Talmud Bavli · Massechet Maaser Sheni · Perek Bet
פֶּרֶק שֵׁנִי

Mishná de Maaser Sheni, segundo perek — adaptada à trilha Bavli

10 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Maaser Sheni não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"O segundo dízimo é dado para comer, beber e untar"
Abre-se o segundo perek com os três usos permitidos do segundo dízimo — comer, beber e untar — restritos ao modo habitual de cada produto; proíbe-se aromatizar o azeite do dízimo, mas permite-se aromatizar o vinho; e estabelece-se a regra do hishbach: quando o produto do dízimo se mistura com outro e ganha valor, esse ganho de valor se reparte proporcionalmente ou pertence inteiramente ao dízimo, conforme seja ou não perceptível

O segundo dízimo é dado para comer, para beber e para untar (estes são os três usos permitidos, e nenhum outro): para comer aquilo que costuma ser comido, para untar aquilo que costuma ser untado (ou seja, cada produto só pode ser usado conforme seu uso natural e comum). Não deve untar-se com vinho e vinagre, mas unta-se com o azeite (pois só o azeite é habitualmente usado para untar o corpo). Não se aromatiza o azeite do segundo dízimo (misturando-lhe especiarias, o que desperdiçaria parte do azeite), e não se compra com o dinheiro do segundo dízimo azeite aromatizado (pois é um produto de luxo, e não um bem acessível a todos), mas aromatiza-se o vinho (pois o vinho aromatizado não perde substância no processo, apenas ganha sabor). Se caiu nele mel e especiarias e ele aumentou de valor, o aumento se divide proporcionalmente (entre o valor original do dízimo e o valor do que foi acrescentado). Peixes que foram cozidos com alho-poró do segundo dízimo e aumentaram de valor, o aumento se divide proporcionalmente (pelo mesmo princípio). Massa do segundo dízimo que foi assada e aumentou de valor, o aumento pertence ao segundo dízimo (por inteiro, sem divisão). Esta é a regra: tudo cujo aumento é perceptível, o aumento se divide proporcionalmente; e tudo cujo aumento não é perceptível, o aumento pertence ao segundo dízimo (por inteiro).

מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, נִתָּן לַאֲכִילָה וְלִשְׁתִיָּה וּלְסִיכָה, לֶאֱכֹל דָּבָר שֶׁדַּרְכּוֹ לֶאֱכֹל, לָסוּךְ דָּבָר שֶׁדַּרְכּוֹ לָסוּךְ. לֹא יָסוּךְ יַיִן וְחֹמֶץ, אֲבָל סָךְ הוּא אֶת הַשֶּׁמֶן. אֵין מְפַטְּמִין שֶׁמֶן שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, וְאֵין לוֹקְחִין בִּדְמֵי מַעֲשֵׂר שֵׁנִי שֶׁמֶן מְפֻטָּם, אֲבָל מְפַטֵּם הוּא אֶת הַיַּיִן. נָפַל לְתוֹכוֹ דְבַשׁ וּתְבָלִין וְהִשְׁבִּיחוֹ, הַשֶּׁבַח לְפִי חֶשְׁבּוֹן. דָּגִים שֶׁנִּתְבַּשְּׁלוּ עִם הַקַּפְלוֹטוֹת שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי וְהִשְׁבִּיחוּ, הַשֶּׁבַח לְפִי חֶשְׁבּוֹן. עִסָּה שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי שֶׁאֲפָאָהּ וְהִשְׁבִּיחַ, הַשֶּׁבַח לַשֵּׁנִי. זֶה הַכְּלָל, כָּל שֶׁשִּׁבְחוֹ נִכָּר, הַשֶּׁבַח לְפִי הַחֶשְׁבּוֹן. וְכָל שֶׁאֵין שִׁבְחוֹ נִכָּר, הַשֶּׁבַח לַשֵּׁנִי:
Mishná 2"Rabi Shimon diz: não se unta com azeite do segundo dízimo em Jerusalém"
Rabi Shimon restringe o uso da untura em Jerusalém, receando que alguém lucre com o dinheiro do dízimo ao cobrar pela untura; os sábios discordam. Rabi Shimon defende sua posição com um argumento a fortiori: se mesmo na teruma — mais rigorosa — os sábios foram rigorosos quanto ao karshin e ao tiltan, não deveriam ser mais leves no segundo dízimo — mais leve — justamente onde eles próprios não foram rigorosos com esses mesmos produtos

