Massechet Eduyot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Estas são as coisas dentre as leniências de Beit Shamai e as rigorosidades de Beit Hillel: um ovo que nasceu num dia de festa, Beit Shamai diz que pode ser comido, e Beit Hillel diz que não pode ser comido. Beit Shamai diz: o fermento, na medida de uma azeitona, e o pão fermentado, na medida de uma tâmara; e Beit Hillel diz: um e outro, na medida de uma azeitona. — O Perek Dalet inverte o padrão dos capítulos anteriores: agora é Beit Shamai quem permite e Beit Hillel quem proíbe. A mishná trata de uma galinha destinada ao abate (não à postura), cujo ovo, posto num Yom Tov que cai logo após o Shabat, discute-se se foi "preparado" no dia anterior — pois um dia sagrado não pode preparar para outro, e o ovo, formado no Shabat, não estaria pronto para ser consumido no Yom Tov seguinte. A segunda disputa trata das medidas mínimas de fermento (se'ôr) e de pão fermentado (chametz) para os fins da proibição de removê-los da casa antes da Pessach: Beit Shamai distingue as medidas, ao passo que Beit Hillel as iguala, ambas na medida de uma azeitona.
Um animal que nasceu num dia de festa, todos concordam que é permitido; e um pintinho que saiu do ovo, todos concordam que é proibido. Aquele que abate um animal selvagem ou uma ave num dia de festa: Beit Shamai diz, cavará com uma estaca e cobrirá; e Beit Hillel diz, não abaterá a menos que já tenha terra preparada. Mas concordam que, se abateu, cavará com a estaca e cobrirá — pois a cinza do fogão está preparada. — A mishná abre com dois casos de consenso — um animal nascido em Yom Tov é permitido (pois um animal grande não é considerado "novo" da mesma forma que o ovo), enquanto um pintinho recém-saído do ovo é proibido, por ser assimilado à categoria de réptil recém-formado. O terceiro caso trata do mandamento bíblico de cobrir o sangue do abate de animal selvagem ou ave (Vayicrá 17): Beit Shamai permite cavar a terra com uma estaca no próprio Yom Tov para obter terra solta para a cobertura; Beit Hillel exige que a terra já esteja preparada de véspera, pois cavar é uma forma de trabalho não essencial à preparação de comida. Ambas as escolas concordam, porém, que a cinza de um fogão aceso na véspera já está preparada e pode ser usada para cobrir o sangue.
Beit Shamai diz: o que foi declarado sem dono para os pobres é [válido como] sem dono; e Beit Hillel diz: não é sem dono, a menos que seja declarado sem dono também para os ricos, como na shemitá. Todos os feixes do campo que eram de um kav cada, e um era de quatro kavim, e foi esquecido: Beit Shamai diz, não é esquecimento; e Beit Hillel diz, é esquecimento. — O primeiro caso trata de alguém que declara sua produção "sem dono" (hefker) apenas para os pobres, mantendo-a reservada para si em relação aos ricos: Beit Shamai valida essa declaração parcial, isentando-a de dízimos; Beit Hillel exige que o hefker seja total, para ricos e pobres igualmente, como na lei do ano sabático. O segundo caso trata da lei do "esquecimento" (shichechá) — feixes deixados no campo, que devem ser doados aos pobres se esquecidos pelo dono: quando todos os feixes de um campo têm o mesmo volume, exceto um que é visivelmente maior, discute-se se esse feixe fora do padrão, por chamar mais atenção, deveria ter sido lembrado, e portanto não se qualifica como "esquecido".
O feixe que estava próximo ao muro, ou à pilha, ao gado, ou aos utensílios [do campo], e foi esquecido: Beit Shamai diz, não é esquecimento; e Beit Hillel diz, é esquecimento. — Esta mishná dá continuidade ao tema anterior, sob outra formulação: um feixe deixado junto a um ponto de referência fixo e visível — um muro de pedras soltas, uma pilha de feixes já colhidos, o gado, ou os utensílios de lavoura — não foi levado para junto do resto da colheita, mas também não foi simplesmente abandonado no meio do campo. Beit Shamai sustenta que a proximidade com esses marcos indica que o dono ainda tinha esse feixe em mente (ou já o havia "tomado posse" ao colocá-lo ali), de modo que não se qualifica como esquecido; Beit Hillel sustenta o contrário, que o feixe continua sujeito à lei do esquecimento até ser efetivamente recolhido.
