Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
A teruma, o que faziam com ela? Compravam com ela os tamidin e os mussafin e suas libações, o ômer, os dois pães e o pão da proposição, e todos os sacrifícios públicos. — A teruma da câmara — a primeira porção retirada dos três cofres grandes, conforme já descrito no perek anterior — era a fonte de financiamento de todo o serviço público diário e sazonal do Templo: as ofertas queimadas contínuas da manhã e da tarde, as ofertas adicionais de Shabat, Rosh Chodesh e das festas, suas libações de vinho, farinha e óleo, o ômer de Pêssach, os dois pães de Shavuot, o pão da proposição semanal, e todo e qualquer sacrifício custeado pelo público como um todo.
Os guardiões dos rebentos no ano sabático recebiam seu salário da teruma da câmara. — No sétimo ano, quando a terra é hefker e ninguém deveria colher para si, ainda assim era necessário trazer o ômer em Pêssach e os dois pães em Shavuot exclusivamente de grão novo crescido na Terra de Israel. Por isso, o tribunal contratava guardiões para proteger uma parte dos rebentos espontâneos daquele ano contra quem os colhesse, e pagava esses guardiões com dinheiro da teruma — já que a necessidade do sacrifício público é equiparada ao próprio sacrifício público.
Rabi Yossei diz: também quem quiser pode se oferecer voluntariamente como guardião gratuito. Disseram-lhe: também tu deves admitir que eles não vêm senão do que pertence ao público. — Rabi Yossei permite que um particular guarde os rebentos de graça e depois traga deles o ômer e os dois pães como sua própria doação, pois entende que um sacrifício assim trazido — ainda que originado da iniciativa de um indivíduo — se transforma em sacrifício público quando aceito pela congregação. Os sábios discordam: se o grão foi guardado e adquirido por um particular sem remuneração, ele não veio "do que pertence ao público", contrariando a exigência de que o ômer e os dois pães sejam, desde o início, propriedade coletiva.
A vaca vermelha, o bode enviado e a língua de escarlate vêm da teruma da câmara. — Ainda que a vaca vermelha não seja abatida na azara do Templo, a Torá a chama de chatat — oferta pelo pecado —, e por isso, como os demais sacrifícios públicos, seu custo vem da teruma propriamente dita. O mesmo vale para o bode enviado a Azazel, pois é necessário adquirir dois bodes idênticos para o sorteio de Yom Kipur, e não se sabe de antemão sobre qual cairá a sorte para o Eterno; e a língua de escarlate que se amarra entre os chifres do bode enviado também é considerada necessidade direta desse serviço.
A rampa da vaca, a rampa do bode enviado, a língua que fica entre seus chifres, o canal de água, o muro da cidade e suas torres, e todas as necessidades da cidade, vêm dos restos da câmara. — Já a rampa de duas pontes sobrepostas pela qual se conduzia a vaca vermelha do Monte do Templo ao Monte da Unção, a rampa pela qual o homem designado conduzia o bode enviado para fora da cidade, uma segunda faixa de escarlate amarrada entre os chifres do bode — usada apenas para verificar se embranquecia, sinal de perdão —, o canal de água que passava pela azara, o muro de Jerusalém com suas torres, e toda obra pública da cidade, como poços, cisternas e reparo de ruas, não são necessidade direta de nenhum sacrifício específico, e por isso vêm apenas do que sobra na câmara depois de separadas as terumot — não da teruma propriamente dita.
Abba Shaul diz: a rampa da vaca, os sumos sacerdotes a faziam às próprias custas. — Segundo Abba Shaul, os próprios sumos sacerdotes arcavam com o custo da construção da rampa usada para conduzir a vaca vermelha, e não a comunidade; mas a lei não segue sua opinião.
O excedente dos restos da câmara, o que faziam com ele? Compravam com ele vinhos, óleos e farinhas finas, e o lucro pertencia ao Templo — palavras de Rabi Yishmael. — Segundo Rabi Yishmael, depois de cobertas as necessidades da cidade com os restos da câmara, o excedente ainda remanescente era investido na compra de vinhos, óleos e farinhas finas — produtos que o próprio Templo precisava regularmente para libações e oferendas — e depois revendidos com lucro a quem precisasse deles, sendo esse lucro incorporado ao patrimônio do Templo.
Rabi Akiva diz: não se lucra com o que pertence ao Templo, nem com o que pertence aos pobres. — Rabi Akiva rejeita esse tipo de operação comercial: tanto o dinheiro consagrado quanto o dinheiro destinado aos pobres não devem ser usados como capital de giro para gerar lucro, pois não é apropriado ao Templo parecer necessitado de tal expediente, e há o risco de que, na urgência de socorrer um pobre, o dinheiro esteja imobilizado num negócio em andamento. A lei segue Rabi Akiva.
O excedente da teruma, o que faziam com ele? Lâminas de ouro para revestir a Casa do Santo dos Santos. — O que sobrava nos cofres da teruma ao chegar o primeiro de Nissan, quando os sacrifícios públicos passavam a ser trazidos exclusivamente da teruma nova, era transformado em lâminas de ouro batido para revestir o piso e as paredes do Santo dos Santos.
Rabi Yishmael diz: o excedente dos frutos vai para a sobremesa do altar, e o excedente da teruma para os utensílios de serviço. — Rabi Yishmael distingue três categorias: o lucro obtido com a venda de vinhos, óleos e farinhas comprados com o excedente dos restos da câmara — chamado "excedente dos frutos" — é oferecido como ofertas queimadas voluntárias, chamadas "sobremesa do altar"; já o próprio excedente da teruma vai para a confecção de utensílios de serviço do Templo.
Rabi Akiva diz: o excedente da teruma vai para a sobremesa do altar, e o excedente das libações para os utensílios de serviço. — Rabi Akiva inverte o destino: para ele, é o excedente da própria teruma — separada para necessidade dos sacrifícios — que se converte em ofertas voluntárias, enquanto o excedente gerado no fornecimento de libações ao longo do ano vai para os utensílios de serviço.
Rabi Chananya, vice dos sacerdotes, diz: o excedente das libações vai para a sobremesa do altar, e o excedente da teruma para os utensílios de serviço. Nem um nem outro concordavam quanto aos frutos. — Rabi Chananya propõe uma terceira combinação, trocando novamente os destinos do excedente das libações e do excedente da teruma. Mas tanto Rabi Akiva quanto Rabi Chananya discordavam de Rabi Yishmael quanto ao excedente dos frutos, pois entendem que não se deve, de início, lucrar comercialmente com dinheiro do Templo, como já ensinado na mishná anterior.
O excedente do incenso, o que faziam com ele? Separam dele o salário dos artesãos, e o dessacralizam sobre o salário dos artesãos, e o entregam aos artesãos como seu salário, e voltam a comprá-lo com teruma nova. — Como o incenso era preparado anualmente em quantidade fixa — suficiente para trezentos e sessenta e cinco dias mais o punhado extra de Yom Kipur —, quase sempre sobrava um excedente. Para movimentá-lo sem transgredir a regra de que dinheiro consagrado não se converte diretamente em pagamento por serviço, os tesoureiros primeiro separavam da teruma da câmara uma quantia comum equivalente ao salário dos artesãos que prepararam o incenso; depois dessacralizavam o incenso excedente sobre essa quantia — que então se tornava sagrada em lugar do incenso —, e só então entregavam o incenso, já comum, aos artesãos como pagamento; por fim, o Templo recomprava desses mesmos artesãos o incenso com dinheiro de teruma nova, para poder oferecê-lo com fundos do ano corrente.
Se a nova chegou em seu tempo, compram-no com a teruma nova; e se não, com a antiga. — Se ao chegar o momento de recomprar o incenso dos artesãos já haviam chegado shekalim suficientes da nova arrecadação, compravam-no com essa teruma nova; mas se a nova teruma ainda não havia se reunido, recorriam à teruma antiga, já dessacralizada, para não deixar o serviço do incenso interrompido.
Quem consagra seus bens, e havia entre eles coisas adequadas aos sacrifícios públicos, sejam entregues aos artesãos como seu salário — palavras de Rabi Akiva. — Rabi Akiva permite entregar diretamente aos artesãos, como pagamento por seu trabalho, os próprios itens consagrados que servem aos sacrifícios públicos — sem exigir o procedimento de dessacralização sobre dinheiro comum primeiro. Ele entende que o consagrado pode se dessacralizar diretamente sobre o trabalho realizado, pois a Torá ordena "que me façam um santuário", implicando que a própria obra seja feita a partir do que é consagrado.
Disse-lhe Ben Azai: não é essa a medida correta, mas sim: separam deles o salário dos artesãos, e os dessacralizam sobre o dinheiro dos artesãos, e os entregam aos artesãos como seu salário, e voltam a comprá-los com teruma nova. — Ben Azai discorda: o consagrado não se dessacraliza sobre o trabalho, apenas sobre dinheiro. Por isso é necessário seguir exatamente o mesmo procedimento já descrito para o excedente do incenso — separar primeiro uma quantia comum equivalente ao salário, dessacralizar os bens consagrados sobre essa quantia, entregar os bens já comuns aos artesãos como pagamento, e só depois recomprá-los com teruma nova. A lei segue Ben Azai.
Quem consagra seus bens, e havia entre eles um animal apto ao altar, machos e fêmeas — Rabi Eliezer diz: os machos sejam vendidos para as necessidades das ofertas queimadas, e as fêmeas sejam vendidas para as necessidades dos sacrifícios de paz, e seu valor caia, junto com os demais bens, para o reparo do Templo. — Rabi Eliezer trata a consagração genérica de todos os bens de alguém como dirigida uniformemente ao reparo do Templo, mesmo quando inclui animais fisicamente aptos ao altar; por isso nem machos nem fêmeas são oferecidos diretamente — ambos são vendidos a quem precisa deles para seus próprios sacrifícios, e todo o valor obtido, junto com o restante dos bens, vai para o reparo do Templo.
Rabi Yehoshua diz: os machos, eles mesmos sejam oferecidos como ofertas queimadas, e as fêmeas sejam vendidas para as necessidades dos sacrifícios de paz, e traga com seu valor ofertas queimadas, e os demais bens caiam para o reparo do Templo. — Rabi Yehoshua diferencia: presume-se que aquilo que é fisicamente apto ao altar tenha sido consagrado com essa intenção específica. Por isso os próprios machos são oferecidos como ofertas queimadas; as fêmeas — inaptas para serem elas mesmas ofertas queimadas, mas ainda assim aptas ao altar como sacrifícios de paz — são vendidas, e seu valor compra ofertas queimadas; somente o restante dos bens, sem aptidão para o altar, cai para o reparo do Templo.
Rabi Akiva diz: vejo as palavras de Rabi Eliezer como preferíveis às de Rabi Yehoshua, pois Rabi Eliezer igualou sua medida, e Rabi Yehoshua fez distinção. — Rabi Akiva prefere a coerência interna da posição de Rabi Eliezer, que trata todo bem consagrado sem especificação da mesma forma, à posição de Rabi Yehoshua, que distingue entre partes dos mesmos bens consagrados na mesma declaração.
Disse Rabi Papias: ouvi conforme as palavras de ambos — que quem consagra explicitamente, segue as palavras de Rabi Eliezer, e quem consagra em termos gerais, segue as palavras de Rabi Yehoshua. — Rabi Papias reconcilia as duas posições distinguindo pelo tipo de declaração: quem consagra o animal e seus demais bens como categorias explicitamente separadas — sem indicar destino diferente para o animal apto ao altar — revela a intenção de que tudo vá ao mesmo destino, como ensina Rabi Eliezer; mas quem consagra a totalidade de seus bens de modo genérico revela a intenção de que cada coisa siga o destino que lhe é próprio, como ensina Rabi Yehoshua. A lei segue Rabi Akiva.
Quem consagra bens, e havia entre eles coisas adequadas sobre o altar — vinhos, óleos e aves — Rabi Elazar diz: sejam vendidos para as necessidades daquele mesmo tipo, e traga com seu valor ofertas queimadas, e os demais bens caiam para o reparo do Templo. — Assim como no caso dos animais aptos ao altar, presume-se que vinhos, óleos e aves — próprios para libações, oferendas e sacrifícios de aves — foram consagrados com a intenção específica de servir ao altar. Por isso são vendidos a quem precisa deles para essas mesmas finalidades, e o dinheiro obtido é usado para comprar ofertas queimadas; apenas o restante dos bens, sem aptidão direta ao serviço do altar, cai para o reparo geral do Templo.
Uma vez a cada trinta dias, avaliava-se o preço para a câmara. — Nas épocas de colheita do trigo, vindima das uvas e colheita das azeitonas, os tesoureiros do Templo adiantavam dinheiro aos fornecedores, fixando um preço que valeria pelos trinta dias seguintes para o fornecimento diário de farinhas finas, óleo e vinho necessários aos sacrifícios.
Todo aquele que se comprometesse a fornecer farinhas finas a quatro [seá por sela], e o preço subiu para três, fornecerá a quatro. Se era a três e o preço caiu para quatro, fornecerá a quatro, pois a mão do Templo está por cima. — Se o comerciante se comprometeu a entregar quatro seá de farinha por sela e o mercado encareceu — de modo que o mesmo dinheiro agora só compra três seá —, ele ainda deve entregar quatro, honrando o preço combinado. E se o mercado baixou — de modo que o mesmo dinheiro agora compraria quatro seá onde antes comprava só três —, ele também deve entregar quatro, pois, sendo o dinheiro do Templo consagrado, ele adquire pelo próprio ato do pagamento, como um comprador comum que já efetuou a tração da mercadoria — e assim o Templo sempre recebe a quantidade maior, nunca a menor.
E se a farinha criou vermes, criou vermes para ele; e se o vinho azedou, azedou para ele; e ele não recebe seu dinheiro até que o altar seja aceito com agrado. — A responsabilidade pela qualidade do produto permanece com o fornecedor até o momento em que o sacrifício feito com ele é de fato aceito com agrado sobre o altar; até lá, mesmo que o tesoureiro já tenha pago o dinheiro adiantado, esse dinheiro não é considerado definitivamente adquirido pelo comerciante — se a farinha estragar ou o vinho azedar antes desse momento, o prejuízo recai sobre ele, não sobre o Templo.