Talmud Bavli · Massechet Shekalim · Perek Bet
פֶּרֶק שֵׁנִי

Mishná de Shekalim, segundo perek — adaptada à trilha Bavli

5 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"Convertendo shekalim em darconos e os shofarot da coleta"
Abre o Perek Bet tratando do transporte prático dos shekalim coletados nas cidades do interior até Jerusalém: a permissão de convertê-los em moedas de maior valor para aliviar o peso da viagem, as caixas com abertura afunilada usadas tanto no Templo quanto nas cidades, e o que ocorre quando o dinheiro enviado por uma cidade é roubado ou se perde no caminho.

Convertem-se os shekalim em darconos por causa do peso da viagem.Os habitantes de uma cidade que reuniram seus meios-shekalim podem trocá-los por darconos — uma moeda de ouro de maior valor, equivalente a dois selaim — para tornar mais leve o transporte até Jerusalém.

Assim como havia shofarot no Templo, assim havia shofarot na cidade.Caixas com a boca estreita, alargando-se para dentro como o formato de um shofar, de modo que ninguém pudesse retirar delas nada — existiam não apenas no Templo, mas também nas próprias cidades, para a coleta local dos shekalim antes de serem enviados.

Os habitantes de uma cidade que enviaram seus shekalim, e foram roubados ou se perderam — se já havia sido feita a teruma, juram aos tesoureiros; e se não, juram aos habitantes da cidade, e os habitantes da cidade voltam a pesar em lugar deles.Se, no momento do roubo ou da perda, os tesoureiros do Templo já haviam separado a teruma da arca — inclusive sobre o que ainda estava por chegar —, o dinheiro perdido já se considerava sob a responsabilidade deles, e os mensageiros juram diante dos próprios tesoureiros para se eximir. Mas se a teruma ainda não fora separada, o dinheiro ainda pertencia aos donos, e os mensageiros juram aos habitantes da cidade; estes, por sua vez, devem reunir novos shekalim para substituir os perdidos.

Se foram encontrados, ou se os ladrões os devolveram, estes e aqueles são shekalim, e não sobem para eles para o ano seguinte.Caso o dinheiro extraviado apareça depois, ou os ladrões o restituam, tanto os shekalim originais quanto os que a cidade pagou em substituição contam como shekalim válidos deste ano — mas o excedente não pode ser aproveitado como pagamento antecipado para o ano seguinte.

מְצָרְפִין שְׁקָלִים לְדַרְכּוֹנוֹת מִפְּנֵי מַשּׂוֹי הַדֶּרֶךְ. כְּשֵׁם שֶׁהָיוּ שׁוֹפָרוֹת בַּמִּקְדָּשׁ, כָּךְ הָיוּ שׁוֹפָרוֹת בַּמְּדִינָה. בְּנֵי הָעִיר שֶׁשָּׁלְחוּ אֶת שִׁקְלֵיהֶן וְנִגְנְבוּ אוֹ שֶׁאָבָדוּ, אִם נִתְרְמָה הַתְּרוּמָה, נִשְׁבָּעִין לַגִּזְבָּרִים. וְאִם לָאו נִשְׁבָּעִין לִבְנֵי הָעִיר, וּבְנֵי הָעִיר שׁוֹקְלִין תַּחְתֵּיהֶן. נִמְצָאוּ, אוֹ שֶׁהֶחֱזִירוּם הַגַּנָּבִים, אֵלּוּ וָאֵלּוּ שְׁקָלִים, וְאֵין עוֹלִין לָהֶן לְשָׁנָה הַבָּאָה:
Mishná 2"O mensageiro que pagou o próprio shekel com o dinheiro do amigo"
Trata de dois casos de uso indevido de dinheiro que já foi consagrado à teruma da câmara — um em que o mensageiro paga com o shekel do amigo em nome próprio, outro em que alguém paga seu shekel com dinheiro já consagrado ao Templo — e de como se resgata dinheiro de segundo dízimo ou do sétimo ano gasto por engano dessa forma.

