Talmud Bavli · Massechet Shekalim · Perek Alef
פֶּרֶק רִאשׁוֹן

Mishná de Shekalim, primeiro perek — adaptada à trilha Bavli

7 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Shekalim não possui Guemará no Talmud Bavli (apenas no Talmud Yerushalmi) — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha Bavli. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"Em um de Adar anunciam sobre os shekalim"
Abre o tratado com as duas primeiras providências anuais do bet din, trinta dias antes do primeiro de Nisan: o anúncio sobre a coleta do machatzit hashekel para o serviço do Templo, e o anúncio sobre o kilayim (as misturas proibidas de sementes), para que os campos sejam inspecionados antes que cresçam as plantas do ano novo.

Em um de Adar anunciam sobre os shekalim e sobre o kilayim.Trinta dias antes de Rosh Chodesh Nisan, o bet din envia mensageiros a todas as cidades de Israel para anunciar publicamente que chegou a hora de cada um preparar o seu machatzit hashekel — a meia-moeda anual destinada à câmara do Templo, de onde se compram os sacrifícios públicos. No mesmo dia, anunciam também sobre o kilayim, para que os donos de campos e vinhas inspecionem suas plantações e arranquem qualquer mistura proibida de sementes antes que ela se desenvolva.

בְּאֶחָד בַּאֲדָר מַשְׁמִיעִין עַל הַשְּׁקָלִים וְעַל הַכִּלְאַיִם.
Segue com uma lista de providências realizadas a partir do dia 15 de Adar, duas semanas depois do primeiro anúncio — todas voltadas a preparar a cidade e seus arredores para a chegada da multidão de peregrinos no mês seguinte, em Pessach.

Em quinze dele leem a Meguilá nas cidades muradas, e consertam os caminhos e as ruas e os poços de imersão de água, e fazem todas as necessidades do público, e marcam as sepulturas, e saem também quanto ao kilayim.Também em quinze de Adar — dia em que, nas cidades cercadas por muralha desde os tempos de Yehoshua bin Nun, se lê a Meguilá de Ester — começam-se várias obras públicas: reparam-se as estradas e as ruas que se deterioraram durante o inverno, limpam-se e completam-se os poços rituais de imersão, cuidam-se de todas as demais necessidades coletivas, e renovam-se as marcações de cal sobre as sepulturas para que os sacerdotes e os demais que evitam impureza saibam onde não pisar. E, não se contentando com o mero anúncio de um de Adar, os enviados do bet din saem agora pessoalmente aos campos para verificar se o kilayim já foi de fato arrancado.

בַּחֲמִשָּׁה עָשָׂר בּוֹ קוֹרִין אֶת הַמְּגִלָּה בַּכְּרַכִּין, וּמְתַקְּנִין אֶת הַדְּרָכִים וְאֶת הָרְחוֹבוֹת וְאֶת מִקְוְאוֹת הַמַּיִם, וְעוֹשִׂין כָּל צָרְכֵי הָרַבִּים, וּמְצַיְּנִין אֶת הַקְּבָרוֹת, וְיוֹצְאִין אַף עַל הַכִּלְאָיִם.
Mishná 2"A evolução do procedimento contra o kilayim"
Rabi Yehudá narra a evolução histórica do procedimento de erradicação do kilayim mencionado no fim da mishná anterior: como o método original, mais humilhante para o dono do campo, foi sendo abrandado em etapas até chegar à solução final de declarar todo o campo hefker (sem dono).

Disse Rabi Yehudá: no início, arrancavam e lançavam diante deles.Originalmente, quando os enviados do bet din encontravam kilayim num campo, eles mesmos o arrancavam e o lançavam na frente do próprio dono do campo, como forma de constrangê-lo por ter permitido a mistura proibida.

Quando se multiplicaram os transgressores, passaram a arrancar e lançar nos caminhos.Mas essa vergonha não surtia o efeito desejado — pelo contrário, os donos dos campos até se alegravam com a limpeza gratuita e ainda davam as plantas arrancadas ao seu gado —, e o número de transgressores só aumentou. Por isso, o procedimento foi mudado: as plantas arrancadas passaram a ser lançadas nos caminhos públicos, e não mais diante do dono.

Estabeleceram que declarassem hefker o campo inteiro.Ainda assim, os donos continuavam satisfeitos, pois os caminhos ficavam a seu alcance para recolher o que fora lançado ali. Por fim, o bet din estabeleceu a solução definitiva: declarar hefker — sem dono, disponível a qualquer pessoa — o campo inteiro em que se encontrasse kilayim, retirando de uma vez toda vantagem que o transgressor pudesse tirar de sua própria transgressão, pois a declaração de hefker feita por um bet din é juridicamente válida e vincula a todos.

