Massechet Maaser Sheni não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
O segundo dízimo é dado para comer, para beber e para untar (estes são os três usos permitidos, e nenhum outro): para comer aquilo que costuma ser comido, para untar aquilo que costuma ser untado (ou seja, cada produto só pode ser usado conforme seu uso natural e comum). Não deve untar-se com vinho e vinagre, mas unta-se com o azeite (pois só o azeite é habitualmente usado para untar o corpo). Não se aromatiza o azeite do segundo dízimo (misturando-lhe especiarias, o que desperdiçaria parte do azeite), e não se compra com o dinheiro do segundo dízimo azeite aromatizado (pois é um produto de luxo, e não um bem acessível a todos), mas aromatiza-se o vinho (pois o vinho aromatizado não perde substância no processo, apenas ganha sabor). Se caiu nele mel e especiarias e ele aumentou de valor, o aumento se divide proporcionalmente (entre o valor original do dízimo e o valor do que foi acrescentado). Peixes que foram cozidos com alho-poró do segundo dízimo e aumentaram de valor, o aumento se divide proporcionalmente (pelo mesmo princípio). Massa do segundo dízimo que foi assada e aumentou de valor, o aumento pertence ao segundo dízimo (por inteiro, sem divisão). Esta é a regra: tudo cujo aumento é perceptível, o aumento se divide proporcionalmente; e tudo cujo aumento não é perceptível, o aumento pertence ao segundo dízimo (por inteiro).
Rabi Shimon diz: não se unta com azeite do segundo dízimo em Jerusalém (pois isso equivaleria a lucrar com o dinheiro sagrado, já que a mão de quem unta se beneficia do próprio ato). Mas os sábios permitem (por não considerarem esse benefício residual como um lucro proibido). Disseram a Rabi Shimon: se foram leves quanto à teruma, mais rigorosa, não seremos leves quanto ao segundo dízimo, mais leve? (a lógica normal seria: se algo é permitido no que é mais estrito, com mais razão deveria ser permitido no que é mais brando). Disse-lhes: não é assim — se foram leves quanto à teruma, mais rigorosa, no ponto em que foram leves quanto ao karshin e ao tiltan, seremos leves quanto ao segundo dízimo, mais leve, no ponto em que não foram leves quanto ao karshin e ao tiltan? (Rabi Shimon inverte o argumento: já que os próprios sábios trataram o karshin e o tiltan de forma mais rigorosa no segundo dízimo do que na teruma, não faz sentido ser leve quanto à untura no dízimo, pois essa leveza não seria coerente com o rigor que eles mesmos aplicam em outros pontos).
O tiltan do segundo dízimo se come verde (enquanto ainda é uma verdura tenra, e não depois de seco e endurecido). Mas o da teruma — a Casa de Shamai diz: todo o seu processamento se faz em pureza, exceto sua lavagem (ou seja, requer-se lavagem das mãos antes de tocar o tiltan em cada etapa de sua preparação, menos na etapa de esfregar/lavar os grãos); e a Casa de Hilel diz: todo o seu processamento se faz em impureza, exceto seu embebimento (isto é, não se exige pureza ritual em nenhuma etapa, exceto ao embebê-lo em água).
O karshin do segundo dízimo se come verde, e entra e sai de Jerusalém (excepcionalmente, pois a regra geral é que o produto do dízimo que entrou em Jerusalém não pode mais sair de lá). Se ficaram impuros, Rabi Tarfon diz: devem ser distribuídos em massas (misturando pequenas porções, abaixo da medida mínima que transmite impureza, em várias massas de pão do segundo dízimo puro); e os sábios dizem: devem ser resgatados (como qualquer outro produto do segundo dízimo que ficou impuro). E o da teruma — a Casa de Shamai diz: embebem-se e esfregam-se em pureza, mas alimentam-se com eles em impureza (a etapas de embeber e esfregar exigem pureza ritual, mas dá-los de comer ao gado pode ser feito mesmo em impureza). E a Casa de Hilel diz: embebem-se em pureza, mas esfregam-se e alimentam-se com eles em impureza (a Casa de Hilel exige pureza apenas na etapa de embeber, sendo mais permissiva que a Casa de Shamai quanto ao esfregar). Shamai diz: devem ser comidos secos (sem serem embebidos em água, evitando torná-los suscetíveis à impureza). Rabi Akiva diz: todo o seu processamento se faz em impureza (posição ainda mais permissiva — nenhuma etapa exige pureza).
Moedas comuns e moedas do segundo dízimo que se espalharam (no chão, misturando-se sem que se saiba mais quais eram de cada tipo): o que se recolheu, recolheu-se para o segundo dízimo, até completar (a soma original das moedas do dízimo), e o restante é comum (pois presume-se que, ao recolher uma a uma, o dono designa cada moeda recolhida como pertencente ao dízimo, até atingir a quantia que originalmente possuía como dízimo). Se misturou e apanhou às mãos cheias, a divisão é proporcional (quando não se recolhe uma a uma, mas em punhados que misturam moedas de ambos os tipos, a divisão entre dízimo e comum se faz na mesma proporção em que existiam originalmente). Esta é a regra: o que se recolhe pertence ao segundo dízimo; e o que se mistura, é proporcional (resumo dos dois casos: recolher individualmente favorece o dízimo; misturar e apanhar em conjunto exige cálculo proporcional).
Um sela do segundo dízimo e um comum que se misturaram (sem que se saiba mais qual dos dois selaim é o do dízimo): traz-se moedas equivalentes a um sela e diz-se: o sela do segundo dízimo, onde quer que esteja, está resgatado sobre este dinheiro (um ato de resgate condicional, que transfere a santidade do dízimo — esteja ela em qual das duas moedas estiver — para as moedas de cobre trazidas), e escolhe-se a melhor das duas (das duas moedas de prata originais, agora ambas presumivelmente comuns após o primeiro resgate), e resgata-se sobre ela (as moedas de cobre usadas no primeiro resgate, devolvendo agora a santidade do dízimo à moeda escolhida), porque disseram: resgata-se prata sobre cobre em caso de necessidade (embora normalmente o dízimo só devesse ser resgatado em moeda de prata, permite-se excepcionalmente resgatá-lo sobre cobre quando não há alternativa), mas não para que assim permaneça, senão que se volta a resgatá-las sobre a prata (o uso do cobre é apenas uma etapa intermediária e temporária; a santidade deve, ao final do procedimento, repousar novamente sobre uma moeda de prata).
A Casa de Shamai diz: não se façam dos selaim dinares de ouro (convertendo várias moedas de prata em uma única moeda de ouro de maior valor, mais fácil de transportar), mas a Casa de Hilel permite (sem essa restrição). Disse Rabi Akiva: eu converti para Rabán Gamliel e para Rabi Yehoshua a prata deles em dinares de ouro (um testemunho prático de que a prática permitida — conforme Bet Hilel — era seguida até mesmo por grandes sábios da época).
Quem troca um sela do dinheiro do segundo dízimo — a Casa de Shamai diz: todo o sela em moedas pequenas (pode trocar a totalidade do valor por moedas de menor denominação); e a Casa de Hilel diz: um shekel de prata e um shekel de moedas (deve manter metade do valor em prata e trocar apenas a outra metade em moedas pequenas). Rabi Meir diz: não se resgata prata e frutos juntos sobre a prata (não se pode combinar, numa única transação de resgate, tanto uma moeda de prata do dízimo quanto frutos do dízimo, resgatando ambos simultaneamente sobre uma nova moeda de prata), e os sábios permitem (discordando de Rabi Meir nesse ponto específico).
Quem troca um sela do segundo dízimo em Jerusalém — a Casa de Shamai diz: todo o sela em moedas pequenas; e a Casa de Hilel diz: um shekel de prata e um shekel de moedas (as mesmas duas posições da mishná anterior, agora aplicadas dentro da própria Jerusalém). Os que debatiam diante dos sábios dizem: com três dinares de prata e um dinar de moedas (uma posição intermediária mais cautelosa: de um sela — quatro dinares — apenas um quarto se troca em moedas pequenas). Rabi Akiva diz: três dinares de prata e um quarto de dinar em moedas (uma proporção ainda mais cautelosa: apenas um dezesseis avos do sela em moedas pequenas). Rabi Tarfon diz: quatro asperim de prata (uma medida técnica ainda menor, especificada abaixo). Shamai diz: deve deixá-lo na loja e comer contra ele (a posição mais cautelosa de todas: não trocar nada antecipadamente, mas depositar o sela inteiro com o lojista e ir consumindo seu valor aos poucos, conforme a necessidade).
Alguém que tinha alguns filhos impuros e outros puros (e todos queriam beber juntos, do mesmo jarro, do vinho comprado com dinheiro do segundo dízimo): deixa o sela e diz: o que os puros beberem, este sela está resgatado sobre isso (uma declaração de resgate condicional e retroativo, dirigida especificamente à porção que vier a ser bebida pelos filhos puros). Resulta que puros e impuros bebem do mesmo jarro (pois, no momento em que cada gole é bebido pelos puros, ele se torna retroativamente "vinho do dízimo", já resgatado; e o que os impuros bebem nunca chega a ser dízimo, mas sim vinho comum, adquirido com o dinheiro já resgatado).