Talmud Bavli · Massechet Terumot · Perek Vav
פֶּרֶק שִׁשִּׁי

Mishná de Terumot, sexto perek — adaptada à trilha Bavli

6 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Terumot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"Quem come teruma por engano paga o principal e o quinto"
Abre-se o Perek Vav: quem come teruma por engano paga o kéren (principal) e o chômesh (um quinto adicional), tanto comendo quanto bebendo ou untando-se, com teruma pura ou impura; paga-se com produto comum já corrigido (do qual já foram separadas teruma e dízimos), que então se torna teruma; e mesmo que o cohen queira, não pode perdoar a dívida

Quem come teruma por engano, paga o principal e o quinto (um valor adicional de vinte por cento sobre o valor do que consumiu, além da restituição do próprio valor consumido). Tanto o que come quanto o que bebe quanto o que se unta (com azeite de teruma, pois untar-se é equiparado a consumir), tanto com teruma pura quanto com teruma impura, paga o seu quinto e o quinto do seu quinto (ou seja: se, tendo já pago o principal e o quinto com produto comum que se tornou teruma, ele voltar a comer por engano esses pagamentos, deve pagar também o quinto sobre esse novo consumo, e assim sucessivamente). Não paga com teruma (pois a teruma pertence ao cohen, e a dívida é pessoal do transgressor, que não pode quitá-la com bens que já pertencem a outrem), mas sim com produto comum já corrigido (do qual já se separaram teruma e todos os dízimos devidos, tornando-o apto para se tornar teruma), e estes se tornam teruma (o próprio produto comum entregue como pagamento assume o status sagrado de teruma), e também os pagamentos (subsequentes, caso ele volte a consumir por engano o que já havia pago) são teruma. Ainda que o cohen queira perdoar (a dívida, dispensando o transgressor do pagamento), não pode perdoar (pois o pagamento não é um simples débito entre pessoas, mas um decreto da Torá que exige a restituição de algo apto a ser sagrado, e isso está fora do poder de renúncia do credor).

הָאוֹכֵל תְּרוּמָה שׁוֹגֵג, מְשַׁלֵּם קֶרֶן וְחֹמֶשׁ. אֶחָד הָאוֹכֵל וְאֶחָד הַשּׁוֹתֶה וְאֶחָד הַסָּךְ, אֶחָד תְּרוּמָה טְהוֹרָה וְאֶחָד תְּרוּמָה טְמֵאָה, מְשַׁלֵּם חֻמְשָׁהּ וְחֹמֶשׁ חֻמְשָׁהּ. אֵינוֹ מְשַׁלֵּם תְּרוּמָה, אֶלָּא חֻלִּין מְתֻקָּנִים, וְהֵם נַעֲשִׂין תְּרוּמָה, וְהַתַּשְׁלוּמִין תְּרוּמָה. אִם רָצָה הַכֹּהֵן לִמְחֹל, אֵינוֹ מוֹחֵל:
Mishná 2"Filha de israelita que comeu teruma e depois se casou com um cohen"
Filha de israelita que comeu teruma por engano e depois se casou com um cohen: se comeu teruma que o cohen ainda não havia adquirido, paga o principal e o quinto a si mesma, pois já se tornou apta a comer teruma; mas se comeu teruma que já pertencia a um cohen, paga o principal ao dono original e o quinto a si mesma, pois a regra geral é que o principal vai ao dono e o quinto pode ir a quem quiser

Filha de israelita que comeu teruma (por engano, tendo ela mesma separado a teruma sem ainda entregá-la ao cohen, ou de outra forma tendo acesso a ela antes de o cohen adquiri-la) e depois se casou com um cohen (tornando-se, pelo casamento, apta a comer teruma como membro da casa sacerdotal): se comeu teruma que o cohen ainda não havia adquirido (ou seja, que ainda não pertencia a nenhum cohen especificamente, permanecendo disponível), paga o principal e o quinto a si mesma (pois, sendo agora ela mesma uma pessoa apta a consumir teruma, caso aquela mesma teruma que comeu ainda existisse fisicamente, ela teria o direito de comê-la sem dever nada a ninguém; portanto os pagamentos que faz — tornando-se eles próprios teruma — pertencem a ela mesma, podendo ela consumi-los). E se comeu teruma que já pertencia a um cohen (que já a havia adquirido especificamente, tornando-se dono dela antes de ela consumi-la), paga o principal ao dono (àquele cohen específico ou a seus herdeiros, pois seu ato configurou uma espécie de furto contra um proprietário determinado, e o principal, tornando-se teruma, deve ir para quem tinha direito a ela), e o quinto a si mesma (pois nisso segue-se a regra geral). Porque disseram: quem come teruma por engano (em geral, não sendo ele mesmo apto a comer teruma), paga o principal ao dono, e o quinto a quem quiser (pois o quinto é uma penalidade adicional imposta ao transgressor, e não uma simples restituição do que foi tomado; por isso a Torá não especifica a quem ele deve ir, e o próprio transgressor pode escolher a qual cohen entregá-lo, incluindo, no caso da filha de israelita já casada com cohen, a si mesma).

בַּת יִשְׂרָאֵל שֶׁאָכְלָה תְרוּמָה וְאַחַר כָּךְ נִשֵּׂאת לְכֹהֵן, אִם תְּרוּמָה שֶׁלֹּא זָכָה בָהּ כֹּהֵן אָכְלָה, מְשַׁלֶּמֶת קֶרֶן וְחֹמֶשׁ לְעַצְמָהּ. וְאִם תְּרוּמָה שֶׁזָּכָה בָהּ כֹּהֵן אָכְלָה, מְשַׁלֶּמֶת קֶרֶן לַבְּעָלִים, וְחֹמֶשׁ לְעַצְמָהּ, מִפְּנֵי שֶׁאָמְרוּ, הָאוֹכֵל תְּרוּמָה שׁוֹגֵג, מְשַׁלֵּם קֶרֶן לַבְּעָלִים, וְחֹמֶשׁ לְכָל מִי שֶׁיִּרְצֶה:
Mishná 3"Quem alimenta seus trabalhadores e seus convidados com teruma"
Quem alimenta seus trabalhadores e convidados com teruma por engano: segundo Rabi Meir, ele mesmo paga o principal (por tê-los feito comer algo proibido a eles) e eles pagam o quinto (pela transgressão pessoal de comer); segundo os sábios, eles pagam o principal e o quinto (por serem os que efetivamente comeram), e ele lhes paga o valor da refeição que teriam de outra forma

Quem alimenta seus trabalhadores e seus convidados com teruma (por engano, não sabendo que se tratava de teruma, ou não avisando os trabalhadores e convidados, que também não sabiam): ele paga o principal, e eles pagam o quinto (o dono da refeição, responsável por fornecer o alimento, arca com a restituição do valor consumido, enquanto os que efetivamente comeram, tendo cada um cometido pessoalmente o ato de consumir algo sagrado, devem pagar individualmente o quinto correspondente a sua própria transgressão) — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: eles pagam o principal e o quinto (pois são eles que efetivamente comeram a teruma, e a obrigação de restituir recai sobre quem consome, não sobre quem simplesmente fornece o alimento), e ele lhes paga o valor da refeição (compensando os trabalhadores e convidados pelo prejuízo de terem, sem saber, consumido algo que precisam agora restituir com seus próprios recursos, já que ele foi o responsável por lhes oferecer alimento que se revelou proibido para eles).

הַמַּאֲכִיל אֶת פּוֹעֲלָיו וְאֶת אוֹרְחָיו תְּרוּמָה, הוּא מְשַׁלֵּם אֶת הַקֶּרֶן, וְהֵם מְשַׁלְּמִין אֶת הַחֹמֶשׁ, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, הֵם מְשַׁלְּמִין קֶרֶן וְחֹמֶשׁ, וְהוּא מְשַׁלֵּם לָהֶם דְּמֵי סְעוּדָתָן:
Mishná 4"Quem furta teruma e não a comeu"
Quem furta teruma e não a come paga o dobro do valor de teruma; se a comeu, paga dois principais e um quinto — um principal e um quinto pelo consumo indevido de teruma, pago com produto comum, e outro principal pelo furto, pago em valor de teruma; e quem furtou e comeu teruma que havia sido consagrada paga dois quintos e um principal, pois não há pagamento em dobro contra bens consagrados

Quem furta teruma e não a come, paga o pagamento em dobro do valor de teruma (a lei geral do furto exige que o ladrão pague ao dono o dobro do valor do que furtou, e como não houve consumo, não há aqui a obrigação adicional do quinto por comer algo sagrado; e como o furto foi de teruma — cujo valor é menor que o de produto comum, por ter menos compradores possíveis —, o pagamento em dobro se calcula sobre o valor de teruma). Se a comeu, paga dois principais e um quinto (dois pagamentos equivalentes ao valor original, mais um quinto adicional): o principal e o quinto, do produto comum (pois, tendo comido teruma sagrada, deve restituí-la com produto comum já corrigido, que se torna teruma, conforme a regra geral de que não se paga teruma com teruma), e o principal, em valor de teruma (este segundo principal, referente à penalidade do furto em si — e não ao consumo —, é calculado pelo valor menor da teruma, e não precisa se tornar teruma, pois é apenas a compensação da lei do furto). Furtou teruma consagrada e a comeu, paga dois quintos e o principal (quando a teruma já havia sido consagrada por um cohen para uso do templo, aplica-se tanto a obrigação de restituir por comer teruma quanto a obrigação de restituir por se beneficiar de bens consagrados, cada uma exigindo seu próprio quinto — mas apenas um principal, pois o valor original consumido é um só), pois não há pagamento em dobro em bens consagrados (a lei do pagamento em dobro do furto se aplica apenas quando o dono prejudicado é "o próximo" — outra pessoa —, e não quando os bens pertencem ao templo, de modo que o elemento do furto em dobro desaparece quando a teruma já se tornara consagrada, restando apenas as duas obrigações de quinto: uma por teruma, outra por bens consagrados).

הַגּוֹנֵב תְּרוּמָה וְלֹא אֲכָלָהּ, מְשַׁלֵּם תַּשְׁלוּמֵי כֵפֶל דְּמֵי תְרוּמָה. אֲכָלָהּ, מְשַׁלֵּם שְׁנֵי קְרָנִים וְחֹמֶשׁ, קֶרֶן וְחֹמֶשׁ מִן הַחֻלִּין, וְקֶרֶן דְּמֵי תְרוּמָה. גָּנַב תְּרוּמַת הֶקְדֵּשׁ וַאֲכָלָהּ, מְשַׁלֵּם שְׁנֵי חֳמָשִׁים וְקֶרֶן, שֶׁאֵין בַּהֶקְדֵּשׁ תַּשְׁלוּמֵי כָפֶל:
Mishná 5"Não se paga com espigas caídas, esquecimento, ou canto do campo"
Não se paga a restituição de teruma com leket, esquecimento, canto do campo ou produto abandonado, nem com primeiro dízimo já destacada sua teruma, nem com segundo dízimo e consagrado já resgatados, pois estes últimos são considerados ainda como bens consagrados e consagrado não resgata consagrado — palavras de Rabi Meir; e os sábios permitem pagar com estes dois últimos

Não se paga (a restituição de teruma consumida por engano) com leket (as espigas caídas durante a colheita, que a Torá determina sejam deixadas para os pobres), nem com esquecimento (gavilhas esquecidas no campo, também destinadas aos pobres), nem com canto do campo (a porção da beira do campo que deve ser deixada intocada para os pobres), nem com produto abandonado (hefker — bens que o dono declarou livres para qualquer um tomar), nem com primeiro dízimo do qual já foi retirada sua teruma (pois, tendo perdido sua porção sagrada, este produto não está mais apto a se tornar teruma nova), nem com segundo dízimo e consagrado já resgatados (mesmo depois de resgatados — quando seu status sagrado é transferido ao dinheiro do resgate, tornando o produto em si comum) — pois consagrado não resgata consagrado (entende-se que estes produtos, mesmo resgatados, ainda carregam um resquício de sua santidade original, e por isso não podem servir como "produto comum apto a se tornar sagrado", que é a exigência da restituição de teruma) — palavras de Rabi Meir. E os sábios permitem (pagar a restituição) com estes (dois últimos — segundo dízimo e consagrado já devidamente resgatados, considerando-os produto comum pleno após o resgate).

אֵין מְשַׁלְּמִין מִן הַלֶּקֶט וּמִן הַשִּׁכְחָה וּמִן הַפֵּאָה וּמִן הַהֶפְקֵר, וְלֹא מִמַּעֲשֵׂר רִאשׁוֹן שֶׁנִּטְּלָה תְּרוּמָתוֹ, וְלֹא מִמַּעֲשֵׂר שֵׁנִי וְהֶקְדֵּשׁ שֶׁנִּפְדּוּ, שֶׁאֵין הֶקְדֵּשׁ פּוֹדֶה אֶת הַקֹּדֶשׁ, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים מַתִּירִין בָּאֵלּוּ:
Mishná 6"Rabi Eliezer diz: paga-se de uma espécie sobre outra que não a sua"
Encerra-se o Perek Vav: Rabi Eliezer permite pagar a restituição de teruma com espécie diferente da que se consumiu, desde que se pague do melhor pelo pior; Rabi Akiva exige a mesma espécie, ainda que seja preciso esperar até a colheita seguinte — como no caso de comer pepinos de teruma da véspera do ano sabático, tendo de esperar pelos pepinos do ano seguinte ao sabático; e o debate remonta à leitura do versículo "e dará ao cohen o sagrado"

Rabi Eliezer diz: paga-se de uma espécie sobre outra que não a sua (ou seja, é permitido restituir teruma consumida com produto de espécie diferente daquela que foi comida — por exemplo, pagar trigo por cevada que se comeu), contanto que se pague do melhor pelo pior (desde que a espécie usada para pagamento seja de qualidade superior à espécie originalmente consumida, compensando assim a diferença). E Rabi Akiva diz: não se paga senão de uma espécie sobre sua própria espécie (exigindo que a restituição seja sempre feita com produto da mesma espécie exata que foi consumida, não sendo suficiente pagar com outra espécie, ainda que de qualidade superior). Por isso, se comeu pepinos (de teruma) da véspera do ano sabático (pepinos que cresceram no sexto ano do ciclo sabático, antes do início do ano de shemitá), espera pelos pepinos da saída do ano sabático (do oitavo ano do ciclo, logo após o encerramento do ano sabático, quando novos pepinos, já de produto comum regular, estarão disponíveis), e paga com eles (pois, segundo Rabi Akiva, ele não pode pagar com nenhuma outra espécie, e os pepinos do próprio ano sabático são proibidos para uso como pagamento de dívida, por serem considerados como pertencentes a todos igualmente; portanto ele deve aguardar até que voltem a existir pepinos comuns, de propriedade normal, no ano seguinte). No ponto em que Rabi Eliezer é mais leniente, ali Rabi Akiva é mais rigoroso (pois cada um extrai uma conclusão diferente do mesmo versículo), conforme está dito: "e dará ao cohen o sagrado" — tudo o que for apto a ser sagrado (Rabi Eliezer lê o versículo de modo amplo: o pagamento deve ser apenas "algo apto a ser sagrado" em geral, sem exigência de que seja da mesma espécie exata, permitindo pagar com qualquer espécie de qualidade superior) — palavras de Rabi Eliezer. E Rabi Akiva diz: "e dará ao cohen o sagrado" — o sagrado que comeu (Rabi Akiva lê o versículo de modo mais restrito: "o sagrado" refere-se especificamente àquilo mesmo que foi consumido, exigindo que o pagamento seja da mesma espécie exata da teruma original).

רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, מְשַׁלְּמִין מִמִּין עַל שֶׁאֵינוֹ מִינוֹ, בִּלְבַד שֶׁיְּשַׁלֵּם מִן הַיָּפֶה עַל הָרָע. וְרַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, אֵין מְשַׁלְּמִין אֶלָּא מִמִּין עַל מִינוֹ. לְפִיכָךְ, אִם אָכַל קִשּׁוּאִין שֶׁל עֶרֶב שְׁבִיעִית, יַמְתִּין לְקִשּׁוּאִין שֶׁל מוֹצָאֵי שְׁבִיעִית, וִישַׁלֵּם מֵהֶם. מִמְּקוֹם שֶׁרַבִּי אֱלִיעֶזֶר מֵקֵל, מִשָּׁם רַבִּי עֲקִיבָא מַחְמִיר, שֶׁנֶּאֱמַר (ויקרא כב), וְנָתַן לַכֹּהֵן אֶת הַקֹּדֶשׁ, כָּל שֶׁהוּא רָאוּי לִהְיוֹת קֹדֶשׁ, דִּבְרֵי רַבִּי אֱלִיעֶזֶר. וְרַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, וְנָתַן לַכֹּהֵן אֶת הַקֹּדֶשׁ, קֹדֶשׁ שֶׁאָכָל: