Talmud Bavli · Massechet Negaim · Perek Vav
פֶּרֶק שִׁשִּׁי

Mishná de Negaim, sexto perek — adaptada à trilha Bavli

8 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1A medida da mancha
Abre o Perek Vav estabelecendo a medida mínima exata da mancha (baheret): o grão kilki quadrado, equivalente a nove lentilhas ou trinta e seis fios de cabelo — a base numérica sobre a qual todo o capítulo constrói suas leis de crescimento e diminuição

O corpo da mancha é como o grão de Kilki, quadrado. O espaço do grão é nove lentilhas. O espaço de uma lentilha é quatro fios de cabelo. Descobrem-se trinta e seis fios de cabelo.

Esta primeira mishná do Perek Vav estabelece, com precisão aritmética, a medida mínima de uma mancha (baheret) para que ela seja apta a contaminar. O padrão é o “grão kilki” — metade de uma fava de um tipo cultivado numa região chamada Kilki, onde as favas eram particularmente grandes — tomado em formato quadrado, e não redondo ou irregular. A mishná então decompõe essa medida em unidades menores: o espaço de um grão equivale ao espaço de nove lentilhas (três por três), e o espaço de cada lentilha equivale ao espaço de quatro fios de cabelo (dois por dois). Multiplicando, chega-se a trinta e seis fios de cabelo como a medida mínima e exata de uma mancha apta a contaminar. Essas subdivisões não são meramente decorativas: como o Rambam explicará, elas derivam da necessidade de acomodar, dentro da mancha, tanto o pelo branco quanto a carne viva — os dois sinais secundários de impureza — cada um com sua própria medida mínima.

גּוּפָהּ שֶׁל בַּהֶרֶת, כַּגְּרִיס הַקִּלְקִי מְרֻבָּע. מְקוֹם הַגְּרִיס, תֵּשַׁע עֲדָשׁוֹת. מְקוֹם עֲדָשָׁה, אַרְבַּע שְׂעָרוֹת. נִמְצְאוּ שְׁלשִׁים וָשֵׁשׁ שְׂעָרוֹת:
Mishná 2Cresce, diminui
Aplica a medida exata de 6:1 ao caso paradigmático: mancha do tamanho de um grão com carne viva do tamanho de uma lentilha — crescer ou diminuir, em qualquer das duas, sempre desloca o caso para fora da medida mínima exigida

Uma mancha do tamanho de um grão, e nela carne viva do tamanho de uma lentilha: se a mancha cresceu, é impura; se diminuiu, é pura. Se a carne viva cresceu, é impura; se diminuiu, é pura.

Esta mishná aplica a medida exata definida em 6:1 ao caso mais simples possível: uma mancha exatamente do tamanho de um grão, contendo em seu interior uma carne viva exatamente do tamanho de uma lentilha. A partir dessa configuração precisa, qualquer alteração desloca o caso para impureza ou pureza, de acordo com dois princípios distintos, aplicados a cada elemento separadamente. Se a mancha cresce por fora, isso é alastramento (pisayon) — sinal de impureza por definição. Se a mancha diminui, ela deixa de ter o tamanho mínimo de um grão, e torna-se pura por falta da medida básica. Já a carne viva funciona de modo inverso: se ela cresce, absorve parte da mancha ao redor, de modo que a mancha deixa de envolver a carne viva por todos os lados na medida exata de uma lentilha — e a carne viva, tendo perdido seu enquadramento preciso, deixa de ser sinal de impureza válido, tornando o caso puro. Se a carne viva diminui abaixo de uma lentilha, ela simplesmente deixa de existir como sinal, e o caso também se torna puro. Assim, a mishná ilustra como a precisão milimétrica das medidas estabelecidas na mishná anterior governa cada julgamento sacerdotal.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּבָהּ מִחְיָה כָעֲדָשָׁה, רָבְתָה הַבַּהֶרֶת, טְמֵאָה. נִתְמַעֲטָה, טְהוֹרָה. רָבְתָה הַמִּחְיָה, טְמֵאָה. נִתְמַעֲטָה, טְהוֹרָה:
Mishná 3O alastramento por dentro
Repete o caso da mishná anterior com a carne viva menor que uma lentilha, e revela uma disputa sobre um princípio fundamental: se a diminuição da carne viva — que equivale ao crescimento da mancha sobre ela por dentro — conta como alastramento

Uma mancha do tamanho de um grão, e nela carne viva menor que uma lentilha: se a mancha cresceu, é impura; se diminuiu, é pura. Se a carne viva cresceu, é impura. Se diminuiu, Rabi Meir declara impura, e os sábios declaram pura, pois a praga não alastra para dentro de si mesma.