Quem dá seu shekel a seu amigo para pesá-lo em seu nome, e este o pesou em nome próprio — se já havia sido feita a teruma, cometeu meilá.Se alguém confia seu shekel a um amigo para que este o entregue como pagamento em seu nome, mas o amigo o usa para pagar o próprio shekel, então, caso a teruma da câmara já tenha sido separada sobre o dinheiro coletado e o que ainda estava por coletar — o que inclui esse shekel confiado —, o amigo se beneficiou de bens consagrados, pois deixou de ser penhorado por causa desse pagamento, e comete a transgressão de meilá.

Quem paga seu shekel com dinheiro consagrado — se já havia sido feita a teruma e o animal foi oferecido, cometeu meilá.Se alguém tinha em mãos dinheiro já consagrado ao Templo, supondo tratar-se de dinheiro comum, e o usou para pagar seu próprio shekel, a transgressão de meilá só se consuma quando a teruma é separada e um animal é efetivamente adquirido e oferecido com aquele dinheiro — só então se considera que ele se beneficiou de bens sagrados ao se livrar da penhora.

Do dinheiro de segundo dízimo, do dinheiro do sétimo ano, coma o equivalente.Quem descobre que pagou seu shekel com moedas de segundo dízimo ou de produtos do ano sabático deve trazer outro shekel comum e declarar que aquelas santidades passam a estar vinculadas a este, para depois consumir, em Jerusalém e segundo as regras próprias de cada santidade, produtos equivalentes ao valor gasto por engano.

הַנּוֹתֵן שִׁקְלוֹ לַחֲבֵרוֹ לִשְׁקֹל עַל יָדוֹ, וּשְׁקָלוֹ עַל יְדֵי עַצְמוֹ, אִם נִתְרְמָה תְּרוּמָה מָעַל. הַשּׁוֹקֵל שִׁקְלוֹ מִמְּעוֹת הֶקְדֵּשׁ, אִם נִתְרְמָה תְרוּמָה וְקָרְבָה הַבְּהֵמָה מָעַל. מִדְּמֵי מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, מִדְּמֵי שְׁבִיעִית, יֹאכַל כְּנֶגְדָּן:
Mishná 3"O debate de Beit Shamai e Beit Hilel sobre o dinheiro reunido aos poucos"
Apresenta o debate entre Beit Shamai e Beit Hilel sobre o destino do dinheiro excedente quando alguém reúne moedas aos poucos declarando de antemão que se destinam ao seu shekel, contrastando com os dois casos em que ambas as escolas concordam.

Quem reúne moedas e disse: estas são para meu shekel — Beit Shamai diz: o excedente é nedavá; e Beit Hilel diz: o excedente é chulin.Alguém que vai juntando pequenas quantias, moeda após moeda, declarando desde o início que se destinam ao pagamento de seu shekel, e ao final descobre que reuniu mais do que o valor devido — segundo Beit Shamai, o excedente foi consagrado por engano e deve ser usado como doação voluntária para ofertas do altar; segundo Beit Hilel, como sua intenção nunca foi consagrar mais do que o shekel, o excedente permanece comum.

Se disse: destas trarei meu shekel — concordam que o excedente é chulin.Quando a declaração inicial já deixa claro que apenas parte do dinheiro reunido será usada para o shekel — "trarei meu shekel a partir destas moedas" —, ambas as escolas concordam que o restante nunca foi consagrado e permanece comum, pois não houve intenção alguma de dedicar tudo ao Templo.

Estas são para minha chatat — concordam que o excedente é nedavá. Destas trarei minha chatat — concordam que o excedente é chulin.Quando a declaração original se refere não ao shekel, mas a uma oferta de chatat — que não tem valor fixo, podendo custar mais ou menos —, ambas as escolas concordam que todo o dinheiro reunido foi consagrado, e o que sobrar depois de comprada a oferta se torna nedavá; mas se a declaração já limitou a consagração a uma parte específica das moedas, o restante permanece comum.

הַמְכַנֵּס מָעוֹת וְאָמַר, הֲרֵי אֵלּוּ לְשִׁקְלִי, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, מוֹתָרָן נְדָבָה. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, מוֹתָרָן חֻלִּין. שֶׁאָבִיא מֵהֶן לְשִׁקְלִי, שָׁוִין שֶׁמּוֹתָרָן חֻלִּין. אֵלּוּ לְחַטָאת, שָׁוִין שֶׁהַמּוֹתָר נְדָבָה. שֶׁאָבִיא מֵהֶן לְחַטָאת, שָׁוִין שֶׁהַמּוֹתָר חֻלִּין:
Mishná 4"Rabi Shimon explica a diferença entre shekalim e chatat"
Rabi Shimon explica o fundamento da mishná anterior — por que o excedente do shekel é diferente do excedente da chatat — e Rabi Yehuda contesta trazendo a história das mudanças de moeda usada para o shekel ao longo do Segundo Templo, ao que Rabi Shimon responde reafirmando seu princípio sob nova luz.

Disse Rabi Shimon: qual a diferença entre shekalim e chatat? Os shekalim têm valor fixo, e a chatat não tem valor fixo.Rabi Shimon explica por que Beit Hilel trata o excedente do shekel como comum, mas concorda que o excedente da chatat é nedavá: como a Torá fixa o shekel num valor exato e igual para todos, qualquer moeda reunida além desse valor certamente nunca foi consagrada; mas a chatat não tem quantia fixa — pode-se trazê-la barata ou cara —, de modo que todo o dinheiro reunido com essa intenção é consagrado, e o que sobra depois de comprado o animal se torna nedavá.

Rabi Yehuda diz: também os shekalim não têm valor fixo, pois quando Israel subiu do exílio pesavam darconos, depois voltaram a pesar selaim, depois voltaram a pesar tvaim, e quiseram pesar dinares.Rabi Yehuda contesta a premissa de Rabi Shimon: ao longo da história, o povo pagou o meio-shekel em moedas de valores nominais diferentes — primeiro no equivalente ao darcon persa, depois em selaim, depois em tvaim — e chegaram a tentar reduzir o pagamento a um único dinar, prova de que o valor do shekel não era tão fixo quanto parecia.

Disse Rabi Shimon: ainda assim, a mão de todos era igual. Mas a chatat, este traz por um sela e este traz por dois e este traz por três.Rabi Shimon responde: apesar da moeda física ter mudado ao longo das gerações, em cada época específica todos pagavam exatamente o mesmo valor — ninguém pagava mais nem menos que seu vizinho naquele momento —, o que preserva o princípio de valor fixo e igualitário. A chatat, em contraste, nunca foi assim: numa mesma época, uma pessoa podia trazer uma oferta barata e outra uma cara, conforme sua vontade e possibilidade.

אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן, מַה בֵּין שְׁקָלִים לְחַטָאת. שְׁקָלִים יֵשׁ לָהֶם קִצְבָה, וְחַטָאת אֵין לָהּ קִצְבָה. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אַף לִשְׁקָלִים אֵין לָהֶן קִצְבָה, שֶׁכְּשֶׁעָלוּ יִשְׂרָאֵל מִן הַגּוֹלָה הָיוּ שׁוֹקְלִים דַּרְכּוֹנוֹת, חָזְרוּ לִשְׁקוֹל סְלָעִים, חָזְרוּ לִשְׁקוֹל טְבָעִין, וּבִקְּשׁוּ לִשְׁקֹל דִּינָרִים. אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן, אַף עַל פִּי כֵן, יַד כֻּלָּן שָׁוָה. אֲבָל חַטָאת, זֶה מֵבִיא בְּסֶלַע וְזֶה מֵבִיא בִּשְׁתַּיִם וְזֶה מֵבִיא בְּשָׁלשׁ:
Mishná 5"A grande lista dos excedentes: shekalim, ofertas, nazireus, pobres, cativos e mortos"
Encerra o Perek Bet com a regra geral sobre o destino do dinheiro excedente arrecadado para diversos propósitos — sacrifícios de valor variável tornam-se nedavá, mas dinheiro reunido para uma pessoa específica (um nazireu, um pobre, um cativo, um morto) permanece vinculado a ela, com o debate final entre Rabi Meir e Rabi Natan sobre o destino do excedente reservado a um falecido.

O excedente dos shekalim é comum. O excedente da décima parte da eifá, o excedente dos ninhos de zavim, ninhos de zavot, ninhos de parturientes, e das chataot e ashamot — seus excedentes são nedavá. Esta é a regra: tudo que vem em nome de chatat ou em nome de asham, seu excedente é nedavá.Retomando o princípio estabelecido nas mishnayot anteriores: o excedente do dinheiro do shekel, por ter valor fixo, permanece comum; mas o excedente de qualquer dinheiro reservado para ofertas de valor variável — a oferta de farinha do pobre, os pares de aves dos que têm impurezas de zav, zavá ou parto, e toda chatat ou asham — torna-se nedavá, oferta voluntária, pois todo o valor arrecadado já foi consagrado desde o início.

