Oitava halachá do Perek Alef de Massechet Bikurim. A Mishná ensina que trazem e recitam desde Atzeret até o Chag os que trazem das sete espécies, dos frutos dos montes, das tâmaras dos vales, das azeitonas de azeite e de além do Jordão; Rabi Yossi HaGlili diz que de além do Jordão não se trazem bikurim, porque não é terra que mana leite e mel. A guemará ensina que a terra que mana leite e mel são dezesseis mil em redor de Tzipori, e que, medindo em linha reta, Beit Shean e o vale de Ginossar ficam dentro dela; responde à objeção tirada de Shemot; e explica, em nome de Rabi Avin, que a diferença entre as opiniões da Mishná é a terra da meia tribo de Menashe.
Mishná: Estes recitam a declaração: os que trazem e recitam desde Atzeret (Shavuot) até o Chag (Sucot), quando trazem das sete espécies com que a Terra de Israel foi louvada (Devarim 8:8), dos frutos que crescem nos montes, das tâmaras que crescem nos vales, e das azeitonas de azeite, e também os que trazem de além do Jordão. Rabi Yossi HaGlili diz: não se trazem bikurim (primeiros frutos) de além do Jordão, porque aquela terra não é “terra que mana leite e mel” (Devarim 26:9), como diz a declaração.
Rabi Yossi, em nome de Rabi Shimon ben Lakish; Rabi Yoná e Rabi Zeirá, em nome de Rabi Chanina: dezesseis mil (milhas romanas) em redor, em redor de Tzipori: esses, esses são a terra que mana leite e mel. Disse Rabi Yoná: quem mede em linha reta, como quem corta através dos montes, encontra que estes arredores de Beit Shean fazem parte deles, isto é, ficam dentro dessa medida; quem mede assim encontra que este vale de Ginossar faz parte deles. Objetaram a Rabi Yoná: mas não está escrito: “E disse: Far-vos-ei subir da aflição do Egito” (Shemot 3:17) “para uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel” (Shemot 3:8)? Isso parece dizer que toda a Terra de Israel mana leite e mel! Disse-lhes: entenda-se “uma terra” na qual há lugares que manam leite e mel.
Ensinou-se numa baraita: “Que me deste” (Devarim 26:10): e não o que tomei para mim por mim mesmo. Que diferença há entre eles, isto é, entre os sábios da Mishná e Rabi Yossi HaGlili? Disse Rabi Avin: a meia tribo de Menashe é a diferença entre eles. Quem diz que a razão é “que me deste”, e não o que tomei por mim mesmo, admite que se tragam bikurim da terra da meia tribo de Menashe, porque eles não a tomaram por si mesmos. Quem diz que a razão é “terra que mana leite e mel” (Devarim 26:9), sustenta que, mesmo assim, aquela não é terra que mana leite e mel, e dali não se trazem bikurim.
Esta é a oitava halachá do Perek Alef de Massechet Bikurim. Corresponde à Mishná Bikurim 1:10 da Mishná avulsa, inteira.
A guemará define, em nome de Rabi Shimon ben Lakish e de Rabi Chanina, que a terra que mana leite e mel são dezesseis mil em redor de Tzipori, e Rabi Yoná acrescenta que, medindo em linha reta, os arredores de Beit Shean e o vale de Ginossar ficam dentro dessa medida; responde à objeção tirada dos versículos de Shemot, lendo “uma terra na qual há lugares que manam leite e mel”; e explica, em nome de Rabi Avin, que a discussão entre os sábios da Mishná e Rabi Yossi HaGlili sobre os bikurim de além do Jordão tem consequência prática na terra da meia tribo de Menashe.
Observações de leitura. Na seção 01, o versículo citado junta palavras de Shemot 3:17 (“far-vos-ei subir da aflição do Egito”) e de Shemot 3:8 (“uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel”), como indica também Guggenheimer. A palavra traduzida por “arredores” de Beit Shean é de sentido incerto; seguimos a leitura de Guggenheimer. O verbo traduzido por “medir em linha reta” é, segundo ele, medir como se a vara atravessasse os montes, sempre na horizontal, como no Talmud Bavli, Eruvin 58b; e o Bavli, Ketubot 111b, traz uma tradição semelhante sobre a medida em torno de Tzipori. Na seção 02, Guggenheimer remete as palavras “terra que mana leite e mel” a Devarim 26:10; na declaração, porém, elas estão em Devarim 26:9 (e também em 26:15), e Devarim 26:10 é o versículo de “que me deste”. Na segunda vez em que a seção 02 cita “que me deste”, o hebraico traz נָתַתִּי, “dei”, aparentemente em lugar de נָתַתָּה, “deste”, como na primeira citação; traduzimos pelo sentido da primeira. Guggenheimer observa que Reuven e Gad eram pastores, e não agricultores, e que por isso a diferença prática recai sobre a meia tribo de Menashe; segundo ele, para o tanna desta baraita, “que me deste” exclui os frutos das terras conquistadas fora das fronteiras da promessa.