Talmud Bavli · Massechet Negaim · Perek Chet
פֶּרֶק שְׁמִינִי

Mishná de Negaim, oitavo perek — adaptada à trilha Bavli

10 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1O florescimento a partir do impuro e do puro
Abre o Perek Chet com as duas direções opostas do florescimento total — a partir da impureza, que purifica, e a partir da pureza, que contamina — e o retorno das pontas dos membros em cada caso

Quem floresce a partir do impuro é puro. Se voltaram nele as pontas dos membros, é impuro, até que sua mancha diminua para menos que um grão. A partir do puro, é impuro. Se voltaram nele as pontas dos membros, é impuro, até que sua mancha volte à medida que tinha antes.

Abre o Perek Chet retomando, em termos gerais, o tema do florescimento total (hafach kuló lavan) que já apareceu ao longo do tratado, agora sistematizando suas duas direções opostas. No primeiro caso, um homem já certificado impuro por algum sinal — pelo branco, carne viva ou alastramento — vê a tzaraat cobrir todo o seu corpo: segundo Vayikrá 13:13, ele é puro, pois a impureza já o precedia, como exige a leitura da Sifra sobre o versículo. No segundo caso, um homem que fora isentado — por exemplo, porque o pelo branco caiu ou a carne viva foi recoberta antes que a tzaraat se espalhasse — e só depois viu a mancha florescer por todo o corpo: ainda que ele esteja, no momento presente, coberto de branco da cabeça aos pés, ele é impuro, pois lhe faltou o requisito de que a impureza precedesse o florescimento; o mesmo se aplica a quem chega pela primeira vez perante o sacerdote já todo branco, sem nunca ter sido examinado enquanto impuro. Em ambos os casos, se depois disso reaparece carne viva nas pontas dos membros, ele retorna à impureza; e a purificação seguinte segue trajetórias diferentes conforme o caso: para quem floresceu a partir da impureza, basta que a mancha remanescente diminua abaixo da medida de um grão; para quem floresceu a partir da pureza, é necessário que a mancha volte exatamente à medida que tinha antes de florescer.

הַפּוֹרֵחַ מִן הַטָּמֵא, טָהוֹר. חָזְרוּ בוֹ רָאשֵׁי אֵבָרִים, טָמֵא, עַד שֶׁתִּתְמַעֵט בַּהַרְתּוֹ מִכַּגְּרִיס. מִן הַטָּהוֹר, טָמֵא. חָזְרוּ בוֹ רָאשֵׁי אֵבָרִים, טָמֵא, עַד שֶׁתַּחֲזֹר בַּהַרְתּוֹ לִכְמוֹת שֶׁהָיְתָה:
Mishná 2Mancha grande com carne viva que floresce por completo
Mancha do tamanho de um grão com carne viva de uma lentilha, que floresce por todo o corpo — em qualquer ordem entre o florescimento e o desaparecimento da carne viva — e a disputa entre Rabi Yehoshua e os sábios sobre o pelo branco renascido

Uma mancha do tamanho de um grão, em que havia carne viva do tamanho de uma lentilha: se ela floresceu em todo ele e depois a carne viva se foi, ou se a carne viva se foi e depois ela floresceu em todo ele, é pura. Se lhe nasceu carne viva, é impuro. Se lhe nasceu pelo branco: Rabi Yehoshua declara impuro; mas os sábios declaram puro.

