Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Toda pessoa é passível de impureza pelas pragas, exceto os gentios e o converso residente. Toda pessoa é apta para examinar as pragas, mas a declaração de impuro e de puro está nas mãos do sacerdote. Dizem-lhe: diga “impuro”, e ele diz “impuro”; diga “puro”, e ele diz “puro”. Não se examinam duas pragas como uma só, seja em um único homem, seja em dois homens; mas examina uma, e a enclausura, ou a certifica impura, ou a declara pura, e volta à segunda. Não se enclausura o já enclausurado, nem se certifica impuro o já certificado impuro. Não se enclausura o já certificado impuro, nem se certifica impuro o já enclausurado. Mas no início, ou ao fim de uma semana, quem enclausura enclausura, e quem certifica certifica; enclausura e declara puro, certifica e declara puro.
Encerrado o Perek Bet com a mecânica do exame — luz, postura, tom de pele —, o Perek Guimel abre delimitando o próprio campo de aplicação da lei: quem, entre os seres humanos, é passível de contrair impureza por tzaraat. Gentios estão fora do sistema porque a Torá dirige a lei a “um homem” entendido no contexto da aliança, e o converso residente — que aceitou as sete leis noaícas mas não se converteu plenamente — permanece igualmente fora. Em seguida, a mishná separa dois papéis que facilmente se confundem: qualquer pessoa com conhecimento técnico pode examinar visualmente uma praga e determinar, segundo os sinais, o que ela é; mas somente o sacerdote tem autoridade para pronunciar a palavra que produz o efeito jurídico — a declaração formal de impuro ou puro, que só ele pode proferir, ainda que apenas repita o que um sábio leigo lhe dita. A mishná fecha com uma regra processual: o sacerdote nunca examina duas pragas ao mesmo tempo, pois o exame simultâneo comprometeria a precisão do julgamento; e uma vez que uma praga já foi enclausurada ou certificada impura, ela não pode ser reclassificada dentro do mesmo período de observação — exceto nos pontos de virada fixados pela lei: o início do exame e o fim de cada semana de clausura.
Ao noivo em quem se manifestou uma praga, concedem-se os sete dias do banquete nupcial — a ele, à sua casa e à sua vestimenta. E do mesmo modo na festividade (regel), concedem-se-lhe todos os dias da festividade.
Depois de fixar, na mishná anterior, quem é passível de impureza e quem detém autoridade para julgá-la, a mishná volta-se a uma exceção temporal: certos momentos de alegria coletiva ou pessoal suspendem, por decreto da própria Torá, a obrigação de submeter-se ao exame da praga. O noivo recebe os sete dias inteiros do banquete nupcial — período que, segundo a leitura tanaítica do versículo, distingue entre “o dia em que é vista” e o simples ato de ser vista, ensinando que há dias em que a praga é examinada e dias em que não o é. A graça se estende não apenas à sua própria pele, mas também à sua casa — caso nela apareça a tzaraat das paredes — e à sua vestimenta. O mesmo vale, de modo paralelo, para qualquer pessoa durante os dias de uma festividade de peregrinação (regel): a alegria do momento tem precedência sobre o rigor imediato do exame, que fica adiado até o fim do período.
A pele da carne torna-se impura em duas semanas e por três sinais: pelo em branco, pela carne viva e pelo alastramento. Pelo em branco e carne viva — no início, e ao fim da primeira semana, e ao fim da segunda semana, depois da isenção. E pelo alastramento — ao fim da primeira semana, e ao fim da segunda semana, depois da isenção. E torna-se impura em duas semanas, que são treze dias.
Depois de duas mishnayot dedicadas a quem é sujeito à lei e a quando ela é suspensa, o Perek Guimel passa a uma sequência estruturalmente idêntica de seis mishnayot, cada qual dedicada a uma das categorias de tzaraat definidas pela Torá — pele da carne, furúnculo e queimadura, tinha, calvície, vestimentas e casas — especificando para cada uma o número de semanas de clausura, os sinais que certificam a impureza, e os momentos exatos em que cada sinal produz efeito. A pele da carne, a categoria mais ampla e a primeira tratada no Perek Alef, tem até duas semanas de observação e três sinais possíveis: o pelo branco e a carne viva, que certificam impuro já no primeiro exame, e o alastramento, que só certifica impuro ao fim de uma semana de observação — nunca no exame inicial, pois alastrar pressupõe comparação com um estado anterior. Os treze dias resultam de o sétimo dia da primeira semana contar simultaneamente como fim da primeira e início da segunda.
O furúnculo e a queimadura tornam-se impuros em uma semana e por dois sinais: pelo em branco e pelo alastramento. Pelo em branco — no início, ao fim da semana, depois da isenção. E pelo alastramento — ao fim da semana, depois da isenção. E tornam-se impuros em uma semana, que é sete dias.
O furúnculo (shechin) e a queimadura (michvá) — lesões que já existiam na pele antes de nelas surgir a tzaraat — recebem um regime mais breve que o da pele da carne saudável: apenas uma semana de clausura, em vez de duas, e apenas dois sinais possíveis, sem a carne viva. A ausência da carne viva como sinal decorre do próprio texto bíblico, que não a menciona a respeito dessas duas categorias; e a ausência da segunda semana decorre de a Torá prescrever, para o furúnculo e a queimadura, um único enclausuramento de sete dias, ao fim do qual o sacerdote certifica impuro, ou declara puro definitivamente — sem o segundo período de observação que caracteriza a pele da carne comum.
As tinhas tornam-se impuras em duas semanas, por dois sinais: pelo amarelo fino e pelo alastramento. Pelo amarelo fino — no início, ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, depois da isenção. E pelo alastramento — ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, depois da isenção. E tornam-se impuras em duas semanas, que são treze dias.
As tinhas (netakim) — pragas que afetam especificamente a cabeça e a barba, áreas naturalmente cobertas de pelo — retomam o regime de duas semanas de clausura visto na pele da carne, mas substituem o sinal do pelo branco por um sinal próprio dessas regiões: o pelo amarelo fino, semelhante ao ouro, que cresce no lugar do pelo natural quando a tinha se instala. Assim como na pele da carne, o pelo amarelo pode certificar impuro já no exame inicial, enquanto o alastramento exige ao menos uma semana de comparação antes de produzir efeito. A carne viva, sinal típico da pele da carne, está ausente aqui, pois a categoria da tinha segue sua própria lógica de sinais, distinta em espécie ainda que idêntica em estrutura temporal.
A calvície posterior e a calvície frontal tornam-se impuras em duas semanas, por dois sinais: pela carne viva e pelo alastramento. Pela carne viva — no início, ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, depois da isenção. E pelo alastramento — ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, e depois da isenção. E tornam-se impuras em duas semanas, que são treze dias.
A calvície posterior (kar’achat) e a calvície frontal (gabachat) — áreas da cabeça já naturalmente carecas, e por isso tratadas separadamente da tinha — mantêm o regime de duas semanas, mas seus sinais certificadores diferem dos vistos até aqui: em vez do pelo branco, que não pode crescer onde não há pelo algum, a Torá estabelece a carne viva como sinal equivalente, comparando explicitamente essa categoria à tzaraat da pele da carne. O alastramento permanece o sinal comum a todas as categorias, sempre exigindo ao menos uma semana de observação antes de produzir efeito jurídico.
As vestimentas tornam-se impuras em duas semanas e por três sinais: pelo esverdeado, pelo avermelhado e pelo alastramento. Pelo esverdeado e pelo avermelhado — no início, ao fim da primeira semana, e ao fim da segunda semana, depois da isenção. E pelo alastramento — ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, depois da isenção. E tornam-se impuras em duas semanas, que são treze dias.
Com esta mishná, a série desloca-se pela primeira vez do corpo humano para um objeto: a tzaraat das vestimentas de lã ou linho, cujos sinais de impureza não são mais tons de branco, mas cores — esverdeado e avermelhado — que substituem funcionalmente o pelo branco e a carne viva vistos nas categorias anteriores. A estrutura temporal permanece idêntica à da pele da carne: duas semanas, treze dias, com o esverdeado e o avermelhado certificando impuro já no início, e o alastramento exigindo ao menos uma semana de comparação. Mas a razão pela qual esses tons recebem o nome de “sinal de impureza” nas vestimentas — diferentemente das quatro aparências da pele, que nunca certificam sozinhas sem pelo branco, carne viva ou alastramento — está em que, permanecendo o esverdeado ou o avermelhado por duas semanas inteiras sem qualquer alteração, a própria vestimenta já é queimada por decreto bíblico, como se explica nas Halachot abaixo.
As casas tornam-se impuras em três semanas e por três sinais: pelo esverdeado, pelo avermelhado e pelo alastramento. Pelo esverdeado e pelo avermelhado — no início, ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, ao fim da terceira semana, depois da isenção. E pelo alastramento — ao fim da primeira semana, ao fim da segunda semana, ao fim da terceira semana, depois da isenção. E tornam-se impuras em três semanas, que são dezenove dias. Não há, entre as pragas, menos de uma semana, nem mais de três semanas.
A última e mais extensa categoria da série encerra o Perek Guimel: a tzaraat das casas, cujos sinais — esverdeado e avermelhado, como nas vestimentas — são os mesmos, mas cujo regime temporal se estende a três semanas inteiras, dezenove dias, o período mais longo entre todas as categorias tratadas neste capítulo. A mishná fecha com uma frase que funciona como moldura de toda a sequência iniciada na terceira mishná: entre as seis categorias de tzaraat — pele da carne, furúnculo e queimadura, tinha, calvície, vestimentas e casas — o período mínimo de observação é uma única semana (furúnculo e queimadura) e o máximo é três semanas (casas); nenhuma praga bíblica, em nenhuma categoria, foge a esse intervalo. Com este fechamento estrutural, o Perek Guimel completa o mapeamento temporal de toda a lei da tzaraat, preparando o terreno para os perakim seguintes, que voltarão a cada categoria em maior detalhe.