Talmud Bavli · Massechet Negaim · Perek Dálet
פֶּרֶק רְבִיעִי

Mishná de Negaim, quarto perek — adaptada à trilha Bavli

11 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1O pelo branco e o alastramento
Abre o Perek Dálet com a primeira de três comparações espelhadas entre os sinais de impureza — aqui, pelo branco e alastramento — mostrando as vantagens exclusivas de cada um

Há no pelo branco o que não há no alastramento, e há no alastramento o que não há no pelo branco. Que o pelo branco certifica impuro desde o início, e certifica impuro em qualquer aparência de brancura, e não há nele sinal de pureza. Há no alastramento — que o alastramento certifica impuro em qualquer quantidade, e certifica impuro em todas as pragas, mesmo fora da própria praga — o que não há assim no pelo branco.

A primeira mishná do Perek Dálet inaugura uma nova unidade dentro do tratado: depois de o Perek Guimel ter mapeado as seis categorias de tzaraat e o número de semanas de cada uma, os próximos três parágrafos comparam, dois a dois, os três sinais secundários que, somados à mancha em si, certificam a impureza — pelo branco, carne viva e alastramento. Aqui se compara pelo branco e alastramento: o pelo branco tem a vantagem de certificar impuro já no primeiro exame, sem exigir a espera de uma semana, e de o fazer em qualquer intensidade de branco, por mínima que seja, sem jamais servir de sinal de pureza; o alastramento, por sua vez, tem a vantagem de certificar impuro em qualquer extensão, por mínima que seja, e de se aplicar a todas as seis categorias de pragas, inclusive quando ultrapassa os limites da própria mancha — o que o pelo branco, que precisa estar dentro da praga, nunca faz.

יֵשׁ בְּשֵׂעָר לָבָן מַה שֶּׁאֵין בְּפִשְׂיוֹן, וְיֵשׁ בְּפִשְׂיוֹן מַה שֶּׁאֵין בְּשֵׂעָר לָבָן. שֶׁשֵּׂעָר לָבָן מְטַמֵּא בַתְּחִלָּה, וּמְטַמֵּא בְכָל מַרְאֵה לֹבֶן, וְאֵין בּוֹ סִימַן טָהֳרָה. יֵשׁ בְּפִשְׂיוֹן, שֶׁהַפִּשְׂיוֹן מְטַמֵּא בְכָל שֶׁהוּא, וּמְטַמֵּא בְכָל הַנְּגָעִים, חוּץ לַנֶּגַע, מַה שֶּׁאֵין כֵּן בְּשֵׂעָר לָבָן:
Mishná 2A carne viva e o alastramento
A segunda das três comparações do capítulo: agora entre carne viva e alastramento, espelhando exatamente a estrutura da mishná anterior

Há na carne viva o que não há no alastramento, e há no alastramento o que não há na carne viva. Que a carne viva certifica impura desde o início, e certifica impura em qualquer aparência, e não há nela sinal de pureza. Há no alastramento — que o alastramento certifica impuro em qualquer quantidade, e certifica impuro em todas as pragas, mesmo fora da própria praga — o que não há assim na carne viva.

Depois de comparar pelo branco e alastramento, a mishná repete a mesma estrutura para o segundo par de sinais: carne viva e alastramento. A carne viva compartilha com o pelo branco duas vantagens sobre o alastramento — certifica impuro já no primeiro exame, sem esperar uma semana, e o faz em qualquer aparência de carne (clara, escura ou avermelhada), sem nunca servir de sinal de pureza. O alastramento mantém as mesmas duas vantagens já vistas: certifica impuro em qualquer extensão mínima, e vale para todas as seis categorias de pragas, inclusive fora dos limites da mancha original — o que a carne viva, que precisa estar dentro da própria praga, jamais faz.