אָמַר רַבִּי יְהוּדָה, בָּרִאשׁוֹנָה הָיוּ עוֹקְרִין וּמַשְׁלִיכִין לִפְנֵיהֶם. מִשֶּׁרַבּוּ עוֹבְרֵי עֲבֵרָה, הָיוּ עוֹקְרִין וּמַשְׁלִיכִין עַל הַדְּרָכִים, הִתְקִינוּ שֶׁיְּהוּ מַפְקִירִין כָּל הַשָּׂדֶה כֻּלָּהּ.
Mishná 3"As mesas de câmbio e o início da penhora"
Depois de descrever os anúncios de um e de quinze de Adar, a Mishná passa às etapas seguintes da coleta do shekel: onde as mesas de câmbio se instalam em cada uma das duas semanas seguintes, e quando começa, dez dias mais tarde, a cobrança coercitiva daqueles que ainda não pagaram.

Em quinze dele, mesas de câmbio se instalavam na província. Em vinte e cinco, instalaram-se no Templo.A partir de quinze de Adar — o mesmo dia dos preparativos mencionados na primeira mishná —, cambistas se instalam em todas as cidades de Israel fora de Jerusalém para trocar as moedas variadas trazidas pelo povo por meios-shekalim padronizados. Dez dias depois, em vinte e cinco de Adar, essas mesas se transferem para dentro do próprio Templo, concentrando ali a cobrança final antes do início do novo ano no primeiro de Nisan.

Desde que se instalaram no Templo, começaram a penhorar.É só a partir desse momento — vinte e cinco de Adar — que o bet din passa a tomar penhores de quem ainda não trouxe seu shekel, forçando o pagamento antes que o ano novo comece sem que as ofertas públicas estejam plenamente financiadas.

A quem penhoram? Levitas e israelitas, convertidos e escravos libertos — mas não mulheres, escravos e menores.A obrigação do machatzit hashekel recai sobre todo homem judeu adulto, incluindo levitas, israelitas comuns, convertidos ao judaísmo e escravos que foram libertados; mas mulheres, escravos ainda não libertos e menores de idade estão isentos, e por isso não se toma penhor deles.

Todo menor de quem o pai começou a pagar o shekel em seu nome não mais interrompe.Embora o próprio menor esteja isento, se seu pai começou, num ano, a pagar o shekel em seu nome, o costume estabelecido obriga a continuar pagando por ele em todos os anos seguintes, até que atinja a maioridade e passe a pagar por si mesmo.

E não penhoram os sacerdotes, por causa dos caminhos da paz.Embora os sacerdotes também estejam obrigados ao machatzit hashekel, o bet din se abstém de tomar penhores deles, para preservar a paz e a boa relação com uma classe que exerce autoridade sobre o serviço do Templo.

בַּחֲמִשָּׁה עָשָׂר בּוֹ, שֻׁלְחָנוֹת הָיוּ יוֹשְׁבִין בַּמְּדִינָה. בְּעֶשְׂרִים וַחֲמִשָּׁה, יָשְׁבוּ בַּמִּקְדָּשׁ. מִשֶּׁיָּשְׁבוּ בַּמִּקְדָּשׁ, הִתְחִילוּ לְמַשְׁכֵּן. אֶת מִי מְמַשְׁכְּנִין, לְוִיִּם וְיִשְׂרְאֵלִים, גֵּרִים וַעֲבָדִים מְשֻׁחְרָרִים, אֲבָל לֹא נָשִׁים וַעֲבָדִים וּקְטַנִּים. כָּל קָטָן שֶׁהִתְחִיל אָבִיו לִשְׁקוֹל עַל יָדוֹ, שׁוּב אֵינוֹ פּוֹסֵק. וְאֵין מְמַשְׁכְּנִין אֶת הַכֹּהֲנִים מִפְּנֵי דַּרְכֵי שָׁלוֹם.
Mishná 4"O testemunho de Ben Bucri sobre os sacerdotes"
A mishná anterior mencionou que os sacerdotes estão obrigados ao machatzit hashekel, mas não são penhorados por causa dos caminhos da paz — implicando que, na prática, muitos simplesmente não pagavam. Aqui se registra um debate histórico, ocorrido em Yavne depois da destruição do Templo, sobre se os sacerdotes que efetivamente pagavam cometiam alguma transgressão ao fazê-lo.

Disse Rabi Yehudá: Ben Bucri testemunhou em Yavne que todo sacerdote que paga o shekel não transgride.Ben Bucri relatou uma tradição segundo a qual, embora os sacerdotes estivessem isentos na prática de pagar o shekel, aquele que decidisse pagá-lo mesmo assim não estaria cometendo nenhuma transgressão ao fazer isso — contrariando a suposição de que sua isenção seria absoluta a ponto de tornar proibido o próprio ato de pagar.

Disse-lhe Rabán Yochanan ben Zakai: não é assim; antes, todo sacerdote que não paga o shekel transgride.Rabán Yochanan ben Zakai discordou frontalmente: na verdade, os sacerdotes estão sim obrigados ao machatzit hashekel como qualquer outro israelita, e é justamente aquele que deixa de pagar que comete uma transgressão — invertendo por completo o sentido da testemunha de Ben Bucri.

Mas os sacerdotes interpretam este versículo para si mesmos: "e toda oferenda de sacerdote será completamente queimada; não se comerá" — visto que o omer, os dois pães e o pão da proposição são nossos, como se comem?Rabán Yochanan ben Zakai explica então a origem do costume equivocado dos sacerdotes de se isentarem: eles aplicavam a si mesmos o princípio de que toda oferenda de cereais trazida por um sacerdote deve ser inteiramente queimada, sem que nenhuma parte seja comida — pois esse é o destino normal das minchot oferecidas por sacerdotes. Mas o omer, os dois pães de Shavuot e o pão da proposição são oferendas públicas compradas com o dinheiro da câmara do Templo, das quais os próprios sacerdotes comem uma parte; se eles fossem coproprietários dessas ofertas por terem contribuído com seus shekalim, não poderiam comê-las, já que qualquer parte de uma mincha pertencente a um sacerdote deveria ser queimada por inteiro. Foi esse raciocínio — na verdade equivocado, pois a regra da queima total se aplica apenas à mincha exclusiva de um sacerdote, não a uma oferenda pública em que ele tem participação — que levou os sacerdotes a concluir, erroneamente, que estavam isentos de pagar o shekel.

אָמַר רַבִּי יְהוּדָה, הֵעִיד בֶּן בּוּכְרִי בְּיַבְנֶה, כָּל כֹּהֵן שֶׁשּׁוֹקֵל אֵינוֹ חוֹטֵא. אָמַר לוֹ רַבָּן יוֹחָנָן בֶּן זַכַּאי, לֹא כִי, אֶלָּא כָּל כֹּהֵן שֶׁאֵינוֹ שׁוֹקֵל חוֹטֵא, אֶלָּא שֶׁהַכֹּהֲנִים דּוֹרְשִׁים מִקְרָא זֶה לְעַצְמָן, וְכָל מִנְחַת כֹּהֵן כָּלִיל תִּהְיֶה לֹא תֵאָכֵל, הוֹאִיל וְעֹמֶר וּשְׁתֵּי הַלֶּחֶם וְלֶחֶם הַפָּנִים שֶׁלָּנוּ, הֵיאָךְ נֶאֱכָלִים.
Mishná 5"O que se aceita de mulheres, gentios e cuteus"
A mishná esclarece uma distinção importante: isenção de penhora não significa proibição de pagar por vontade própria. Ao mesmo tempo, delimita quem está terminantemente excluído até mesmo da possibilidade de contribuir: não-judeus, cujas ofertas obrigatórias e expiatórias o Templo recusa por princípio, embora aceite suas doações voluntárias.

Ainda que tenham dito que não se penhoram mulheres, escravos e menores, se pagaram, recebe-se de sua mão.A isenção de mulheres, escravos e menores mencionada na terceira mishná é apenas quanto à cobrança coercitiva; se, por iniciativa própria, algum deles pagar o meio shekel, a câmara do Templo aceita normalmente essa contribuição.

O gentio e o cuteu que pagaram — não se recebe de sua mão.Já os não-judeus estão totalmente fora do sistema: mesmo que desejassem contribuir com o machatzit hashekel para as ofertas públicas, sua contribuição não é aceita, pois essas ofertas devem representar exclusivamente o povo de Israel.

E não se recebe de sua mão ninhos de zavim, ninhos de zavot, ninhos de parturientes, nem chatot e ashamot; mas votos e doações voluntárias, recebe-se de sua mão.Da mesma forma, não se aceitam de não-judeus os pares de aves trazidos por quem sofreu impurezas específicas de Israel — como o zav, a zavá ou a parturiente —, nem sacrifícios expiatórios obrigatórios, pois essas categorias pressupõem uma condição ou transgressão exclusivamente ligada à condição de israelita. Mas ofertas voluntárias — um voto ou uma doação espontânea, como uma oferenda de subida (olá) — essas sim se aceitam de um gentio, pois qualquer pessoa pode trazer esse tipo de sacrifício.

Esta é a regra: tudo que é objeto de voto ou de doação, recebe-se de sua mão; tudo que não é objeto de voto ou de doação, não se recebe de sua mão. E assim está explicado por meio de Ezra, como está dito: "não é para vós nem para nós edificar casa ao nosso D'us."A regra geral, então, é que a aceitação de contribuições de não-judeus depende inteiramente de sua natureza: se é algo voluntário, como um voto ou uma doação, é aceito; se pressupõe pertencimento ao povo de Israel — como o shekel comunitário ou uma expiação obrigatória —, é recusado. Esse princípio já estava implícito na resposta dada pelos líderes judeus na época de Ezra aos samaritanos que se ofereceram para ajudar a reconstruir o Templo: recusaram a parceria, afirmando que a construção da Casa do Eterno era tarefa exclusiva do povo de Israel.

אַף עַל פִּי שֶׁאָמְרוּ, אֵין מְמַשְׁכְּנִין נָשִׁים וַעֲבָדִים וּקְטַנִּים, אִם שָׁקְלוּ מְקַבְּלִין מִיָּדָן. הַנָּכְרִי וְהַכּוּתִי שֶׁשָּׁקְלוּ, אֵין מְקַבְּלִין מִיָּדָן. וְאֵין מְקַבְּלִין מִיָּדָן קִנֵּי זָבִין וְקִנֵּי זָבוֹת וְקִנֵּי יוֹלְדוֹת, וְחַטָאוֹת וַאֲשָׁמוֹת. נְדָרִים וּנְדָבוֹת, מְקַבְּלִין מִיָּדָן. זֶה הַכְּלָל, כָּל שֶׁנִּדָּר וְנִדָּב, מְקַבְּלִין מִיָּדָן. כָּל שֶׁאֵין נִדָּר וְנִדָּב אֵין מְקַבְּלִין מִיָּדָן. וְכֵן הוּא מְפֹרָשׁ עַל יְדֵי עֶזְרָא, שֶׁנֶּאֱמַר לֹא לָכֶם וְלָנוּ לִבְנוֹת בַּיִת לֵאלֹהֵינוּ.
Mishná 6"O kalbon: quem está obrigado à taxa de câmbio"
A mishná introduz o kalbon — uma pequena taxa de câmbio cobrada sobre o pagamento do shekel — e define quem está obrigado a pagá-la, paralelamente à lista de obrigados ao próprio shekel já vista na terceira mishná.

E estes são os obrigados no kalbon: levitas, israelitas, convertidos e escravos libertos; mas não sacerdotes, mulheres, escravos e menores.O kalbon é uma pequena taxa adicional, cobrada pelo cambista do Templo sobre cada meio shekel pago, para cobrir o custo e o trabalho da própria operação de câmbio. Estão sujeitos a essa taxa os mesmos grupos obrigados ao shekel em si — levitas, israelitas, convertidos e escravos libertos —, mas dela ficam isentos os sacerdotes (embora obrigados ao shekel), assim como mulheres, escravos e menores, que já são isentos do próprio shekel.

Quem paga o shekel em nome de um sacerdote, de uma mulher, de um escravo ou de um menor, está isento.Se alguém paga o shekel como doação em benefício de uma dessas categorias isentas, ele próprio fica isento do kalbon sobre esse pagamento, pois a taxa segue a condição do beneficiário, não a de quem efetivamente entrega o dinheiro.

Mas se pagou por si e por seu companheiro, está obrigado a um kalbon.Já quando alguém paga um shekel completo para cobrir sua própria metade e a de outra pessoa obrigada — por exemplo, emprestando-lhe o valor —, ele deve apenas um kalbon, pois a Torá determinou exatamente "isto dará" — um shekel completo por cada dupla de contribuintes, sem taxa adicional além do kalbon único correspondente à própria transação de câmbio.

Rabi Meir diz: dois kalbonot.Rabi Meir discorda: como cada um dos dois contribuintes, individualmente, deveria um kalbon ao trocar seu meio shekel, a soma continua sendo dois kalbonot mesmo quando pagos juntos num único shekel — pois, para ele, todo aquele que paga meio shekel deve um kalbon, e a lei não muda pelo fato de dois meios-shekalim terem sido reunidos numa única moeda.