Esta mishná repete a estrutura da anterior, mas com uma variação decisiva: agora a carne viva original é menor que uma lentilha — portanto, insuficiente para ser sinal de impureza por si só. Os dois primeiros casos seguem o padrão já conhecido: crescimento da mancha por fora é alastramento e torna impura; diminuição da mancha abaixo do grão torna pura. O terceiro caso também é simples: se a carne viva cresce até atingir exatamente o tamanho de uma lentilha, ela se torna, agora sim, um sinal de impureza válido. É o quarto caso que introduz a controvérsia: se a carne viva, já menor que uma lentilha, diminui ainda mais. Rabi Meir considera isso alastramento — pois, do seu ponto de vista, a mancha está avançando sobre a carne viva a partir de dentro, o que é logicamente equivalente a avançar sobre a pele saudável a partir de fora. Os sábios discordam: para eles, o conceito de alastramento (pisayon) só se aplica ao crescimento da mancha para além de seus próprios limites externos, nunca ao seu avanço interno sobre a carne viva que ela já continha. A mishná explicita o fundamento dessa posição: a comparação com o nétek (a praga de calvície tratada mais adiante no tratado), que sabidamente não alastra para dentro de si mesmo. A halachá segue os sábios.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּבָהּ מִחְיָה פְחוּתָה מִכָּעֲדָשָׁה, רָבְתָה הַבַּהֶרֶת, טְמֵאָה. נִתְמַעֲטָה, טְהוֹרָה. רָבְתָה הַמִּחְיָה, טְמֵאָה. נִתְמַעֲטָה, רַבִּי מֵאִיר מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִים, שֶׁאֵין הַנֶּגַע פּוֹשֶׂה לְתוֹכָהּ:
Mishná 4Sem cair abaixo da medida
Trata do caso em que mancha e carne viva já ultrapassam suas medidas mínimas — nesse regime, o crescimento ou diminuição de ambas deixa de alterar o veredito, desde que nunca caiam abaixo do grão e da lentilha

Uma mancha maior que um grão, e nela carne viva maior que uma lentilha: cresçam ou diminuam, são impuras — contanto que não diminuam abaixo da medida mínima.

Esta mishná trata de um caso distinto dos anteriores: em vez de partir da medida exata (grão e lentilha), parte-se de uma mancha e de uma carne viva que já excedem essas medidas mínimas. Nessa situação, tanto o crescimento quanto a diminuição de ambas permanecem impuros — desde que, é claro, não caiam abaixo do mínimo exigido. A lógica é que, havendo folga acima da medida exata, pequenas oscilações para cima ou para baixo não desestabilizam nem o enquadramento da carne viva dentro da mancha, nem a validade da mancha como sinal de impureza; o caso permanece firmemente dentro da zona de impureza, contanto que as duas grandezas nunca regridam ao ponto de a mancha ficar menor que um grão ou a carne viva menor que uma lentilha. O Rambam precisa ainda mais essa regra: mesmo quando a mancha é maior, ela só permanece impura se o excedente da mancha sobre a carne viva for de pelo menos dois fios de cabelo de largura em cada lado — preservando, assim, o enquadramento mínimo da carne viva estabelecido em 6:1.

בַּהֶרֶת יְתֵרָה מִכַּגְּרִיס וּבָהּ מִחְיָה יְתֵרָה מִכָּעֲדָשָׁה, רַבּוּ אוֹ שֶׁנִּתְמַעֲטוּ, טְמֵאִין, וּבִלְבַד שֶׁלֹּא יִתְמַעֲטוּ מִכַּשִּׁעוּר:
Mishná 5Duas manchas, uma carne viva
Introduz uma configuração complexa — mancha interna, faixa de carne viva, mancha externa — e a disputa entre Rabi Yosé, Rabán Gamliel e Rabi Akiva sobre o estatuto de cada uma quando a carne viva se altera

Uma mancha do tamanho de um grão, e uma carne viva do tamanho de uma lentilha a envolve, e fora da carne viva há outra mancha: a interna é para ser enclausurada, e a externa é para ser certificada definitivamente. Disse Rabi Yosé: a carne viva não é sinal de impureza para a externa, pois a mancha interna está dentro dela. Se a carne viva diminuiu e desapareceu: Rabán Gamliel diz: se ela desapareceu por dentro, é sinal de alastramento para a interna, e a externa é pura; e se por fora, a externa é pura e a interna é para ser enclausurada. Rabi Akiva diz: seja de um jeito, seja de outro, é pura.

Esta mishná introduz uma configuração de três camadas concêntricas: uma mancha interna do tamanho de um grão, envolvida por uma faixa de carne viva do tamanho de uma lentilha, envolvida por sua vez por outra mancha externa. O julgamento básico trata cada mancha separadamente: a interna, não tendo carne viva dentro de si mesma (a carne viva está ao seu redor, não em seu centro), é apenas isolada para observação; já a externa, tendo a carne viva encravada em seu interior — entre ela e a mancha interna — é certificada impura de modo definitivo, exatamente como no caso simples de 6:2. Rabi Yosé discorda desse tratamento da externa: para ele, a carne viva só é sinal válido de impureza quando está isolada, sem outra mancha dentro dela; como aqui há uma mancha (a interna) dentro da carne viva, a configuração completa é considerada “praga–carne viva–praga–carne viva–praga”, e não uma carne viva simples e encravada — portanto não serve de sinal para a externa. A lei não segue Rabi Yosé. A segunda parte da mishná trata do que ocorre se a carne viva desaparece: Rabán Gamliel distingue conforme o lado pelo qual ela desapareceu — se foi coberta pela mancha interna crescendo, isso é alastramento que certifica a interna, e a externa se torna pura por perda de sua carne viva; se foi coberta pela mancha externa, o inverso ocorre. Rabi Akiva rejeita essa distinção: para ele, o princípio de que “a praga não alastra para dentro de si mesma” (já estabelecido em 6:3) aplica-se igualmente ao avanço de qualquer mancha sobre a carne viva que a separa da outra, tornando ambos os casos puros para a externa. A halachá segue Rabi Akiva.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּמִחְיָה כָּעֲדָשָׁה מַקַּפְתָּהּ וְחוּץ לַמִּחְיָה בַּהֶרֶת, הַפְּנִימִית לְהַסְגִּיר, וְהַחִיצוֹנָה לְהַחְלִיט. אָמַר רַבִּי יוֹסֵי, אֵין הַמִּחְיָה סִימַן טֻמְאָה לַחִיצוֹנָה, שֶׁהַבַּהֶרֶת לְתוֹכָהּ. נִתְמַעֲטָה וְהָלְכָה לָהּ, רַבָּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר, אִם מִבִּפְנִים הִיא כָלָה, סִימַן פִּשְׂיוֹן לַפְּנִימִית, וְהַחִיצוֹנָה טְהוֹרָה. וְאִם מִבַּחוּץ, הַחִיצוֹנָה טְהוֹרָה וְהַפְּנִימִית לְהַסְגִּיר. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, בֵּין כָּךְ וּבֵין כָּךְ, טְהוֹרָה:
Mishná 6O excedente e o bohak
Rabi Shimon restringe o veredito de pureza da mishná anterior ao caso em que a carne viva é exatamente do tamanho de uma lentilha, e acrescenta o caso de uma mancha esbranquiçada (bohak) situada entre as duas manchas

Disse Rabi Shimon: quando é assim? Quando ela estava exatamente do tamanho de uma lentilha. Se era maior que uma lentilha, o excedente é sinal de alastramento para a interna, e a externa é impura. Se havia uma mancha esbranquiçada menor que uma lentilha, é sinal de alastramento para a interna, mas não é sinal de alastramento para a externa.

Rabi Shimon retoma a discussão da mishná anterior — sobre a pureza da mancha externa quando a carne viva que a separava da interna desaparece — e a qualifica: essa pureza só vale quando a carne viva original era exatamente do tamanho de uma lentilha, nem mais nem menos. Se, porém, a carne viva era maior que uma lentilha, a situação muda: o excedente além da medida de uma lentilha passa a ser tratado como um espaço neutro que, se coberto pela mancha interna crescendo sobre ele, conta como alastramento genuíno para a interna — certificando-a — enquanto a externa permanece impura, pois ainda resta nela carne viva suficiente (o restante da lentilha) para servir de sinal válido. A segunda parte da mishná trata de um cenário adicional: em vez de carne viva, há um bohak — uma mancha esbranquiçada sem a cor específica exigida para contaminar como tzaraat — de tamanho menor que uma lentilha, situado entre as duas manchas. Se a mancha interna alastra sobre esse bohak e o cobre, isso conta como alastramento válido para a interna, certificando-a; mas, se é a externa que alastra sobre o bohak, isso não conta como alastramento para a externa, pois vale o mesmo princípio de que a praga não alastra para dentro de si mesma. O Rambam explica que a razão de mencionar especificamente um bohak menor que uma lentilha é que, se fosse do tamanho de uma lentilha, ele próprio já contaminaria como carne viva, independentemente da questão do alastramento.

אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן, אֵימָתַי, בִּזְמַן שֶׁהִיא כָעֲדָשָׁה מוּבֵאת. הָיְתָה יְתֵרָה מִכָּעֲדָשָׁה, הַמּוֹתָר סִימַן פִּשְׂיוֹן לַפְּנִימִית, וְהַחִיצוֹנָה טְמֵאָה. הָיָה בֹהַק פָּחוּת מִכָּעֲדָשָׁה, סִימַן פִּשְׂיוֹן לַפְּנִימִית, וְאֵין סִימַן פִּשְׂיוֹן לַחִיצוֹנָה:
Mishná 7As vinte e quatro pontas
Desloca o foco das medidas para a geografia do corpo: as vinte e quatro extremidades arredondadas onde o sacerdote não consegue ver a praga e a carne viva como uma única superfície contínua, e por isso a carne viva ali não contamina

Vinte e quatro pontas de membros no homem que não contaminam por causa da carne viva: as pontas dos dedos das mãos e dos pés, as pontas das orelhas, a ponta do nariz, a ponta do membro viril, e as pontas dos seios da mulher. Rabi Yehudá diz: também as do homem. Rabi Eliezer diz: também as verrugas e as protuberâncias penduradas não contaminam por causa da carne viva.

Depois de cinco mishnayot dedicadas inteiramente às medidas e ao comportamento numérico da mancha e da carne viva, esta mishná introduz um critério de natureza completamente diferente: a geografia do corpo. A Torá exige (como o Rambam explicará a partir de Vayikrá 13) que o sacerdote “veja” a praga — ou seja, que consiga enxergar a mancha e a carne viva juntas, como uma superfície plana e contínua, num único olhar. Em vinte e quatro pontas arredondadas do corpo — as pontas dos dez dedos das mãos, dos dez dedos dos pés, as duas pontas das orelhas (contadas como uma categoria), a ponta do nariz, a ponta do órgão viril, e as duas pontas dos seios da mulher — a curvatura da superfície impede essa visão unificada: a carne viva, situada na ponta arredondada, “se inclina para um lado e para outro”, de modo que ela e a mancha ao redor não podem ser vistas como uma única superfície num só olhar. Por isso, mesmo que haja ali carne viva tecnicamente encravada dentro de uma mancha, ela não serve como sinal válido de impureza. Rabi Yehudá estende essa contagem também aos seios do homem, mas a lei não o segue. Rabi Eliezer acrescenta uma categoria própria — verrugas e protuberâncias penduradas de carne — que, por sua superfície irregular, tampouco permitem essa visão unificada; mas também aqui a lei não o segue.

עֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה רָאשֵׁי אֵבָרִין בָּאָדָם שֶׁאֵינָן מִטַּמְּאִין מִשּׁוּם מִחְיָה, רָאשֵׁי אֶצְבְּעוֹת יָדַיִם וְרַגְלַיִם, וְרָאשֵׁי אָזְנַיִם, וְרֹאשׁ הַחֹטֶם, וְרֹאשׁ הַגְּוִיָּה, וְרָאשֵׁי הַדַּדִּים שֶׁבָּאִשָּׁה. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אַף שֶׁל אִישׁ. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, אַף הַיַּבָּלוֹת וְהַדִּלְדּוּלִין אֵינָן מִטַּמְּאִין מִשּׁוּם מִחְיָה:
Mishná 8Os lugares isentos
Encerra o Perek Vav com o catálogo completo dos lugares do corpo isentos do sistema de pragas de pele — e a regra de que, se voltarem a ter aparência de pele comum, passam a contaminar, mas nunca se combinam nem transmitem alastramento

Estes são os lugares no homem que não contaminam por mancha: o interior do olho, o interior da orelha, o interior do nariz, o interior da boca, as dobras, e as dobras do pescoço, sob o seio, e a axila, a sola do pé, e a unha, a cabeça e a barba, a chaga, a queimadura e a inflamação abertas — não contaminam por pragas, não se combinam em pragas, a praga não alastra para dentro delas, não contaminam por causa da carne viva, e não impedem a pessoa de se tornar toda branca. Se a cabeça e a barba voltaram a ficar carecas, ou a chaga, a queimadura e a inflamação formaram cicatriz — eis que estas contaminam por pragas, mas não se combinam em pragas, a praga não alastra para dentro delas, não contaminam por causa da carne viva, mas impedem a pessoa de se tornar toda branca. A cabeça e a barba antes de terem criado pelo, e as protuberâncias penduradas na cabeça e na barba, são julgadas como pele da carne.

Esta última mishná do Perek Vav fecha o capítulo com um catálogo abrangente dos lugares do corpo que ficam inteiramente fora do sistema de julgamento das pragas de pele (negá ’or basar), pois a Torá restringe esse sistema à “pele da sua carne” visível — excluindo, portanto, superfícies internas ou não expostas ao olhar comum: o interior dos olhos, orelhas, nariz e boca; as dobras de pele em geral e as do pescoço em particular; o que fica oculto sob o seio ou na axila quando os braços estão em posição de repouso; a sola do pé e as unhas; e, por uma razão diferente — regidas por seu próprio sistema de nétek, tratado em capítulos posteriores — a cabeça e a barba. A esses lugares somam-se a chaga (shechin), a queimadura (michvá) e o kédach (uma ferida por outras causas) enquanto ainda estão “rebeldes”, isto é, não cicatrizadas. A mishná então enumera cinco consequências dessa isenção, todas paralelas: esses lugares não contaminam por si mesmos; não se combinam com uma praga vizinha para completar a medida de um grão; uma praga externa não é considerada como tendo alastrado para dentro deles; não servem de sinal de carne viva; e, crucialmente, não impedem que uma pessoa seja considerada “toda branca” (hafach kuló lavan) mesmo que a tzaraat tenha tomado todo o resto do corpo, deixando essas áreas de fora. A mishná então trata da reversão: se a cabeça ou a barba ficam carecas, ou se a chaga, a queimadura e o kédach cicatrizam por completo, esses lugares passam a se assemelhar à pele comum e voltam a contaminar por pragas — mas continuam sem se combinar entre si, sem receber alastramento e sem servir de sinal de carne viva; a única mudança é que agora eles impedem o branqueamento total, pois voltaram a ser “aptos” a pragas. Por fim, a mishná trata do caso oposto: cabeça e barba que ainda não cresceram pelo algum (como em uma criança) são tratadas simplesmente como pele comum da carne, sujeitas a todas as regras normais — assim como as protuberâncias penduradas sem pelo que às vezes se formam nesses lugares.

אֵלּוּ מְקוֹמוֹת בָּאָדָם שֶׁאֵינָן מִטַּמְּאִין בְּבַהֶרֶת, תּוֹךְ הָעַיִן, תּוֹךְ הָאֹזֶן, תּוֹךְ הַחֹטֶם, תּוֹךְ הַפֶּה, הַקְּמָטִין, וְהַקְּמָטִין שֶׁבַּצַּוָּאר, תַּחַת הַדַּד, וּבֵית הַשֶּׁחִי, כַּף הָרֶגֶל, וְהַצִּפֹּרֶן, הָרֹאשׁ, וְהַזָּקָן, הַשְּׁחִין וְהַמִּכְוָה וְהַקֶּדַח הַמּוֹרְדִין, אֵינָן מִטַּמְּאִין בַּנְּגָעִים, וְאֵינָן מִצְטָרְפִים בַּנְּגָעִים, וְאֵין הַנֶּגַע פּוֹשֶׂה לְתוֹכָן, וְאֵינָן מִטַּמְּאִין מִשּׁוּם מִחְיָה, וְאֵינָן מְעַכְּבִין אֶת הַהוֹפֵךְ כֻּלּוֹ לָבָן. חָזַר הָרֹאשׁ וְהַזָּקָן וְנִקְרְחוּ, הַשְּׁחִין וְהַמִּכְוָה וְהַקֶּדַח וְנַעֲשׂוּ צָרֶבֶת, הֲרֵי אֵלּוּ מִטַּמְּאִין בַּנְּגָעִים, וְאֵינָן מִצְטָרְפִין בַּנְּגָעִים, וְאֵין הַנֶּגַע פּוֹשֶׂה לְתוֹכָן, וְאֵינָן מִטַּמְּאִין מִשּׁוּם מִחְיָה, אֲבָל מְעַכְּבִין אֶת הַהוֹפֵךְ כֻּלּוֹ לָבָן. הָרֹאשׁ וְהַזָּקָן עַד שֶׁלֹּא הֶעֱלוּ שֵׂעָר, וְהַדִּלְדּוּלִין שֶׁבָּרֹאשׁ וְשֶׁבַּזָּקָן, נִדּוֹנִים כְּעוֹר הַבָּשָׂר: