Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Estes são os encarregados que havia no Templo: Yochanan ben Pinchas sobre os selos; Achiyá sobre as libações; Matitiá ben Shmuel sobre os sorteios; Petachiá sobre os ninhos de aves. — O Templo mantinha uma estrutura permanente de cargos especializados, cada um responsável por uma função específica do serviço diário: os selos usados no sistema de compra de libações, que a Mishná explicará adiante neste perek; o preparo das próprias libações de vinho, óleo e farinha; o sorteio diário que determinava qual sacerdote realizaria cada parte do serviço; e a compra dos pares de aves trazidos como oferendas obrigatórias por quem passara por certas impurezas, como o zav, a zavá e a parturiente.
Petachiá — este é Mordechai. E por que se chamava Petachiá? Porque abria as coisas e as interpretava, e conhecia setenta línguas. — A mishná esclarece que "Petachiá" não era o nome próprio do encarregado, mas um apelido dado a Mordechai — o mesmo Mordechai da história de Purim, que subira da Babilônia — por sua capacidade de "abrir" questões complexas e explicá-las, e por seu domínio das setenta línguas das nações.
Ben Achiyá sobre as doenças do intestino; Nechuniá, o cavador de poços; Gvini, o pregoeiro; Ben Guever sobre o fechamento dos portões; Ben Bevai sobre o açoite; Ben Arzá sobre os címbalos; Hugras ben Levi sobre o canto; Beit Garmu sobre a confecção do pão da proposição; Beit Avtinas sobre a confecção do incenso; Elazar sobre as cortinas; e Pinchas, o vestidor, sobre as vestimentas. — A lista prossegue com outros dez cargos: o médico responsável pelos males intestinais comuns entre os sacerdotes que andavam descalços e comiam muita carne; o encarregado de cavar poços e cisternas para os peregrinos; o pregoeiro cuja voz anunciava o início de cada parte do serviço; o encarregado de trancar e destrancar os portões do Templo; o responsável por açoitar os sacerdotes e levitas flagrados dormindo em sua guarda noturna; o mestre dos címbalos que davam o sinal para o início do canto levítico; o regente do coro; a família responsável por assar o pão da proposição sem que se quebrasse; a família especializada em compor o incenso; o encarregado de confeccionar as cortinas do Templo; e o encarregado de vestir e desvestir os sacerdotes e guardar suas vestimentas.
Não se reduz a menos de três tesoureiros e sete amarcalim. — A administração superior do Templo exigia, no mínimo, três gizbarim (tesoureiros) e sete amarcalim — um posto hierarquicamente acima dos tesoureiros —, número que não podia ser reduzido, garantindo que decisões sobre o dinheiro consagrado nunca dependessem de poucas mãos.
E não se estabelece autoridade sobre o público, em matéria de dinheiro, com menos de dois — exceto Ben Achiyá, que estava sobre as doenças do intestino, e Elazar, que estava sobre as cortinas, pois esses a maioria do público os aceitou sobre si. — Como regra geral, nenhum indivíduo é nomeado sozinho para posição de autoridade sobre o dinheiro da comunidade — sempre são necessários ao menos dois, para que haja verificação mútua. As duas exceções da lista de encarregados do capítulo anterior — o médico responsável pela saúde intestinal dos sacerdotes e o encarregado das cortinas — não lidavam diretamente com fundos públicos da mesma forma, e por isso o público, por consenso, aceitou que servissem sozinhos.
Quatro selos havia no Templo, e estava escrito sobre eles: bezerro, macho, cabrito, pecador. — Quem precisava de libações — a mistura de farinha fina, óleo e vinho que acompanha certos sacrifícios de animais — comprava um selo marcado com um desses quatro nomes, cada um correspondendo a um conjunto específico de medidas.
Ben Azai diz: cinco eram, e em aramaico estava escrito sobre eles: bezerro, macho, cabrito, pecador pobre, e pecador rico. — Segundo Ben Azai, havia um quinto selo, pois o selo "pecador" — destinado às libações do leproso — se dividia em dois: um para o leproso pobre, que trazia apenas um animal, e outro para o rico, que trazia três.
O bezerro serve para as libações de bovinos, grandes e pequenos, machos e fêmeas. O cabrito serve para as libações de ovinos e caprinos, grandes e pequenos, machos e fêmeas, exceto as dos carneiros. O macho serve apenas para as libações de carneiros. O pecador serve para as libações dos três animais dos leprosos. — Cada selo corresponde a uma classe de nesachim (libações): o "bezerro" a todo o gado bovino, seja qual for sua idade ou sexo; o "cabrito" a ovelhas e cabras, grandes ou pequenas, machos ou fêmeas, exceto carneiros; o "macho" exclusivamente aos carneiros, cujas medidas de libação são diferentes; e o "pecador" às libações das três reses trazidas pelo leproso rico em seu processo de purificação — dois cordeiros e uma cordeira, além da oferenda de farinha e do log de óleo.