Rabi Shimon diz: não se unta com azeite do segundo dízimo em Jerusalém (pois isso equivaleria a lucrar com o dinheiro sagrado, já que a mão de quem unta se beneficia do próprio ato). Mas os sábios permitem (por não considerarem esse benefício residual como um lucro proibido). Disseram a Rabi Shimon: se foram leves quanto à teruma, mais rigorosa, não seremos leves quanto ao segundo dízimo, mais leve? (a lógica normal seria: se algo é permitido no que é mais estrito, com mais razão deveria ser permitido no que é mais brando). Disse-lhes: não é assim — se foram leves quanto à teruma, mais rigorosa, no ponto em que foram leves quanto ao karshin e ao tiltan, seremos leves quanto ao segundo dízimo, mais leve, no ponto em que não foram leves quanto ao karshin e ao tiltan? (Rabi Shimon inverte o argumento: já que os próprios sábios trataram o karshin e o tiltan de forma mais rigorosa no segundo dízimo do que na teruma, não faz sentido ser leve quanto à untura no dízimo, pois essa leveza não seria coerente com o rigor que eles mesmos aplicam em outros pontos).

רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, אֵין סָכִין שֶׁמֶן שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי בִּירוּשָׁלַיִם. וַחֲכָמִים מַתִּירִין. אָמְרוּ לוֹ לְרַבִּי שִׁמְעוֹן, אִם הֵקֵל בִּתְרוּמָה חֲמוּרָה, לֹא נָקֵל בְּמַעֲשֵׂר שֵׁנִי הַקַּל. אָמַר לָהֶם, מַה, לֹא, אִם הֵקֵל בִּתְרוּמָה הַחֲמוּרָה מְקוֹם שֶׁהֵקֵל בְּכַרְשִׁינִים וּבְתִלְתָּן, נָקֵל בְּמַעֲשֵׂר שֵׁנִי הַקַּל מְקוֹם שֶׁלֹּא הֵקֵל בְּכַרְשִׁינִים וּבְתִלְתָּן:
Mishná 3"O tiltan do segundo dízimo se come verde"
A mishná passa a explicar o caso do karshin e do tiltan mencionado por Rabi Shimon: o tiltan (feno-grego) do segundo dízimo só pode ser comido verde, como verdura, enquanto o tiltan da teruma pode ser comido também depois de seco; e há uma controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre em qual etapa do processamento do tiltan da teruma exige-se pureza ritual das mãos

O tiltan do segundo dízimo se come verde (enquanto ainda é uma verdura tenra, e não depois de seco e endurecido). Mas o da teruma — a Casa de Shamai diz: todo o seu processamento se faz em pureza, exceto sua lavagem (ou seja, requer-se lavagem das mãos antes de tocar o tiltan em cada etapa de sua preparação, menos na etapa de esfregar/lavar os grãos); e a Casa de Hilel diz: todo o seu processamento se faz em impureza, exceto seu embebimento (isto é, não se exige pureza ritual em nenhuma etapa, exceto ao embebê-lo em água).

תִּלְתָּן שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, תֵּאָכֵל צִמְחוֹנִים. וְשֶׁל תְּרוּמָה, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, כָּל מַעֲשֶׂיהָ בְּטָהֳרָה, חוּץ מֵחֲפִיפָתָהּ. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, כָּל מַעֲשֶׂיהָ בְטֻמְאָה, חוּץ מִשְּׁרִיָּתָהּ:
Mishná 4"O karshin do segundo dízimo se come verde, e entra e sai de Jerusalém"
Continuando o tema da mishná anterior, agora com o karshin (favas usadas como forragem): como o tiltan, come-se verde; mas, diferentemente da regra geral do segundo dízimo, pode sair de Jerusalém depois de entrar. Se ficar impuro, Rabi Tarfon e os sábios discordam sobre resgatá-lo ou distribuí-lo em massas; e segue-se uma nova controvérsia entre Bet Shamai, Bet Hilel, Shamai e Rabi Akiva sobre o processamento do karshin da teruma

O karshin do segundo dízimo se come verde, e entra e sai de Jerusalém (excepcionalmente, pois a regra geral é que o produto do dízimo que entrou em Jerusalém não pode mais sair de lá). Se ficaram impuros, Rabi Tarfon diz: devem ser distribuídos em massas (misturando pequenas porções, abaixo da medida mínima que transmite impureza, em várias massas de pão do segundo dízimo puro); e os sábios dizem: devem ser resgatados (como qualquer outro produto do segundo dízimo que ficou impuro). E o da teruma — a Casa de Shamai diz: embebem-se e esfregam-se em pureza, mas alimentam-se com eles em impureza (a etapas de embeber e esfregar exigem pureza ritual, mas dá-los de comer ao gado pode ser feito mesmo em impureza). E a Casa de Hilel diz: embebem-se em pureza, mas esfregam-se e alimentam-se com eles em impureza (a Casa de Hilel exige pureza apenas na etapa de embeber, sendo mais permissiva que a Casa de Shamai quanto ao esfregar). Shamai diz: devem ser comidos secos (sem serem embebidos em água, evitando torná-los suscetíveis à impureza). Rabi Akiva diz: todo o seu processamento se faz em impureza (posição ainda mais permissiva — nenhuma etapa exige pureza).

כַּרְשִׁינֵי מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, יֵאָכְלוּ צִמְחוֹנִים, וְנִכְנָסִין לִירוּשָׁלַיִם וְיוֹצְאִין. נִטְמְאוּ, רַבִּי טַרְפוֹן אוֹמֵר, יִתְחַלְּקוּ לְעִסּוֹת, וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, יִפָּדוּ. וְשֶׁל תְּרוּמָה, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, שׁוֹרִין וְשָׁפִין בְּטָהֳרָה, וּמַאֲכִילִין בְּטֻמְאָה. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, שׁוֹרִין בְּטָהֳרָה, וְשָׁפִין וּמַאֲכִילִין בְּטֻמְאָה. שַׁמַּאי אוֹמֵר, יֵאָכְלוּ צָרִיד. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, כָּל מַעֲשֵׂיהֶן בְּטֻמְאָה:
Mishná 5"Moedas comuns e moedas do segundo dízimo que se espalharam"
A partir daqui a mishná passa ao tema do dinheiro do segundo dízimo: o caso de moedas comuns (chulin) e moedas do dízimo que se espalham juntas no chão. Se foram recolhidas uma a uma, tudo o que se recolhe é considerado do dízimo até completar a soma original; se foram misturadas e apanhadas às mãos cheias, a divisão é proporcional ao valor original de cada parte

Moedas comuns e moedas do segundo dízimo que se espalharam (no chão, misturando-se sem que se saiba mais quais eram de cada tipo): o que se recolheu, recolheu-se para o segundo dízimo, até completar (a soma original das moedas do dízimo), e o restante é comum (pois presume-se que, ao recolher uma a uma, o dono designa cada moeda recolhida como pertencente ao dízimo, até atingir a quantia que originalmente possuía como dízimo). Se misturou e apanhou às mãos cheias, a divisão é proporcional (quando não se recolhe uma a uma, mas em punhados que misturam moedas de ambos os tipos, a divisão entre dízimo e comum se faz na mesma proporção em que existiam originalmente). Esta é a regra: o que se recolhe pertence ao segundo dízimo; e o que se mistura, é proporcional (resumo dos dois casos: recolher individualmente favorece o dízimo; misturar e apanhar em conjunto exige cálculo proporcional).

מְעוֹת חֻלִּין וּמְעוֹת מַעֲשֵׂר שֵׁנִי שֶׁנִּתְפַּזְּרוּ, מַה שֶּׁלִּקֵּט, לִקֵּט לְמַעֲשֵׂר שֵׁנִי, עַד שֶׁיַּשְׁלִים, וְהַשְּׁאָר חֻלִּין. אִם בָּלַל וְחָפַן, לְפִי חֶשְׁבּוֹן. זֶה הַכְּלָל, הַמִּתְלַקְּטִים, לְמַעֲשֵׂר שֵׁנִי. וְהַנִּבְלָלִים, לְפִי חֶשְׁבּוֹן:
Mishná 6"Um sela do segundo dízimo e um comum que se misturaram"
Um caso mais complexo do que o anterior: dois selaim indistinguíveis, um do segundo dízimo e um comum, se misturaram. O procedimento é resgatar o valor de um sela sobre moedas de cobre — tornando tudo comum —, e então escolher a melhor das duas moedas de prata originais e resgatar essas moedas de cobre novamente sobre ela, restaurando a santidade do dízimo à moeda escolhida