Quanto à vinha do quarto ano: Beit Shamai diz, não tem o quinto acrescido, nem tem a remoção; e Beit Hillel diz, tem o quinto acrescido e tem a remoção. Beit Shamai diz: tem os cachos caídos e tem os racimos esquecidos, e os pobres os resgatam para si; e Beit Hillel diz: tudo vai para o lagar. — O fruto de uma árvore em seu quarto ano é kodesh (sagrado), como o segundo dízimo, e deve ser levado a Jerusalém ou resgatado (Vayicrá 19). A mishná debate se ele é plenamente equiparado ao segundo dízimo, com todas as suas leis: o "quinto" que se acrescenta quando o dono resgata o próprio fruto para si, e a obrigação de "removê-lo" da casa às vésperas de Pêssach do quarto e do sétimo ano. Beit Hillel equipara ambos os regimes por analogia verbal ("sagrado" em ambos os contextos); Beit Shamai não faz essa equiparação. A segunda disputa trata de se as leis de peá aplicáveis à colheita comum — cachos caídos (peret) e racimos esquecidos (olelot) — também se aplicam à vinha do quarto ano: Beit Shamai diz que sim, e os pobres podem resgatá-los para si e consumi-los onde estiverem; Beit Hillel diz que não, e tudo — inclusive esses cachos — é levado ao lagar como parte da colheita sagrada.
Um barril de azeitonas enroladas [em sal]: Beit Shamai diz, não precisa perfurá-lo; e Beit Hillel diz, precisa perfurá-lo. Mas concordam que, se foi perfurado e a borra o tapou, ele está puro. Aquele que se untou com óleo puro e ficou impuro, desceu e se imergiu: Beit Shamai diz, ainda que esteja gotejando, está puro; e Beit Hillel diz, [só está puro se resta] o suficiente para ungir um membro pequeno. E se o óleo já era impuro desde o início: Beit Shamai diz, [permanece impuro enquanto resta] o suficiente para ungir um membro pequeno; e Beit Hillel diz, [enquanto resta] um líquido que umedece. Rabi Yehudá diz em nome de Beit Hillel: que umedeça e faça umedecer [outra coisa]. — Um alimento só pode contrair impureza ritual depois de ter sido "preparado" (huchshar) pelo contato voluntário com um dos sete líquidos que tornam suscetível à impureza (Vayicrá 11). Azeitonas em salmoura soltam um líquido escuro; discute-se se esse líquido, por não ser desejado pelo dono, conta como preparo — e por isso se é preciso perfurar o barril para que o líquido escoe e não permaneça represado sobre as azeitonas, manifestando que o dono não o quer ali. O segundo caso trata de alguém que se untou com óleo puro, tornou-se ritualmente impuro e imergiu-se para se purificar: discute-se quanto óleo residual sobre a pele ainda é considerado parte do corpo (e por isso não interfere na imersão) e quanto já é considerado uma substância independente, que precisaria ela mesma ser purificada — distinguindo-se ainda o caso em que o óleo era puro do caso em que já era impuro desde o início.
A mulher é desposada com um dinar ou o valor de um dinar, segundo as palavras de Beit Shamai; e Beit Hillel diz: com uma pruta ou o valor de uma pruta. E quanto vale uma pruta? Um oitavo de um issar italiano. Beit Shamai diz: um homem pode dispensar sua esposa com um get antigo; e Beit Hillel proíbe. O que é um get antigo? Todo aquele em que ele se reservou a sós com ela depois de escrevê-lo para ela. Aquele que divorcia sua esposa e ela passa a noite com ele numa hospedaria: Beit Shamai diz, ela não precisa de um segundo get dele; e Beit Hillel diz, ela precisa de um segundo get dele. Quando? Quando foi divorciada do casamento pleno. Mas se foi divorciada do noivado, não precisa de um segundo get dele, pois ele ainda não tem intimidade com ela. — A mishná traz três disputas em leis de casamento e divórcio. A primeira é sobre o valor mínimo com que um homem pode consagrar (desposar) uma mulher: Beit Shamai exige um dinar (ou seu equivalente), soma considerável, enquanto Beit Hillel se contenta com uma pruta, a menor moeda em uso, definida como um oitavo de um issar italiano. A segunda trata do "get antigo" — um documento de divórcio já escrito, mas que não foi entregue porque o casal permaneceu convivendo por algum tempo depois de redigido: Beit Shamai permite usá-lo mais tarde para efetivar o divórcio; Beit Hillel proíbe, por temor de que se confunda a data da escrita com a da entrega, gerando dúvidas sobre a legitimidade de filhos nascidos nesse ínterim. O terceiro caso trata de um casal já divorciado que passa a noite junto numa hospedaria: discute-se se essa reclusão a sós basta para presumir relação conjugal, o que exigiria um segundo divórcio — distinção que só se aplica quando o divórcio ocorreu depois do casamento pleno, e não do mero noivado, quando ainda não há intimidade presumida entre eles.
Beit Shamai permite as co-esposas rivais aos irmãos; e Beit Hillel proíbe. Se fizeram chalitsá, Beit Shamai as desqualifica do sacerdócio; e Beit Hillel as qualifica. Se foram desposadas pelo cunhado, Beit Shamai as qualifica; e Beit Hillel as desqualifica. E ainda que estes desqualifiquem e aqueles qualifiquem, Beit Shamai não deixou de tomar mulheres de Beit Hillel, nem Beit Hillel deixou de tomar mulheres de Beit Shamai. E quanto a todas as puridades e impurezas em que estes purificavam e aqueles contaminavam, não deixaram de preparar puridades uns com os outros. — Quando um homem morre sem filhos, sua viúva deve ser desposada pelo irmão dele (ibum) ou liberada por meio de um rito chamado chalitsá. Se a viúva estava numa relação proibida (uma ervá) com o irmão — por exemplo, se era irmã da esposa dele — a esposa rival dela nessa mesma união (tsará) também fica em disputa: Beit Shamai a permite ao irmão sobrevivente por ibum; Beit Hillel proíbe. As consequências práticas dessa disputa se estendem à elegibilidade dessas mulheres para se casarem com um sacerdote (cohen) depois de chalitsá ou ibum — cada escola invertendo sua posição conforme o procedimento realizado, já que ibum segundo a visão que o proíbe é considerado relação ilícita, desqualificando-a, e chalitsá segundo essa mesma visão é desnecessária e portanto sem efeito desqualificador. O clímax da mishná, porém, não é a disputa em si, mas o testemunho de que — apesar de suas implicações graves sobre a legitimidade de futuros filhos — Beit Shamai e Beit Hillel continuaram a se casar entre si e a compartilhar utensílios de pureza ritual, um modelo célebre de convivência apesar do dissenso.
Três irmãos, dois deles casados com duas irmãs, e um solteiro — morreu um dos maridos das irmãs, e o solteiro fez a ela ma'amar; depois morreu o segundo irmão: Beit Shamai diz, sua esposa fica com ele, e a outra sai por causa de irmã da esposa. E Beit Hillel diz: ele despede sua esposa com get e chalitsá, e a esposa de seu irmão com chalitsá. Este é o caso do qual disseram: ai dele por causa de sua esposa, e ai dele por causa da esposa de seu irmão! — Este é um dos casos mais intrincados de toda a Mishná. Três irmãos: dois casados com duas irmãs, e um terceiro, solteiro (mufné). Morre o marido de uma das irmãs; o irmão solteiro realiza com a viúva um ma'amar — um ato parcial de consagração levirática, reconhecido apenas por decreto rabínico, que a vincula a ele sem ainda equipará-la a uma esposa plena. Então morre também o segundo irmão casado — deixando sua própria esposa, que por acaso é irmã da mulher com quem o sobrevivente já fez ma'amar. Agora o irmão sobrevivente tem uma ligação levítica com duas irmãs ao mesmo tempo, uma proibição bíblica direta (Vayicrá 18). Beit Shamai, considerando o ma'amar equivalente a um casamento pleno, mantém a primeira mulher com ele e libera a segunda (a viúva do segundo irmão) apenas por ser "irmã da esposa" dele; Beit Hillel, considerando o ma'amar uma consagração apenas parcial, exige que ele se separe de ambas — da primeira por get (já que houve consagração parcial) e chalitsá (já que a ligação levítica ainda não se completou), e da segunda apenas por chalitsá. Disso surgiu o dito final: "ai dele por causa de sua esposa, e ai dele por causa da esposa de seu irmão" — expressando o dilema do homem que perde ambas as mulheres por força da lei.
Aquele que faz voto contra sua esposa quanto à relação conjugal: Beit Shamai diz, duas semanas; e Beit Hillel diz, uma semana. A que aborta na noite do octogésimo primeiro dia: Beit Shamai a isenta da oferenda; e Beit Hillel a obriga. Lençol com franjas: Beit Shamai isenta; e Beit Hillel obriga. A cesta do Shabat: Beit Shamai isenta; e Beit Hillel obriga. — Esta mishná reúne quatro disputas de áreas diferentes da lei, unidas apenas pelo padrão característico do capítulo. A primeira trata de um voto que proíbe o marido de manter relações com a esposa: se ele se prolonga além de certo limite, ela pode exigir divórcio com pagamento da ketubá; Beit Shamai fixa o limite em duas semanas, por analogia com a impureza da parturiente de uma filha; Beit Hillel fixa em uma semana, por analogia com a impureza da menstruante, evento mais frequente. A segunda trata de uma mulher que aborta exatamente na noite anterior ao octogésimo primeiro dia após dar à luz uma filha — data-limite que determina se o aborto conta como parte do primeiro parto (sem nova oferenda) ou como um segundo evento (exigindo nova oferenda); a noite, sendo ainda tecnicamente parte do dia anterior para fins de oferenda, gera a disputa. A terceira trata de um lençol de linho com franjas de lã tingida de azul (tsitsit), que tecnicamente constituiria uma mistura proibida (shaatnez), exceto pelo cumprimento do mandamento — mas apenas de dia, quando a mitzvá de tsitsit se aplica; a mishná discute se essa permissão diurna se estende, por decreto, também à noite. A quarta trata de uma cesta de frutas separada para o Shabat: discute-se a partir de que momento ela se torna "designada" e sujeita a dízimo — já ao ser separada, ou apenas quando o Shabat efetivamente chega.
Aquele que fez voto de um nazireado extenso e completou seu nazireado, e depois veio à Terra de Israel: Beit Shamai diz, será nazireu por trinta dias; e Beit Hillel diz, será nazireu desde o início. Aquele sobre quem havia dois grupos de testemunhas testificando — estas testificando que fez voto de dois nazireados e aquelas testificando que fez voto de cinco: Beit Shamai diz, o testemunho se divide, e não há aqui nazireado; e Beit Hillel diz, dentro dos cinco estão incluídos os dois, de modo que será nazireu por dois. — O nazireado, por decreto rabínico, só pode ser cumprido plenamente na Terra de Israel, por causa da impureza presumida das terras dos gentios. Alguém que fez um voto de nazireado prolongado fora da Terra, e ali mesmo completou o número de dias que havia jurado (sem que esses dias contassem como nazireado válido), e só depois veio para a Terra: discute-se quanto tempo ele ainda deve permanecer nazireu na Terra para satisfazer seu voto — Beit Shamai impõe uma pena simbólica de trinta dias (a duração padrão de um voto indeterminado); Beit Hillel exige que cumpra ali, na Terra, a totalidade do período originalmente jurado, como se nada do que fizera fora da Terra tivesse valido. O segundo caso trata de um homem sobre quem há dois grupos de testemunhas contraditórios — um diz que ele jurou dois períodos de nazireado, outro diz que jurou cinco: Beit Shamai considera os testemunhos mutuamente anulados, isentando-o de qualquer nazireado; Beit Hillel resolve a contradição extraindo o denominador comum — já que "cinco" necessariamente inclui "dois" dentro de si, ele deve cumprir ao menos dois períodos, sobre os quais há concordância implícita.
Um homem que estava colocado sob a fenda: Beit Shamai diz, ele não transmite a impureza; e Beit Hillel diz, o homem é oco, e o lado superior transmite a impureza. — A mishná final do Perek Dalet trata de uma lei de impureza por "tenda" (ohel): quando o teto de um alpendre (achsadrá) racha ao meio, com um cadáver de um lado e utensílios do outro, a fresta de ar da própria rachadura normalmente impede que a impureza atravesse para o lado dos utensílios. O caso discutido é quando um homem se posiciona no chão, exatamente sob essa fenda: seu corpo, ocupando o espaço da rachadura, poderia servir de "ponte" ou "tenda" reconectando os dois lados, permitindo que a impureza flua através dele até o topo, e dali para o lado onde estão os utensílios. Beit Shamai sustenta que apenas um objeto com uma cavidade interna de um tefach (a medida mínima que define uma "tenda" segundo a lei) pode transmitir impureza dessa forma — e o corpo humano, no seu entender, não conta como tal. Beit Hillel, ao contrário, sustenta que o próprio corpo humano é "oco" — as vísceras internas contam como cavidade — e por isso, uma vez que a impureza sobe até a parte superior do corpo (situada ao nível da fenda), ela é transmitida para o outro lado do alpendre.