O excedente de uma olá é para uma olá. O excedente de uma minchá é para uma minchá. O excedente de shelamim é para shelamim. O excedente do pêssach é para shelamim. O excedente de nazireus é para os nazireus. O excedente de um nazireu é para nedavá.Quando alguém separa dinheiro para comprar uma oferta específica e sobra, o excedente se destina a outra oferta do mesmo tipo — exceto o excedente do cordeiro pascal, que, não tendo mais utilidade como pêssach fora de sua época própria, é usado para shelamim, já que ambos vêm do gado miúdo e graúdo. Quando a comunidade reúne dinheiro para as ofertas de vários nazireus e sobra, o excedente serve para as ofertas de outros nazireus; mas se foi um único nazireu que separou dinheiro para suas próprias ofertas e sobrou, esse excedente pessoal se torna nedavá.

O excedente dos pobres é para os pobres. O excedente de um pobre é para aquele pobre. O excedente dos cativos é para os cativos. O excedente de um cativo é para aquele cativo. O excedente dos mortos é para os mortos. O excedente de um morto é para seus herdeiros.Aqui a regra se inverte: quando a arrecadação é para uma categoria geral de necessitados — pobres, cativos ou mortos sem destinatário determinado —, o excedente permanece disponível para outros da mesma categoria; mas quando a arrecadação foi feita para um indivíduo específico, o excedente lhe pertence, e no caso de um falecido, passa a seus herdeiros, pois se entende que o próprio morto "perdoou" o excesso em favor deles.

Rabi Meir diz: o excedente de um morto ficará depositado até que venha Elias. Rabi Natan diz: constrói-se com o excedente de um morto um monumento sobre seu túmulo.Encerrando a mishná e o perek, surge a disputa sobre o caso duvidoso: Rabi Meir tem dúvida se o morto realmente perdoa esse excedente em favor de seus herdeiros, e por isso propõe que o dinheiro fique guardado indefinidamente, à espera de uma resolução que só o profeta Elias poderá trazer; Rabi Natan, mais decidido, sustenta que o morto não perdoa a seus herdeiros, e por isso o excedente deve reverter em benefício do próprio falecido, na forma de um monumento erguido sobre seu túmulo.

מוֹתַר שְׁקָלִים, חֻלִּין. מוֹתַר עֲשִׂירִית הָאֵפָה, מוֹתַר קִנֵּי זָבִין, קִנֵּי זָבוֹת, קִנֵּי יוֹלְדוֹת, וְחַטָאוֹת וַאֲשָׁמוֹת, מוֹתְרֵיהֶן נְדָבָה. זֶה הַכְּלָל, כָּל שֶׁהוּא בָּא לְשֵׁם חַטָאת וּלְשֵׁם אַשְׁמָה, מוֹתָרָן נְדָבָה. מוֹתַר עוֹלָה, לָעוֹלָה. מוֹתַר מִנְחָה, לַמִּנְחָה. מוֹתַר שְׁלָמִים, לַשְּׁלָמִים. מוֹתַר פֶּסַח, לַשְּׁלָמִים. מוֹתַר נְזִירִים, לַנְּזִירִים. מוֹתַר נָזִיר, לַנְּדָבָה. מוֹתַר עֲנִיִּים, לָעֲנִיִּים. מוֹתַר עָנִי, לְאוֹתוֹ עָנִי. מוֹתַר שְׁבוּיִים, לַשְּׁבוּיִים. מוֹתַר שָׁבוּי, לְאוֹתוֹ שָׁבוּי. מוֹתַר הַמֵּתִים, לַמֵּתִים. מוֹתַר הַמֵּת, לְיוֹרְשָׁיו. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, מוֹתַר הַמֵּת, יְהֵא מֻנָּח עַד שֶׁיָּבֹא אֵלִיָּהוּ. רַבִּי נָתָן אוֹמֵר, מוֹתַר הַמֵּת בּוֹנִין לוֹ נֶפֶשׁ עַל קִבְרוֹ: