Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Toda saliva encontrada em Jerusalém é pura, exceto a do mercado superior, palavras de Rabi Meir. — Como a maioria dos moradores e visitantes de Jerusalém é ritualmente pura, presume-se que qualquer saliva achada nas ruas da cidade veio de alguém puro, e não de um zav ou zavá, cuja saliva transmite impureza; a única exceção é o mercado superior, onde lavadores não-judeus se reuniam com frequência, e por decreto rabínico eram tratados como impuros para todos os efeitos.
Rabi Yosei diz: no restante dos dias do ano, a do meio é impura e a das laterais é pura; e na época da festa, a do meio é pura e a das laterais é impura, porque, sendo poucos, retiram-se para as laterais. — Rabi Yosei propõe um critério diferente, baseado no fluxo de pessoas: durante o ano comum, os poucos impuros costumam caminhar no meio das ruas, enquanto os puros, mais numerosos, se afastam para as laterais; mas durante a festa de peregrinação, quando as multidões de peregrinos puros dominam o centro das ruas, são os poucos impuros que se veem forçados a se retirar para as laterais, invertendo a presunção.
Todos os utensílios encontrados em Jerusalém no caminho de descida à casa de imersão são impuros; no caminho de subida, são puros, pois sua descida não é igual à sua subida, palavras de Rabi Meir. — Havia em Jerusalém dois caminhos distintos que levavam ao local de imersão pública, um para quem descia impuro e outro para quem subia já purificado, de modo a evitar que os impuros esbarrassem nos puros; segundo Rabi Meir, um utensílio achado no caminho de descida presume-se ter caído de alguém ainda impuro, enquanto um achado no caminho de subida presume-se de alguém já purificado.
Rabi Yosei diz: todos são puros, exceto o cesto, o rastelo e a picareta destinados a sepulturas. — Rabi Yosei discorda da distinção geográfica de Rabi Meir: para ele, a maioria dos utensílios achados em qualquer um dos caminhos presume-se pura, com a única exceção dos instrumentos especificamente usados para reunir e transportar ossos humanos em sepulturas, que continuam presumidos impuros por sua função específica.
Uma faca encontrada em catorze de Nissan: abate-se com ela de imediato. — Como no dia catorze todos já imergiram suas facas em preparação para o abate do sacrifício pascal daquela tarde, uma faca achada nesse dia presume-se já purificada por seu dono, podendo ser usada de imediato para o abate.
Em treze, reimerge-se. — Se encontrada um dia antes, em treze de Nissan, não há ainda certeza de que o dono a tenha imergido, já que as pessoas costumam preparar suas facas apenas na véspera do abate; por isso, quem a encontra deve reimergi-la por precaução antes de poder usá-la.
E o cutelo, tanto em um caso quanto no outro, reimerge-se. — Já o cutelo, faca grande usada para cortar carne e quebrar ossos, é reimerso independentemente do dia em que for encontrado, pois seu uso principal não é para o abate pascal, e por isso não se aplica a ele a mesma presunção de pureza automática do dia catorze.
Caindo o catorze em Shabat, abate-se com ela de imediato; em quinze, abate-se com ela de imediato. — Quando o catorze de Nissan cai em Shabat, a faca é imersa ainda na sexta-feira, então uma faca achada no próprio Shabat também é usada de imediato; e se encontrada já no dia quinze, depois do abate, presume-se que ainda esteja no estado de pureza em que foi usada, podendo servir a outros propósitos permitidos no dia de festa.
Se encontrada amarrada a outra faca, tem o mesmo estatuto da faca conhecida. — Se a faca de status incerto for encontrada amarrada junto a outra faca cujo estado de pureza já é sabido, presume-se que ambas foram imersas juntas pelo mesmo dono, e a faca desconhecida assume o mesmo estatuto da conhecida.
O véu que se contaminou por impureza derivada, imergem-no dentro e o recolocam de imediato. — Se o parochet tocou apenas em algo contaminado por impureza de segundo grau — como um líquido impuro —, sua própria contaminação é considerada leve, e por isso pode ser imerso dentro do próprio Templo e recolocado em seu lugar assim que seca, sem necessidade de esperar o entardecer.
E o que se contaminou por impureza primária, imergem-no fora e o estendem no Chel. — Já se o véu tocou diretamente numa fonte primária de impureza — como um cadáver de réptil —, sua contaminação é mais grave e exige que seja levado para fora do recinto sagrado para a imersão, e depois estendido para secar no Chel, a área entre o muro do átrio e o pátio, antes de poder ser recolocado.
E se era novo, estendem-no sobre o telhado do pórtico, para que o povo veja seu trabalho, que é belo. — Quando se confeccionava um véu novo, antes mesmo de qualquer questão de pureza, era costume estendê-lo publicamente sobre o telhado de uma das estruturas do Templo, permitindo que todo o povo pudesse admirar a extraordinária qualidade de sua tecelagem antes que fosse pendurado em seu lugar reservado e afastado da vista.
Rabam Shimon ben Gamliel diz, em nome de Rabi Shimon ben Hasegan: o véu tem um tefach de espessura, e é tecido em setenta e dois fios principais, e cada fio principal tem vinte e quatro cordões. — A descrição transmite a impressionante robustez física do parochet: quase dez centímetros de espessura, tecido com setenta e dois fios mestres — correspondentes às quatro cores da matéria-prima multiplicadas por seis dobras cada —, e cada um desses fios mestres composto de vinte e quatro cordões individuais entrelaçados.
Seu comprimento é de quarenta côvados e sua largura de vinte côvados, e de oitenta e duas miríades é feito. — Suas dimensões monumentais — cerca de vinte metros de comprimento por dez de largura — correspondiam exatamente à abertura do pórtico do Templo; e o número gigantesco de oitenta e duas miríades refere-se, segundo uma leitura, à quantidade total de fios usados em sua trama, e segundo outra, ao extraordinário custo em dinares de ouro empregado em sua confecção.
E dois se faziam a cada ano, e trezentos sacerdotes o imergiam. — Devido ao desgaste natural e à necessidade de substituição, dois véus completos eram tecidos todos os anos; e por seu peso e volume extraordinários, encharcado de água após o tingimento e a tecelagem, eram necessários trezentos sacerdotes trabalhando em conjunto apenas para conseguir submergi-lo completamente na imersão purificadora.
Carne de oferendas de santidade máxima que se contaminou, seja por impureza primária, seja por impureza derivada, seja dentro, seja fora: Beit Shamai diz, tudo se queima dentro, exceto o que se contaminou por impureza primária fora. — Beit Shamai estabelece uma regra geral favorável a queimar a carne contaminada no próprio átrio — local principal de queima de oferendas inválidas — com uma única exceção: quando a contaminação foi grave e ocorreu fora do átrio, caso em que não se traz a carne para dentro apenas para depois queimá-la lá.
E Beit Hilel diz: tudo se queima fora, exceto o que se contaminou por impureza derivada dentro. — Beit Hilel inverte a regra geral: a maioria dos casos deve ser queimada fora do átrio, reservando a queima interna apenas para a situação mais leve de todas — contaminação derivada ocorrida dentro do próprio recinto sagrado.
Rabi Eliezer diz: o que se contaminou por impureza primária, seja dentro, seja fora, será queimado fora; e o que se contaminou por impureza derivada, seja dentro, seja fora, será queimado dentro. — Rabi Eliezer simplifica radicalmente a disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel, eliminando o local da contaminação como fator relevante: para ele, o único critério que importa é o grau de impureza em si — grave sempre queimado fora, leve sempre queimado dentro —, independentemente de onde o contato impuro tenha ocorrido.
Rabi Akiva diz: o lugar de sua impureza, ali é seu lugar de queima. — Rabi Akiva propõe o critério oposto e igualmente simplificado: o único fator relevante é onde a contaminação efetivamente ocorreu — se dentro do átrio, queima-se dentro; se fora, queima-se fora —, independentemente de a impureza ter sido primária ou derivada.
Os membros do tamid são colocados desde a metade da rampa e abaixo, no lado leste; e os dos mussafim são colocados desde a metade da rampa e abaixo, no lado oeste; e os de rosh chodesh são colocados abaixo da cornija do altar, embaixo. — Cada tipo de oferenda diária tinha seu próprio local designado na rampa de acesso ao altar antes de ser levada ao fogo: os membros do sacrifício contínuo matutino e vespertino ficavam depositados na metade inferior da rampa, do lado leste; os das oferendas adicionais de Shabat e festas, na metade inferior, do lado oeste; e os da oferenda adicional de lua nova, ainda mais abaixo, junto à borda saliente que contornava o altar.
Os shekalim e os bikurim só vigoram enquanto o Templo está de pé; mas o dízimo de grão, o dízimo de gado e os primogênitos vigoram tanto com o Templo de pé quanto sem o Templo de pé. — A mishná encerra o tratado com uma distinção fundamental: a coleta do meio-shekel anual e a oferenda dos primeiros frutos existem apenas para sustentar o serviço do Templo, e por isso cessam quando ele não está de pé; já a separação do dízimo de grãos, do dízimo de gado e a consagração dos primogênitos são obrigações ligadas à própria terra e ao próprio rebanho de Israel, e continuam vigentes independentemente da existência do Templo.
Quem consagra shekalim e bikurim, eis que são consagrados. Rabi Shimon diz: quem diz "bikurim são consagrados" — não são consagrados. — Mesmo sem o Templo em pé, alguém que declarar formalmente seus shekalim ou seus bikurim como consagrados efetivamente os torna sagrados, ainda que não haja como usá-los para sua finalidade original; Rabi Shimon discorda apenas quanto aos bikurim, que por sua natureza específica — ligada organicamente à terra e ao momento da colheita — não podem, em sua opinião, ser retroativamente consagrados por mera declaração quando já não há Templo para recebê-los.