Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Treze shofarot, treze mesas, treze prostrações havia no Templo. — Três séries de treze objetos ou práticas, cada uma com sua função própria, estruturavam o funcionamento cotidiano do Templo — as caixas de arrecadação de dinheiro e ofertas, as mesas de serviço, e os pontos fixos onde os que entravam se prostravam em reverência.
A casa de Rabban Gamliel e a casa de Rabi Chananiá, vice-sumo sacerdote, prostravam-se catorze vezes. — Essas duas famílias tinham o costume de acrescentar mais uma prostração além das treze praticadas por todos.
E onde era a prostração adicional? Diante do depósito de lenha, pois assim tinham por tradição de seus antepassados que ali a Arca fora escondida. — A décima quarta prostração era feita em frente à câmara onde se armazenava a lenha da lenha do altar, porque essas duas famílias guardavam, de geração em geração, a tradição de que ali, sob o piso, a Arca da Aliança havia sido ocultada.
Aconteceu com um sacerdote que estava ocupado em seu trabalho e viu o piso, que era diferente dos demais. — Um sacerdote portador de deficiência física, cuja tarefa no Templo era preparar a lenha do altar, notou, enquanto trabalhava, que uma das pedras do piso tinha aspecto distinto das que a cercavam.
Foi e disse a seu companheiro. — Correu para contar o que tinha visto a outro sacerdote.
Não teve tempo de terminar de dizer a coisa, e sua alma partiu; e souberam com certeza que ali a Arca estava escondida. — Antes que conseguisse concluir seu relato, morreu subitamente — e essa morte repentina, entendida como intervenção divina para impedir a revelação do lugar exato, foi tomada como confirmação definitiva de que era ali, sob aquela pedra diferente, que a Arca permanecia oculta.
E onde se prostravam? Quatro ao norte, e quatro ao sul, três a leste, e dois a oeste, correspondendo aos treze portões. — Cada uma das treze prostrações correspondia a um dos treze portões que davam acesso ao átrio do Templo, distribuídos pelos quatro lados.
Os portões do sul, junto ao oeste: o Portão Superior, o Portão do Fogo, o Portão dos Primogênitos, o Portão das Águas. — E por que se chama Portão das Águas? Porque por ali se trazia o jarro de água da libação na festa de Sucot. Rabi Eliezer ben Yaakov diz: por ele as águas manarão, e no futuro sairão de debaixo do umbral do santuário.
Correspondendo a eles, ao norte, junto ao oeste: o Portão de Yechonyá, o Portão da Oferenda, o Portão das Mulheres, o Portão do Canto. — E por que se chama Portão de Yechonyá? Porque por ele saiu o rei Yechonyá quando partiu para o exílio.
A leste, o Portão de Nicanor, que tinha dois postigos, um à direita e outro à esquerda. E dois a oeste, que não tinham nome próprio. — O portão oriental principal, chamado Portão de Nicanor, possuía duas portas menores embutidas em suas laterais; e os dois portões do lado ocidental não recebiam designação especial.
Treze mesas havia no Templo: oito de mármore no matadouro, sobre as quais se lavavam os intestinos. — No local onde se abatiam os animais, havia oito mesas de pedra de mármore, usadas para lavar as vísceras dos sacrifícios antes de sua oferenda.
E duas a oeste da rampa, uma de mármore e uma de prata; sobre a de mármore colocavam os membros, sobre a de prata os utensílios de serviço. — Junto à rampa de acesso ao altar havia mais duas mesas: na de pedra depositavam-se os membros dos animais já cortados, à espera de serem levados ao altar; e na de prata, os utensílios sagrados usados no serviço.
E duas no Ulam, do lado de dentro, à entrada do santuário, uma de mármore e uma de ouro; sobre a de mármore colocavam o pão da proposição em sua entrada, e sobre a de ouro em sua saída, pois eleva-se em santidade e não se rebaixa. — No pórtico de entrada do santuário havia duas mesas adicionais: quando o pão da proposição recém-assado chegava, era colocado primeiro sobre a mesa de mármore; e quando, na semana seguinte, era retirado do altar interno de ouro para ser distribuído, passava pela mesa de ouro — pois um princípio geral determina que, em matéria de santidade, sobe-se de nível, nunca se desce.
