Massechet Maaser Sheni não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
O segundo dízimo não se vende (pois é consagrado, e a venda o transferiria para uso comum), e não se penhora (como garantia de dívida), e não se troca (por outro produto do próprio segundo dízimo), e não se pesa contra ele (moedas ou pesos comuns, para calcular seu valor). E não deve um homem dizer ao seu companheiro em Jerusalém: toma vinho e me dá azeite (mesmo ali, onde ambos serão consumidos licitamente como segundo dízimo, a troca direta não é permitida). E o mesmo vale para todos os demais frutos (a proibição de troca se aplica a qualquer espécie de produto do segundo dízimo). Mas dão um ao outro como presente gratuito (convidando o companheiro à própria mesa para comer junto, o que não constitui troca).
O dízimo de gado (a décima cria separada anualmente do rebanho, consagrada ao Templo) não se vende inteiro e vivo, nem defeituoso, vivo ou abatido, e não se consagra com ele a mulher (no casamento, como se fosse dinheiro comum — pois, como o segundo dízimo, é dinheiro do Alto). O primogênito (a cria macho que abre o ventre, dada ao sacerdote) vende-se inteiro e vivo, e defeituoso, vivo ou abatido, e consagra-se com ele a mulher (pois, uma vez entregue ao sacerdote, é propriedade pessoal dele, e não mais dinheiro do Alto). Não se resgata o segundo dízimo com moeda sem cunho (sem a figura ou inscrição que a torna moeda corrente), nem com moeda que não está em circulação, nem com dinheiro que não está em sua posse (no momento do resgate).
Quem compra animal doméstico (com dinheiro do segundo dízimo) para ofertas de paz, ou animal selvagem para carne de desejo (consumo comum, já que animais selvagens não servem para sacrifício), o couro sai para uso comum (não carrega a santidade do dízimo, podendo ser vendido ou usado livremente), ainda que o couro valha mais que a carne (pois o comprador tinha em mente apenas a carne, e o couro é considerado acessório). Jarras de vinho fechadas, em lugar onde o costume é vendê-las fechadas (sem cobrar separadamente pelo jarro), o jarro sai para uso comum (pois o comprador só teve em mente o vinho). Nozes e amêndoas, suas cascas saem para uso comum (pelo mesmo princípio). O tamad (vinho aguado, feito com água derramada sobre o bagaço da uva), antes de azedar, não se compra com dinheiro do dízimo; e depois de azedar, compra-se com dinheiro do dízimo (pois só então é considerado alimento próprio, e não mera água).
Quem compra animal selvagem para ofertas de paz (compra inválida, pois animais selvagens não são aptos para esse sacrifício), ou animal doméstico para carne de desejo (também sem valor de sacrifício aqui), o couro não sai para uso comum (permanece com a santidade do dízimo, pois não houve, de fato, uma compra válida de "carne para sacrifício" que justificasse tratar o couro como mero acessório). Jarras de vinho, abertas ou fechadas, em lugar onde o costume é vendê-las abertas (cobrando separadamente pelo recipiente), o jarro não sai para uso comum (pois ali o comprador de fato paga também pelo jarro). Cestos de azeitonas e cestos de uvas, vendidos com o recipiente (sem costume de venda avulsa), o valor do recipiente não sai para uso comum (mantendo a santidade do dízimo sobre todo o conjunto).
Quem compra água, e sal, e frutos ainda ligados à terra, ou frutos que não conseguem chegar a Jerusalém (por se deteriorarem antes de completar a viagem), não adquiriu dízimo (a compra é inválida, e o dinheiro permanece dinheiro do dízimo, não tendo se transferido para o bem comprado). Quem compra frutos por engano (sem saber que o dinheiro era do segundo dízimo, ou sem saber que a compra era inválida), o dinheiro volta ao seu lugar (o vendedor devolve o dinheiro, e este continua sendo dízimo, como antes). De propósito (sabendo que o dinheiro era do dízimo e que a compra era inválida), os frutos sobem e são comidos no lugar (em Jerusalém, como penalidade — apesar de a compra ter sido inválida, ele é obrigado a consumir esses frutos com a santidade e as restrições do segundo dízimo). E se não há Templo, apodrecem (os frutos são deixados até se decompor, pois não podem ser resgatados nem consumidos fora de Jerusalém).
Quem compra animal (fora de Jerusalém, com dinheiro do segundo dízimo), por engano, o dinheiro volta ao seu lugar (o vendedor devolve o valor, que permanece dízimo, e recupera o animal). De propósito, sobe e é comido no lugar (o animal deve ser levado a Jerusalém e ali abatido e consumido sob a santidade do segundo dízimo). E se não há Templo, é enterrado junto com seu couro (diferentemente dos frutos, que simplesmente apodrecem, o animal deve ser enterrado — e seu couro, que em condições normais sairia para uso comum, aqui permanece proibido e é enterrado com ele, como penalidade pela compra deliberada).
Não se compram escravos, e servas, e terras, e animal impuro (ritualmente, como um animal não-casher) com dinheiro do segundo dízimo (pois nenhum desses é "comida, bebida ou unção", os únicos usos válidos permitidos pela Torá). E se comprou, come contra o valor deles (em Jerusalém — deve gastar do próprio bolso uma quantia equivalente ao dinheiro do dízimo que usou indevidamente, e consumir essa quantia como segundo dízimo). Não se trazem ninhos de zavim, e ninhos de zavot, e ninhos de parturientes (as oferendas de aves exigidas para a purificação ritual dessas pessoas), nem sacrifícios de pecado, nem sacrifícios de culpa, com dinheiro do segundo dízimo (pois são obrigações que devem vir de recursos comuns, não sagrados). E se trouxe, come contra o valor deles (a mesma solução: compensa do próprio bolso). Esta é a regra geral: tudo que sai fora da comida, da bebida e da unção com dinheiro do segundo dízimo, come contra o seu valor (princípio que resume e unifica todos os casos de compra inválida examinados neste capítulo).