Trata-se de uma mancha já certificada impura pela presença de carne viva — o caso clássico de baheret com mechiyá tratado nos capítulos anteriores. A mishná ensina que a ordem entre os dois eventos não importa: seja que a mancha primeiro floresceu sobre todo o corpo e só depois a carne viva desapareceu (recoberta pela própria brancura), seja que a carne viva desapareceu primeiro e só depois a mancha floresceu — em ambos os casos ele é puro, pois o resultado final é idêntico: nenhuma carne viva visível sob uma brancura total. Mas, segundo Bartenura, isso pressupõe que a carne viva realmente desapareça em algum momento; se ela nunca se recobre, o florescimento sozinho não basta para purificar. Depois de alcançada a puridade, se nasce nova carne viva, ele volta a ser impuro — conforme o princípio geral do retorno das pontas dos membros. Mas se, em vez de carne viva, nasce pelo branco, há disputa: Rabi Yehoshua sustenta que carne viva e pelo branco são sinais de impureza equivalentes, e assim como um renova a impureza, o outro também deveria renová-la; os sábios respondem que o versículo (Vayikrá 13:14) menciona explicitamente apenas a carne viva como sinal que contamina ao reaparecer, não o pelo branco — e a lei segue os sábios.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּבָהּ מִחְיָה כָעֲדָשָׁה, פָּרְחָה בְכֻלּוֹ וְאַחַר כָּךְ הָלְכָה לָהּ הַמִּחְיָה, אוֹ שֶׁהָלְכָה לָהּ הַמִּחְיָה וְאַחַר כָּךְ פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, טָהוֹר. נוֹלְדָה לוֹ מִחְיָה, טָמֵא. נוֹלַד לוֹ שֵׂעָר לָבָן, רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין:
Mishná 3Florescimento com pelo branco ou alastramento presentes
Estende o princípio da mishná anterior ao pelo branco e ao alastramento, e fecha com a regra de que só o florescimento total, não o parcial, purifica

Uma mancha em que havia pelo branco: se ela floresceu em todo ele, ainda que o pelo branco permança em seu lugar, é puro. Uma mancha em que havia alastramento: se ela floresceu em todo ele, é puro. E em todos esses, se voltaram neles as pontas dos membros, eis que estes são impuros. Se floresceu em parte dele, é impuro. Se floresceu em todo ele, é puro.

A mishná anterior tratou da carne viva; esta estende o mesmo princípio aos outros dois sinais de impureza — o pelo branco e o alastramento. Mesmo quando o pelo branco continua visivelmente presente após o florescimento cobrir todo o corpo, isso não impede a puridade: rodeado pela mesma brancura ao redor, ele deixa de se destacar como sinal distinto. O mesmo vale para uma mancha que já havia alastrado. Em todos esses casos — carne viva, pelo branco, alastramento — se depois as pontas dos membros voltarem a mostrar sua cor natural, a impureza retorna, segundo o princípio geral já estabelecido. A mishná fecha reafirmando uma regra que se aplicará repetidamente ao longo do capítulo: o florescimento parcial deixa impuro (pois se trata, na prática, de um novo alastramento), enquanto apenas o florescimento completo, cobrindo a totalidade do corpo, purifica — ainda que, segundo o Rambam, isso não precise ocorrer num único instante, bastando que, no momento em que se completa, cubra tudo.

בַּהֶרֶת וּבָהּ שֵׂעָר לָבָן, פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, אַף עַל פִּי שֶׁשֵּׂעָר לָבָן בִּמְקוֹמוֹ, טָהוֹר. בַּהֶרֶת וּבָהּ פִּשְׂיוֹן, פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, טָהוֹר. וְכֻלָּן שֶׁחָזְרוּ בָהֶן רָאשֵׁי אֵבָרִים, הֲרֵי אֵלּוּ טְמֵאִין. פָּרְחָה בְמִקְצָתוֹ, טָמֵא. פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, טָהוֹר:
Mishná 4A regra geral do florescer e do retornar das pontas dos membros
Formula, como princípio geral, a regra por trás das três mishnayot anteriores: o vaivém entre pureza e impureza conforme as pontas dos membros se cobrem e se descobrem

Todo florescimento das pontas dos membros pelo qual foi purificado o impuro: quando elas voltarem, tornam-se impuras. Todo retorno das pontas dos membros pelo qual foi contaminado o puro: se foram recobertas, é puro; se foram descobertas, é impuro, ainda que isso ocorra cem vezes.

Esta mishná formula, como princípio geral, a regra que sustentou as três mishnayot anteriores. Há duas direções de movimento: o “florescimento” das pontas dos membros — quando a brancura as recobre, purificando quem era impuro — e o “retorno” das pontas dos membros — quando a carne viva volta a aparecer nelas, contaminando quem era puro. Cada um desses movimentos pode se reverter: se um homem foi purificado porque as pontas floresceram, e elas voltam a se descobrir depois, ele retorna à impureza; e se um homem se tornou impuro porque as pontas se descobriram, mas a tzaraat torna a alastrar sobre elas e as recobre, ele volta a ser puro — e se, mais uma vez, elas se descobrem, ele volta a ser impuro. A mishná insiste que esse ciclo pode se repetir indefinidamente, “ainda que cem vezes”: o veredicto segue sempre o estado visível do momento, sem que o histórico de reversões anteriores pese a favor ou contra o julgamento atual. A própria linguagem da Torá sustenta essa alternância: primeiro, “o sacerdote verá a carne viva e o declarará impuro”; depois, “se a carne viva retornar e se tornar branca, o sacerdote declarará puro a praga”.

כָּל פְּרִיחַת רָאשֵׁי אֵבָרִים שֶׁבִּפְרִיחָתָן טִהֲרוּ טָמֵא, כְּשֶׁיַּחְזְרוּ טְמֵאִים. כָּל חֲזִירַת רָאשֵׁי אֵבָרִים שֶׁבַּחֲזִירָתָם טִמְּאוּ טָהוֹר, נִתְכַּסּוּ, טָהוֹר. נִתְגַּלּוּ, טָמֵא, אֲפִלּוּ מֵאָה פְעָמִים:
Mishná 5Lugares que impedem o florescimento total
Distingue os lugares do corpo aptos e inaptos a receber a impureza da mancha, e como essa aptidão — no momento certo — decide se eles impedem o florescimento total

Tudo o que é apto a tornar-se impuro pela praga da mancha impede o florescimento; tudo o que não é apto a tornar-se impuro pela praga da mancha não impede o florescimento. Como assim? Se floresceu em todo ele, mas não na cabeça e na barba, na chaga, na queimadura e no kédach rebeldes, e depois a cabeça e a barba ficaram carecas, e a chaga, a queimadura e o kédach se tornaram cicatriz, são puros. Se floresceu em todo ele, mas faltou cerca de meia lentilha junto à cabeça, à barba, à chaga, à queimadura ou ao kédach, e depois a cabeça e a barba ficaram carecas, e a chaga, a queimadura e o kédach se tornaram cicatriz — ainda que o lugar da carne viva se tenha tornado mancha —, é impuro, até que floresça em todo ele.

Esta mishná retoma a lista, já vista no sexto capítulo, dos lugares do corpo inaptos a receber a impureza da mancha — entre eles a cabeça e a barba cobertas de pelo, e a chaga, a queimadura e o kédach ainda ativos. Enquanto esses lugares permanecem em seu estado inapto, sua exclusão do branqueamento não impede o veredicto de “todo branco” para o resto do corpo — pois um lugar que não pode, por definição, receber a mancha não pode tampouco impedir seu florescimento. E quando, depois, a cabeça e a barba ficam carecas, ou a chaga, a queimadura e o kédach cicatrizam, tornando-se pele comum apta à mancha, isso não prejudica retroativamente o florescimento já ocorrido — ele continua puro. Mas o segundo caso é distinto: se, junto a esses mesmos lugares, restou uma faixa de pele comum — já apta desde o início — do tamanho de cerca de meia lentilha, sem cobrir-se de branco, o florescimento nunca foi completo, pois essa faixa sempre esteve sujeita à lei da mancha. Por isso, mesmo depois que a cabeça e a barba ficam carecas e a chaga, a queimadura e o kédach cicatrizam — tornando aptos também esses lugares, e até recobrindo de branco aquela própria faixa de meia lentilha —, isso ainda não basta: ele permanece impuro até que a tzaraat cubra verdadeiramente todo o seu corpo de uma vez.

כֹּל הָרָאוּי לִטַּמֵּא בְנֶגַע הַבַּהֶרֶת, מְעַכֵּב אֶת הַפְּרִיחָה. כֹּל שֶׁאֵינוֹ רָאוּי לִטַּמֵּא בְנֶגַע הַבַּהֶרֶת, אֵינוֹ מְעַכֵּב אֶת הַפְּרִיחָה. כֵּיצַד. פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, אֲבָל לֹא בָרֹאשׁ וּבַזָּקָן, בַּשְּׁחִין, בַּמִּכְוָה וּבַקֶּדַח הַמּוֹרְדִין, חָזַר הָרֹאשׁ וְהַזָּקָן וְנִקְרְחוּ, הַשְּׁחִין וְהַמִּכְוָה וְהַקֶּדַח וְנַעֲשׂוּ צָרֶבֶת, טְהוֹרִים. פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, אֲבָל לֹא בְכַחֲצִי עֲדָשָׁה הַסָּמוּךְ לָרֹאשׁ וְלַזָּקָן, לַשְּׁחִין, לַמִּכְוָה, וְלַקֶּדַח, חָזַר הָרֹאשׁ וְהַזָּקָן וְנִקְרְחוּ, הַשְּׁחִין וְהַמִּכְוָה וְהַקֶּדַח וְנַעֲשׂוּ צָרֶבֶת, אַף עַל פִּי שֶׁנַּעֲשָׂה מְקוֹם הַמִּחְיָה בַּהֶרֶת, טָמֵא, עַד שֶׁתִּפְרַח בְּכֻלּוֹ:
Mishná 6Duas manchas, lábios, dedos, pálpebras e o bohak
Duas manchas, uma impura e outra pura; lábios, dedos e pálpebras colados que parecem uma só mancha; e o bohak, sinal de impureza no início mas não no fim — disputa entre Rabi Meir e os sábios

Duas manchas, uma impura e outra pura: se floresceu de uma para a outra e depois floresceu em todo ele, é puro. Em seu lábio superior e em seu lábio inferior, em dois de seus dedos, em suas duas pálpebras — ainda que estejam coladas uma à outra e pareçam como uma só —, é puro. Se floresceu em todo ele, mas não no bohak, é impuro. Se voltaram nele as pontas dos membros como uma espécie de bohak, é puro. Se voltaram nele as pontas dos membros em medida menor que uma lentilha: Rabi Meir declara impuro; mas os sábios dizem: o bohak menor que uma lentilha é sinal de impureza no início, mas não é sinal de impureza no fim.

Um homem com duas manchas independentes, uma já certificada impura e outra já isentada como pura: se a tzaraat alastra de uma para a outra — em qualquer direção — e depois floresce sobre todo o corpo, ele é puro, pois o alastramento em si já torna impura a mancha antes pura, de modo que, ao florescer por completo, trata-se sempre de um florescer a partir da impureza. Em seguida, a mishná trata de pares de órgãos que, embora anatomicamente distintos, podem parecer uma única mancha do tamanho de um grão quando justapostos — os dois lábios ao fechar a boca, dois dedos unidos, as duas pálpebras coladas: mesmo que a brancura pareça envolvê-los como um só membro, o florescimento total ainda os purifica. Depois, a mishná introduz o bohak — uma aparência de brancura inferior às quatro tonalidades válidas de tzaraat —: enquanto ele permanece não coberto pelo florescimento, impede o veredicto de “todo branco”, e o homem é impuro; mas se as pontas dos membros, ao se descobrirem, aparecem apenas como bohak — e não como carne viva verdadeira —, isso não contamina, pois o versículo fala de carne viva, não de um lugar meramente esbranquiçado. A disputa final trata de uma reversão pequena, menor que uma lentilha, na forma de bohak: Rabi Meir a considera ainda impura, pois entende que qualquer resto de carne viva verdadeira, por menor que seja, contamina; os sábios distinguem que o bohak só impede a puridade quando aparece no exame inicial — antes de qualquer veredicto —, mas já não impede no fim, depois que o corpo inteiro se tornou branco. A lei segue os sábios.

שְׁתֵּי בֶהָרוֹת, אַחַת טְמֵאָה וְאַחַת טְהוֹרָה, פָּרְחָה מִזּוֹ לָזוֹ וְאַחַר כָּךְ פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, טָהוֹר. בִּשְׂפָתוֹ הָעֶלְיוֹנָה, בִּשְׂפָתוֹ הַתַּחְתּוֹנָה, בִּשְׁתֵּי אֶצְבְּעוֹתָיו, בִּשְׁנֵי רִיסֵי עֵינָיו, אַף עַל פִּי שֶׁמְּדֻבָּקִים זֶה לָזֶה וְהֵם נִרְאִים כְּאֶחָד, טָהוֹר. פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, אֲבָל לֹא בַבֹּהַק, טָמֵא. חָזְרוּ בוֹ רָאשֵׁי אֵבָרִים כְּמִין בֹּהַק, טָהוֹר. חָזְרוּ בוֹ רָאשֵׁי אֵבָרִים פָּחוֹת מִכָּעֲדָשָׁה, רַבִּי מֵאִיר מְטַמֵּא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, בֹּהַק פָּחוֹת מִכָּעֲדָשָׁה, סִימַן טֻמְאָה בַתְּחִלָּה, וְאֵין סִימַן טֻמְאָה בַסּוֹף:
Mishná 7Quem vem todo branco perante o sacerdote
Quem vem todo branco perante o sacerdote é enclausurado; a lista dos sinais que revertem sua certificação; e a regra do retorno das pontas dos membros aplicada a cada estágio do processo

Quem vem todo branco, será enclausurado. Se lhe nasceu pelo branco, será certificado. Se ambos escureceram, ou um deles; se ambos encolheram, ou um deles; se a chaga se aproximou de ambos ou de um deles; se a chaga cercou ambos ou um deles; ou se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou o bohak os separaram: se lhe nasceu carne viva ou pelo branco, é impuro; se não lhe nasceu nem carne viva nem pelo branco, é puro. E em todos esses, se voltaram neles as pontas dos membros, eis que estes são como eram. Se floresceu em parte dele, é impuro. Se floresceu em todo ele, eis que ele é puro.

Retomando o caso de quem chega perante o sacerdote já totalmente branco desde o início — sem nunca ter sido examinado antes —, a mishná ensina que ele não é automaticamente impuro nem puro: é enclausurado, como uma mancha comum do tamanho de um grão, pois ainda pode desenvolver pelo branco ou carne viva. Se lhe nasce pelo branco, é certificado. A partir daí, a mishná enumera uma série de sinais — já listados ao fim do Perek Alef como sinais de leniência — que revertem essa certificação: os pelos escurecerem, encolherem, uma chaga se aproximar deles ou cercá-los, ou uma chaga (com sua carne viva), uma queimadura (com sua carne viva) ou o bohak os separarem um do outro. Se, depois desses sinais de leniência, nasce nova carne viva ou pelo branco, ele volta a ser impuro; se não nasce nada, permanece puro. A mishná fecha aplicando, a cada um desses três estágios possíveis — a isenção, a certificação revertida, ou o próprio enclausuramento —, a mesma regra geral da mishná 4: se as pontas dos membros voltam a se descobrir, o veredicto retorna ao que era antes; e apenas o florescimento sobre todo o corpo, não sobre parte dele, restabelece a puridade.

הַבָּא כֻלּוֹ לָבָן, יַסְגִּיר. נוֹלַד לוֹ שֵׂעָר לָבָן, יַחְלִיט. הִשְׁחִירוּ שְׁתֵּיהֶם אוֹ אַחַת מֵהֶן, הִקְצִירוּ שְׁתֵּיהֶן אוֹ אַחַת מֵהֶן, נִסְמַךְ הַשְּׁחִין לִשְׁתֵּיהֶן אוֹ לְאַחַת מֵהֶן, הִקִּיף הַשְּׁחִין אֶת שְׁתֵּיהֶן אוֹ אֶת אַחַת מֵהֶן, אוֹ חִלְּקָן הַשְּׁחִין וּמִחְיַת הַשְּׁחִין הַמִּכְוָה וּמִחְיַת הַמִּכְוָה וְהַבֹּהַק. נוֹלַד לוֹ מִחְיָה אוֹ שֵׂעָר לָבָן, טָמֵא. לֹא נוֹלַד לוֹ לֹא מִחְיָה וְלֹא שֵׂעָר לָבָן, טָהוֹר. וְכֻלָּן שֶׁחָזְרוּ בָהֶן רָאשֵׁי אֵבָרִים, הֲרֵי אֵלּוּ כְמוֹת שֶׁהָיוּ. פָּרְחָה בְמִקְצָתוֹ, טָמֵא. פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, הֲרֵי הוּא טָהוֹר:
Mishná 8Florescimento súbito, a partir da pureza e da impureza
O florescimento súbito, de uma só vez, julgado conforme sua origem; e a diferença de obrigações rituais entre quem sai do enclausuramento e quem sai da certificação

Se floresceu em todo ele de uma só vez: se isso se originou a partir da pureza, é impuro; e se se originou a partir da impureza, é puro. O puro a partir do enclausuramento está isento do descobrir a cabeça, do rasgar as vestes, do rapar o cabelo e das aves. A partir da certificação, é obrigado a tudo isso. Ambos contaminam pela entrada.

Fecha a cláusula da mishná anterior, esclarecendo que o florescimento súbito — de uma só vez, sem passar por um estágio parcial visível — segue a mesma regra do florescimento gradual: se partiu da pureza, é impuro por alastramento, exatamente como o florescimento em apenas parte do corpo; se partiu da impureza, é puro, como qualquer florescer a partir do impuro. A mishná passa então a uma questão distinta: as consequências rituais da purificação dependem de como o metzorá chegou a ela. Quem se purifica diretamente a partir do enclausuramento — sem nunca ter sido formalmente certificado impuro — está isento dos ritos próprios do metzorá certificado: descobrir a cabeça e rasgar as vestes, como um enlutado (Vayikrá 13:45), raspar todo o pelo do corpo e trazer as duas aves na purificação (Vayikrá 14:2–9). Já quem se purifica depois de ter sido certificado está obrigado a todos esses ritos. Mas, em ambos os casos, enquanto ainda impuros, musgar e muchlat contaminam do mesmo modo por entrarem numa tenda — contaminando tudo o que nela se encontra, como se fossem um cadáver.

אִם בְּכֻלּוֹ פָרְחָה כְאַחַת, מִתּוֹךְ הַטָּהֳרָה, טָמֵא. וּמִתּוֹךְ הַטֻּמְאָה, טָהוֹר. הַטָּהוֹר מִתּוֹךְ הֶסְגֵּר, פָּטוּר מִן הַפְּרִיעָה וּמִן הַפְּרִימָה וּמִן הַתִּגְלַחַת וּמִן הַצִּפֳּרִים. מִתּוֹךְ הֶחְלֵט, חַיָּב בְּכֻלָּן. זֶה וָזֶה מְטַמְּאִים בְּבִיאָה:
Mishná 9Quem vem todo branco com carne viva: Rabi Yishmael e Rabi Elazar ben Azariá
Um caso híbrido — todo branco desde o início, mas com carne viva — e a disputa entre Rabi Yishmael e Rabi Elazar ben Azaria sobre a qual categoria ele pertence depois de florescer

Quem veio todo branco, e nele havia carne viva do tamanho de uma lentilha: se floresceu em todo ele e depois voltaram nele as pontas dos membros: Rabi Yishmael diz, como o retorno das pontas dos membros numa mancha grande. Rabi Elazar ben Azaria diz, como o retorno das pontas dos membros numa mancha pequena.

Um caso intermediário entre os tratados nas mishnayot 1 e 7–8: um homem chega perante o sacerdote já todo coberto de branco, mas — diferentemente do caso simples de “quem vem todo branco” — há nele também carne viva do tamanho de uma lentilha, presente desde o início, antes de qualquer veredicto sacerdotal. Se a tzaraat então floresce sobre o restante ainda não coberto, e depois as pontas dos membros voltam a mostrar carne viva, há disputa sobre qual categoria rege sua purificação subsequente. Rabi Yishmael o compara a quem tinha uma mancha grande — isto é, ao caso da mishná 1, em que a purificação exige que a mancha remanescente diminua abaixo da medida de um grão —, pois trata seu florescimento inicial como incompleto, exigindo enclausuramento como qualquer “vem todo branco” comum. Rabi Elazar ben Azaria, por outro lado, argumenta que, se a tzaraat não tivesse florescido, o sacerdote já o teria certificado de imediato pela carne viva presente — e por isso sua lei deve seguir a de uma mancha pequena com carne viva, cuja purificação segue a regra mais simples estabelecida no sexto capítulo. A lei segue Rabi Yishmael.

הַבָּא כֻלּוֹ לָבָן וּבוֹ מִחְיָה כָעֲדָשָׁה, פָּרְחָה בְכֻלּוֹ וְאַחַר כָּךְ חָזְרוּ בוֹ רָאשֵׁי אֵבָרִים, רַבִּי יִשְׁמָעֵאל אוֹמֵר, כַּחֲזִירַת רָאשֵׁי אֵבָרִים בְּבַהֶרֶת גְּדוֹלָה. רַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה אוֹמֵר, כַּחֲזִירַת רָאשֵׁי אֵבָרִים בְּבַהֶרֶת קְטַנָּה:
Mishná 10Quem ganha e quem perde ao mostrar sua praga ao sacerdote
Encerra o Perek Chet com dois casos espelhados, em que a ordem entre o exame sacerdotal e o florescimento total decide, de forma oposta, entre a pureza e a impureza

Há quem mostre sua praga ao sacerdote e ganhe, e há quem mostre e perca. Como assim? Quem estava certificado, e se foram os sinais de sua impureza, e não teve tempo de mostrá-la ao sacerdote antes que florescesse em todo ele, é puro — pois, se a tivesse mostrado ao sacerdote, estaria impuro. Uma mancha em que não havia nada, e não houve tempo de mostrá-la ao sacerdote antes que florescesse em todo ele, é impuro — pois, se a tivesse mostrado ao sacerdote, estaria puro.

A mishná que fecha o Perek Chet reúne, num par de casos deliberadamente espelhados, o fio condutor de todo o capítulo: o momento exato em que a tzaraat floresce sobre o corpo inteiro, em relação ao momento do exame sacerdotal, decide entre pureza e impureza — às vezes a favor de quem se apressa a mostrar sua praga, às vezes contra. No primeiro caso, um homem já certificado impuro vê desaparecerem os sinais que o certificaram; se, antes que tivesse oportunidade de mostrá-la ao sacerdote para ser formalmente isentado, a tzaraat floresce sobre todo o seu corpo, ele é puro de imediato — um florescer a partir da impureza, como na mishná 1. Mas, se ele a tivesse mostrado ao sacerdote a tempo, o sacerdote o teria isentado formalmente; e um florescimento posterior a essa isenção seria, então, um florescer a partir da pureza — impuro. No segundo caso, o espelho exato: uma mancha comum, ainda sem nenhum sinal de impureza, que normalmente exigiria apenas enclausuramento; mas, antes que ele possa mostrá-la ao sacerdote, ela floresce sobre todo o corpo — e, por nunca ter sido examinada nem declarada impura, trata-se de um florescer a partir da pureza, e ele é impuro. Mas, se a tivesse mostrado a tempo, o sacerdote o teria enclausurado — e o enclausurado é impuro —, de modo que o florescimento posterior teria sido, então, um florescer a partir da impureza, e puro. Em ambos os casos, portanto, mostrar a praga ao sacerdote no momento certo determina, paradoxalmente, o resultado oposto ao que ocorreria se ele simplesmente deixasse o tempo passar.

יֵשׁ מַרְאֶה נִגְעוֹ לַכֹּהֵן וְנִשְׂכָּר, וְיֵשׁ מַרְאֶה וּמַפְסִיד. כֵּיצַד. מִי שֶׁהָיָה מֻחְלָט, וְהָלְכוּ לָהֶן סִימָנֵי טֻמְאָה, לֹא הִסְפִּיק לְהַרְאוֹתָהּ לַכֹּהֵן עַד שֶׁפָּרְחָה בְכֻלּוֹ, טָהוֹר. שֶׁאִלּוּ הֶרְאָה לַכֹּהֵן, הָיָה טָמֵא. בַּהֶרֶת וְאֵין בָּהּ כְּלוּם, לֹא הִסְפִּיק לְהַרְאוֹתָהּ לַכֹּהֵן עַד שֶׁפָּרְחָה בְכֻלּוֹ, טָמֵא. שֶׁאִלּוּ הֶרְאָה לַכֹּהֵן, הָיָה טָהוֹר: