Massechet Terumot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
O que separa parte da teruma e dos dízimos (isto é, pretendia separar uma certa quantia como teruma ou como dízimo, mas de fato separou apenas uma fração menor dela), retira dele (do mesmo monte de produto) teruma sobre ele (pode completar, a partir do restante do próprio monte, a quantidade que faltava), mas não de outro lugar (não pode buscar o complemento em outro monte de produto). Rabi Meir diz: retira também de outro lugar teruma e dízimos (permite completar a separação a partir de um monte distinto).
Aquele cujos frutos estavam no celeiro (ainda não desobrigados de teruma e dízimos), e deu uma seá ao levita (como se já fosse o dízimo devido, antes de formalmente separar teruma e dízimo do restante) e uma seá ao pobre (como se já fosse o dízimo do pobre): separa até oito seín (pode ainda tirar do restante do celeiro, como teruma e dízimos regulares, até completar oito seín, calculando retroativamente que as duas primeiras seín já cumpriram sua função) e as consome (o restante que sobrar depois de descontadas as porções sagradas, tratando-o como produto já totalmente desobrigado) — palavras de Rabi Meir. Mas os sábios dizem: não separa senão na proporção do cálculo (deve calcular exatamente qual fração do total as duas seín já dadas representam, e separar teruma e dízimos do restante apenas nessa mesma proporção, sem o arredondamento generoso de Rabi Meir).
A medida da teruma (a fração da colheita que os sábios estabeleceram como parâmetro ideal para a separação): olho generoso (quem deseja dar com liberalidade separa) um quarentavos. Bet Shamai diz: um trintavos (medida ainda mais generosa que a atribuída pelos sábios ao "olho generoso"). E a média, um cinquentavos. E a pobre (quem dá com menos liberalidade), um sessentavos (o mínimo aceitável idealmente). Se separou e lhe coube na mão um sessentavos, é teruma (mesmo tendo caído exatamente no limite mínimo, vale plenamente), e não precisa separar novamente (pois cumpriu ao menos a medida da "pobre"). Se voltou e acrescentou (mais produto à porção já designada como teruma, depois de já ter separado o sessentavos), o acréscimo fica obrigado aos dízimos (pois aquilo que foi acrescentado depois já não recebe automaticamente o status de teruma pela primeira designação, e portanto continua sujeito à obrigação de dízimo como produto comum, até ser tratado à parte). Se lhe coube na mão um sessentavos e um pouco a mais (passando ligeiramente do sessentavos, sem que isso fosse intencional), é teruma, mas por precaução (porque talvez o excedente já não conte plenamente como teruma da primeira designação, sendo prudente considerar a totalidade como teruma apenas por segurança, sem que isso implique nova obrigação de dízimo sobre o excedente pequeno e involuntário).
O que diz ao seu agente: "Sai e separa" (teruma em seu nome), separa segundo a intenção do dono da casa (deve procurar saber e seguir o costume habitual daquele que o enviou — generoso, médio ou parcimonioso). Se não conhece a intenção do dono da casa, separa como a média, um cinquentavos (na ausência de informação, adota-se o padrão intermediário). Se reduziu dez (partes, isto é, separou um pouco menos do que a medida-alvo, por um erro de cálculo involuntário de até um décimo) ou acrescentou dez (um pouco mais, pela mesma margem, também sem intenção), sua teruma é teruma (o pequeno desvio involuntário dentro dessa margem não invalida a separação). Mas se pretendeu acrescentar, ainda que apenas uma (unidade a mais, de forma deliberada, sabendo que estava excedendo a medida pretendida pelo dono), sua teruma não é teruma (pois agiu além do mandato que lhe foi conferido, e por isso a separação carece de validade).
O que aumenta na teruma (separa proporção maior do que a medida costumeira de um quarentavos, cinquentavos ou sessentavos): Rabi Eliezer diz: um décimo (pode aumentar até essa proporção), como teruma do dízimo (o excedente, além da medida usual de teruma grande, é tratado como se fosse um dízimo separado); mais do que isso, deve fazê-lo teruma do dízimo para outro lugar (se quiser aumentar ainda mais, precisa desviar o excedente para servir como teruma do dízimo de outro monte de produto, e não simplesmente acumulá-lo ali). Rabi Yishmael diz: metade produto comum e metade teruma (pode aumentar a proporção de teruma até que o monte fique dividido meio a meio entre teruma e produto comum, mas não mais do que isso). Rabi Tarfon e Rabi Akiva dizem: até que reste ali produto comum (o único limite é que sempre sobre, no mínimo, alguma quantidade de produto não sagrado — sem uma fração numérica fixa como a de Rabi Eliezer ou Rabi Yishmael).
Em três épocas se avalia o cesto (de figos secos, usado como referência padrão para calcular a proporção de teruma a separar de uma quantidade maior de figos): nos primeiros frutos (início da estação da colheita de figos, quando são maiores e mais valiosos), nos últimos (final da estação, quando os figos remanescentes tendem a ser menores), e no meio do verão (época intermediária, com figos de tamanho médio — as três avaliações cobrem a variação natural de tamanho ao longo da temporada). O que conta (os figos individualmente para calcular a proporção) é louvável (procede corretamente). E o que mede (por volume) é mais louvável do que ele. E o que pesa (por peso) é o mais louvável dos três (o método mais preciso e recomendado, por eliminar variações de tamanho e forma).
Rabi Eliezer diz: a teruma se anula (deixa de tornar proibido, para os que não são cohanim, o produto comum em que caiu, misturando-se totalmente) em cento e um (quando a proporção entre produto comum e teruma é de pelo menos cento e um para um). Rabi Yehoshua diz: em cem e mais (basta que haja cem partes de produto comum mais alguma quantidade adicional, não necessariamente uma parte inteira a mais). E esse "mais" não tem medida (segundo a opinião original de Rabi Yehoshua, qualquer excedente, por menor que seja, sobre as cem partes já basta). Rabi Yossi ben Meshulam diz: o "mais" (mencionado por Rabi Yehoshua) é um kav para cem seá (uma medida concreta e pequena — um kav, que é um sexagésimo de uma seá, adicionado a cada cem seín), um sexto para o medumá (ou seja, essa mesma proporção equivale a um sexto da própria medida de teruma que originalmente caiu, calculando-se a partir da proporção padrão de um sessentavos).
Rabi Yehoshua diz: figos pretos elevam (servem de base de cálculo proporcional para determinar a anulação de teruma que pode ter caído entre) os brancos (quando não se sabe ao certo em qual das duas variedades a teruma caiu — calcula-se a proporção como se toda a mistura fosse uma única massa, usando o total combinado das duas cores para aplicar a regra de bittul), e os brancos elevam os pretos (a regra funciona nos dois sentidos, independentemente de qual variedade seja a maior). Círculos de figada seca (prensada em formato redondo), os grandes elevam os pequenos, e os pequenos elevam os grandes (mesmo princípio, aplicado a círculos de tamanhos diferentes). Os círculos elevam os retângulos (outra forma de prensar a mesma pasta de figos), e os retângulos elevam os círculos (o princípio de cálculo combinado se aplica também entre formatos diferentes do mesmo produto, e não apenas entre cores ou tamanhos).
Como assim (exemplificando o princípio geral da mishná anterior)? Cinquenta figos pretos e cinquenta brancos (um monte com o mesmo número de cada cor), caiu um preto (entre eles, sendo teruma): os pretos ficam proibidos e os brancos permitidos (pois se sabe que foi um figo preto que caiu, apenas o conjunto dos pretos — cinquenta e um, incluindo o que caiu — precisa de cálculo de bittul, permanecendo proibido enquanto não atingir a proporção necessária; os brancos, que não receberam a teruma, ficam livres). Caiu um branco, os brancos ficam proibidos e os pretos permitidos (pelo mesmo raciocínio, invertido). Quando não se sabe o que caiu (se foi um figo preto ou um branco), elevam-se um ao outro (combinam-se os cem figos, pretos e brancos juntos, para calcular a proporção de bittul da única unidade de teruma que caiu entre eles, já que não se pode isolar com certeza qual grupo especificamente a recebeu). Nisto (neste caso de dúvida sobre a cor) Rabi Eliezer é rigoroso, e Rabi Yehoshua é fácil (discordam sobre o grau de rigor aplicável a essa situação específica de incerteza, retomando a disputa mais ampla da mishná anterior sobre a exigência do bittul).
E nisto (no caso a seguir, distinto do anterior) Rabi Eliezer é fácil, e Rabi Yehoshua é rigoroso (invertendo os papéis do caso da mishná anterior). Em quem pisa uma libra de figos secos prensados na boca do barril (uma camada de figos secos, prensada e compactada, colocada sobre a abertura de um barril de outros figos, sem que se saiba exatamente qual pedaço daquela libra específica seja teruma) e não sabe qual deles (especificamente, dentro daquela libra prensada, contém a teruma), Rabi Eliezer diz: considera-os como se estivessem separados (como unidades distintas e não misturadas entre si, apesar de prensados juntos), e as camadas inferiores elevam as superiores (a parte inferior da libra, mais próxima do barril de baixo — presumivelmente maior em quantidade —, serve de base de cálculo para "elevar" e permitir a parte superior, aplicando a lógica de maioria). Rabi Yehoshua diz: não se eleva até que haja ali (na totalidade da libra, junta) a proporção plena exigida — cem e mais, sem separar mentalmente as camadas.
Uma seá de teruma que caiu na boca do celeiro e coagulou (formou uma crosta compacta na superfície, sem penetrar e se misturar naturalmente com o grão abaixo). Rabi Eliezer diz: se há na crosta coagulada cem seín (ou seja, se a crosta formada, por si só ou em combinação com o grão diretamente sob ela, já perfizer cem partes), ela se eleva em cento e um (aplica-se a regra normal de bittul, e a teruma se anula proporcionalmente). E Rabi Yehoshua diz: não se eleva (por ter coagulado e formado uma massa separada, a crosta não pode ser tratada como misturada organicamente com o restante do celeiro, e por isso a regra de bittul, que pressupõe mistura real, não se aplica). Uma seá de teruma que caiu na boca do celeiro (antes de ser tratada de qualquer modo): deve-se coagulá-la (é recomendável, como procedimento padrão, fazer com que ela forme uma crosta compacta e visível, em vez de deixá-la se espalhar e se diluir livremente no grão). E, se assim é (se, de qualquer modo, a lei reconhece que a teruma se eleva em cento e um quando misturada), por que disseram que a teruma se eleva em cento e um (qual é, então, a razão de recomendar sempre a coagulação, se a regra geral de bittul já resolveria o problema de qualquer forma)?
Dois cestos e dois celeiros nos quais caiu uma seá de teruma dentro de um deles, e não se sabe em qual deles caiu (a incerteza aqui é sobre qual dos dois recipientes distintos recebeu a teruma, e não sobre a variedade do produto dentro de um único recipiente, como nas mishnayot 4:8-4:10): elevam-se um ao outro (os dois recipientes se combinam, e o total de ambos serve de base para calcular se a proporção de bittul foi atingida — mesmo estando fisicamente separados em recipientes distintos). Rabi Shimon diz: mesmo que estejam em duas cidades (diferentes, geograficamente distantes uma da outra), elevam-se um ao outro (Rabi Shimon estende a regra de combinação além do limite espacial imediato, aplicando-a mesmo quando os dois recipientes estão em locais completamente separados).
Disse Rabi Yossi: um caso veio perante Rabi Akiva (um caso prático foi trazido para sua decisão), com cinquenta feixes de vegetais (um monte de cinquenta feixes já amarrados), um dos quais caiu entre eles, sendo metade teruma (um feixe adicional caiu misturado aos cinquenta, e esse feixe caído era composto, ele mesmo, de metade produto comum e metade teruma — um caso de teruma já parcialmente misturada dentro de uma única unidade). E eu disse perante ele: eleva-se (Rabi Yossi relata que aconselhou Rabi Akiva a permitir a elevação, isto é, aplicar a regra de bittul e considerar o conjunto permitido). Não que a teruma se eleve em cinquenta e um (esclarecendo que sua permissão não se baseava em reduzir a proporção padrão de bittul — que exige cem e mais — para apenas cinquenta e um, o que seria uma inovação inaceitável), mas sim que havia ali cem e dois meios (a razão real da permissão era puramente aritmética: como o feixe caído era ele mesmo composto de duas metades — metade produto comum e metade teruma —, ao se contar em unidades de "meio-feixe" em vez de "feixe inteiro", o total de meios-feixes de produto comum somava, na verdade, cem, mais os dois meios do próprio feixe caído, satisfazendo plenamente a proporção normal de "cem e mais" exigida para o bittul, sem qualquer redução da medida padrão).