Talmud Bavli · Massechet Maasrot · Perek Dalet
פֶּרֶק רְבִיעִי

Mishná de Maasrot, quarto perek — adaptada à trilha Bavli

6 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Maasrot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"Quem curte, cozinha ou salga"
Abre-se o Perek Dalet com a lista dos processos que fixam a obrigação do dízimo por completarem o preparo do alimento — curtir, escaldar e salgar — em contraste com os que não a fixam, pois ainda deixam o alimento em estado bruto ou provisório: esconder na terra, mergulhar no campo, ou extrair líquido de azeitona apenas para uso externo

Quem curte (verduras ou azeitonas em vinagre ou vinho), quem escalda (cozinha sem temperos), quem salga, é obrigado (ao dízimo, pois esses três processos completam o preparo do alimento e o fixam à obrigação, mesmo que feitos ainda no campo). Quem esconde na terra (para que o fruto amoleça e amadureça), está isento. Quem mergulha (o fruto em sal ou salmoura, apenas para comê-lo ali mesmo) no campo, está isento. Quem fende azeitonas para que saia delas o líquido (o suco amargo, sem intenção de extrair o azeite), está isento. Quem espreme azeitonas sobre sua pele (para untar o corpo), está isento. Mas se espremeu e recolheu na própria mão (o azeite que escorreu), é obrigado. Quem faz coalhar (vinho fervido, retirando a espuma) para um guisado, está isento. Mas para uma panela (vazia), é obrigado, porque isso é como um pequeno poço (equivale ao lagar onde se recolhe o vinho, e por isso fixa a obrigação).

הַכּוֹבֵשׁ, הַשּׁוֹלֵק, הַמּוֹלֵחַ, חַיָּב. הַמְכַמֵּן בָּאֲדָמָה, פָּטוּר. הַמְטַבֵּל בַּשָּׂדֶה, פָּטוּר. הַפּוֹצֵעַ זֵיתִים שֶׁיֵּצֵא מֵהֶם הַשְּׂרָף, פָּטוּר. הַסּוֹחֵט זֵיתִים עַל בְּשָׂרוֹ, פָּטוּר. אִם סָחַט וְנָתַן לְתוֹךְ יָדוֹ, חַיָּב. הַמְקַפֵּא לְתַבְשִׁיל, פָּטוּר. לִקְדֵרָה, חַיָּב, מִפְּנֵי שֶׁהוּא כְבוֹר קָטָן:
Mishná 2"Crianças que esconderam figos para o Shabat"
O início do Shabat é, ele próprio, um dos seis fatores clássicos de fixação (kevi'á): basta que o alimento tenha sido designado para o Shabat, ou que o Shabat chegue enquanto o preparo já está concluído, para que a obrigação do dízimo se fixe — mesmo que ninguém tenha chegado, de fato, a comer dele

Crianças que esconderam figos para o Shabat (separando-os com a intenção de comê-los no dia santo), e esqueceram de dizimá-los, não os comerão na saída do Shabat até que sejam dizimados (pois o próprio Shabat, ao chegar sobre um alimento já designado e pronto, fixa a obrigação, e essa fixação permanece válida mesmo depois que o Shabat termina). Quanto à cesta do Shabat (uma cesta cheia de frutas reservada especificamente para o dia), a Casa de Shamai isenta (do dízimo, antes que o Shabat efetivamente chegue), e a Casa de Hillel obriga (desde o momento em que a cesta é designada para o Shabat, mesmo antes de o dia chegar). Rabi Yehudá diz: também quem colhe a cesta para enviá-la a seu companheiro (como presente), não comerá dela até que seja dizimada (pois a designação para envio já fixa a obrigação, do mesmo modo que a designação para o Shabat).

תִּינוֹקוֹת שֶׁטָּמְנוּ תְאֵנִים לְשַׁבָּת, וְשָׁכְחוּ לְעַשְּׂרָן, לֹא יֹאכְלוּ לְמוֹצָאֵי שַׁבָּת עַד שֶׁיְּעַשְּׂרוּ. כַּלְכָּלַת שַׁבָּת, בֵּית שַׁמַּאי פּוֹטְרִין וּבֵית הִלֵּל מְחַיְּבִין. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אַף הַלּוֹקֵט אֶת הַכַּלְכָּלָה לִשְׁלֹחַ לַחֲבֵרוֹ, לֹא יֹאכַל עַד שֶׁיִּתְעַשֵּׂר:
Mishná 3"Quem tira azeitonas do maatan"
A mishná retoma o tema do sal como fator de fixação, agora aplicado ao maatan — o tanque onde as azeitonas colhidas são amontoadas para amolecer antes da prensagem — e acrescenta a opinião de Rabi Eliezer, que introduz um critério adicional: a possibilidade concreta de devolver o excedente não consumido

Quem tira azeitonas do maatan (o tanque onde se amontoam as azeitonas para amolecer antes de serem prensadas), mergulha uma a uma em sal e come (está isento, pois esse é apenas um modo de comer de passagem). Mas se salgou e pôs diante de si (preparando uma porção salgada para comer de uma vez), é obrigado. Rabi Eliezer diz: do maatan puro (ritualmente, cujas azeitonas não estão em estado de impureza), é obrigado; e do impuro, está isento, porque ele devolve o excedente (uma vez que tanto ele quanto as azeitonas já estão impuros, não há problema em devolver ao tanque o que sobrou de sua mão, o que mantém o caráter provisório do consumo; mas no tanque puro, uma vez que sua mão as tocou, não pode devolvê-las sem torná-las impuras, e por isso o consumo se torna definitivo).

