Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Em três momentos do ano se separa a teruma da câmara: na véspera da metade de Pêssach, na véspera da metade de Shavuot, na véspera da metade de Sucot; e estes são as eiras do dízimo do gado, palavras de Rabi Akivá. — Três vezes por ano — quinze dias antes de cada uma das três festas de peregrinação — os tesoureiros retiravam dinheiro da câmara onde todos os shekalim eram depositados, para custear os sacrifícios públicos. Segundo Rabi Akivá, esses mesmos três momentos servem também como as datas de corte que determinam a que ano se atribui o gado nascido para fins do dízimo do gado — assim como uma eira determina a que ano pertence o grão colhido.
Ben Azai diz: em vinte e nove de Adar, em um de Sivan e em vinte e nove de Av. — Ben Azai discorda quanto às datas exatas das eiras do dízimo do gado, propondo três datas ligeiramente diferentes das de Rabi Akivá.
Rabi Elazar e Rabi Shimon dizem: em um de Nissan, em um de Sivan, em vinte e nove de Elul. — Uma terceira opinião propõe ainda outro conjunto de datas para as eiras do dízimo do gado, coincidindo parcialmente com as anteriores.
Por que disseram em vinte e nove de Elul, e não disseram em um de Tishrei? Porque é dia festivo, e não é possível dizimar em dia festivo; por isso a anteciparam para vinte e nove de Elul. — A mishná explica por que a terceira data, que naturalmente completaria o ciclo anual em um de Tishrei, foi deslocada um dia antes: como Rosh Hashaná é dia festivo e a separação do dízimo do gado envolve um ato proibido em dia festivo, os Sábios anteciparam a data para a véspera.
Com três cofres de três seá cada um se separa a teruma da câmara, e está escrito neles alef, bet, guimel; Rabi Yishmael diz: em grego está escrito neles alfa, beta, gama. — Cada um dos três cofres usados para retirar dinheiro da câmara tinha capacidade de três seá e era identificado com uma letra — hebraica, segundo a opinião principal, ou grega, segundo Rabi Yishmael — para que se soubesse qual cofre havia sido esvaziado primeiro e a ordem de uso dos demais.
O tesoureiro não entra com bainha dobrada, nem com sapato, nem com sandália, nem com tefilin, nem com amuleto, para que não empobreça e digam que empobreceu por causa do pecado da câmara, ou para que não enriqueça e digam que enriqueceu com a teruma da câmara. — Ao entrar na câmara onde o dinheiro consagrado é guardado, o tesoureiro deve vestir roupas simples, sem dobras ou compartimentos onde poderia esconder moedas, e sem calçados ou objetos que pudessem ocultar dinheiro — não porque se suspeitasse necessariamente de sua honestidade, mas para que sua reputação ficasse acima de qualquer suspeita, quaisquer que fossem as reviravoltas futuras de sua situação financeira.
Pois a pessoa deve se desincumbir diante das criaturas assim como deve se desincumbir diante do Onipresente, como está dito: "e estareis livres de culpa perante o Eterno e perante Israel"; e diz: "e encontrarás graça e bom entendimento aos olhos de Deus e dos homens". — A mishná fundamenta essa exigência num princípio mais amplo: não basta agir corretamente perante Deus, é preciso também que a conduta seja tal que nenhuma pessoa razoável possa suspeitar de má-fé — citando os dois versículos que exigem, respectivamente, estar livre de culpa perante o Eterno e perante Israel, e encontrar favor tanto aos olhos de Deus quanto aos olhos dos homens.
O da casa de Rabban Gamliel entrava com seu shekel entre os dedos e o lançava diante do tesoureiro, e o tesoureiro tinha a intenção de empurrá-lo para dentro do cofre. — Um membro da família de Rabban Gamliel tinha o costume de entrar segurando seu próprio shekel entre os dedos e lançá-lo bem diante do tesoureiro no momento exato da separação da teruma, de modo que o tesoureiro, ao encher o cofre, tomasse cuidado para empurrar justamente aquela moeda para dentro — garantindo assim que o próprio shekel da família fosse efetivamente usado na compra dos sacrifícios públicos, e não ficasse entre o excedente da câmara.
O tesoureiro não separa a teruma até dizer-lhes: separarei. E eles lhe dizem: separa, separa, separa — três vezes. — Antes de iniciar o ato de separar a teruma da câmara, o tesoureiro anuncia formalmente sua intenção, e os presentes respondem autorizando-o, numa fórmula ritual repetida três vezes — seguindo o padrão comum na linguagem dos Sábios de expressar atos solenes em fórmulas triplicadas.
Separou a primeira e cobre com couros; a segunda e cobre com couros; a terceira não cobria, para que não esquecesse e separasse do que já havia sido separado. — Depois de retirar a primeira porção da câmara para comprar os sacrifícios da festa de Pêssach, o tesoureiro cobria com couros curtidos o restante do dinheiro, para que, ao longo dos meses seguintes, novos shekalim recém-chegados de regiões mais distantes fossem depositados por cima da cobertura — evitando confundi-los com o dinheiro já separado. O mesmo se repetia após a segunda separação, na época de Shavuot. Mas depois da terceira e última separação, na época de Sucot, não havia mais necessidade de cobrir, pois não restava mais nenhuma teruma futura naquele ano a temer confundir.
Separou a primeira em nome da Terra de Israel, e a segunda em nome das cidades circunvizinhas a ela, e a terceira em nome da Babilônia, em nome da Média e em nome das regiões distantes. — Ainda que cada teruma sempre fosse separada em nome de todo o povo de Israel — sobre o já coletado e sobre o que ainda estava por coletar —, a mishná associa simbolicamente cada uma das três terumot à origem geográfica predominante dos shekalim já reunidos naquele momento: a primeira, mais próxima da data de Pêssach, corresponde aos moradores da própria Terra de Israel, que enviavam seus shekalim primeiro; a segunda, às cidades vizinhas que levavam mais tempo para enviar; e a terceira, aos judeus da diáspora mais distante — Babilônia, Média e regiões ainda mais remotas —, cujos shekalim demoravam mais a chegar.