Aquele que busca libações vai até Yochanan, que é o encarregado dos selos, dá-lhe dinheiro e recebe dele um selo. Vem até Achiyá, que é o encarregado das libações, dá-lhe o selo e recebe dele as libações. — Quem precisava de farinha, óleo e vinho para acompanhar seu sacrifício não comprava diretamente dos vendedores: primeiro pagava a Yochanan, o encarregado dos selos descritos na mishná anterior, recebendo em troca um selo marcado com o tipo de libação necessário; em seguida, levava esse selo a Achiyá, o encarregado das próprias libações, que lhe entregava a mercadoria em troca do selo — sem manuseio direto de dinheiro nesse segundo passo.
E à noite, vêm um até o outro: Achiyá traz os selos e recebe em troca deles o dinheiro. E se sobrou, sobrou para o Templo. E se faltou, Yochanan pagava de seu próprio bolso, pois a mão do Templo está por cima. — Ao final do dia, os dois encarregados se encontravam para acertar as contas: Achiyá devolvia a Yochanan todos os selos recebidos ao longo do dia, e Yochanan lhe entregava o dinheiro correspondente — o mesmo dinheiro que originalmente recebera de cada comprador. Se, na contagem, sobrasse dinheiro em mãos de Yochanan além do valor dos selos devolvidos, esse excedente pertencia ao Templo; mas se faltasse — sinal de que Yochanan havia entregado selos sem receber o pagamento correspondente —, era ele quem cobria a diferença do próprio bolso, pois o princípio geral é que o Templo nunca sai perdendo.
Aquele que perdeu seu selo, esperam por ele até a noite. — Se alguém comprou um selo de Yochanan mas o perdeu antes de trocá-lo por libações com Achiyá, não é imediatamente considerado prejudicado — espera-se até o encontro noturno entre os dois encarregados para verificar as contas.
Se encontram para ele o equivalente ao seu selo, dão-lhe. E se não, ele não tem. — Na conciliação de contas do fim do dia, se o dinheiro em mãos de Yochanan exceder o valor total dos selos devolvidos por Achiyá — na exata medida correspondente ao selo perdido —, esse excedente é entregue a quem reclamou a perda, pois é a prova de que seu pagamento de fato entrou no sistema sem ter sido usado. Mas se as contas batem exatamente, sem sobra alguma, ele não recebe nada, pois não há como comprovar sua reivindicação sem prejudicar o Templo ou outra pessoa.
E o nome do dia estava escrito sobre eles, por causa dos enganadores. — Cada selo trazia inscrito o dia em que fora emitido, precisamente para impedir que alguém tentasse usar, num dia posterior, um selo achado — seja um selo genuíno de outra pessoa que caiu no chão, seja um selo comprado quando o preço estava baixo e guardado para ser usado depois de uma alta de preços, obtendo assim mais do que pagou.
Duas câmaras havia no Templo: uma, a câmara dos discretos; e outra, a câmara dos utensílios. — Além das câmaras já descritas nos capítulos anteriores, o Templo mantinha duas outras dedicadas a fins específicos: uma para doações anônimas de caridade, e outra para o recolhimento de objetos doados por particulares.
Na câmara dos discretos, os temerosos do pecado depositavam nela discretamente, e os pobres de boa família se sustentavam dela discretamente. — Pessoas que temiam transgredir depositavam ali dinheiro em sigilo, sem que ninguém soubesse quanto doavam; e pessoas de família outrora abastada, agora empobrecidas e envergonhadas de pedir esmola publicamente, retiravam dali seu sustento também em sigilo, sem que ninguém soubesse quanto recebiam — preservando a dignidade de ambos os lados.
Na câmara dos utensílios, todo aquele que doava um utensílio, jogava-o nela. — Quem quisesse doar algum objeto de valor ao Templo — sem necessariamente destiná-lo a um uso específico — simplesmente o depositava nessa câmara, sem burocracia adicional.
E a cada trinta dias os tesoureiros a abriam; e todo utensílio em que encontravam necessidade para o reparo do Templo, deixavam-no; e o restante era vendido, e seu valor caía para a câmara do reparo do Templo. — Mensalmente, os tesoureiros inspecionavam o conteúdo acumulado: os objetos úteis para consertos ou manutenção da estrutura do Templo eram reservados para esse fim; todo o restante era vendido, e o dinheiro obtido se somava ao fundo geral destinado ao reparo do edifício.