יֵשׁ בְּמִחְיָה מַה שֶּׁאֵין בְּפִשְׂיוֹן, וְיֵשׁ בְּפִשְׂיוֹן מַה שֶּׁאֵין בְּמִחְיָה. שֶׁהַמִּחְיָה מְטַמָּא בַתְּחִלָּה, וּמְטַמָּא בְכָל מַרְאֶה, וְאֵין בָּהּ סִימַן טָהֳרָה. יֵשׁ בְּפִשְׂיוֹן, שֶׁהַפִּשְׂיוֹן מְטַמֵּא בְכָל שֶׁהוּא, וּמְטַמֵּא בְכָל הַנְּגָעִים, חוּץ לַנֶּגַע, מַה שֶּׁאֵין כֵּן בְּמִחְיָה:
Mishná 3O pelo branco e a carne viva
A terceira e última das comparações espelhadas do capítulo, agora entre pelo branco e carne viva, fechando o painel introdutório antes das mishnayot de casuística que seguem

Há no pelo branco o que não há na carne viva, e há na carne viva o que não há no pelo branco. Que o pelo branco certifica impuro no furúnculo e na queimadura, reunido e disperso, cercado e não cercado. Há na carne viva — que a carne viva certifica impura na calvície posterior e na calvície frontal, invertida e não invertida, e impede que quem se tornou todo branco seja puro, e certifica impura em qualquer aparência — o que não há assim no pelo branco.

Fecha-se aqui a série de três comparações que abre o Perek Dálet. Entre pelo branco e carne viva, o pelo branco tem a vantagem de certificar impuro no furúnculo e na queimadura — onde não há carne viva, pois a pele ali já foi alterada pela própria lesão — e de fazê-lo tanto quando as duas fiações de pelo estão juntas quanto dispersas, cercadas pela mancha ou ligadas a ela por um fio estreito. A carne viva, por sua vez, tem a vantagem de certificar impura na calvície posterior e na frontal — onde não há pelo branco a considerar —, de fazê-lo tanto quando ela precede a mancha quanto quando é precedida por ela, de impedir que alguém cujo corpo todo se tornou branco seja declarado puro enquanto restar nele carne viva, e de certificar impura em qualquer aparência de carne, vantagens todas ausentes no pelo branco.

יֵשׁ בְּשֵׂעָר לָבָן מַה שֶּׁאֵין בְּמִחְיָה, וְיֵשׁ בְּמִחְיָה מַה שֶּׁאֵין בְּשֵׂעָר לָבָן. שֶׁשֵּׂעָר לָבָן מְטַמֵּא בַשְּׁחִין וּבַמִּכְוָה, בִּמְכֻנָּס וּבִמְפֻזָּר, בִּמְבֻצָּר וְשֶׁלֹּא בִמְבֻצָּר. יֵשׁ בְּמִחְיָה, שֶׁהַמִּחְיָה מְטַמָּא בַקָּרַחַת וּבַגַּבַּחַת, הֲפוּכָה וְשֶׁלֹּא הֲפוּכָה, וּמְעַכֶּבֶת אֶת הַהוֹפֵךְ כֻּלּוֹ לָבָן, וּמְטַמָּא בְכָל מַרְאֶה, מַה שֶּׁאֵין כֵּן בְּשֵׂעָר לָבָן:
Mishná 4A raiz e a ponta do pelo
Encerrada a série de comparações, a mishná passa à casuística fina: aqui, os critérios exatos que definem quando duas fiações de pelo contam como o pelo branco que certifica impureza

Duas fiações de pelo: se sua raiz é escura e sua ponta é branca, é puro. Se sua raiz é branca e sua ponta é escura, é impuro. Quanto deve haver de brancura? Rabi Meir diz: qualquer quantidade. Rabi Shimon diz: o suficiente para ser tomado com a ponta de uma tesoura. Se havia uma única fiação embaixo, dividida em cima, parecendo duas, é puro. Uma mancha que tem nela pelo branco e pelo preto é impura; não se receia que o lugar do pelo preto tenha diminuído a mancha, pois ele não tem substância.