Um sela do segundo dízimo e um comum que se misturaram (sem que se saiba mais qual dos dois selaim é o do dízimo): traz-se moedas equivalentes a um sela e diz-se: o sela do segundo dízimo, onde quer que esteja, está resgatado sobre este dinheiro (um ato de resgate condicional, que transfere a santidade do dízimo — esteja ela em qual das duas moedas estiver — para as moedas de cobre trazidas), e escolhe-se a melhor das duas (das duas moedas de prata originais, agora ambas presumivelmente comuns após o primeiro resgate), e resgata-se sobre ela (as moedas de cobre usadas no primeiro resgate, devolvendo agora a santidade do dízimo à moeda escolhida), porque disseram: resgata-se prata sobre cobre em caso de necessidade (embora normalmente o dízimo só devesse ser resgatado em moeda de prata, permite-se excepcionalmente resgatá-lo sobre cobre quando não há alternativa), mas não para que assim permaneça, senão que se volta a resgatá-las sobre a prata (o uso do cobre é apenas uma etapa intermediária e temporária; a santidade deve, ao final do procedimento, repousar novamente sobre uma moeda de prata).

סֶלַע שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי וְשֶׁל חֻלִּין שֶׁנִּתְעָרְבוּ, מֵבִיא בְסֶלַע מָעוֹת וְאוֹמֵר, סֶלַע שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, בְּכָל מָקוֹם שֶׁהִיא, מְחֻלֶּלֶת עַל הַמָּעוֹת הָאֵלּוּ, וּבוֹרֵר אֶת הַיָּפָה שֶׁבָּהּ, וּמְחַלְּלָן עָלֶיהָ, מִפְּנֵי שֶׁאָמְרוּ, מְחַלְּלִין כֶּסֶף עַל נְחֹשֶׁת מִדֹּחַק, וְלֹא שֶׁיִּתְקַיֵּם כֵּן, אֶלָּא חוֹזֵר וּמְחַלְּלָם עַל הַכָּסֶף:
Mishná 7"A Casa de Shamai diz: não se façam dos selaim dinares de ouro"
Uma breve controvérsia sobre se é permitido converter os selaim de prata do segundo dízimo em moedas de ouro (dinares), mais leves para o transporte até Jerusalém. Bet Shamai proíbe, temendo que isso leve à demora na subida ao Templo; Bet Hilel permite. Rabi Akiva testemunha que, na prática, converteu o dinheiro dos próprios sábios em dinares de ouro

A Casa de Shamai diz: não se façam dos selaim dinares de ouro (convertendo várias moedas de prata em uma única moeda de ouro de maior valor, mais fácil de transportar), mas a Casa de Hilel permite (sem essa restrição). Disse Rabi Akiva: eu converti para Rabán Gamliel e para Rabi Yehoshua a prata deles em dinares de ouro (um testemunho prático de que a prática permitida — conforme Bet Hilel — era seguida até mesmo por grandes sábios da época).

בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, לֹא יַעֲשֶׂה אָדָם אֶת סְלָעָיו דִּינְרֵי זָהָב, וּבֵית הִלֵּל מַתִּירִין. אָמַר רַבִּי עֲקִיבָא, אֲנִי עָשִׂיתִי לְרַבָּן גַּמְלִיאֵל וּלְרַבִּי יְהוֹשֻׁעַ אֶת כַּסְפָּן דִּינְרֵי זָהָב:
Mishná 8"Quem troca um sela do dinheiro do segundo dízimo"
Fora de Jerusalém, alguém troca um sela do dízimo por moedas menores para facilitar o transporte até a cidade. Bet Shamai permite trocar tudo em moedas pequenas; Bet Hilel exige que metade permaneça em prata. Segue-se uma controvérsia adicional entre Rabi Meir e os sábios sobre resgatar simultaneamente prata e frutos do dízimo sobre uma mesma moeda

Quem troca um sela do dinheiro do segundo dízimo — a Casa de Shamai diz: todo o sela em moedas pequenas (pode trocar a totalidade do valor por moedas de menor denominação); e a Casa de Hilel diz: um shekel de prata e um shekel de moedas (deve manter metade do valor em prata e trocar apenas a outra metade em moedas pequenas). Rabi Meir diz: não se resgata prata e frutos juntos sobre a prata (não se pode combinar, numa única transação de resgate, tanto uma moeda de prata do dízimo quanto frutos do dízimo, resgatando ambos simultaneamente sobre uma nova moeda de prata), e os sábios permitem (discordando de Rabi Meir nesse ponto específico).

הַפּוֹרֵט סֶלַע מִמְּעוֹת מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, כָּל הַסֶּלַע מָעוֹת. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, שֶׁקֶל כֶּסֶף וְשֶׁקֶל מָעוֹת. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, אֵין מְחַלְּלִין כֶּסֶף וּפֵרוֹת עַל הַכֶּסֶף, וַחֲכָמִים מַתִּירִים:
Mishná 9"Quem troca um sela do segundo dízimo em Jerusalém"
A mesma controvérsia da mishná anterior, agora aplicada especificamente a quem já está em Jerusalém e precisa trocar prata por moedas miúdas para as despesas da refeição do dízimo. Bet Shamai e Bet Hilel repetem suas posições; e uma série de outros sábios — os discípulos diante dos sábios, Rabi Akiva, Rabi Tarfon e Shamai — propõem proporções ainda mais cautelosas

Quem troca um sela do segundo dízimo em Jerusalém — a Casa de Shamai diz: todo o sela em moedas pequenas; e a Casa de Hilel diz: um shekel de prata e um shekel de moedas (as mesmas duas posições da mishná anterior, agora aplicadas dentro da própria Jerusalém). Os que debatiam diante dos sábios dizem: com três dinares de prata e um dinar de moedas (uma posição intermediária mais cautelosa: de um sela — quatro dinares — apenas um quarto se troca em moedas pequenas). Rabi Akiva diz: três dinares de prata e um quarto de dinar em moedas (uma proporção ainda mais cautelosa: apenas um dezesseis avos do sela em moedas pequenas). Rabi Tarfon diz: quatro asperim de prata (uma medida técnica ainda menor, especificada abaixo). Shamai diz: deve deixá-lo na loja e comer contra ele (a posição mais cautelosa de todas: não trocar nada antecipadamente, mas depositar o sela inteiro com o lojista e ir consumindo seu valor aos poucos, conforme a necessidade).

הַפּוֹרֵט סֶלַע שֶׁל מַעֲשֵׂר שֵׁנִי בִּירוּשָׁלַיִם, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, כָּל הַסֶּלַע מָעוֹת. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, שֶׁקֶל כֶּסֶף וְשֶׁקֶל מָעוֹת. הַדָּנִין לִפְנֵי חֲכָמִים אוֹמְרִים, בִּשְׁלֹשָׁה דִינָרֵי כֶּסֶף וְדִינָר מָעוֹת. רַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, שְׁלֹשָׁה דִינָרִין כֶּסֶף, וּרְבִיעִית מָעוֹת. רַבִּי טַרְפוֹן אוֹמֵר, אַרְבָּעָה אַסְפְּרֵי כֶסֶף. שַׁמַּאי אוֹמֵר, יַנִּיחֶנָּה בַחֲנוּת וְיֹאכַל כְּנֶגְדָּהּ:
Mishná 10"Alguém que tinha alguns filhos impuros e outros puros"
O perek se encerra com um caso doméstico e concreto: um pai tem alguns filhos ritualmente impuros (tmeim) e outros puros (tehorim), e todos querem beber juntos do mesmo jarro de vinho do segundo dízimo. A solução é uma declaração de resgate condicional, dirigida apenas ao que os filhos puros vierem a beber, permitindo que impuros e puros bebam lado a lado do mesmo recipiente sem que ninguém coma o dízimo em estado de impureza

Alguém que tinha alguns filhos impuros e outros puros (e todos queriam beber juntos, do mesmo jarro, do vinho comprado com dinheiro do segundo dízimo): deixa o sela e diz: o que os puros beberem, este sela está resgatado sobre isso (uma declaração de resgate condicional e retroativo, dirigida especificamente à porção que vier a ser bebida pelos filhos puros). Resulta que puros e impuros bebem do mesmo jarro (pois, no momento em que cada gole é bebido pelos puros, ele se torna retroativamente "vinho do dízimo", já resgatado; e o que os impuros bebem nunca chega a ser dízimo, mas sim vinho comum, adquirido com o dinheiro já resgatado).

מִי שֶׁהָיוּ מִקְצָת בָּנָיו טְמֵאִין וּמִקְצָתָן טְהוֹרִים, מַנִּיחַ אֶת הַסֶּלַע וְאוֹמֵר, מַה שֶּׁהַטְּהוֹרִים שׁוֹתִים, סֶלַע זוֹ מְחֻלֶּלֶת עָלָיו. נִמְצְאוּ טְהוֹרִים וּטְמֵאִים שׁוֹתִין מִכַּד אֶחָד: