Massechet Maasrot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Quem curte (verduras ou azeitonas em vinagre ou vinho), quem escalda (cozinha sem temperos), quem salga, é obrigado (ao dízimo, pois esses três processos completam o preparo do alimento e o fixam à obrigação, mesmo que feitos ainda no campo). Quem esconde na terra (para que o fruto amoleça e amadureça), está isento. Quem mergulha (o fruto em sal ou salmoura, apenas para comê-lo ali mesmo) no campo, está isento. Quem fende azeitonas para que saia delas o líquido (o suco amargo, sem intenção de extrair o azeite), está isento. Quem espreme azeitonas sobre sua pele (para untar o corpo), está isento. Mas se espremeu e recolheu na própria mão (o azeite que escorreu), é obrigado. Quem faz coalhar (vinho fervido, retirando a espuma) para um guisado, está isento. Mas para uma panela (vazia), é obrigado, porque isso é como um pequeno poço (equivale ao lagar onde se recolhe o vinho, e por isso fixa a obrigação).
Crianças que esconderam figos para o Shabat (separando-os com a intenção de comê-los no dia santo), e esqueceram de dizimá-los, não os comerão na saída do Shabat até que sejam dizimados (pois o próprio Shabat, ao chegar sobre um alimento já designado e pronto, fixa a obrigação, e essa fixação permanece válida mesmo depois que o Shabat termina). Quanto à cesta do Shabat (uma cesta cheia de frutas reservada especificamente para o dia), a Casa de Shamai isenta (do dízimo, antes que o Shabat efetivamente chegue), e a Casa de Hillel obriga (desde o momento em que a cesta é designada para o Shabat, mesmo antes de o dia chegar). Rabi Yehudá diz: também quem colhe a cesta para enviá-la a seu companheiro (como presente), não comerá dela até que seja dizimada (pois a designação para envio já fixa a obrigação, do mesmo modo que a designação para o Shabat).
Quem tira azeitonas do maatan (o tanque onde se amontoam as azeitonas para amolecer antes de serem prensadas), mergulha uma a uma em sal e come (está isento, pois esse é apenas um modo de comer de passagem). Mas se salgou e pôs diante de si (preparando uma porção salgada para comer de uma vez), é obrigado. Rabi Eliezer diz: do maatan puro (ritualmente, cujas azeitonas não estão em estado de impureza), é obrigado; e do impuro, está isento, porque ele devolve o excedente (uma vez que tanto ele quanto as azeitonas já estão impuros, não há problema em devolver ao tanque o que sobrou de sua mão, o que mantém o caráter provisório do consumo; mas no tanque puro, uma vez que sua mão as tocou, não pode devolvê-las sem torná-las impuras, e por isso o consumo se torna definitivo).
Bebem sobre o lagar (vinho ainda dentro do próprio lagar, misturado com água), seja com água quente, seja com fria, isentos — palavras de Rabi Meir. Rabi Elazar, filho de Rabi Tzadok, obriga (em ambos os casos). E os sábios dizem: com água quente, é obrigado, e com fria, está isento (pois a água quente, ao entrar em contato com o vinho, produz um efeito semelhante ao do cozimento, que fixa a obrigação; a água fria, não).
Quem descasca cevada (retirando a casca de cada grão), descasca um a um e come (isento). Mas se descascou e pôs na própria mão (reunindo uma porção), é obrigado. Quem esfrega espigas de trigo (assando-as ao fogo e amassando-as na mão para separar o grão da palha), sopra de mão em mão e come (isento). Mas se peneirou e pôs no colo (reunindo uma porção), é obrigado. O coentro que foi semeado para semente, sua verdura está isenta (pois a intenção do plantio era colher apenas a semente, e a verdura que cresce junto é secundária). Se foi semeado para verdura, dizima-se semente e verdura (ambas, pois ambas eram objeto da intenção do plantio). Rabi Eliezer diz: o endro dizima-se semente, verdura e vagens (mesmo sem menção explícita da intenção — pois o endro produz vagens longas de uso corrente). Mas os sábios dizem: não se dizima semente e verdura senão o agrião e a eruca (somente estas duas plantas, entre todas as hortaliças de sementeira, dizimam-se em ambas as partes mesmo sem indicação explícita da intenção).
Rabán Shimon ben Gamliel diz: os brotos de trevo, de mostarda e de fava branca são obrigados ao dízimo (pois, embora sejam apenas o broto inicial da planta e não o fruto final, costumam ser comidos como tal, e por isso se consideram fruto para efeitos do dízimo). Rabi Eliezer diz: a alcaparreira dizima-se (em três partes): brotos, frutos e casca (pois todas essas partes são comumente aproveitadas como alimento). Rabi Akiva diz: não se dizima senão o fruto (avionot, a parte central e madura da alcaparra), porque somente ele é considerado fruto (as demais partes — o broto e a casca — não têm o estatuto pleno de fruto, apesar de comestíveis, e por isso ficam isentas).