Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Convertem-se os shekalim em darconos por causa do peso da viagem. — Os habitantes de uma cidade que reuniram seus meios-shekalim podem trocá-los por darconos — uma moeda de ouro de maior valor, equivalente a dois selaim — para tornar mais leve o transporte até Jerusalém.
Assim como havia shofarot no Templo, assim havia shofarot na cidade. — Caixas com a boca estreita, alargando-se para dentro como o formato de um shofar, de modo que ninguém pudesse retirar delas nada — existiam não apenas no Templo, mas também nas próprias cidades, para a coleta local dos shekalim antes de serem enviados.
Os habitantes de uma cidade que enviaram seus shekalim, e foram roubados ou se perderam — se já havia sido feita a teruma, juram aos tesoureiros; e se não, juram aos habitantes da cidade, e os habitantes da cidade voltam a pesar em lugar deles. — Se, no momento do roubo ou da perda, os tesoureiros do Templo já haviam separado a teruma da arca — inclusive sobre o que ainda estava por chegar —, o dinheiro perdido já se considerava sob a responsabilidade deles, e os mensageiros juram diante dos próprios tesoureiros para se eximir. Mas se a teruma ainda não fora separada, o dinheiro ainda pertencia aos donos, e os mensageiros juram aos habitantes da cidade; estes, por sua vez, devem reunir novos shekalim para substituir os perdidos.
Se foram encontrados, ou se os ladrões os devolveram, estes e aqueles são shekalim, e não sobem para eles para o ano seguinte. — Caso o dinheiro extraviado apareça depois, ou os ladrões o restituam, tanto os shekalim originais quanto os que a cidade pagou em substituição contam como shekalim válidos deste ano — mas o excedente não pode ser aproveitado como pagamento antecipado para o ano seguinte.
Quem dá seu shekel a seu amigo para pesá-lo em seu nome, e este o pesou em nome próprio — se já havia sido feita a teruma, cometeu meilá. — Se alguém confia seu shekel a um amigo para que este o entregue como pagamento em seu nome, mas o amigo o usa para pagar o próprio shekel, então, caso a teruma da câmara já tenha sido separada sobre o dinheiro coletado e o que ainda estava por coletar — o que inclui esse shekel confiado —, o amigo se beneficiou de bens consagrados, pois deixou de ser penhorado por causa desse pagamento, e comete a transgressão de meilá.
Quem paga seu shekel com dinheiro consagrado — se já havia sido feita a teruma e o animal foi oferecido, cometeu meilá. — Se alguém tinha em mãos dinheiro já consagrado ao Templo, supondo tratar-se de dinheiro comum, e o usou para pagar seu próprio shekel, a transgressão de meilá só se consuma quando a teruma é separada e um animal é efetivamente adquirido e oferecido com aquele dinheiro — só então se considera que ele se beneficiou de bens sagrados ao se livrar da penhora.
Do dinheiro de segundo dízimo, do dinheiro do sétimo ano, coma o equivalente. — Quem descobre que pagou seu shekel com moedas de segundo dízimo ou de produtos do ano sabático deve trazer outro shekel comum e declarar que aquelas santidades passam a estar vinculadas a este, para depois consumir, em Jerusalém e segundo as regras próprias de cada santidade, produtos equivalentes ao valor gasto por engano.
Quem reúne moedas e disse: estas são para meu shekel — Beit Shamai diz: o excedente é nedavá; e Beit Hilel diz: o excedente é chulin. — Alguém que vai juntando pequenas quantias, moeda após moeda, declarando desde o início que se destinam ao pagamento de seu shekel, e ao final descobre que reuniu mais do que o valor devido — segundo Beit Shamai, o excedente foi consagrado por engano e deve ser usado como doação voluntária para ofertas do altar; segundo Beit Hilel, como sua intenção nunca foi consagrar mais do que o shekel, o excedente permanece comum.
Se disse: destas trarei meu shekel — concordam que o excedente é chulin. — Quando a declaração inicial já deixa claro que apenas parte do dinheiro reunido será usada para o shekel — "trarei meu shekel a partir destas moedas" —, ambas as escolas concordam que o restante nunca foi consagrado e permanece comum, pois não houve intenção alguma de dedicar tudo ao Templo.
Estas são para minha chatat — concordam que o excedente é nedavá. Destas trarei minha chatat — concordam que o excedente é chulin. — Quando a declaração original se refere não ao shekel, mas a uma oferta de chatat — que não tem valor fixo, podendo custar mais ou menos —, ambas as escolas concordam que todo o dinheiro reunido foi consagrado, e o que sobrar depois de comprada a oferta se torna nedavá; mas se a declaração já limitou a consagração a uma parte específica das moedas, o restante permanece comum.
Disse Rabi Shimon: qual a diferença entre shekalim e chatat? Os shekalim têm valor fixo, e a chatat não tem valor fixo. — Rabi Shimon explica por que Beit Hilel trata o excedente do shekel como comum, mas concorda que o excedente da chatat é nedavá: como a Torá fixa o shekel num valor exato e igual para todos, qualquer moeda reunida além desse valor certamente nunca foi consagrada; mas a chatat não tem quantia fixa — pode-se trazê-la barata ou cara —, de modo que todo o dinheiro reunido com essa intenção é consagrado, e o que sobra depois de comprado o animal se torna nedavá.
Rabi Yehuda diz: também os shekalim não têm valor fixo, pois quando Israel subiu do exílio pesavam darconos, depois voltaram a pesar selaim, depois voltaram a pesar tvaim, e quiseram pesar dinares. — Rabi Yehuda contesta a premissa de Rabi Shimon: ao longo da história, o povo pagou o meio-shekel em moedas de valores nominais diferentes — primeiro no equivalente ao darcon persa, depois em selaim, depois em tvaim — e chegaram a tentar reduzir o pagamento a um único dinar, prova de que o valor do shekel não era tão fixo quanto parecia.
Disse Rabi Shimon: ainda assim, a mão de todos era igual. Mas a chatat, este traz por um sela e este traz por dois e este traz por três. — Rabi Shimon responde: apesar da moeda física ter mudado ao longo das gerações, em cada época específica todos pagavam exatamente o mesmo valor — ninguém pagava mais nem menos que seu vizinho naquele momento —, o que preserva o princípio de valor fixo e igualitário. A chatat, em contraste, nunca foi assim: numa mesma época, uma pessoa podia trazer uma oferta barata e outra uma cara, conforme sua vontade e possibilidade.
O excedente dos shekalim é comum. O excedente da décima parte da eifá, o excedente dos ninhos de zavim, ninhos de zavot, ninhos de parturientes, e das chataot e ashamot — seus excedentes são nedavá. Esta é a regra: tudo que vem em nome de chatat ou em nome de asham, seu excedente é nedavá. — Retomando o princípio estabelecido nas mishnayot anteriores: o excedente do dinheiro do shekel, por ter valor fixo, permanece comum; mas o excedente de qualquer dinheiro reservado para ofertas de valor variável — a oferta de farinha do pobre, os pares de aves dos que têm impurezas de zav, zavá ou parto, e toda chatat ou asham — torna-se nedavá, oferta voluntária, pois todo o valor arrecadado já foi consagrado desde o início.
O excedente de uma olá é para uma olá. O excedente de uma minchá é para uma minchá. O excedente de shelamim é para shelamim. O excedente do pêssach é para shelamim. O excedente de nazireus é para os nazireus. O excedente de um nazireu é para nedavá. — Quando alguém separa dinheiro para comprar uma oferta específica e sobra, o excedente se destina a outra oferta do mesmo tipo — exceto o excedente do cordeiro pascal, que, não tendo mais utilidade como pêssach fora de sua época própria, é usado para shelamim, já que ambos vêm do gado miúdo e graúdo. Quando a comunidade reúne dinheiro para as ofertas de vários nazireus e sobra, o excedente serve para as ofertas de outros nazireus; mas se foi um único nazireu que separou dinheiro para suas próprias ofertas e sobrou, esse excedente pessoal se torna nedavá.
O excedente dos pobres é para os pobres. O excedente de um pobre é para aquele pobre. O excedente dos cativos é para os cativos. O excedente de um cativo é para aquele cativo. O excedente dos mortos é para os mortos. O excedente de um morto é para seus herdeiros. — Aqui a regra se inverte: quando a arrecadação é para uma categoria geral de necessitados — pobres, cativos ou mortos sem destinatário determinado —, o excedente permanece disponível para outros da mesma categoria; mas quando a arrecadação foi feita para um indivíduo específico, o excedente lhe pertence, e no caso de um falecido, passa a seus herdeiros, pois se entende que o próprio morto "perdoou" o excesso em favor deles.
Rabi Meir diz: o excedente de um morto ficará depositado até que venha Elias. Rabi Natan diz: constrói-se com o excedente de um morto um monumento sobre seu túmulo. — Encerrando a mishná e o perek, surge a disputa sobre o caso duvidoso: Rabi Meir tem dúvida se o morto realmente perdoa esse excedente em favor de seus herdeiros, e por isso propõe que o dinheiro fique guardado indefinidamente, à espera de uma resolução que só o profeta Elias poderá trazer; Rabi Natan, mais decidido, sustenta que o morto não perdoa a seus herdeiros, e por isso o excedente deve reverter em benefício do próprio falecido, na forma de um monumento erguido sobre seu túmulo.