Sétima halachá do Perek Alef de Massechet Bikurim. A Mishná ensina que quem separou os seus bikurim e vendeu o campo traz e não recita, e que o comprador não traz da mesma espécie, contra a opinião de Rabi Yehudá; que, se os bikurim apodreceram, foram roubados, se perderam ou se tornaram impuros, traz outros em lugar deles, e pelos segundos não se é obrigado ao chomesh; que ele é responsável por eles até que os traga ao Monte do Templo; e que quem trouxe de uma espécie e recitou não recita ao trazer de outra. A guemará explica a razão dos rabanim pelo versículo “declaro hoje”; traz a palavra de Rabi Yochanan de que a isenção do quinto é a opinião de um só sábio, e pergunta se os bikurim de substituição são acréscimo ou ornamento quanto ao demai; ensina, em nome de Rabi Yossi bar Chanina, que os cestos dos bikurim impuros são dados aos cohanim; e termina com o ensinamento de Rabi Shimon ben Yochai: “e dirás”, “e te alegrarás”.
Mishná: Se alguém separou os seus bikurim (primeiros frutos) e depois vendeu o seu campo, traz os bikurim e não recita a declaração, porque já não tem a terra. E o segundo, o comprador: da mesma espécie não traz; de outra espécie, traz e recita. Rabi Yehudá diz: também da mesma espécie traz e recita. Se separou os seus bikurim e eles apodreceram, foram saqueados, foram roubados, se perderam ou se tornaram impuros, traz outros em lugar deles e não recita sobre eles; e pelos segundos não se é obrigado ao chomesh (quinto), que se acrescenta pelos primeiros, que têm a lei da terumá. Se se tornaram impuros no pátio do Templo, esparrama-os para fora do cesto e não recita. E de onde se aprende que ele é responsável por eles até que os traga ao Monte do Templo? Porque está dito: “O princípio dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Eterno, teu Deus” etc. (Shemot 23:19). Isso ensina que ele é responsável por eles até que os traga ao Monte do Templo. Eis que, se alguém trouxe de uma espécie e recitou, e voltou e trouxe de outra espécie, não recita de novo.
Qual é a razão dos rabanim, que dizem que o comprador não traz da mesma espécie? Está escrito: “Declaro hoje” (Devarim 26:3): uma vez só se declara sobre uma espécie, e não se declara uma segunda vez. E Rabi Yudá não sustenta assim? Sustenta-o no caso de uma só pessoa; mas no caso de duas pessoas, uma declara, e a outra volta a declarar.
Disse Rabi Yochanan: em nome de um sábio individual eu ensino esta cláusula da Mishná, que diz que pelos segundos não se é obrigado ao quinto. E assim se ensinou numa baraita: “Rabi Shimon ben Yehudá diz em nome de Rabi Shimon: pelos segundos não se é obrigado ao chomesh (quinto).” Rabi Shmuel bar Rav Yitzchak, em nome de Rav Huna: os segundos, pode-se comprá-los até mesmo no mercado. Como tu os tratas? Como acréscimo dos bikurim ou como ornamento dos bikurim? Se os tratares como acréscimo dos bikurim, estão isentos do demai (produto de procedência duvidosa quanto aos dízimos); se os tratares como ornamento dos bikurim, estão obrigados ao regime do demai.
“Se se tornaram impuros no pátio do Templo, esparrama-os e não recita.” Rabi Chama bar Ukva, em nome de Rabi Yossi bar Chanina: se os bikurim se tornaram impuros, os cestos em que vieram são dados aos cohanim, pois está escrito: “E o cohen tomará o cesto da tua mão” (Devarim 26:4).
Para quem foi necessária esta última cláusula da Mishná? Para Rabi Yudá: ainda que Rabi Yudá diga que, quando são duas pessoas, uma declara e a outra volta a declarar, ele concorda que “eis que, se alguém trouxe de uma espécie e recitou, e voltou e trouxe de outra espécie, este não recita”. Disse Rabi Yonatan: assim ensinou Rabi Shimon ben Yochai: “E dirás” (Devarim 26:5), “e te alegrarás” (Devarim 26:11); vale dizer: recita-se sobre a alegria, isto é, quando se traz pela primeira vez, com a alegria plena; e a segunda vez já não é como a primeira.
Esta é a sétima halachá do Perek Alef de Massechet Bikurim. Corresponde às Mishnayot Bikurim 1:7, 1:8 e 1:9 da Mishná avulsa, inteiras.
A guemará explica, a partir de “declaro hoje”, por que o comprador não traz da mesma espécie, e por que Rabi Yudá o permite quando são duas pessoas; mostra que a isenção do quinto pelos bikurim de substituição é a opinião de um só sábio, Rabi Shimon, e pergunta se esses bikurim, que podem ser comprados no mercado, são tratados como acréscimo ou como ornamento dos bikurim quanto ao demai; ensina que, se os bikurim se tornaram impuros no pátio do Templo, os cestos são dados aos cohanim; e explica, com os versículos “e dirás” e “e te alegrarás”, por que quem trouxe de uma espécie e recitou não recita de novo ao trazer de outra.
Observações de leitura. Na Mishná, o versículo “o princípio dos primeiros frutos da tua terra trarás à casa do Eterno, teu Deus” é Shemot 23:19 (e também Shemot 34:26); Guggenheimer remete a Devarim 26:3, que é o versículo de “declaro hoje”, citado na seção 01. Ainda na Mishná, o hebraico diz que, pelos bikurim perdidos ou impuros, o dono traz outros em lugar deles “e não recita”; a tradução de Guggenheimer não traz essas palavras. Na seção 02, segundo Guggenheimer, a cláusula que Rabi Yochanan atribui a um só sábio é a de que pelos segundos não se é obrigado ao quinto, que a Tosefta (Bikurim 1:5) atribui a Rabi Shimon; e o acréscimo e o ornamento são os frutos que se juntavam aos bikurim, da mesma espécie ou de outras espécies, conforme a Mishná Bikurim 3:10 da Mishná avulsa. Na seção 03, Guggenheimer explica que os cestos não se tornam impuros junto com os frutos, e que são dados aos cohanim porque a intenção original era entregar os bikurim nos seus cestos. Na seção 04, as palavras “e dirás” aparecem em Devarim 26:3 e 26:5; seguimos Guggenheimer, que remete a 26:5, o início da declaração.