E uma de ouro, do lado de dentro, sobre a qual estava sempre o pão da proposição. — E havia ainda uma mesa de ouro permanente dentro do próprio santuário, onde o pão da proposição ficava exposto continuamente, de sábado a sábado.
Treze shofarot havia no Templo, e estava escrito neles: shekalim novos, e shekalim velhos; ninhos, e pombinhos de holocausto; lenha, e incenso, e ouro para a arca; seis, para doação voluntária. — Cada uma das treze caixas de arrecadação trazia uma inscrição indicando o destino específico do dinheiro nela depositado — sete finalidades designadas, e seis caixas idênticas reservadas à doação voluntária geral.
"Shekalim novos" — os do ano corrente. "Velhos" — quem não pagou seu shekel no ano anterior, paga para o ano seguinte. — A primeira caixa recebia a contribuição anual regular de cada israelita naquele ano; a segunda recebia pagamentos em atraso de anos anteriores.
"Ninhos" — são rolinhas. "E pombinhos de holocausto" — são filhotes de pombo. E todos são holocaustos, palavras de Rabi Yehudá. — Segundo Rabi Yehudá, tanto o dinheiro depositado na caixa dos "ninhos" quanto o da caixa dos "pombinhos" destinava-se exclusivamente a comprar aves para oferendas de holocausto — a diferença entre as duas caixas sendo apenas a espécie da ave, rolinhas numa e pombos jovens noutra.
E os sábios dizem: "ninhos" — um para chatat e um para holocausto; e "pombinhos de holocausto" — todos holocaustos. — Já os sábios entendem de outra forma: na caixa dos "ninhos", metade do dinheiro comprava oferendas de pecado e metade oferendas de holocausto, independentemente da espécie de ave; enquanto a caixa dos "pombinhos" era destinada inteiramente a holocaustos.
Quem diz "sobre mim está a obrigação de lenha" não deve dar menos de dois troncos; "incenso" não deve dar menos de um punhado; "ouro" não deve dar menos de um dinar de ouro; seis para doação voluntária. — Quando alguém faz um voto genérico de doar lenha, incenso ou ouro ao Templo, sem especificar quantidade, a lei fixa um mínimo obrigatório para cada caso: dois troncos de lenha do tamanho usado na pilha do altar, um punhado de incenso equivalente ao usado nas oferendas de farinha, ou um dinar de ouro cunhado.
A doação voluntária, o que faziam com ela? Compravam com ela holocaustos; a carne para o Nome, e as peles para os sacerdotes. — O dinheiro acumulado na caixa de "doação voluntária simples" era usado para comprar animais oferecidos inteiramente como holocausto — a carne consumida no altar em honra a Deus, e as peles entregues aos sacerdotes como seu direito.
Este é o drash que expôs Yehoyadá, o sumo sacerdote: "é culpa, é sem dúvida culpável, é culpa ao Senhor" — este é o princípio: tudo que vem por causa de pecado e por causa de culpa será usado para comprar holocaustos, a carne para o Nome e as peles para os sacerdotes. — Yehoyadá interpretou o versículo de Vayikra sobre a oferenda de asham, cuja formulação parece redundante, como ensinando um princípio geral: sempre que sobrar dinheiro originalmente destinado a oferendas de pecado ou de culpa, esse excedente deve ser usado para comprar holocaustos — dessa forma tanto o altar quanto os sacerdotes recebem sua parte.
Encontram-se assim dois versículos cumpridos: "culpa ao Senhor" e "culpa aos sacerdotes"; e diz: "o dinheiro de culpa e o dinheiro de pecados não se trarão à casa do Senhor, aos sacerdotes serão." — Dessa forma se resolve a aparente contradição entre os dois textos: a carne do holocausto comprado com o excedente pertence a Deus, mas as peles pertencem aos sacerdotes — cumprindo literalmente ambos os versículos, um sobre o Templo em geral e outro, do livro de Melachim, especificamente citado a respeito da era de Yehoyadá.