיִם. וְאָמַר אוּף הָכָא וְגִידּוּלֵיהֶן. וְעוֹד מִן הָדָא. לֹא תוּכַל לֶאֱכֹל בִּשְׁעָרֶיךָ מַעֲשַׂר דְּגָנְךָ. בְּאֵי זֶה מַעֲשֵׂר אֲמָרוֹ. בְּמַעֲשֵׂר שֵׁינִי הַטָּהוֹר שֶׁנִּכְנַס לִירוּשָׁלֵם וְיָצָא. וְעוֹד מִן הָדָא דְתַנֵּי לָהּ רִבִּי שִׁמְעוֹן. תַּנֵּי בְשֵׁם רִבִּי שִׁמְעוֹן יֵשׁ בְּמַעֲשֵׂר שֶׁהַמַּעֲשֵׂר אוֹסֵר דָּמָיו וְעֵירוּבָיו וְקַנְקָנָיו וְסָפֵק עֵירוּבוֹ כָּל שֶׁהוּא וְאֵין מַדְלִיקִין בּוֹ. וְאָמַר אוּף בְּגִידּוּלִין כֵּן. אָמַר רִבִּי הִילָא הֵן דְּתֵימַר גִּידּוּלֵיהֶן אֲסוּרִין רַבָּנִין. וְהֵן דְּתֵימַר גִּידּוּלֵיהֶן מוּתָּרִין רִבִּי שִׁמְעוֹן. אָמְרוּ לֵיהּ. וְהָתַנִּינָן גִּידוּלֵי הֶקְדֵּשׁ וּמַעֲשֵׂר שֵׁינִי חוּלִין וּפוֹדֶה אוֹתָן בִּזְמַן זַרְעוֹ. לְאֵי זֶה דָבָר הוּא פוֹדֶה אוֹתָן. לֹא מִפְּנֵי קְדוּשָׁה שֶׁיֵּשׁ בָּהֶן. אוּף הָכָא יִטְעֲנוּ מְחִיצָה מִפְּנֵי קְדוּשָׁה שֶׁיֵּשׁ בָּהֶן. רִבִּי יִרְמְיָה רִבִּי אִימִּי בְשֵׁם רִבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן לָקִישׁ. הֶן דְּתֵימַר גִּידּוּלֵיהֶן אֲסוּרִין אִיסּוּר מְחִיצָה. וְהֵן דְּתֵימַר גִּידּוּלֵיהֶן מוּתָּרִין הֵיתֵר זָרוּת. הֲרֵי אֵילּוּ בְּמַעֲשֵׂר וּבְבִיכּוּרִין מַה שֶׁאֵין כֵּן בִּתְרוּמָה.

A posição de Rabi Yochanan parece invertida. Lá, disse Rabi Yehoshua ben Levi: aquilo foi dito para o chifre da nevelá (o animal morto sem abate ritual). Disse-lhe: não nos ensinou assim o mestre: “vi”: como uma fava, dois? E que diga também aqui: “e os seus gidulin”! E mais, desta: “Não poderás comer nas tuas portas o dízimo do teu cereal” (Devarim 12:17). De que maasser o disse? Do maasser sheni puro que entrou em Jerusalém e saiu. E mais, desta que ensinou Rabi Shimon. Ensinou-se em nome de Rabi Shimon: há no maasser uma regra própria: que o maasser proíbe o seu dinheiro, as suas misturas e os seus jarros, e a dúvida da sua mistura, em qualquer quantidade, e não se acende a lamparina com ele. E que diga também: nos gidulin, assim! Disse Rabi Hila: onde dizes que os seus gidulin são proibidos, são os rabanim; e onde dizes que os seus gidulin são permitidos, é Rabi Shimon. Disseram-lhe: mas não ensinamos: “Os gidulin do hekdesh (o que foi consagrado ao Templo) e do maasser sheni são chulin, e redimem-se segundo o tempo da sua semeadura”? Por que razão os redime? Não é por causa da santidade que há neles? Também aqui, que exijam mechitzá por causa da santidade que há neles! Rabi Yirmeyá, Rabi Imi, em nome de Rabi Shimon ben Lakish: onde dizes que os seus gidulin são proibidos, trata-se da proibição da mechitzá; e onde dizes que os seus gidulin são permitidos, trata-se da permissão aos zarim. “Estas regras valem para o maasser e para os bikurim, o que não é assim para a terumá.”

10O viduy de quem tem só terumá
Yerushalmi · Bikurim 2:2
תַּמָּן תַּנִּינָן וְגַם נְתַתִּיו זוֹ תְרוּמָה וּתְרוּמַת מַעֲשֵׂר. תַּמָּן אַתְּ אָמַר תְּרוּמָה טְעוּנָה וִידּוּי. וְהָכָא אַתְּ אָמַר תְּרוּמָה אֵין טְעוּנָה וִידּוּי. אָמַר רִבִּי הִילָא תַּנֵּיי תַמָּן הַתְּרוּמָה וְהַבִּכּוּרִים. אֶחָד הַנּוֹתְנָן וְאֶחָד הַנּוֹטְלָן טְעוּנִין וִידּוּי. אָמַר רִבִּי זְעִירָה רַבָּנִין דְּתַמָּן סָבְרִין וְרַבָּנִין דְּהָכָא אָמְרִין מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ מַעֲשֵׂר בִּפְנֵי עַצְמוֹ מִתְוַדֶּה. מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ תְּרוּמָה בִּפְנֵי עַצְמוֹ אֵינוֹ מִתְוַדֶּה. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי מַתְנִיתָא אָמְרָה כֵן. רִבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר יֵשׁ לָהֶן עָרֵי מִקְלָט. מַה נָן קַיָימִין. אִם בִּתְרוּמָה וּמַעֲשֵׂר שֶׁלּוֹ הֵן. אֵלָּא כִּי נָן קַיָימִין בִּתְרוּמָה. אָמַר רִבִּי הִילָא שְׁמָעִנָן מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ מַעֲשֵׂר בִּפְנֵי עַצְמוֹ מִתְוַדֶּה. מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ בִּיכּוּרִין בִּיכּוּרִין בִּפְנֵי עַצְמָן מִתְוַודֶּה. שְׁמָעִנָן מִי שֶׁיֵּשׁ לוֹ תְרוּמָה בִּפְנֵי עַצְמָהּ מִתְוַדֶּה.

Lá, na Mishná de Maasser Sheni 5:10, ensinamos: “‘E também o dei’ (Devarim 26:13): esta é a terumá e a terumat maasser (a terumá que o levita separa do seu dízimo).” Lá dizes que a terumá exige viduy, e aqui dizes que a terumá não exige viduy! Disse Rabi Hila: ensinaram lá: a terumá e os bikurim, tanto quem os dá quanto quem os recebe, exigem viduy. Disse Rabi Zeirá: os rabanim de lá pensam, e os rabanim daqui dizem: quem tem maasser por si só faz o viduy; quem tem terumá por si só não faz o viduy. Disse Rabi Yossi: a Mishná diz assim, a respeito dos cohanim e dos levitas, que não receberam porção na Terra: “Rabi Yossi diz: eles têm cidades de refúgio”, e por isso fazem o viduy. Onde estamos? Se se trata de terumá e maasser que são seus, não haveria novidade; antes, é na terumá que o cohen recebeu que estamos. Disse Rabi Hila: ouvimos que quem tem maasser por si só faz o viduy; e que quem tem bikurim, bikurim por si sós, faz o viduy; ouvimos agora que quem tem terumá por si só faz o viduy.

Nota

Esta é a segunda halachá do Perek Bet de Massechet Bikurim. Corresponde à Mishná Bikurim 2:2 da Mishná avulsa, inteira.

A Mishná continua a série de comparações entre a terumá, os bikurim e o maasser, agora enumerando o que vale para o maasser e para os bikurim e não para a terumá. A guemará deriva dos versículos de Devarim cada uma das regras, ser trazidos ao Lugar, o viduy e a proibição ao onen, estendendo-as do maasser aos bikurim pela palavra “o sagrado”; observa que Rabi Shimon não diverge quanto ao viduy dos bikurim, que é a leitura da declaração; corrige o texto da Mishná, acrescentando os gidulin, e discute a objeção de Rabi Shimon sobre a mechitzá de Jerusalém e a resposta dos rabanim, de que Jerusalém foi tratada como coisa que não tem meio de permissão; distingue as misturas dos gidulin e o maasser, que não tem aliyá, dos bikurim, que a têm; traz o episódio em que Rabi Yochanan se disse o Ben Azai daqui e não soube responder, e a resposta de Rabi Yanai; e termina perguntando, a partir da Mishná de Maasser Sheni, se quem tem só terumá faz o viduy.

Observações de leitura. O texto da Mishná no Yerushalmi não traz a frase sobre os gidulin, que está na Mishná avulsa; a seção 06 a acrescenta ao dizer “assim é a Mishná”. Na seção 02, o hebraico traz Rabi Yaakov bar Chamá, e nas seções 03 e 04, Rabi Yaakov bar Acha; Guggenheimer lê bar Chamá também na seção 03, e observa que os comentaristas corrigem bar Chamá para bar Acha. Ele explica a seção 02 assim: quem faz o viduy dos dízimos não pode ter em casa bikurim ainda não entregues; e nota que a tradição dos tannaim, na Mishná de Maasser Sheni 5:10, entende “o sagrado” como o maasser sheni e o fruto do quarto ano. Na seção 03, o hebraico traz “o sagrado” uma só vez (הַקּוֹדֶשׁ הָעֶלְיוֹן בְּמַשְׁמַע), e não duas, como nas seções 02 e 04; a tradução segue essa forma, e nada da frase foi omitido. Ainda na seção 03, o versículo “e responderás e dirás” (Devarim 26:5) fala dos bikurim, e não do maasser; segundo Guggenheimer, as frases seguintes foram copiadas por engano da seção anterior. Na seção 06, a expressão “coisa que não tem meio de permissão” aparece no Talmud Bavli e na Tosefta na forma inversa, “coisa que tem meio de permissão”, como observa Guggenheimer; traduzimos o hebraico. A frase “também os rabanim concordam com ele” é uma afirmação: o aramaico וְאוּף, “e também”, introduz uma constatação, provada em seguida pela objeção de Rabi Shimon, que parte de uma premissa que os rabanim admitem; Guggenheimer a formula como pergunta retórica negativa, que equivale a uma afirmação. Na seção 08, o ancião cita a Mishná de Terumot 9:4 incluindo o maasser sheni, que ali não consta na lista; e a pergunta seguinte cita Terumot 9:6. Na seção 09, o sentido das palavras de Rabi Yehoshua ben Levi sobre o chifre da nevelá e da frase “vi: como uma fava, dois” é incerto; Guggenheimer, seguindo Rabi Eliyahu Fulda, remete a primeira a uma explicação de Shemot 21:28 e a segunda à praga das casas (Vayikra 14:35–37), em que são necessárias duas manchas do tamanho de uma fava. A Mishná citada no fim da seção 09 é Terumot 9:4. Na seção 10, a Mishná de Rabi Yossi é Maasser Sheni 5:14, que diz “cidades de pastagem”, onde o hebraico do Yerushalmi lê “cidades de refúgio”; e, segundo Guggenheimer, “lá” se refere à Babilônia. Seguimos o hebraico nos nomes Rabi Imi e Rabi Yirmeyá, que Guggenheimer lê como Rabi Ammi e Rabi Jeremiah; Lazar, forma abreviada de Elazar, é traduzido Rabi Elazar, como em Guggenheimer (Rabi Eleazar).