Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Dinheiro encontrado entre os shekalim e a doação voluntária: se mais próximo dos shekalim, cai para os shekalim; se mais próximo da doação, cai para a doação; metade por metade, cai para a doação. — Quando alguém encontra moedas caídas entre a caixa dos shekalim anuais e a caixa da doação voluntária, sem saber de qual delas caíram, a lei manda observar a distância física: as moedas seguem o monte mais próximo; se estão exatamente no meio, seguem sempre para a doação, a opção mais rigorosa.
Entre lenha e incenso: se mais próximo da lenha, cai para a lenha; se mais próximo do incenso, cai para o incenso; metade por metade, cai para o incenso. — O mesmo princípio se aplica a quem encontra madeira ou especiarias perto dos depósitos de lenha e de incenso do Templo: segue-se a proximidade, e em caso de dúvida absoluta prevalece o incenso, por ser ele mesmo uma oferenda, enquanto a lenha é apenas o que viabiliza a oferenda no altar.
Entre ninhos de aves e pombinhos de holocausto: se mais próximo dos ninhos, cai para os ninhos; se mais próximo dos pombinhos de holocausto, cai para os pombinhos de holocausto; metade por metade, cai para os pombinhos de holocausto. — Da mesma forma, filhotes de pombo encontrados entre o depósito de ninhos comuns e o depósito de pombinhos já destinados a holocausto seguem o mais próximo, e em caso de dúvida absoluta são tratados como holocausto, a categoria mais restrita.
Entre dinheiro comum e dinheiro de segundo dízimo: se mais próximo do comum, cai para o comum; se mais próximo do segundo dízimo, cai para o segundo dízimo; metade por metade, cai para o segundo dízimo. — Também dinheiro achado entre moedas comuns e moedas de maasser sheni segue a distância; em caso de dúvida absoluta, trata-se como maasser sheni, que exige ser consumido em santidade em Jerusalém.
Esta é a regra: segue-se o mais próximo, para leniência; metade por metade, para rigor. — A mishná fecha resumindo o critério comum a todos os quatro casos: a proximidade decide a favor da opção mais leve, mas a igualdade exata decide sempre a favor da mais pesada.
Dinheiro encontrado diante dos comerciantes de gado é sempre segundo dízimo. — Como a maioria dos animais vendidos nesses pontos era comprada com dinheiro de maasser sheni pelos peregrinos que subiam a Jerusalém, qualquer moeda achada ali, em qualquer época do ano, presume-se ser desse tipo.
No Monte do Templo, é comum. — Já no espaço do Monte do Templo, ainda que seja época de festa e a maioria do dinheiro nas mãos das pessoas seja de segundo dízimo, o dinheiro achado ali é tratado como comum, porque esse local costuma ser varrido diariamente e o que se acha não veio de longe.
Em Jerusalém, na época da festa de peregrinação, é segundo dízimo; e no restante de todos os dias do ano, é comum. — Na cidade de Jerusalém em geral, distingue-se pela época: durante as três festas de peregrinação, quando a maioria do dinheiro circulante é de maasser sheni, o achado segue essa maioria; no resto do ano, quando a maioria do dinheiro é comum, segue-se essa outra maioria.
Carne encontrada no átrio: se em membros, são de holocaustos; e se em pedaços, são de oferendas de pecado. — A forma do corte identifica o tipo de oferenda: holocaustos eram desmembrados articulação por articulação e queimados inteiros, enquanto oferendas de pecado, comidas pelos sacerdotes dentro do átrio, eram cortadas em pedaços menores para o consumo.
Em Jerusalém, são de oferendas pacíficas. — Já a carne achada na cidade em geral, fora do átrio, presume-se de sacrifícios de shelamim, porque esse era o tipo de carne sagrada mais comumente consumido pelos moradores e peregrinos na própria cidade.
Em ambos os casos, aguarda-se que se estrague sua aparência, e sai para a casa da queima. — Como não se pode saber com certeza havia quanto tempo essa carne estava largada, nem se algum dono a comeu enquanto ainda válida, ela é tratada como possivelmente imprópria: deixa-se apodrecer sua aparência antes de ser levada ao local de queima de oferendas desqualificadas, sem desperdiçá-la de imediato.
Se encontrada nas regiões fora de Jerusalém: em membros, são carcaças proibidas; em pedaços, são permitidas. — Fora dos limites da cidade, a lógica se inverte: como não há ali carne sagrada em circulação, membros cortados presumem-se de animais mortos sem abate ritual — proibidos —, enquanto pedaços presumem-se de açougues comuns, e por isso são permitidos.
E na época da festa, quando a carne é abundante, também os membros são permitidos. — Durante os dias de peregrinação, quando a quantidade de carne sacrificada e distribuída em Jerusalém aumenta muito, mesmo membros achados fora da cidade presumem-se provenientes desse abundante comércio sagrado, e não de carcaças, sendo então permitidos.
Animal encontrado entre Jerusalém e Migdal Éder, e na mesma distância para qualquer direção: os machos são holocaustos; as fêmeas são oferendas pacíficas. — Presume-se que um animal perdido nessa região saiu de Jerusalém, pois é ali que a maior parte do gado sagrado circula; e como a maioria dos machos ali é destinada a holocaustos e a maioria das fêmeas a oferendas pacíficas, o sexo do animal decide seu destino.
Rabi Yehuda diz: o que é apto para oferendas pascais é oferenda pascal, se encontrado até trinta dias antes da festa. — Rabi Yehuda acrescenta uma exceção individual: um cordeiro ou cabrito macho de até um ano, encontrado no mês anterior a Pêssach — período em que as pessoas já começam a separar seus animais para o sacrifício pascal — presume-se destinado a essa finalidade específica, e não a um holocausto genérico.
No início, penhoravam quem a encontrava, até que trouxesse suas libações. — Originalmente, quem encontrava um desses animais perdidos e o oferecia como holocausto ou oferenda pacífica era obrigado a trazer, às próprias custas, as libações de farinha, óleo e vinho que a Torá exige junto de todo sacrifício de gado, e era mantido sob penhor até cumprir essa obrigação.
Voltaram a deixá-lo e fugir. — Diante desse ônus financeiro inesperado, as pessoas passaram a evitar declarar o achado: preferiam abandonar o animal encontrado e fugir do local, para não ficarem presas à obrigação de pagar as libações do próprio bolso.
O Beit Din instituiu que suas libações viessem do fundo comunitário. — Para resolver esse problema prático e incentivar as pessoas a trazerem os animais perdidos ao Templo em vez de abandoná-los, o tribunal supremo decretou que as libações desses sacrifícios de origem incerta passassem a ser financiadas pelo tesouro comunitário, liberando o achador de qualquer despesa pessoal.
Disse Rabi Shimon: sete coisas instituiu o Beit Din, e esta é uma delas. — Rabi Shimon anuncia uma lista fechada de sete decretos rabínicos, dos quais o primeiro é apresentado a seguir, com os demais completando-se ao longo desta e da próxima mishná.
Um não-judeu que enviou seu holocausto do exterior e enviou junto libações, elas são oferecidas às custas dele; e se não, são oferecidas às custas do fundo comunitário. — Um não-judeu que envia à distância um animal para ser sacrificado como holocausto no Templo pode, como qualquer israelita, incluir junto as libações obrigatórias; mas caso não as tenha enviado, o Beit Din decretou que o fundo comunitário as forneça, para que o sacrifício não fique impedido por falta delas.
E também um convertido que morreu e deixou sacrifícios: se tem libações, são oferecidas às custas dele; e se não, são oferecidas às custas do fundo comunitário. — Da mesma forma, se um convertido ao judaísmo falece deixando animais já separados para sacrifício, sem herdeiros judeus que assumam a obrigação, as libações necessárias vêm do próprio patrimônio do falecido se disponíveis, e do tesouro comunitário se não houver.
E é condição do Beit Din sobre o sumo sacerdote falecido, que sua oferenda de farinha seja trazida às custas do fundo comunitário. Rabi Yehuda diz: às custas dos herdeiros; e era trazida inteira. — A minchá diária que todo sumo sacerdote deve oferecer continua sendo trazida mesmo após sua morte, até que se nomeie um sucessor; o Beit Din decretou que essa oferenda venha do tesouro público, enquanto Rabi Yehuda sustenta que cabe aos herdeiros do sumo sacerdote falecido financiá-la — mas em ambos os casos, era trazida como oferenda inteira, e não dividida em metade pela manhã e metade à tarde.
Sobre o sal e sobre a lenha, que os sacerdotes usufruam deles; e sobre a vaca, que não haja má-fé quanto às suas cinzas; e sobre os ninhos inválidos, que venham do fundo comunitário. — Completando a lista de sete decretos, o Beit Din estabeleceu: que os sacerdotes possam usar livremente o sal e a lenha do Templo mesmo fora do contexto estrito das oferendas; que, apesar de a Torá isentar de má-fé as cinzas da vaca vermelha, os sábios decretaram que elas fossem tratadas como sagradas para evitar uso indevido; e que, quando um par de aves trazido para sacrifício se revela inválido, sua reposição venha do tesouro comunitário, e não do bolso do próprio ofertante.
Rabi Yosei diz: o fornecedor dos ninhos fornece também os inválidos. — Rabi Yosei discorda parcialmente: segundo ele, não é o fundo comunitário geral que arca com a reposição, mas sim o próprio comerciante que vendeu os ninhos ao Templo, que assumiu contratualmente a obrigação de repor qualquer ave que se revelasse imprópria entre as que forneceu.