Massechet Terumot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
A mulher (filha de israelita casada com um cohen, apta a comer teruma por causa do casamento) que estava comendo teruma (legitimamente, como esposa de cohen), vieram e lhe disseram: teu marido morreu, ou te divorciou (e, retroativamente ao momento da notícia, ela deixa de ter o direito de comer teruma — mas o que já comeu antes de saber, comeu licitamente). E, igualmente, o servo (de um cohen) que estava comendo teruma (pois o servo cananeu de um cohen come teruma por direito próprio de aquisição), e vieram e lhe disseram: teu senhor morreu, ou te vendeu a um israelita, ou te deu de presente (a um israelita), ou te libertou (passa a não poder mais comer teruma a partir do momento da notícia). E, igualmente, o cohen que estava comendo teruma (supondo-se apto), e se soube que ele é filho de divorciada ou de chalutzá (descendência que o desqualifica retroativamente do sacerdócio) — Rabi Eliezer obriga ao principal e ao quinto (sobre tudo o que foi comido, mesmo antes de se saber, por considerar que a proibição já existia objetivamente desde o nascimento), e Rabi Yehoshua isenta (considerando que, enquanto ele agiu de boa-fé sem saber de sua condição, não há obrigação de restituir com o acréscimo do quinto, reservado ao consumo consciente e culposo). Se ele estava de pé, oferecendo sobre o altar (realizando o serviço sacerdotal, supondo-se apto), e se soube que é filho de divorciada ou de chalutzá — Rabi Eliezer diz: todos os sacrifícios que ele ofereceu sobre o altar são inválidos (retroativamente, por ele nunca ter sido de fato apto). E Rabi Yehoshua valida (os serviços já realizados, mantendo a mesma lenidade do caso anterior). Se se soube que ele tem uma mácula física, seu serviço é inválido (mesmo segundo Rabi Yehoshua, pois a mácula física é uma desqualificação evidente e objetiva, diferente da genealogia oculta).
E todos eles (a mulher, o servo, e o cohen dos casos da mishná anterior), tendo teruma dentro de sua boca (no exato momento em que lhes chega a notícia da mudança de status) — Rabi Eliezer diz: que engulam (pois, no momento em que puseram a teruma na boca, ainda eram aptos, e o ato de comer já havia começado licitamente). E Rabi Yehoshua diz: que cuspam (por prudência, mesmo que o início do ato tenha sido lícito, uma vez que a condição mudou antes de a deglutição se completar). Se lhes disseram: tu te tornaste impuro, e a teruma se tornou impura (ambos ao mesmo tempo, enquanto a teruma ainda está na boca) — Rabi Eliezer diz: que engula (pelo mesmo princípio anterior). E Rabi Yehoshua diz: que cuspa (por igual prudência). Mas se já se estava impuro, e a teruma já era impura (antes mesmo de pôr a teruma na boca, ou seja, o ato de comer já começou de modo objetivamente proibido), ou se soube que era tevel (produto do qual nem teruma nem dízimos foram ainda retirados, e portanto proibido a todos), e primeiro dízimo do qual não foi retirada sua teruma (que ainda contém teruma embutida e proibida), e segundo dízimo e consagrado que não foram resgatados (e, portanto, ainda mantêm sua santidade e proibição), ou se sentiu o sabor de um inseto dentro de sua boca — eis que, em todos esses casos, deve cuspir (pois, ao contrário dos casos anteriores, aqui o início do ato já era objetivamente proibido, sem qualquer margem de licitude inicial — e mesmo Rabi Eliezer concorda).
Estava comendo (consumo ocasional, não uma refeição formal, do tipo permitido antes da separação do dízimo) um cacho de uvas (colhido no jardim), e entrou do jardim para o pátio (e o pátio é o lugar que fixa a obrigação do dízimo — a partir do momento em que o produto entra no pátio do dono, mesmo o consumo ocasional passa a exigir a separação prévia do dízimo) — Rabi Eliezer diz: que termine (de comer, mas entende-se que ele deve primeiro sair do pátio de volta ao jardim para terminar, pois dentro do pátio mesmo o consumo ocasional já está proibido sem o dízimo). E Rabi Yehoshua diz: que não termine (nem mesmo saindo, pois, uma vez que o produto entrou no pátio e a obrigação se fixou, ela persiste mesmo que ele volte ao jardim). Anoiteceu na sexta-feira à noite (início do Shabat, que, segundo esta opinião, também fixa a obrigação do dízimo mesmo sobre o consumo ocasional, pois nesse momento tudo se torna "pronto" e destinado ao prazer do Shabat) — Rabi Yehoshua diz: que termine (de comer, até a saída do Shabat, mas não durante o próprio Shabat). E Rabi Eliezer diz: que não termine (sequer depois do Shabat, sem antes separar o dízimo).
Vinho de teruma que foi descoberto (deixado sem tampa, exposto, por tempo suficiente para que uma cobra viesse beber dele) deve ser derramado (pois presume-se que uma cobra possa ter bebido dele e deixado veneno, tornando-o perigoso ao consumo, e não há aqui perda real da teruma, já que era de qualquer modo proibido bebê-lo), e não é preciso dizer que o mesmo vale para o produto comum (vinho comum descoberto, que também deve ser derramado — a menção de que isso vale até para a teruma, normalmente tratada com mais rigor quanto a evitar perdas, ensina por argumento a fortiori que vale ainda mais para o produto comum). Três líquidos são proibidos por causa do descobrimento: a água, o vinho, e o leite (pois répteis venenosos, como cobras, costumam beber especificamente desses três). E todos os demais líquidos são permitidos (pois répteis venenosos não costumam beber deles, por seu sabor ou consistência). Quanto tempo devem ficar descobertos para se tornarem proibidos? O suficiente para que o réptil (a cobra, ou criatura semelhante que se arrasta) saia de um lugar próximo e beba (ou seja, o tempo mínimo necessário para que uma cobra escondida nas proximidades pudesse sair de seu esconderijo, chegar ao recipiente, beber, e retornar sem ser vista).
A medida da água descoberta (necessária para que se torne proibida) é a que baste para que se perca nela o veneno (ou seja, se a quantidade de água for grande o suficiente para diluir e neutralizar o veneno de uma cobra, de modo que ele deixe de ser prejudicial, então a água permanece permitida, mesmo tendo ficado descoberta). Rabi Yosei diz: em recipientes, qualquer quantidade (mesmo uma grande quantidade de água guardada em um recipiente é proibida se descoberta, pois o veneno, concentrado no espaço fechado do recipiente, não se dilui o suficiente), mas no solo, quarenta seá (uma medida grande — cerca de trezentos e trinta litros — sendo que, abaixo dessa quantidade, mesmo no chão ou em uma poça, a água descoberta é proibida, mas acima dela, o volume é considerado suficiente para diluir o veneno e torná-lo inofensivo).
Frutos bicados (marcados por uma perfuração ou bicada, sinal de que um pássaro ou animal os tocou) — figos, uvas, pepinos, abóboras, melancias e pepinos-do-campo — mesmo que sejam grandes como um pão inteiro (mesmo grandes o bastante para que se pudesse presumir que a bicada afetou apenas uma pequena parte, deixando o resto seguro), sejam grandes, sejam pequenos, sejam já colhidos, sejam ainda ligados à planta, todo aquele que contenha umidade (polpa úmida e macia, na qual o veneno de uma possível mordida de cobra poderia se espalhar) é proibido (por completo, e não apenas a parte bicada — pois presume-se que uma cobra o mordeu e o veneno se espalhou por toda a umidade interna). E a carne de um animal mordido por uma cobra é proibida (mesmo que o animal tenha sido abatido corretamente depois, pois presume-se que o veneno se espalhou por toda a carne), por perigo à vida.
O coador de vinho (um pano ou peneira usado para filtrar o vinho de um recipiente para outro, colocado sobre a boca do recipiente inferior) é proibido por causa do descobrimento (mesmo que o recipiente inferior esteja, tecnicamente, coberto pelo coador — ainda se considera "descoberto" para efeitos desta lei, pois o veneno de uma cobra, se depositado no vinho que está sendo coado, pode atravessar o próprio tecido do coador junto com o líquido, descendo com ele até o recipiente inferior). Rabi Nechemia permite (entendendo que o veneno, sendo mais denso ou de textura diferente do vinho, flutua na superfície e não atravessa os poros do coador junto com o líquido filtrado, permanecendo retido acima).
Um barril de teruma em que nasceu dúvida de impureza (por exemplo, dúvida sobre se um réptil impuro o tocou) — Rabi Eliezer diz: se estava colocado em lugar exposto (lugar de uso comum e desprotegido, sujeito a acidentes e a maior risco de se perder), que o coloque em lugar escondido (mais protegido); e se estava descoberto, que o cubra (pois ainda estamos advertidos quanto à sua guarda, já que sua condição de pureza permanece em dúvida, e a teruma — pura ou duvidosa — requer proteção). E Rabi Yehoshua diz: se estava colocado em lugar escondido, que o coloque em lugar exposto; e se estava coberto, que o descubra (pois, entendendo o versículo de modo diferente, considera que não há mais obrigação de guardar especialmente esse barril, e prefere que ele fique sujeito a acidentes que resolvam naturalmente a dúvida, sem que ninguém tenha de tomar uma ação ativa). Rabán Gamliel diz: que não se inove nele nada (nem se mude de lugar, nem se cubra ou descubra — que permaneça exatamente como estava, sem qualquer ação especial, pois toda mudança ativa seria uma forma de tratar a dúvida como se já estivesse resolvida em uma direção ou outra).
Um barril (de vinho de teruma) que se quebrou na prensa superior (o lugar onde as uvas são pisadas e o vinho começa a escorrer), e a prensa inferior (o poço ou reservatório abaixo, para onde o vinho escorre) é impura (contém produto comum impuro, ou não é adequada para receber líquido puro) — Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua concordam que, se for possível salvar dela um quarto (de log, uma medida líquida pequena, aproximadamente cento e cinquenta mililitros) em pureza (usando algum recipiente puro para recolher rapidamente parte do vinho antes que ele desça todo à prensa inferior impura), que se salve. E se não (for possível salvar nem essa pequena quantidade em pureza) — Rabi Eliezer diz: que desça e se torne impura (deixando o vinho escorrer naturalmente até a prensa inferior, onde se tornará impuro por contato, sem qualquer intervenção humana direta), mas que ninguém a torne impura com suas próprias mãos (não se deve apressar ativamente o processo, tocando ou despejando o vinho manualmente na prensa impura, mesmo sabendo que o resultado final será o mesmo — a impureza deve ocorrer por si mesma, pelo curso natural dos acontecimentos, e não por ação humana deliberada sobre a teruma).
E igualmente (pelo mesmo princípio da mishná anterior sobre o vinho) um barril de azeite (de teruma) que se derramou (quebrando-se e espalhando o azeite sobre superfície ou substância que o tornaria impuro ou absorvido de modo irrecuperável) — Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua concordam que, se for possível salvar dele um quarto (a mesma pequena medida de log) em pureza, que se salve. E se não, Rabi Eliezer diz: que desça e seja absorvido (que o azeite restante se espalhe e seja absorvido pelo chão, ou pela substância impura, naturalmente, sem intervenção humana direta), mas que ninguém o torne absorvido com suas próprias mãos (não se deve apressar ou empurrar ativamente o processo de absorção, pelo mesmo princípio de que a ação humana deliberada sobre a perda da teruma é distinta do resultado natural e passivo dos acontecimentos).
E sobre esta, e sobre esta (sobre o caso do vinho na mishná 8:9 e o do azeite na mishná 8:10), disse Rabi Yehoshua: não é esta a teruma sobre a qual fui advertido a não torná-la impura, mas sim a não comê-la (formulando o princípio geral por trás de sua posição nas duas mishnayot anteriores: a advertência bíblica contra "profanar" a teruma refere-se especificamente ao consumo indevido por um estranho, e não à sua impureza ritual em si — daí ser permitido, quando necessário, tocar ativamente na teruma para salvá-la, mesmo tornando-a impura no processo). E como não a torna impura? (Rabi Yehoshua ilustra com um novo caso, distinto dos anteriores) Estava passando de um lugar para outro, e havia pães de teruma em sua mão (carregando-os, talvez para entregá-los ao cohen ao qual pertencem), e um gentio lhe disse: dá-me um deles, e o tornarei impuro (tocando nele ou de outro modo o contaminando ritualmente); e se não, eis que tornarei todos impuros (ameaçando tocar em todos os pães que ele carrega, caso não lhe seja entregue um) — Rabi Eliezer diz: que torne todos impuros (o gentio, deixando-o fazer o que quiser com todos eles), mas que não lhe dê um deles (diretamente, com as próprias mãos, para que ele o torne impuro sozinho — pois entregar ativamente seria participar do ato de profanação). Rabi Yehoshua diz: que coloque diante dele um deles sobre a pedra (deixando um pão sobre uma pedra próxima, ao alcance do gentio, sem entregá-lo diretamente nas mãos dele — uma solução intermediária que evita tanto a perda total quanto a entrega direta).
E igualmente (pelo mesmo princípio de que não se deve entregar ativamente com as próprias mãos, mesmo diante de uma ameaça coletiva) mulheres a quem gentios disseram: entreguem uma de vocês para que a violemos (sexualmente, à força), e se não, violaremos todas vocês (ameaçando um crime coletivo contra todo o grupo, caso não lhes seja entregue uma vítima em particular) — que se tornem todas violadas (que os gentios façam o que quiserem por sua própria iniciativa, se assim decidirem), e não entreguem uma só alma de Israel (nenhuma delas deve ser ativamente entregue às mãos dos agressores, mesmo que a recusa resulte, na prática, em que todas sejam vitimadas — pois entregar deliberadamente uma vida judaica para salvar as demais constitui, em si, um ato proibido de participação na destruição de uma vida).