A partir desta mishná, o Perek Dálet deixa as comparações gerais para tratar, caso a caso, dos detalhes técnicos que decidem cada exame sacerdotal. Primeiro, a direção da mudança de cor importa: só o pelo cuja raiz — a parte junto à pele, que a Torá considera a que “se tornou branca” — é branca conta como pelo branco válido; se apenas a ponta é branca, permanecendo escura a raiz, a pessoa é pura. Em seguida, discute-se a quantidade mínima de brancura exigida em cada fiação: Rabi Meir contenta-se com qualquer vestígio de branco, enquanto Rabi Shimon exige que a brancura seja extensa o bastante para ser tomada com a ponta de uma tesoura, isto é, comprida o bastante para ser cortada e retirada. A mishná trata ainda de uma fiação única que se bifurca na ponta, parecendo duas, mas que continua sendo uma só e não certifica impureza, e fecha com o caso de pelo preto misturado ao branco dentro de uma mancha do tamanho mínimo exato — o pelo preto não é considerado como ocupando espaço que diminuiria a mancha abaixo da medida exigida, pois não tem substância física relevante para essa medição.

שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת, עִקָּרָן מַשְׁחִיר וְרֹאשָׁן מַלְבִּין, טָהוֹר. עִקָּרָן מַלְבִּין וְרֹאשָׁן מַשְׁחִיר, טָמֵא. כַּמָּה יְהֵא בַלַּבְנוּנִית, רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, כָּל שֶׁהוּא. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, כְּדֵי לִקְרֹץ בְּזוּג. הָיְתָה אַחַת מִלְּמַטָּה וְנֶחְלְקָה מִלְמַעְלָה וְהִיא נִרְאֵית כִּשְׁתַּיִם, טָהוֹר. בַּהֶרֶת וּבוֹ שֵׂעָר לָבָן אוֹ שֵׂעָר שָׁחוֹר, טָמֵא. אֵין חוֹשְׁשִׁין שֶׁמָּא מִעֵט מְקוֹם שֵׂעָר שָׁחוֹר אֶת הַבַּהֶרֶת, מִפְּנֵי שֶׁאֵין בּוֹ מַמָּשׁ:
Mishná 5O fio que sai da mancha
Trata do fio estreito que liga uma mancha a algo fora dela, ou uma mancha a outra — e da medida exata que decide se esse fio conta como parte da própria praga

Uma mancha do tamanho de um grão, com um fio que sai dela: se ele tem em sua largura duas fiações de pelo, ele a vincula ao pelo branco e ao alastramento, mas não à carne viva. Duas manchas com um fio que sai de uma para a outra: se ele tem em sua largura duas fiações de pelo, ele as une; e se não, não as une.

A mishná introduz o caso do “fio” — uma faixa estreita de pele afetada que se estende para fora dos limites de uma mancha do tamanho mínimo exigido (um grão). Se esse fio tem a largura de duas fiações de pelo, ele é tratado como extensão da própria praga para dois dos três sinais: se nele aparecer pelo branco, a mancha é certificada impura; e, se ele alastrar ao fim da semana, também certifica impura por alastramento. Mas não vale para o sinal da carne viva, que exige — como já se viu na mishná anterior — que a carne apareça cercada e reunida dentro dos limites da própria mancha, e não numa extensão estreita como o fio. O mesmo princípio da largura de duas fiações de pelo decide também se um fio que liga duas manchas separadas as une numa só praga, sujeitas ao mesmo julgamento, ou se permanecem duas pragas independentes.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וְחוּט יוֹצֵא מִמֶּנָּה, אִם יֶשׁ בּוֹ רֹחַב שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת, זוֹקְקָהּ לְשֵׂעָר לָבָן וּלְפִסְיוֹן, אֲבָל לֹא לְמִחְיָה. שְׁתֵּי בֶהָרוֹת וְחוּט יוֹצֵא מִזּוֹ לָזוֹ, אִם יֶשׁ בּוֹ רֹחַב שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת, מְצָרְפָן. וְאִם לָאו, אֵין מְצָרְפָן:
Mishná 6Carne viva e pelo branco que desaparecem
A primeira de várias mishnayot sobre o que acontece quando um dos sinais desaparece e resta apenas o outro — aqui, o debate entre Rabi Shimon e os sábios sobre se a impureza remanescente é válida

Uma mancha do tamanho de um grão, com carne viva do tamanho de uma lentilha dentro dela, e pelo branco dentro da carne viva: se a carne viva se foi, é impura por causa do pelo branco; se o pelo branco se foi, é impura por causa da carne viva. Rabi Shimon declara pura, porque não foi a mancha que o inverteu. Uma mancha — ela e sua carne viva juntas do tamanho de um grão —, com pelo branco dentro da mancha: se a carne viva se foi, é impura por causa do pelo branco; se o pelo branco se foi, é impura por causa da carne viva. Rabi Shimon declara pura, porque não foi uma mancha do tamanho de um grão que o inverteu. E ele concorda que, se no lugar do pelo branco havia o tamanho de um grão, é impura.

A mishná examina um cenário composto: dentro de uma mancha do tamanho mínimo (um grão), há carne viva do tamanho de uma lentilha, e dentro dessa carne viva há pelo branco. Se um dos dois sinais secundários desaparecer — a carne viva ou o pelo branco —, a impureza persiste por causa do sinal remanescente, segundo a opinião anônima da mishná. Rabi Shimon discorda e declara pura, com base no princípio de que o pelo só é sinal válido de impureza quando foi a própria mancha (baheret) que o tornou branco — “e ela o tornou pelo branco”, diz o versículo —, e aqui o pelo estava dentro da carne viva, não diretamente dentro da mancha, de modo que não foi a mancha quem o inverteu. A mishná repete o mesmo debate numa segunda configuração, em que a mancha e a carne viva juntas somam o tamanho de um grão, e o pelo branco está dentro da própria mancha (não da carne viva); mesmo aqui Rabi Shimon mantém sua posição, pois a mancha isolada, sem a carne viva, não chega ao tamanho de um grão. Ele concorda, porém, que, se o lugar exato do pelo branco tivesse por si só o tamanho de um grão, a impureza seria incontestável, já sem depender da disputa.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּבָהּ מִחְיָה כָעֲדָשָׁה וְשֵׂעָר לָבָן בְּתוֹךְ הַמִּחְיָה, הָלְכָה הַמִּחְיָה, טְמֵאָה מִפְּנֵי שֵׂעָר לָבָן. הָלַךְ שֵׂעָר לָבָן, טָמֵא מִפְּנֵי הַמִּחְיָה. רַבִּי שִׁמְעוֹן מְטַהֵר, מִפְּנֵי שֶׁלֹּא הֲפָכַתּוּ הַבַּהֶרֶת. בַּהֶרֶת, הִיא וּמִחְיָתָהּ כַּגְּרִיס, וְשֵׂעָר לָבָן בְּתוֹךְ הַבַּהֶרֶת, הָלְכָה הַמִּחְיָה, טְמֵאָה מִפְּנֵי שֵׂעָר לָבָן. הָלַךְ שֵׂעָר לָבָן, טָמֵא מִפְּנֵי הַמִּחְיָה. רַבִּי שִׁמְעוֹן מְטַהֵר, מִפְּנֵי שֶׁלֹּא הֲפָכַתּוּ בַהֶרֶת כַּגְּרִיס. וּמוֹדֶה, שֶׁאִם יֵשׁ בִּמְקוֹם שֵׂעָר לָבָן כַּגְּרִיס, שֶׁהוּא טָמֵא:
Mishná 7Permanece como era
Reúne várias regras sobre continuidade: quando uma mancha some e retorna, quando muda de intensidade, ou quando recua e volta a avançar, ela conta como a mesma praga de antes, ou como algo novo

Uma mancha que tem nela carne viva e alastramento: se a carne viva se foi, é impura por causa do alastramento; se o alastramento se foi, é impura por causa da carne viva. E o mesmo vale para pelo branco e alastramento. Se ela desapareceu e voltou ao fim da semana, permanece como era. Depois da isenção, deve ser vista como no início. Se era intensa e tornou-se fraca, ou era fraca e tornou-se intensa, permanece como era, desde que não diminua abaixo das quatro aparências. Se recuou e depois alastrou, ou alastrou e depois recuou, Rabi Akiva certifica impura, e os sábios declaram pura.

Depois de tratar da combinação entre carne viva, pelo branco e alastramento (mishná anterior), esta mishná reúne diversas regras sobre a continuidade de uma mesma mancha ao longo do tempo. Primeiro, repete-se o princípio da mishná anterior para o par carne viva/alastramento e pelo branco/alastramento: o desaparecimento de um sinal não anula a impureza enquanto o outro persistir. Em seguida, a mishná trata do desaparecimento e retorno da própria mancha: se ela sumiu e reapareceu ainda dentro da semana de enclausuramento, é tratada como se nunca tivesse mudado, mantendo seu enclausuramento; mas se isso ocorre depois de já ter sido declarada pura (o “período de isenção”), o retorno exige um exame inteiramente novo, como se fosse a primeira vez. A mishná trata também de mudanças na intensidade da própria brancura — de vívida para opaca, ou o contrário —, que não afetam o julgamento, desde que a mancha não caia abaixo da quarta e mais fraca das aparências reconhecidas. Por fim, fecha com a disputa entre Rabi Akiva e os sábios sobre uma mancha que recua numa direção e simultaneamente alastra noutra, ou vice-versa, sem alteração no tamanho total: Rabi Akiva considera isso um alastramento válido, que certifica impura; os sábios discordam, considerando que a mancha simplesmente permanece como era.

בַּהֶרֶת וּבָהּ מִחְיָה וּפִסְיוֹן, הָלְכָה הַמִּחְיָה, טְמֵאָה מִפְּנֵי הַפִּסְיוֹן. הָלַךְ הַפִּסְיוֹן, טְמֵאָה מִפְּנֵי הַמִּחְיָה. וְכֵן בְּשֵׂעָר לָבָן וּבְפִסְיוֹן. הָלְכָה וְחָזְרָה בְסוֹף שָׁבוּעַ, הֲרֵי הִיא כְמוֹת שֶׁהָיְתָה. לְאַחַר הַפְּטוּר, תֵּרָאֶה כַתְּחִלָּה. הָיְתָה עַזָּה וְנַעֲשֵׂית כֵּהָה, כֵּהָה וְנַעֲשֵׂית עַזָּה, הֲרֵי הִיא כְמוֹ שֶׁהָיְתָה, וּבִלְבַד שֶׁלֹּא תִתְמַעֵט מֵאַרְבָּעָה מַרְאוֹת. כָּנְסָה וּפָשְׂתָה, פָּשְׂתָה וְכָנְסָה, רַבִּי עֲקִיבָא מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין:
Mishná 8Meio grão que avança, meio grão que recua
Primeira de uma série de quatro mishnayot que exploram, com precisão quase matemática, os limites exatos do que conta como alastramento quando a mancha original também recua

Uma mancha do tamanho de um grão que alastrou meio grão, e da mancha original se foi meio grão: Rabi Akiva diz: deve ser vista como no início. E os sábios declaram pura.

Esta mishná abre uma sequência de casos que testam a definição de alastramento quando ele ocorre simultaneamente à retração da mancha original. Aqui, uma mancha do tamanho exato de um grão alastra meio grão para um lado, enquanto meio grão da mancha original desaparece do outro lado — de modo que o tamanho total permanece sempre um grão. Rabi Akiva considera que houve uma verdadeira propagação, ainda que compensada por uma retração equivalente, e por isso a mancha deve ser examinada como se fosse inteiramente nova, contando os dias de enclausuramento do zero. Os sábios discordam: como a medida total nunca ultrapassou o tamanho original de um grão, não houve alastramento algum a considerar, e a mancha é simplesmente declarada pura, equiparada a uma mancha que permaneceu como estava.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּפָשְׂתָה כַחֲצִי גְרִיס, וְהָלַךְ מִן הָאוֹם כַּחֲצִי גְרִיס, רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, תֵּרָאֶה בַתְּחִלָּה. וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין:
Mishná 9Um pouco mais que meio grão
Segunda e terceira variações do caso anterior: o que muda quando o alastramento ultrapassa, ainda que minimamente, a exata compensação da retração