הַנּוֹטֵל זֵיתִים מִן הַמַּעֲטָן, טוֹבֵל אֶחָד אֶחָד בְּמֶלַח וְאוֹכֵל. אִם מָלַח וְנָתַן לְפָנָיו, חַיָּב. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, מִן הַמַּעֲטָן הַטָּהוֹר חַיָּב, וּמִן הַטָּמֵא פָּטוּר, מִפְּנֵי שֶׁהוּא מַחֲזִיר אֶת הַמּוֹתָר:
Mishná 4"Bebem sobre o lagar"
A mishná trata do vinho ainda no lagar (a prensa de uvas), aplicando-lhe o mesmo raciocínio do fogo como fator de fixação: misturar o vinho com água quente é equiparado, por alguns sábios, a uma espécie de "cozimento" que completa o preparo, ao passo que misturá-lo com água fria mantém seu caráter provisório

Bebem sobre o lagar (vinho ainda dentro do próprio lagar, misturado com água), seja com água quente, seja com fria, isentos — palavras de Rabi Meir. Rabi Elazar, filho de Rabi Tzadok, obriga (em ambos os casos). E os sábios dizem: com água quente, é obrigado, e com fria, está isento (pois a água quente, ao entrar em contato com o vinho, produz um efeito semelhante ao do cozimento, que fixa a obrigação; a água fria, não).

שׁוֹתִים עַל הַגַּת, בֵּין עַל הַחַמִּין בֵּין עַל הַצּוֹנֵן פָּטוּר, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. רַבִּי אֶלְעָזָר בְּרַבִּי צָדוֹק מְחַיֵּב. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, עַל הַחַמִּין חַיָּב, וְעַל הַצּוֹנֵן פָּטוּר:
Mishná 5"Quem descasca cevada"
A mishná passa do vinho e do azeite aos grãos e às hortaliças de sementeira, aplicando o mesmo princípio de que comer grão a grão, sem juntar porção, permanece isento; e introduz um novo critério, específico das hortaliças cultivadas tanto para semente quanto para verdura — a intenção do plantio determina o que se dizima

Quem descasca cevada (retirando a casca de cada grão), descasca um a um e come (isento). Mas se descascou e pôs na própria mão (reunindo uma porção), é obrigado. Quem esfrega espigas de trigo (assando-as ao fogo e amassando-as na mão para separar o grão da palha), sopra de mão em mão e come (isento). Mas se peneirou e pôs no colo (reunindo uma porção), é obrigado. O coentro que foi semeado para semente, sua verdura está isenta (pois a intenção do plantio era colher apenas a semente, e a verdura que cresce junto é secundária). Se foi semeado para verdura, dizima-se semente e verdura (ambas, pois ambas eram objeto da intenção do plantio). Rabi Eliezer diz: o endro dizima-se semente, verdura e vagens (mesmo sem menção explícita da intenção — pois o endro produz vagens longas de uso corrente). Mas os sábios dizem: não se dizima semente e verdura senão o agrião e a eruca (somente estas duas plantas, entre todas as hortaliças de sementeira, dizimam-se em ambas as partes mesmo sem indicação explícita da intenção).

הַמְקַלֵּף שְׂעוֹרִים, מְקַלֵּף אַחַת אַחַת וְאוֹכֵל. וְאִם קִלֵּף וְנָתַן לְתוֹךְ יָדוֹ, חַיָּב. הַמּוֹלֵל מְלִילוֹת שֶׁל חִטִּים, מְנַפֶּה מִיָּד לְיָד וְאוֹכֵל. וְאִם נִפָּה וְנָתַן לְתוֹךְ חֵיקוֹ, חַיָּב. כֻּסְבָּר שֶׁזְּרָעָהּ לְזֶרַע, יַרְקָהּ פָּטוּר. זְרָעָהּ לְיָרָק, מִתְעַשֶּׂרֶת זֶרַע וְיָרָק. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, הַשֶּׁבֶת מִתְעַשֶּׂרֶת זֶרַע וְיָרָק וְזֵירִין. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אֵינוֹ מִתְעַשֵּׂר זֶרַע וְיָרָק אֶלָּא הַשַּׁחֲלַיִם וְהַגַּרְגִּיר בִּלְבָד:
Mishná 6"Os brotos de trevo, mostarda e fava branca"
Encerra-se o Perek Dalet com o caso das plantas cujos brotos, flores e frutos apresentam identidade ambígua — se são "fruto" pleno, sujeito ao dízimo, ou apenas parte acessória da planta, isenta — culminando na alcaparreira, cujas quatro partes distintas geram três opiniões diferentes sobre quais delas contam como fruto

Rabán Shimon ben Gamliel diz: os brotos de trevo, de mostarda e de fava branca são obrigados ao dízimo (pois, embora sejam apenas o broto inicial da planta e não o fruto final, costumam ser comidos como tal, e por isso se consideram fruto para efeitos do dízimo). Rabi Eliezer diz: a alcaparreira dizima-se (em três partes): brotos, frutos e casca (pois todas essas partes são comumente aproveitadas como alimento). Rabi Akiva diz: não se dizima senão o fruto (avionot, a parte central e madura da alcaparra), porque somente ele é considerado fruto (as demais partes — o broto e a casca — não têm o estatuto pleno de fruto, apesar de comestíveis, e por isso ficam isentas).

רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר, תְּמָרוֹת שֶׁל תִּלְתָּן וְשֶׁל חַרְדָּל וְשֶׁל פּוֹל הַלָּבָן, חַיָּבוֹת בַּמַּעֲשֵׂר. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, הַצָּלָף מִתְעַשֵּׂר תְּמָרוֹת וַאֲבִיּוֹנוֹת וְקַפְרָס. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, אֵין מִתְעַשֵּׂר אֶלָּא אֲבִיּוֹנוֹת, מִפְּנֵי שֶׁהֵן פֶּרִי: