Talmud Bavli · Massechet Terumot · Perek Chet
פֶּרֶק שְׁמִינִי

Mishná de Terumot, oitavo perek — adaptada à trilha Bavli

12 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Terumot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"A mulher que estava comendo teruma"
Abre-se o Perek Chet: a mulher, o servo, ou o cohen que estava comendo teruma legitimamente e, no meio da refeição, seu status muda — o marido morre ou a divorcia; o senhor do servo morre, o vende a um israelita, o presenteia ou o liberta; ou se descobre que o cohen é filho de divorciada ou de chalutzá — debate entre Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua sobre a restituição do quinto, sobre a validade das oferendas já sacrificadas, e sobre o cohen com mácula física

A mulher (filha de israelita casada com um cohen, apta a comer teruma por causa do casamento) que estava comendo teruma (legitimamente, como esposa de cohen), vieram e lhe disseram: teu marido morreu, ou te divorciou (e, retroativamente ao momento da notícia, ela deixa de ter o direito de comer teruma — mas o que já comeu antes de saber, comeu licitamente). E, igualmente, o servo (de um cohen) que estava comendo teruma (pois o servo cananeu de um cohen come teruma por direito próprio de aquisição), e vieram e lhe disseram: teu senhor morreu, ou te vendeu a um israelita, ou te deu de presente (a um israelita), ou te libertou (passa a não poder mais comer teruma a partir do momento da notícia). E, igualmente, o cohen que estava comendo teruma (supondo-se apto), e se soube que ele é filho de divorciada ou de chalutzá (descendência que o desqualifica retroativamente do sacerdócio) — Rabi Eliezer obriga ao principal e ao quinto (sobre tudo o que foi comido, mesmo antes de se saber, por considerar que a proibição já existia objetivamente desde o nascimento), e Rabi Yehoshua isenta (considerando que, enquanto ele agiu de boa-fé sem saber de sua condição, não há obrigação de restituir com o acréscimo do quinto, reservado ao consumo consciente e culposo). Se ele estava de pé, oferecendo sobre o altar (realizando o serviço sacerdotal, supondo-se apto), e se soube que é filho de divorciada ou de chalutzá — Rabi Eliezer diz: todos os sacrifícios que ele ofereceu sobre o altar são inválidos (retroativamente, por ele nunca ter sido de fato apto). E Rabi Yehoshua valida (os serviços já realizados, mantendo a mesma lenidade do caso anterior). Se se soube que ele tem uma mácula física, seu serviço é inválido (mesmo segundo Rabi Yehoshua, pois a mácula física é uma desqualificação evidente e objetiva, diferente da genealogia oculta).

הָאִשָּׁה שֶׁהָיְתָה אוֹכֶלֶת בִּתְרוּמָה, בָּאוּ וְאָמְרוּ לָהּ, מֵת בַּעְלִיךְ אוֹ גֵרְשֵׁךְ, וְכֵן הָעֶבֶד שֶׁהָיָה אוֹכֵל בִּתְרוּמָה, וּבָאוּ וְאָמְרוּ לוֹ, מֵת רַבָּךְ, אוֹ מְכָרָךְ לְיִשְׂרָאֵל, אוֹ נְתָנָךְ בְּמַתָּנָה, אוֹ עֲשָׂאָךְ בֶּן חוֹרִין. וְכֵן כֹּהֵן שֶׁהָיָה אוֹכֵל בִּתְרוּמָה, וְנוֹדַע שֶׁהוּא בֶן גְּרוּשָׁה אוֹ בֶן חֲלוּצָה, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְחַיֵּב קֶרֶן וְחֹמֶשׁ, וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ פּוֹטֵר. הָיָה עוֹמֵד וּמַקְרִיב עַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ, וְנוֹדַע שֶׁהוּא בֶן גְּרוּשָׁה אוֹ בֶן חֲלוּצָה, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, כָּל הַקָּרְבָּנוֹת שֶׁהִקְרִיב עַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ, פְּסוּלִים. וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ מַכְשִׁיר. נוֹדַע שֶׁהוּא בַעַל מוּם, עֲבוֹדָתוֹ פְּסוּלָה:
Mishná 2"E todos eles, tendo teruma na boca"
Continua-se o Perek Chet: todos os casos da mishná anterior, quando a teruma ainda está na boca no momento em que chega a notícia — debate entre Rabi Eliezer (engolir) e Rabi Yehoshua (cuspir); e o mesmo debate quando a notícia é de impureza pessoal ou da própria teruma; mas concordam que se deve cuspir quando já se sabe, antes de pôr na boca, que se estava impuro, que a teruma era impura, que era tevel, que era primeiro dízimo sem a teruma retirada, segundo dízimo ou consagrado não resgatados, ou quando se sente na boca o sabor de um inseto

E todos eles (a mulher, o servo, e o cohen dos casos da mishná anterior), tendo teruma dentro de sua boca (no exato momento em que lhes chega a notícia da mudança de status) — Rabi Eliezer diz: que engulam (pois, no momento em que puseram a teruma na boca, ainda eram aptos, e o ato de comer já havia começado licitamente). E Rabi Yehoshua diz: que cuspam (por prudência, mesmo que o início do ato tenha sido lícito, uma vez que a condição mudou antes de a deglutição se completar). Se lhes disseram: tu te tornaste impuro, e a teruma se tornou impura (ambos ao mesmo tempo, enquanto a teruma ainda está na boca) — Rabi Eliezer diz: que engula (pelo mesmo princípio anterior). E Rabi Yehoshua diz: que cuspa (por igual prudência). Mas se já se estava impuro, e a teruma já era impura (antes mesmo de pôr a teruma na boca, ou seja, o ato de comer já começou de modo objetivamente proibido), ou se soube que era tevel (produto do qual nem teruma nem dízimos foram ainda retirados, e portanto proibido a todos), e primeiro dízimo do qual não foi retirada sua teruma (que ainda contém teruma embutida e proibida), e segundo dízimo e consagrado que não foram resgatados (e, portanto, ainda mantêm sua santidade e proibição), ou se sentiu o sabor de um inseto dentro de sua boca — eis que, em todos esses casos, deve cuspir (pois, ao contrário dos casos anteriores, aqui o início do ato já era objetivamente proibido, sem qualquer margem de licitude inicial — e mesmo Rabi Eliezer concorda).

וְכֻלָּם, שֶׁהָיְתָה תְרוּמָה בְתוֹךְ פִּיהֶם, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יִבְלְעוּ. וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, יִפְלֹטוּ. אָמְרוּ לוֹ, נִטְמֵאתָ וְנִטְמֵאת תְּרוּמָה, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יִבְלָע. וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, יִפְלֹט. טָמֵא הָיִיתָ וּטְמֵאָה הָיְתָה תְרוּמָה, אוֹ נוֹדַע שֶׁהוּא טֶבֶל, וּמַעֲשֵׂר רִאשׁוֹן שֶׁלֹּא נִטְּלָה תְרוּמָתוֹ, וּמַעֲשֵׂר שֵׁנִי וְהֶקְדֵּשׁ שֶׁלֹּא נִפְדּוּ, אוֹ שֶׁטָּעַם טַעַם פִּשְׁפֵּשׁ לְתוֹךְ פִּיו, הֲרֵי זֶה יִפְלֹט:
Mishná 3"Estava comendo um cacho de uvas"
Encerra-se o tema da mudança de condição durante a refeição: quem estava comendo um cacho de uvas como consumo ocasional e entrou do jardim para o pátio, onde se fixa a obrigação do dízimo — debate entre Rabi Eliezer (pode terminar, saindo do pátio) e Rabi Yehoshua (não pode terminar); e quem estava assim comendo quando anoiteceu na sexta-feira à noite, fixando também a obrigação do dízimo — debate invertido entre os dois sábios

Estava comendo (consumo ocasional, não uma refeição formal, do tipo permitido antes da separação do dízimo) um cacho de uvas (colhido no jardim), e entrou do jardim para o pátio (e o pátio é o lugar que fixa a obrigação do dízimo — a partir do momento em que o produto entra no pátio do dono, mesmo o consumo ocasional passa a exigir a separação prévia do dízimo) — Rabi Eliezer diz: que termine (de comer, mas entende-se que ele deve primeiro sair do pátio de volta ao jardim para terminar, pois dentro do pátio mesmo o consumo ocasional já está proibido sem o dízimo). E Rabi Yehoshua diz: que não termine (nem mesmo saindo, pois, uma vez que o produto entrou no pátio e a obrigação se fixou, ela persiste mesmo que ele volte ao jardim). Anoiteceu na sexta-feira à noite (início do Shabat, que, segundo esta opinião, também fixa a obrigação do dízimo mesmo sobre o consumo ocasional, pois nesse momento tudo se torna "pronto" e destinado ao prazer do Shabat) — Rabi Yehoshua diz: que termine (de comer, até a saída do Shabat, mas não durante o próprio Shabat). E Rabi Eliezer diz: que não termine (sequer depois do Shabat, sem antes separar o dízimo).

הָיָה אוֹכֵל בְּאֶשְׁכּוֹל וְנִכְנַס מִן הַגִּנָּה לֶחָצֵר, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יִגְמֹר. וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, לֹא יִגְמֹר. חֲשֵׁכָה לֵילֵי שַׁבָּת, רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, יִגְמֹר. וְרַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, לֹא יִגְמֹר:
Mishná 4"Vinho de teruma que foi descoberto"
Abre-se o tema do perigo à vida: vinho de teruma que foi descoberto deve ser derramado, e nem é preciso dizer que também o de produto comum; três líquidos são proibidos por causa do descobrimento — a água, o vinho e o leite; os demais líquidos são permitidos; e quanto tempo devem ficar descobertos para se tornarem proibidos — o suficiente para que o réptil venha de um lugar próximo e beba

Vinho de teruma que foi descoberto (deixado sem tampa, exposto, por tempo suficiente para que uma cobra viesse beber dele) deve ser derramado (pois presume-se que uma cobra possa ter bebido dele e deixado veneno, tornando-o perigoso ao consumo, e não há aqui perda real da teruma, já que era de qualquer modo proibido bebê-lo), e não é preciso dizer que o mesmo vale para o produto comum (vinho comum descoberto, que também deve ser derramado — a menção de que isso vale até para a teruma, normalmente tratada com mais rigor quanto a evitar perdas, ensina por argumento a fortiori que vale ainda mais para o produto comum). Três líquidos são proibidos por causa do descobrimento: a água, o vinho, e o leite (pois répteis venenosos, como cobras, costumam beber especificamente desses três). E todos os demais líquidos são permitidos (pois répteis venenosos não costumam beber deles, por seu sabor ou consistência). Quanto tempo devem ficar descobertos para se tornarem proibidos? O suficiente para que o réptil (a cobra, ou criatura semelhante que se arrasta) saia de um lugar próximo e beba (ou seja, o tempo mínimo necessário para que uma cobra escondida nas proximidades pudesse sair de seu esconderijo, chegar ao recipiente, beber, e retornar sem ser vista).

יַיִן שֶׁל תְּרוּמָה שֶׁנִּתְגַּלָּה, יִשָּׁפֵךְ, וְאֵין צָרִיךְ לוֹמַר שֶׁל חֻלִּין. שְׁלֹשָׁה מַשְׁקִין אֲסוּרִים מִשּׁוּם גִּלּוּי, הַמַּיִם וְהַיַּיִן וְהֶחָלָב. וּשְׁאָר כָּל הַמַּשְׁקִין מֻתָּרִים. כַּמָּה יִשְׁהוּ וְיִהְיוּ אֲסוּרִין, כְּדֵי שֶׁיֵּצֵא הָרַחַשׁ מִמָּקוֹם קָרוֹב וְיִשְׁתֶּה:
Mishná 5"A medida da água descoberta"
Continua o tema do perigo à vida: a medida da água descoberta que a torna proibida é o suficiente para que o veneno não se perca nela por diluição; Rabi Yosei distingue entre recipientes, onde qualquer quantidade é proibida, e o solo, onde a medida é de quarenta seá

A medida da água descoberta (necessária para que se torne proibida) é a que baste para que se perca nela o veneno (ou seja, se a quantidade de água for grande o suficiente para diluir e neutralizar o veneno de uma cobra, de modo que ele deixe de ser prejudicial, então a água permanece permitida, mesmo tendo ficado descoberta). Rabi Yosei diz: em recipientes, qualquer quantidade (mesmo uma grande quantidade de água guardada em um recipiente é proibida se descoberta, pois o veneno, concentrado no espaço fechado do recipiente, não se dilui o suficiente), mas no solo, quarenta seá (uma medida grande — cerca de trezentos e trinta litros — sendo que, abaixo dessa quantidade, mesmo no chão ou em uma poça, a água descoberta é proibida, mas acima dela, o volume é considerado suficiente para diluir o veneno e torná-lo inofensivo).

שִׁעוּר הַמַּיִם הַמְגֻלִּין, כְּדֵי שֶׁתֹּאבַד בָּהֶם הַמָּרָה. רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, בְּכֵלִים, כָּל שֶׁהֵן, וּבַקַּרְקָעוֹת, אַרְבָּעִים סְאָה:
Mishná 6"Frutos bicados"
Continua o tema do perigo à vida: figos, uvas, pepinos, abóboras, melancias e pepinos-do-campo bicados são proibidos, mesmo que sejam grandes como um pão inteiro, pequenos ou grandes, colhidos ou ainda ligados à planta, sempre que contenham umidade; e a carne de um animal mordido por cobra é proibida, por perigo à vida

Frutos bicados (marcados por uma perfuração ou bicada, sinal de que um pássaro ou animal os tocou) — figos, uvas, pepinos, abóboras, melancias e pepinos-do-campo — mesmo que sejam grandes como um pão inteiro (mesmo grandes o bastante para que se pudesse presumir que a bicada afetou apenas uma pequena parte, deixando o resto seguro), sejam grandes, sejam pequenos, sejam já colhidos, sejam ainda ligados à planta, todo aquele que contenha umidade (polpa úmida e macia, na qual o veneno de uma possível mordida de cobra poderia se espalhar) é proibido (por completo, e não apenas a parte bicada — pois presume-se que uma cobra o mordeu e o veneno se espalhou por toda a umidade interna). E a carne de um animal mordido por uma cobra é proibida (mesmo que o animal tenha sido abatido corretamente depois, pois presume-se que o veneno se espalhou por toda a carne), por perigo à vida.

נִקּוּרֵי תְאֵנִים וַעֲנָבִים וְקִשּׁוּאִין וְהַדְּלוּעִין וְהָאֲבַטִּיחִים וְהַמְּלָפְפוֹנוֹת, אֲפִלּוּ הֵם כִּכָּר, אֶחָד גָּדוֹל וְאֶחָד קָטָן, אֶחָד תָּלוּשׁ וְאֶחָד מְחֻבָּר, כָּל שֶׁיֶּשׁ בּוֹ לֵחָה, אָסוּר. וּנְשׁוּכַת הַנָּחָשׁ, אֲסוּרָה, מִפְּנֵי סַכָּנַת נְפָשׁוֹת:
Mishná 7"O coador de vinho"
Continua o tema do perigo à vida: o coador de vinho é proibido por causa do descobrimento, mesmo cobrindo o recipiente inferior, pois o veneno pode atravessar o tecido junto com o vinho; Rabi Nechemia permite, entendendo que o veneno flutua e não atravessa

O coador de vinho (um pano ou peneira usado para filtrar o vinho de um recipiente para outro, colocado sobre a boca do recipiente inferior) é proibido por causa do descobrimento (mesmo que o recipiente inferior esteja, tecnicamente, coberto pelo coador — ainda se considera "descoberto" para efeitos desta lei, pois o veneno de uma cobra, se depositado no vinho que está sendo coado, pode atravessar o próprio tecido do coador junto com o líquido, descendo com ele até o recipiente inferior). Rabi Nechemia permite (entendendo que o veneno, sendo mais denso ou de textura diferente do vinho, flutua na superfície e não atravessa os poros do coador junto com o líquido filtrado, permanecendo retido acima).

הַמְשַׁמֶּרֶת שֶׁל יַיִן, אֲסוּרָה מִשּׁוּם גִּלּוּי. רַבִּי נְחֶמְיָה מַתִּיר:
Mishná 8"O barril de teruma com dúvida de impureza"
Muda-se o tema: o barril de teruma em que nasceu dúvida de impureza — debate entre Rabi Eliezer (mudar de lugar exposto para escondido, ou cobrir se estava descoberto) e Rabi Yehoshua (o inverso: mudar de escondido para exposto, ou descobrir se estava coberto); Rabán Gamliel encerra: que não se inove nada nele

Um barril de teruma em que nasceu dúvida de impureza (por exemplo, dúvida sobre se um réptil impuro o tocou) — Rabi Eliezer diz: se estava colocado em lugar exposto (lugar de uso comum e desprotegido, sujeito a acidentes e a maior risco de se perder), que o coloque em lugar escondido (mais protegido); e se estava descoberto, que o cubra (pois ainda estamos advertidos quanto à sua guarda, já que sua condição de pureza permanece em dúvida, e a teruma — pura ou duvidosa — requer proteção). E Rabi Yehoshua diz: se estava colocado em lugar escondido, que o coloque em lugar exposto; e se estava coberto, que o descubra (pois, entendendo o versículo de modo diferente, considera que não há mais obrigação de guardar especialmente esse barril, e prefere que ele fique sujeito a acidentes que resolvam naturalmente a dúvida, sem que ninguém tenha de tomar uma ação ativa). Rabán Gamliel diz: que não se inove nele nada (nem se mude de lugar, nem se cubra ou descubra — que permaneça exatamente como estava, sem qualquer ação especial, pois toda mudança ativa seria uma forma de tratar a dúvida como se já estivesse resolvida em uma direção ou outra).

חָבִית שֶׁל תְּרוּמָה שֶׁנּוֹלַד בָּהּ סְפֵק טֻמְאָה, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, אִם הָיְתָה מֻנַּחַת בִּמְקוֹם תֻּרְפָּה, יַנִּיחֶנָּה בְּמָקוֹם הַמֻּצְנָע, וְאִם הָיְתָה מְגֻלָּה, יְכַסֶּנָּה. וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, אִם הָיְתָה מֻנַּחַת בְּמָקוֹם מֻצְנָע, יַנִּיחֶנָּה בִּמְקוֹם תֻּרְפָּה, וְאִם הָיְתָה מְכֻסָּה, יְגַלֶּנָּה. רַבָּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר, אַל יְחַדֵּשׁ בָּהּ דָּבָר:
Mishná 9"Um barril que se quebrou na prensa superior"
Continua o tema da guarda da teruma: um barril de vinho de teruma que se quebrou na prensa superior, caindo sobre produto comum impuro na prensa inferior — se for possível salvar um quarto de log em pureza, que se salve; se não for possível, Rabi Eliezer diz que desça e se torne impura por si mesma, mas que ninguém a torne impura com as próprias mãos

Um barril (de vinho de teruma) que se quebrou na prensa superior (o lugar onde as uvas são pisadas e o vinho começa a escorrer), e a prensa inferior (o poço ou reservatório abaixo, para onde o vinho escorre) é impura (contém produto comum impuro, ou não é adequada para receber líquido puro) — Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua concordam que, se for possível salvar dela um quarto (de log, uma medida líquida pequena, aproximadamente cento e cinquenta mililitros) em pureza (usando algum recipiente puro para recolher rapidamente parte do vinho antes que ele desça todo à prensa inferior impura), que se salve. E se não (for possível salvar nem essa pequena quantidade em pureza) — Rabi Eliezer diz: que desça e se torne impura (deixando o vinho escorrer naturalmente até a prensa inferior, onde se tornará impuro por contato, sem qualquer intervenção humana direta), mas que ninguém a torne impura com suas próprias mãos (não se deve apressar ativamente o processo, tocando ou despejando o vinho manualmente na prensa impura, mesmo sabendo que o resultado final será o mesmo — a impureza deve ocorrer por si mesma, pelo curso natural dos acontecimentos, e não por ação humana deliberada sobre a teruma).

חָבִית שֶׁנִּשְׁבְּרָה בַּגַּת הָעֶלְיוֹנָה, וְהַתַּחְתּוֹנָה טְמֵאָה, מוֹדֶה רַבִּי אֱלִיעֶזֶר וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ, שֶׁאִם יְכוֹלִים לְהַצִּיל מִמֶּנָּה רְבִיעִית בְּטָהֳרָה, יַצִּיל. וְאִם לָאו, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, תֵּרֵד וְתִטַּמֵּא, וְאַל יְטַמְּאֶנָּה בְיָדָיו:
Mishná 10"E igualmente um barril de azeite"
Continua o tema da mishná anterior: e igualmente um barril de azeite de teruma que se derramou — se for possível salvar dele um quarto em pureza, que se salve; e se não, Rabi Eliezer diz que desça e seja absorvido, sem que ninguém o torne absorvido com as próprias mãos

E igualmente (pelo mesmo princípio da mishná anterior sobre o vinho) um barril de azeite (de teruma) que se derramou (quebrando-se e espalhando o azeite sobre superfície ou substância que o tornaria impuro ou absorvido de modo irrecuperável) — Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua concordam que, se for possível salvar dele um quarto (a mesma pequena medida de log) em pureza, que se salve. E se não, Rabi Eliezer diz: que desça e seja absorvido (que o azeite restante se espalhe e seja absorvido pelo chão, ou pela substância impura, naturalmente, sem intervenção humana direta), mas que ninguém o torne absorvido com suas próprias mãos (não se deve apressar ou empurrar ativamente o processo de absorção, pelo mesmo princípio de que a ação humana deliberada sobre a perda da teruma é distinta do resultado natural e passivo dos acontecimentos).

וְכֵן חָבִית שֶׁל שֶׁמֶן שֶׁנִּשְׁפְּכָה, מוֹדֶה רַבִּי אֱלִיעֶזֶר וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ, שֶׁאִם יָכוֹל לְהַצִּיל מִמֶּנָּה רְבִיעִית בְּטָהֳרָה, יַצִּיל. וְאִם לָאו, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, תֵּרֵד וְתִבָּלַע, וְאַל יְבַלְּעֶנָּה בְיָדָיו:
Mishná 11"Sobre esta e sobre esta, disse Rabi Yehoshua"
Formula-se o princípio geral que explica as duas mishnayot anteriores: Rabi Yehoshua diz que não fomos advertidos contra tornar impura a teruma, mas contra comê-la — exemplificado pelo caso de quem carrega pães de teruma e um gentio exige um deles, ameaçando tornar todos impuros; Rabi Eliezer diz que se torne tudo impuro, sem entregar um deles nas mãos do gentio; Rabi Yehoshua diz que se coloque um deles sobre a pedra, à sua disposição, sem entregá-lo diretamente

E sobre esta, e sobre esta (sobre o caso do vinho na mishná 8:9 e o do azeite na mishná 8:10), disse Rabi Yehoshua: não é esta a teruma sobre a qual fui advertido a não torná-la impura, mas sim a não comê-la (formulando o princípio geral por trás de sua posição nas duas mishnayot anteriores: a advertência bíblica contra "profanar" a teruma refere-se especificamente ao consumo indevido por um estranho, e não à sua impureza ritual em si — daí ser permitido, quando necessário, tocar ativamente na teruma para salvá-la, mesmo tornando-a impura no processo). E como não a torna impura? (Rabi Yehoshua ilustra com um novo caso, distinto dos anteriores) Estava passando de um lugar para outro, e havia pães de teruma em sua mão (carregando-os, talvez para entregá-los ao cohen ao qual pertencem), e um gentio lhe disse: dá-me um deles, e o tornarei impuro (tocando nele ou de outro modo o contaminando ritualmente); e se não, eis que tornarei todos impuros (ameaçando tocar em todos os pães que ele carrega, caso não lhe seja entregue um) — Rabi Eliezer diz: que torne todos impuros (o gentio, deixando-o fazer o que quiser com todos eles), mas que não lhe dê um deles (diretamente, com as próprias mãos, para que ele o torne impuro sozinho — pois entregar ativamente seria participar do ato de profanação). Rabi Yehoshua diz: que coloque diante dele um deles sobre a pedra (deixando um pão sobre uma pedra próxima, ao alcance do gentio, sem entregá-lo diretamente nas mãos dele — uma solução intermediária que evita tanto a perda total quanto a entrega direta).

וְעַל זוֹ וְעַל זוֹ אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ, לֹא זוֹ הִיא תְרוּמָה שֶׁאֲנִי מֻזְהָר עָלֶיהָ מִלְּטַמְּאָהּ, אֶלָּא מִלְּאָכְלָהּ. וּבַל תְּטַמְּאָהּ כֵּיצַד, הָיָה עוֹבֵר מִמָּקוֹם לְמָקוֹם וְכִכָּרוֹת שֶׁל תְּרוּמָה בְיָדוֹ, אָמַר לוֹ נָכְרִי, תֶּן לִי אַחַת מֵהֶן וַאֲטַמְּאָהּ, וְאִם לָאו, הֲרֵי אֲנִי מְטַמֵּא אֶת כֻּלָּהּ, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, יְטַמֵּא אֶת כֻּלָּהּ, וְאַל יִתֶּן לוֹ אַחַת מֵהֶן, וִיטַמֵּא. רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אוֹמֵר, יַנִּיחַ לְפָנָיו אַחַת מֵהֶן עַל הַסָּלַע:
Mishná 12"E igualmente mulheres a quem gentios disseram"
Encerra-se o Perek Chet: e igualmente, mulheres a quem gentios disseram, entreguem uma de vocês para que a violemos, e se não violaremos todas vocês — que se tornem todas violadas, e não entreguem uma só alma de Israel

E igualmente (pelo mesmo princípio de que não se deve entregar ativamente com as próprias mãos, mesmo diante de uma ameaça coletiva) mulheres a quem gentios disseram: entreguem uma de vocês para que a violemos (sexualmente, à força), e se não, violaremos todas vocês (ameaçando um crime coletivo contra todo o grupo, caso não lhes seja entregue uma vítima em particular) — que se tornem todas violadas (que os gentios façam o que quiserem por sua própria iniciativa, se assim decidirem), e não entreguem uma só alma de Israel (nenhuma delas deve ser ativamente entregue às mãos dos agressores, mesmo que a recusa resulte, na prática, em que todas sejam vitimadas — pois entregar deliberadamente uma vida judaica para salvar as demais constitui, em si, um ato proibido de participação na destruição de uma vida).

וְכֵן נָשִׁים שֶׁאָמְרוּ לָהֶם נָכְרִים, תְּנוּ אַחַת מִכֶּם וּנְטַמֵּא, וְאִם לָאו, הֲרֵי אָנוּ מְטַמְּאִים אֶת כֻּלְּכֶם, יְטַמְּאוּ אֶת כֻּלָּן, וְאַל יִמְסְרוּ לָהֶם נֶפֶשׁ אַחַת מִיִּשְׂרָאֵל: