Talmud Bavli · Massechet Maaser Sheni · Perek Alef
פֶּרֶק רִאשׁוֹן

Mishná de Maaser Sheni, primeiro perek — adaptada à trilha Bavli

7 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Maaser Sheni não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"O segundo dízimo não se vende"
Abre-se o tratado com o princípio central de todo o segundo dízimo: por ser "dinheiro do Alto" (mamon gavoah), pertencente a D-us, ele não pode ser tratado como uma posse comum — não se vende, não se penhora, não se troca, e não se manipula sequer para fins de pesagem, nem mesmo em Jerusalém, onde seu consumo é permitido e mandado

O segundo dízimo não se vende (pois é consagrado, e a venda o transferiria para uso comum), e não se penhora (como garantia de dívida), e não se troca (por outro produto do próprio segundo dízimo), e não se pesa contra ele (moedas ou pesos comuns, para calcular seu valor). E não deve um homem dizer ao seu companheiro em Jerusalém: toma vinho e me dá azeite (mesmo ali, onde ambos serão consumidos licitamente como segundo dízimo, a troca direta não é permitida). E o mesmo vale para todos os demais frutos (a proibição de troca se aplica a qualquer espécie de produto do segundo dízimo). Mas dão um ao outro como presente gratuito (convidando o companheiro à própria mesa para comer junto, o que não constitui troca).

מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, אֵין מוֹכְרִין אוֹתוֹ, וְאֵין מְמַשְׁכְּנִין אוֹתוֹ, וְאֵין מַחֲלִיפִין אוֹתוֹ, וְלֹא שׁוֹקְלִין כְּנֶגְדּוֹ. וְלֹא יֹאמַר אָדָם לַחֲבֵרוֹ בִּירוּשָׁלַיִם, הֵילָךְ יַיִן וְתֶן לִי שָׁמֶן. וְכֵן שְׁאָר כָּל הַפֵּרוֹת. אֲבָל נוֹתְנִין זֶה לָזֶה מַתְּנַת חִנָּם:
Mishná 2"O dízimo de gado não se vende inteiro vivo"
A mishná contrasta duas santidades distintas do gado: o dízimo de gado (maasar behema), que como o segundo dízimo é sagrado e não pode ser vendido em nenhuma condição, nem servir de moeda de casamento; e o primogênito (bechor), que embora também sagrado, o sacerdote pode vender livremente, pois é sua propriedade pessoal. Encerra com três formas de moeda que não servem para resgatar o segundo dízimo

O dízimo de gado (a décima cria separada anualmente do rebanho, consagrada ao Templo) não se vende inteiro e vivo, nem defeituoso, vivo ou abatido, e não se consagra com ele a mulher (no casamento, como se fosse dinheiro comum — pois, como o segundo dízimo, é dinheiro do Alto). O primogênito (a cria macho que abre o ventre, dada ao sacerdote) vende-se inteiro e vivo, e defeituoso, vivo ou abatido, e consagra-se com ele a mulher (pois, uma vez entregue ao sacerdote, é propriedade pessoal dele, e não mais dinheiro do Alto). Não se resgata o segundo dízimo com moeda sem cunho (sem a figura ou inscrição que a torna moeda corrente), nem com moeda que não está em circulação, nem com dinheiro que não está em sua posse (no momento do resgate).

מַעְשַׂר בְּהֵמָה, אֵין מוֹכְרִין אוֹתוֹ תָּמִים חַי, וְלֹא בַעַל מוּם חַי וְשָׁחוּט, וְאֵין מְקַדְּשִׁין בּוֹ הָאִשָּׁה. הַבְּכוֹר מוֹכְרִין אוֹתוֹ תָּמִים חַי, וּבַעַל מוּם חַי וְשָׁחוּט, וּמְקַדְּשִׁין בּוֹ הָאִשָּׁה. אֵין מְחַלְּלִין מַעֲשֵׂר שֵׁנִי עַל אֲסִימוֹן, וְלֹא עַל הַמַּטְבֵּעַ שֶׁאֵינוֹ יוֹצֵא, וְלֹא עַל הַמָּעוֹת שֶׁאֵינָן בִּרְשׁוּתוֹ:
Mishná 3"Quem compra animal para ofertas de paz"
A mishná trata de quatro casos em que a santidade do segundo dízimo, usado para comprar um bem, não se estende a partes acessórias desse bem — o couro do animal, o jarro do vinho, a casca da noz — desde que o costume do mercado seja vender o principal sem essas partes; e encerra com o caso do tamad, o vinho aguado, cuja aptidão para compra com dinheiro do dízimo depende de ele já ter fermentado

Quem compra animal doméstico (com dinheiro do segundo dízimo) para ofertas de paz, ou animal selvagem para carne de desejo (consumo comum, já que animais selvagens não servem para sacrifício), o couro sai para uso comum (não carrega a santidade do dízimo, podendo ser vendido ou usado livremente), ainda que o couro valha mais que a carne (pois o comprador tinha em mente apenas a carne, e o couro é considerado acessório). Jarras de vinho fechadas, em lugar onde o costume é vendê-las fechadas (sem cobrar separadamente pelo jarro), o jarro sai para uso comum (pois o comprador só teve em mente o vinho). Nozes e amêndoas, suas cascas saem para uso comum (pelo mesmo princípio). O tamad (vinho aguado, feito com água derramada sobre o bagaço da uva), antes de azedar, não se compra com dinheiro do dízimo; e depois de azedar, compra-se com dinheiro do dízimo (pois só então é considerado alimento próprio, e não mera água).

הַלּוֹקֵחַ בְּהֵמָה לְזִבְחֵי שְׁלָמִים, אוֹ חַיָּה לִבְשַׂר תַּאֲוָה, יָצָא הָעוֹר לְחֻלִּין, אַף עַל פִּי שֶׁהָעוֹר מְרֻבֶּה עַל הַבָּשָׂר. כַּדֵּי יַיִן סְתוּמוֹת, מְקוֹם שֶׁדַּרְכָּן לִמְכֹּר סְתוּמוֹת, יָצָא קַנְקַן לְחֻלִּין. הָאֱגוֹזִים וְהַשְּׁקֵדִים, יָצְאוּ קְלִפֵּיהֶם לְחֻלִּין. הַתֶּמֶד, עַד שֶׁלֹּא הֶחְמִיץ, אֵינוֹ נִלְקָח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר. וּמִשֶּׁהֶחְמִיץ, נִלְקָח בְּכֶסֶף מַעֲשֵׂר:
Mishná 4"Quem compra animal selvagem para ofertas de paz"
Esta mishná espelha exatamente a anterior, invertendo cada um dos três casos: quando a compra em si é inválida (animal selvagem para sacrifício não existe), ou quando o costume local é vender as partes separadamente, a santidade do dízimo se estende também ao couro, ao jarro e ao recipiente

Quem compra animal selvagem para ofertas de paz (compra inválida, pois animais selvagens não são aptos para esse sacrifício), ou animal doméstico para carne de desejo (também sem valor de sacrifício aqui), o couro não sai para uso comum (permanece com a santidade do dízimo, pois não houve, de fato, uma compra válida de "carne para sacrifício" que justificasse tratar o couro como mero acessório). Jarras de vinho, abertas ou fechadas, em lugar onde o costume é vendê-las abertas (cobrando separadamente pelo recipiente), o jarro não sai para uso comum (pois ali o comprador de fato paga também pelo jarro). Cestos de azeitonas e cestos de uvas, vendidos com o recipiente (sem costume de venda avulsa), o valor do recipiente não sai para uso comum (mantendo a santidade do dízimo sobre todo o conjunto).

הַלּוֹקֵחַ חַיָּה לְזִבְחֵי שְׁלָמִים, בְּהֵמָה לִבְשַׂר תַּאֲוָה, לֹא יָצָא הָעוֹר לְחֻלִּין. כַּדֵּי יַיִן פְּתוּחוֹת אוֹ סְתוּמוֹת, מְקוֹם שֶׁדַּרְכָּן לִמָּכֵר פְּתוּחוֹת, לֹא יָצָא קַנְקַן לְחֻלִּין. סַלֵּי זֵיתִים וְסַלֵּי עֲנָבִים עִם הַכְּלִי, לֹא יָצְאוּ דְמֵי הַכְּלִי לְחֻלִּין:
Mishná 5"Quem compra água, sal e frutos ligados à terra"
A mishná lista quatro categorias de compra inválida com dinheiro do segundo dízimo — água, sal, frutos ainda ligados à terra, e frutos que não durarão até chegar a Jerusalém — e então trata das consequências práticas: o que fazer com os frutos e o dinheiro quando a compra inválida já ocorreu, por engano ou de propósito

Quem compra água, e sal, e frutos ainda ligados à terra, ou frutos que não conseguem chegar a Jerusalém (por se deteriorarem antes de completar a viagem), não adquiriu dízimo (a compra é inválida, e o dinheiro permanece dinheiro do dízimo, não tendo se transferido para o bem comprado). Quem compra frutos por engano (sem saber que o dinheiro era do segundo dízimo, ou sem saber que a compra era inválida), o dinheiro volta ao seu lugar (o vendedor devolve o dinheiro, e este continua sendo dízimo, como antes). De propósito (sabendo que o dinheiro era do dízimo e que a compra era inválida), os frutos sobem e são comidos no lugar (em Jerusalém, como penalidade — apesar de a compra ter sido inválida, ele é obrigado a consumir esses frutos com a santidade e as restrições do segundo dízimo). E se não há Templo, apodrecem (os frutos são deixados até se decompor, pois não podem ser resgatados nem consumidos fora de Jerusalém).

הַלּוֹקֵחַ מַיִם, וּמֶלַח, וּפֵרוֹת הַמְחֻבָּרִים לַקַּרְקַע, אוֹ פֵרוֹת שֶׁאֵינָן יְכוֹלִין לְהַגִּיעַ לִירוּשָׁלַיִם, לֹא קָנָה מַעֲשֵׂר. הַלּוֹקֵחַ פֵּרוֹת, שׁוֹגֵג, יַחְזְרוּ דָמִים לִמְקוֹמָן. מֵזִיד, יָעֳלוּ וְיֵאָכְלוּ בַמָּקוֹם. וְאִם אֵין מִקְדָּשׁ, יֵרַקְּבוּ:
Mishná 6"Quem compra animal por engano"
A mishná aplica ao caso específico do animal comprado fora de Jerusalém a mesma estrutura de engano e propósito já vista na mishná anterior para frutos, acrescentando o detalhe próprio do animal: quando não há Templo, ele é enterrado junto com seu couro, que também está proibido

Quem compra animal (fora de Jerusalém, com dinheiro do segundo dízimo), por engano, o dinheiro volta ao seu lugar (o vendedor devolve o valor, que permanece dízimo, e recupera o animal). De propósito, sobe e é comido no lugar (o animal deve ser levado a Jerusalém e ali abatido e consumido sob a santidade do segundo dízimo). E se não há Templo, é enterrado junto com seu couro (diferentemente dos frutos, que simplesmente apodrecem, o animal deve ser enterrado — e seu couro, que em condições normais sairia para uso comum, aqui permanece proibido e é enterrado com ele, como penalidade pela compra deliberada).

הַלּוֹקֵחַ בְּהֵמָה, שׁוֹגֵג, יַחְזְרוּ דָמֶיהָ לִמְקוֹמָן. מֵזִיד, תָּעֳלֶה וְתֵאָכֵל בַּמָּקוֹם. וְאִם אֵין מִקְדָּשׁ, תִּקָּבֵר עַל יְדֵי עוֹרָהּ:
Mishná 7"Não se compram escravos, servas, terras"
Mishná final do Perek Alef: reúne duas categorias de aquisição vedadas com dinheiro do segundo dízimo — bens que não são "comida, bebida ou unção" (escravos, terras, animais impuros) e oferendas obrigatórias (ninhos de aves para purificação, sacrifícios de pecado e de culpa) — e fecha com a regra geral que unifica todos os casos anteriores do capítulo

Não se compram escravos, e servas, e terras, e animal impuro (ritualmente, como um animal não-casher) com dinheiro do segundo dízimo (pois nenhum desses é "comida, bebida ou unção", os únicos usos válidos permitidos pela Torá). E se comprou, come contra o valor deles (em Jerusalém — deve gastar do próprio bolso uma quantia equivalente ao dinheiro do dízimo que usou indevidamente, e consumir essa quantia como segundo dízimo). Não se trazem ninhos de zavim, e ninhos de zavot, e ninhos de parturientes (as oferendas de aves exigidas para a purificação ritual dessas pessoas), nem sacrifícios de pecado, nem sacrifícios de culpa, com dinheiro do segundo dízimo (pois são obrigações que devem vir de recursos comuns, não sagrados). E se trouxe, come contra o valor deles (a mesma solução: compensa do próprio bolso). Esta é a regra geral: tudo que sai fora da comida, da bebida e da unção com dinheiro do segundo dízimo, come contra o seu valor (princípio que resume e unifica todos os casos de compra inválida examinados neste capítulo).

אֵין לוֹקְחִין עֲבָדִים וּשְׁפָחוֹת וְקַרְקָעוֹת וּבְהֵמָה טְמֵאָה מִדְּמֵי מַעֲשֵׂר שֵׁנִי. וְאִם לָקַח, יֹאכַל כְּנֶגְדָּן. אֵין מְבִיאִין קִנֵּי זָבִים, וְקִנֵּי זָבוֹת, וְקִנֵּי יוֹלְדוֹת, חַטָּאוֹת, וַאֲשָׁמוֹת, מִדְּמֵי מַעֲשֵׂר שֵׁנִי. וְאִם הֵבִיא, יֹאכַל כְּנֶגְדָּם. זֶה הַכְּלָל, כָּל שֶׁהוּא חוּץ לַאֲכִילָה וְלִשְׁתִיָּה וּלְסִיכָה מִדְּמֵי מַעֲשֵׂר שֵׁנִי, יֹאכַל כְּנֶגְדּוֹ: