Massechet Eduyot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.
Rabi Yehuda diz: seis coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. O sangue de carcaças: Beit Shamai declara puro, e Beit Hillel declara impuro. Um ovo encontrado na carcaça: se algo semelhante a ele é vendido no mercado, é permitido; e se não, é proibido — e concordam quanto ao ovo de uma ave trefá, que é proibido, porque cresceu em proibição. O sangue de uma não-judia, e o sangue de pureza de uma leprosa: Beit Shamai declara puro. E Beit Hillel diz: é como sua saliva e como sua urina. Come-se dos frutos do sétimo ano com gratidão e sem gratidão, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: não se come senão com gratidão. O odre: Beit Shamai diz, ele fica de pé amarrado. E Beit Hillel diz: mesmo que não esteja amarrado. — O Perek Hei inaugura uma nova estrutura literária: quatro sábios (Yehuda, Yosé, Yishmael e Eliezer) recolhem, cada um, uma lista fechada de casos em que — contra a regra geral de que Beit Shamai é o lado rigoroso — é justamente Beit Hillel quem impõe a estringência. Rabi Yehuda abre com seis exemplos: o sangue de um animal morto sem abate ritual (que Beit Shamai considera puro, por não julgá-lo "carne" no sentido pleno da lei); um ovo achado dentro da carcaça de uma ave, cuja permissão depende de sua casca já estar formada como as vendidas no mercado; o sangue menstrual de uma gentia e o sangue de pureza de uma leprosa, que Beit Shamai isenta de toda impureza ritual, enquanto Beit Hillel os equipara — por decreto rabínico — à saliva e à urina, que contaminam apenas enquanto úmidas; a permissão de comer frutos da shemitá tanto de quem cultiva com gratidão ao dono do campo quanto sem ela; e o odre de couro perfurado e remendado, que para Beit Shamai só volta a receber impureza depois de o remendo endurecer e ficar firme sozinho, enquanto para Beit Hillel basta que esteja amarrado.
Rabi Yosé diz: seis coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. A ave sobe à mesa junto com o queijo, mas não se come junto, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: não sobe e não se come. Separa-se teruma de azeitonas por azeite, e de uvas por vinho, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel proíbe. Aquele que semeia a quatro côvados de distância no vinhedo: Beit Shamai diz, consagrou uma fileira. E Beit Hillel diz, consagrou duas fileiras. A massa cozida: Beit Shamai isenta [de chalá]; e Beit Hillel obriga. Imerge-se em uma torrente de chuva, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: não se imerge. Um convertido que se converteu na véspera de Pessach: Beit Shamai diz, ele imerge e come seu sacrifício pascal à noite. E Beit Hillel diz: aquele que se aparta da incircuncisão é como quem se aparta do túmulo. — Rabi Yosé acrescenta sua própria lista de seis casos excepcionais. No primeiro, sobre servir ave e queijo à mesa, a proibição de misturar carne e leite é apenas de origem rabínica quando se trata de aves — daí a leniência de Beit Shamai em permitir que ambos estejam sobre a mesa, ainda que não se coma um com o outro. No caso da teruma, discute-se se é permitido separar de um produto já colhido (azeitonas) para isentar outro já processado (azeite), quando a Torá exige que a teruma seja separada "do grão, da eira" — do produto já concluído. No caso do vinhedo semeado com outra espécie, discute-se a partir de quantas fileiras de vinha algo já se chama "vinhedo" para os efeitos da proibição de kilei kerem. Os últimos dois casos — a torrente de chuva como mikvê válido, e o convertido que se imerge na véspera de Pessach para poder comer do sacrifício pascal naquela mesma noite — tratam da fronteira entre pureza ritual suficiente e insuficiente em situações de tempo apertado.
Rabi Yishmael diz: três coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. O [livro] Kohelet não contamina as mãos, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: contamina as mãos. As águas de purificação que já cumpriram seu preceito: Beit Shamai declara puras; e Beit Hillel declara impuras. O cominho-preto: Beit Shamai declara puro, e Beit Hillel declara impuro. E o mesmo quanto aos dízimos. — Rabi Yishmael reduz a lista a três casos. O primeiro toca uma questão central da canonização das Escrituras: se Kohelet — por seu tom por vezes cético — foi dito com inspiração divina como os demais Livros Sagrados, que "contaminam as mãos" (um decreto rabínico protetivo, para que se evitasse manusear rolos sagrados junto de alimentos de teruma). O segundo trata das águas de purificação misturadas com cinzas da vaca ruiva: depois de aspergidas sobre um impuro e cumprido seu papel, discute-se se as gotas restantes, ao pingarem no chão ou nas roupas, ainda contaminam quem as toca. O terceiro — o cominho-preto, tempero comum no pão — discute se, sendo pouco usado como alimento propriamente dito, está sujeito às leis de impureza alimentar e à obrigação de dízimos, ou se está isento delas.
Rabi Eliezer diz: duas coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. O sangue de uma parturiente que não imergiu: Beit Shamai diz, é como sua saliva e como sua urina. E Beit Hillel diz: contamina úmido e seco. E concordam quanto à parturiente com fluxo, que ela contamina úmido e seco. — Rabi Eliezer encerra a série de quatro listas — de Rabi Yehuda, Rabi Yosé, Rabi Yishmael e agora Rabi Eliezer — reduzindo-a a apenas dois casos, ambos, na verdade, dois aspectos do mesmo tema: o sangue que uma mulher expele depois do parto, durante os "dias de pureza" (quando já não é considerada em estado de nidá, mas ainda não imergiu no mikvê). Beit Shamai trata esse sangue com leniência — como saliva ou urina, que contaminam apenas enquanto úmidas —, enquanto Beit Hillel o trata como sangue menstrual pleno, que contamina tanto úmido quanto seco, enquanto ela não tiver imergido. Ambos os lados concordam, porém, que se a parturiente deu à luz durante um período de fluxo (zov) e ainda não completou a contagem dos sete dias limpos exigidos, seu sangue contamina plenamente — úmido e seco —, pois nesse caso ela ainda está no estatuto de zavá.
Quatro irmãos, dois deles casados com duas irmãs; morreram os que eram casados com as irmãs — eis que elas fazem chalitzá e não se casam por levirato. E se se anteciparam e as desposaram, devem despedi-las. Rabi Eliezer diz em nome de Beit Shamai: devem mantê-las. E Beit Hillel diz: devem despedi-las. — Este é um caso clássico das leis de yibum (levirato) aplicado a uma situação em que a solução simples é bloqueada por uma proibição cruzada: de quatro irmãos, dois estão casados com duas irmãs, e os outros dois não têm esposa. Quando os dois maridos morrem sem filhos, cada uma das viúvas cai, pela lei do levirato, sob a responsabilidade de ambos os irmãos sobreviventes — pois qualquer um deles poderia, em princípio, desposá-la. Mas se um dos irmãos sobreviventes desposasse uma das viúvas, o outro irmão ficaria impedido de desposar a segunda viúva, pois ela é irmã da esposa de seu irmão — e a lei proíbe que dois irmãos estejam casados com duas irmãs ao mesmo tempo, caso um deles more com a "irmã de sua cunhada". A solução da mishná é que ambas façam chalitzá, liberando-se do vínculo sem casamento. Mas se, apesar disso, os irmãos já as desposaram por engano, Beit Shamai (segundo Rabi Eliezer) e Beit Hillel discordam sobre se o casamento, uma vez consumado, deve ser mantido ou desfeito.
Akavya ben Mahalalel testemunhou quatro coisas. Disseram-lhe: Akavya, retrata-te das quatro coisas que costumavas dizer, e te faremos av beit din de Israel. Disse-lhes ele: É melhor para mim ser chamado tolo por todos os meus dias, do que tornar-me, por uma única hora, ímpio diante do Onipresente — para que não digam: por causa de um cargo de autoridade ele se retratou.
Ele costumava declarar impuro o cabelo depositado e o sangue verde. E os Sábios declaram puro. Ele costumava permitir a lã de um primogênito com defeito que caiu e foi colocada num nicho, e depois [o animal] foi abatido. E os Sábios proíbem. Ele costumava dizer: não se dão a beber as águas amargas nem à convertida nem à liberta. E os Sábios dizem: dá-se a beber. Disseram-lhe: houve um caso com Karkemit, uma escrava liberta que estava em Jerusalém, e Shemaiá e Avtalion a fizeram beber. Disse-lhes ele: deram-lhe de beber um exemplo semelhante.
E o baniram, e ele morreu sob seu banimento, e o tribunal apedrejou seu caixão. Disse Rabi Yehuda: Deus me livre de dizer que Akavya foi banido! Pois o pátio [do Templo] nunca se fechou diante de nenhum homem de Israel tão grande em sabedoria e em temor do pecado quanto Akavya ben Mahalalel. Mas a quem, então, baniram? A Eliezer ben Chanoch, que pôs em dúvida a pureza das mãos. E quando ele morreu, o tribunal enviou [alguém] e colocaram uma pedra sobre seu caixão. Isso ensina que todo aquele que é banido e morre sob seu banimento, apedreja-se o seu caixão. — Este é um dos textos morais mais lidos de toda a literatura tanaítica. Akavya ben Mahalalel sustentava quatro posições minoritárias em matéria de pureza ritual e de sotá (a mulher suspeita de adultério submetida às "águas amargas"). Quando lhe oferecem o mais alto cargo do tribunal de Israel em troca de retratação, ele recusa — não porque tenha certeza absoluta de suas posições, mas precisamente para que ninguém possa dizer, mais tarde, que ele trocou verdade por poder. Sua recusa lhe custa o nidui (banimento) e, segundo a leitura simples do texto, sua morte sob banimento e o apedrejamento simbólico de seu caixão — a marca mais severa de reprovação social na lei rabínica. Mas a mishná termina com uma reviravolta notável: Rabi Yehuda recusa-se a aceitar que um homem da estatura moral de Akavya tenha sido realmente banido, e revela que o verdadeiro banido foi outro sábio, Eliezer ben Chanoch, que duvidou publicamente da validade da própria instituição da pureza das mãos — um ato de desprezo pela autoridade rabínica, e não uma discordância halachica sincera como a de Akavya. A distinção é central: discordar com integridade, ainda que sozinho contra todos, não é o mesmo que zombar da tradição.
No momento de sua morte, disse a seu filho: Meu filho, retrata-te das quatro coisas que eu costumava dizer. Disse-lhe ele: E por que tu mesmo não te retrataste? Disse-lhe: Eu ouvi da boca da maioria, e eles ouviram da boca da maioria. Eu me mantive firme na tradição que ouvi, e eles se mantiveram firmes na tradição que ouviram. Mas tu ouviste da boca de um único indivíduo, e da boca da maioria. É melhor abandonar as palavras do indivíduo isolado e se apegar às palavras da maioria. Disse-lhe: Pai, recomenda-me aos teus colegas. Disse-lhe: Não te recomendarei. Disse-lhe: Acaso encontraste em mim alguma iniquidade? Disse-lhe: Não. Os teus próprios atos te aproximarão, e os teus próprios atos te afastarão. — A última mishná do Perek Hei fecha o relato de Akavya ben Mahalalel com um ensinamento que se tornou clássico sobre o valor da tradição recebida e os limites da opinião individual. No leito de morte, Akavya pede ao próprio filho que abandone as quatro posições que ele — Akavya — jamais abandonara em vida. A pergunta do filho é natural: se seu pai nunca recuou, por que exige agora que ele o faça? A resposta de Akavya não é uma retratação disfarçada, mas uma distinção lógica precisa: ele mesmo recebeu sua tradição diretamente "da boca da maioria" — de muitos mestres, tanto quanto os que discordavam dele — e por isso tinha o mesmo direito de se manter firme nela que os Sábios tinham na sua. Mas seu filho recebeu a posição de Akavya apenas de um único indivíduo — o próprio pai — enquanto a posição da maioria lhe chega de muitas fontes; nesse caso, a balança pende claramente para a maioria. É um raciocínio sobre a força relativa das tradições, não sobre quem "tinha razão". Por fim, quando o filho pede uma recomendação pessoal aos colegas do pai, Akavya recusa — não por encontrar falha nele, mas porque, como diz a última frase da mishná e do próprio perek, são os atos de cada pessoa, e não o nome ou a recomendação de terceiros, que a aproximam ou a afastam da estima alheia.