Quem dá um sela e recebe um shekel, deve dois kalbonot.Aqui todos concordam: quem entrega ao cambista uma moeda de sela — equivalente a um shekel inteiro, isto é, dois meios-shekalim — e recebe de volta apenas um meio shekel, deve dois kalbonot: um pela troca do meio shekel que ficou retido para a câmara do Templo, e outro porque, não tendo pagado exatamente o meio shekel determinado pela Torá, mas sim um valor diferente que precisou ser trocado, tornou-se ele mesmo obrigado ao kalbon sobre o próprio troco recebido.

וְאֵלּוּ שֶׁחַיָּבִין בַּקָּלְבּוֹן, לְוִיִּם וְיִשְׂרְאֵלִים וְגֵרִים וַעֲבָדִים מְשֻׁחְרָרִים, אֲבָל לֹא כֹּהֲנִים וְנָשִׁים וַעֲבָדִים וּקְטַנִּים. הַשּׁוֹקֵל עַל יְדֵי כֹּהֵן, עַל יְדֵי אִשָּׁה, עַל יְדֵי עֶבֶד, עַל יְדֵי קָטָן, פָּטוּר. וְאִם שָׁקַל עַל יָדוֹ וְעַל יַד חֲבֵרוֹ, חַיָּב בְּקָלְבּוֹן אֶחָד. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, שְׁנֵי קָלְבּוֹנוֹת. הַנּוֹתֵן סֶלַע וְנוֹטֵל שֶׁקֶל, חַיָּב שְׁנֵי קָלְבּוֹנוֹת.
Mishná 7"A medida do kalbon e o caso dos irmãos sócios"
Encerra o perek com três assuntos: mais casos de isenção do kalbon quando o pagamento é uma doação pura, a relação inversa entre a obrigação do kalbon e a obrigação do dízimo do gado para irmãos sócios, e por fim a medida exata do próprio kalbon, com a disputa entre Rabi Meir e os Sábios.

Quem paga em nome de um pobre, de seu vizinho ou de seu conterrâneo, está isento; mas se lhe emprestou, está obrigado.Se alguém simplesmente doa o meio shekel de outra pessoa — um pobre, um vizinho, um conterrâneo — sem que isso constitua um empréstimo a ser devolvido, ele está isento do kalbon sobre esse pagamento, tal como no caso de pagar por uma mulher ou um menor. Mas se, em vez de doar, ele emprestou o valor à outra pessoa, esperando ser reembolsado, então o pagamento se equipara ao de duas pessoas com obrigação plena, e o kalbon é devido.

Os irmãos e sócios que estão obrigados no kalbon estão isentos do dízimo do gado; e quando estão obrigados no dízimo do gado, estão isentos do kalbon.Irmãos ou sócios que já dividiram formalmente seus bens e depois voltaram a se associar são tratados, para fins de shekel, como duas pessoas distintas — e por isso devem o kalbon; mas justamente por serem tratados como sócios distintos e não mais como bens em condomínio contínuo, seu gado recém-nascido não se enquadra na isenção do dízimo do gado que vale para animais nascidos em plena sociedade. Inversamente, enquanto o patrimônio permanece unificado, como bens de um pai ainda não partilhados entre seus filhos, eles são tratados como uma só entidade: o dízimo do gado nascido nesse período recai sobre eles, mas o kalbon do shekel não se aplica, pois pagam como uma única pessoa.

E quanto é o kalbon? Uma moeda de prata, palavras de Rabi Meir; e os Sábios dizem: metade.A mishná fecha com a medida concreta do kalbon: segundo Rabi Meir, equivale a uma maá inteira de prata — um vinte e quatro avos de um sela; os Sábios, cuja opinião prevalece como lei, fixam o valor em metade de uma maá.

הַשּׁוֹקֵל עַל יְדֵי עָנִי, וְעַל יְדֵי שְׁכֵנוֹ, וְעַל יְדֵי בֶּן עִירוֹ, פָטוּר. וְאִם הִלְוָם חַיָּב. הָאַחִין וְהַשֻּׁתָּפִין שֶׁחַיָּבִין בַּקָּלְבּוֹן, פְּטוּרִין מִמַּעֲשֵׂר בְּהֵמָה. וּכְשֶׁחַיָּבִין בְּמַעְשַׂר בְּהֵמָה, פְּטוּרִין מִן הַקָּלְבּוֹן. וְכַמָּה הוּא קָלְבּוֹן, מָעָה כֶּסֶף, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, חֵצִי.