Uma mancha do tamanho de um grão que alastrou meio grão e um pouco mais, e da mancha original se foi meio grão: Rabi Akiva certifica impura, e os sábios declaram pura. Uma mancha do tamanho de um grão que alastrou um grão e um pouco mais, e a mancha original se foi por completo: Rabi Akiva certifica impura, e os sábios dizem: deve ser vista como no início.

A mishná retoma o cenário da anterior, mas com uma diferença crucial: agora o alastramento é “meio grão e um pouco mais” — ultrapassando, ainda que por muito pouco, a medida exata da retração da mancha original. Esse excedente mínimo já basta para que Rabi Akiva certifique impura sem qualquer exame adicional, pois para ele há aqui um acréscimo real ao total, por menor que seja; os sábios, no entanto, ainda declaram pura, pois consideram que só é impureza definitiva quando o total ultrapassa a medida de uma mancha inteira nova. A segunda cláusula eleva a aposta: a mancha original desaparece por completo, e o alastramento chega a um grão inteiro e um pouco mais — ou seja, tudo o que resta é, na prática, uma mancha nova e completa, maior até que a exigida. Aqui os sábios já não declaram pura, mas exigem um exame como se fosse a primeira vez, tratando o que sobrou como uma praga nova e independente; Rabi Akiva mantém sua posição de certificar impura diretamente, sem essa etapa intermediária.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּפָשְׂתָה כַחֲצִי גְרִיס וָעוֹד, וְהָלַךְ מִן הָאוֹם כַּחֲצִי גְרִיס, רַבִּי עֲקִיבָא מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין. בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּפָשְׂתָה כַגְּרִיס וָעוֹד, וְהָלְכָה לָהּ הָאוֹם, רַבִּי עֲקִיבָא מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, תֵּרָאֶה בַתְּחִלָּה:
Mishná 10Quando a mancha original desaparece
Combina o alastramento total com o surgimento de um novo sinal secundário, e depois passa a uma série de casos sobre manchas de meio grão que precisam se somar para completar a medida mínima

Uma mancha do tamanho de um grão que alastrou um grão, e nasceu no alastramento carne viva ou pelo branco, e a mancha original se foi: Rabi Akiva certifica impura, e os sábios dizem: deve ser vista como no início. Uma mancha do tamanho de meio grão sem nada nela, e nasceu uma mancha do tamanho de meio grão com uma fiação de pelo: esta deve ser enclausurada. Uma mancha do tamanho de meio grão com uma fiação de pelo, e nasceu uma mancha do tamanho de meio grão com uma fiação de pelo: esta deve ser enclausurada. Uma mancha do tamanho de meio grão com duas fiações de pelo, e nasceu uma mancha do tamanho de meio grão com uma fiação de pelo: esta deve ser enclausurada.

A primeira cláusula fecha a sequência iniciada em 4:8: agora o alastramento chega a um grão inteiro — igualando a medida original —, e, além disso, dentro desse próprio alastramento nasce carne viva ou pelo branco, enquanto a mancha original desaparece por completo. Rabi Akiva certifica impura de imediato, apoiado no sinal secundário que já apareceu; os sábios, fiéis à sua linha, ainda exigem um exame como se fosse a primeira vez, pois tudo o que resta é, tecnicamente, uma praga nova. A partir daqui, a mishná muda de eixo e passa a tratar de manchas que, sozinhas, não chegam à medida mínima de um grão — apenas meio grão —, mas têm nelas fiações de pelo isoladas, insuficientes por si só (pois exige-se no mínimo duas fiações, como se viu em 4:1 e 4:4). Em três variações sucessivas, duas manchas de meio grão nascem uma depois da outra, cada uma com uma ou duas fiações de pelo insuficientes por conta própria: em todos esses casos, a mancha combinada — agora do tamanho de um grão — precisa ser enclausurada, à espera do exame de uma semana, porque não há ainda nem a medida plena de uma mancha antiga com pelo válido desde o princípio, nem a certeza de que as fiações contam como sinal completo.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּפָשְׂתָה כַגְּרִיס, נוֹלְדָה לַפִּסְיוֹן מִחְיָה אוֹ שֵׂעָר לָבָן, וְהָלַךְ לָהּ הָאוֹם, רַבִּי עֲקִיבָא מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, תֵּרָאֶה בַתְּחִלָּה. בַּהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וְאֵין בָּהּ כְּלוּם, נוֹלְדָה בַהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וּבָהּ שַׂעֲרָה אַחַת, הֲרֵי זוֹ לְהַסְגִּיר. בַּהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וּבָהּ שַׂעֲרָה אַחַת, נוֹלְדָה בַהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וּבָהּ שַׂעֲרָה אַחַת, הֲרֵי זוֹ לְהַסְגִּיר. בַּהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וּבָהּ שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת, נוֹלְדָה בַהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וּבָהּ שַׂעֲרָה אַחַת, הֲרֵי זוֹ לְהַסְגִּיר:
Mishná 11O que veio primeiro
Encerra o Perek Dálet com o princípio-chave que rege toda a casuística do capítulo: a ordem em que mancha e pelo branco surgiram decide tudo — e, na dúvida, prevalece a impureza

Uma mancha do tamanho de meio grão sem nada nela, e nasceu uma mancha do tamanho de meio grão com duas fiações de pelo: esta deve ser certificada impura definitivamente. Porque disseram: se a mancha precedeu o pelo branco, é impuro; e se o pelo branco precedeu a mancha, é puro; e se há dúvida, é impuro. E Rabi Yehoshua embotou-se.

A mishná final retoma a série de casos de meio grão da mishná anterior, mas agora com uma diferença decisiva: as duas fiações de pelo já nascem completas junto com a segunda mancha de meio grão, de modo que, somadas as duas metades, há uma mancha inteira do tamanho de um grão com duas fiações de pelo válidas desde o início — certificando-se impura definitivamente, sem necessidade de enclausuramento. A mishná então enuncia, em forma de máxima, o princípio que organizou implicitamente todo este capítulo: a impureza pelo sinal do pelo branco depende inteiramente da sequência temporal — só a mancha (baheret) tem o poder de tornar um pelo em sinal válido de impureza, de modo que, se a mancha já existia quando o pelo embranqueceu, há impureza; mas, se o pelo já era branco antes de a mancha surgir, o pelo não foi convertido por ela, e a pessoa é pura. Em caso de dúvida sobre qual veio primeiro, a mishná resolve pelo rigor: é impuro. Fecha-se o perek com a enigmática reação de Rabi Yehoshua, cujos dentes se “embotaram” — ficaram sem resposta — diante dessa mesma regra da dúvida, sinalizando uma dificuldade que a tradição registrou sem resolvê-la neste lugar.

בַּהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וְאֵין בָּהּ כְּלוּם, נוֹלְדָה בַהֶרֶת כַּחֲצִי גְרִיס וּבָהּ שְׁתֵּי שְׂעָרוֹת, הֲרֵי זוֹ לְהַחְלִיט, מִפְּנֵי שֶׁאָמְרוּ, אִם בַּהֶרֶת קָדְמָה לְשֵׂעָר לָבָן, טָמֵא. וְאִם שֵׂעָר לָבָן קָדַם לְבַהֶרֶת, טָהוֹר. וְאִם סָפֵק, טָמֵא. וְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ קִהָה: