Talmud Bavli · Massechet Eduyot · Perek Heh
פֶּרֶק חֲמִישִׁי

Mishná de Eduyot, quinto perek — adaptada à trilha Bavli

7 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Eduyot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1Seis leniências de Beit Shamai
Abertura do Perek Hei: Rabi Yehuda recolhe seis casos excepcionais em que Beit Shamai é o lado leniente

Rabi Yehuda diz: seis coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. O sangue de carcaças: Beit Shamai declara puro, e Beit Hillel declara impuro. Um ovo encontrado na carcaça: se algo semelhante a ele é vendido no mercado, é permitido; e se não, é proibido — e concordam quanto ao ovo de uma ave trefá, que é proibido, porque cresceu em proibição. O sangue de uma não-judia, e o sangue de pureza de uma leprosa: Beit Shamai declara puro. E Beit Hillel diz: é como sua saliva e como sua urina. Come-se dos frutos do sétimo ano com gratidão e sem gratidão, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: não se come senão com gratidão. O odre: Beit Shamai diz, ele fica de pé amarrado. E Beit Hillel diz: mesmo que não esteja amarrado.O Perek Hei inaugura uma nova estrutura literária: quatro sábios (Yehuda, Yosé, Yishmael e Eliezer) recolhem, cada um, uma lista fechada de casos em que — contra a regra geral de que Beit Shamai é o lado rigoroso — é justamente Beit Hillel quem impõe a estringência. Rabi Yehuda abre com seis exemplos: o sangue de um animal morto sem abate ritual (que Beit Shamai considera puro, por não julgá-lo "carne" no sentido pleno da lei); um ovo achado dentro da carcaça de uma ave, cuja permissão depende de sua casca já estar formada como as vendidas no mercado; o sangue menstrual de uma gentia e o sangue de pureza de uma leprosa, que Beit Shamai isenta de toda impureza ritual, enquanto Beit Hillel os equipara — por decreto rabínico — à saliva e à urina, que contaminam apenas enquanto úmidas; a permissão de comer frutos da shemitá tanto de quem cultiva com gratidão ao dono do campo quanto sem ela; e o odre de couro perfurado e remendado, que para Beit Shamai só volta a receber impureza depois de o remendo endurecer e ficar firme sozinho, enquanto para Beit Hillel basta que esteja amarrado.

רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, שֵׁשׁ דְּבָרִים מִקֻּלֵּי בֵית שַׁמַּאי וּמֵחֻמְרֵי בֵית הִלֵּל. דַּם נְבֵלוֹת, בֵּית שַׁמַּאי מְטַהֲרִין, וּבֵית הִלֵּל מְטַמְּאִין. בֵּיצַת הַנְּבֵלָה, אִם יֵשׁ כַּיּוֹצֵא בָהּ נִמְכֶּרֶת בַּשּׁוּק, מֻתֶּרֶת. וְאִם לָאו, אֲסוּרָה. וּמוֹדִים בְּבֵיצַת טְרֵפָה שֶׁהִיא אֲסוּרָה, מִפְּנֵי שֶׁגָּדְלָה בְאִסּוּר. דַּם נָכְרִית וְדַם טָהֳרָה שֶׁל מְצֹרַעַת, בֵּית שַׁמַּאי מְטַהֲרִין. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, כְּרֻקָּהּ וּכְמֵימֵי רַגְלֶיהָ. אוֹכְלִין פֵּרוֹת שְׁבִיעִית בְּטוֹבָה וְשֶׁלֹּא בְטוֹבָה, כְּדִבְרֵי בֵית שַׁמַּאי. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, אֵין אוֹכְלִין אֶלָּא בְטוֹבָה. הַחֵמֶת, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, צְרוּרָה עוֹמֶדֶת. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, אַף עַל פִּי שֶׁאֵינָהּ צְרוּרָה:
Mishná 2Mais seis leniências: a lista de Rabi Yosé
Segunda lista de exceções: seis novos casos em que Beit Shamai é o lado leniente

Rabi Yosé diz: seis coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. A ave sobe à mesa junto com o queijo, mas não se come junto, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: não sobe e não se come. Separa-se teruma de azeitonas por azeite, e de uvas por vinho, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel proíbe. Aquele que semeia a quatro côvados de distância no vinhedo: Beit Shamai diz, consagrou uma fileira. E Beit Hillel diz, consagrou duas fileiras. A massa cozida: Beit Shamai isenta [de chalá]; e Beit Hillel obriga. Imerge-se em uma torrente de chuva, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: não se imerge. Um convertido que se converteu na véspera de Pessach: Beit Shamai diz, ele imerge e come seu sacrifício pascal à noite. E Beit Hillel diz: aquele que se aparta da incircuncisão é como quem se aparta do túmulo.Rabi Yosé acrescenta sua própria lista de seis casos excepcionais. No primeiro, sobre servir ave e queijo à mesa, a proibição de misturar carne e leite é apenas de origem rabínica quando se trata de aves — daí a leniência de Beit Shamai em permitir que ambos estejam sobre a mesa, ainda que não se coma um com o outro. No caso da teruma, discute-se se é permitido separar de um produto já colhido (azeitonas) para isentar outro já processado (azeite), quando a Torá exige que a teruma seja separada "do grão, da eira" — do produto já concluído. No caso do vinhedo semeado com outra espécie, discute-se a partir de quantas fileiras de vinha algo já se chama "vinhedo" para os efeitos da proibição de kilei kerem. Os últimos dois casos — a torrente de chuva como mikvê válido, e o convertido que se imerge na véspera de Pessach para poder comer do sacrifício pascal naquela mesma noite — tratam da fronteira entre pureza ritual suficiente e insuficiente em situações de tempo apertado.

רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר, שֵׁשׁ דְּבָרִים מִקֻּלֵּי בֵית שַׁמַּאי וּמֵחֻמְרֵי בֵית הִלֵּל. הָעוֹף עוֹלֶה עִם הַגְּבִינָה עַל הַשֻּׁלְחָן וְאֵינוֹ נֶאֱכָל, כְּדִבְרֵי בֵית שַׁמַּאי. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, אֵינוֹ עוֹלֶה וְאֵינוֹ נֶאֱכָל. תּוֹרְמִין זֵיתִים עַל שֶׁמֶן, וַעֲנָבִים עַל יַיִן, כְּדִבְרֵי בֵית שַׁמַּאי. וּבֵית הִלֵּל אוֹסְרִים. הַזּוֹרֵעַ אַרְבַּע אַמּוֹת בַּכֶּרֶם, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, קִדֵּשׁ שׁוּרָה אַחַת. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, קִדֵּשׁ שְׁתֵּי שׁוּרוֹת. הַמְּעִיסָה, בֵּית שַׁמַּאי פּוֹטְרִין, וּבֵית הִלֵּל מְחַיְּבִין. טוֹבְלִין בְּחַרְדָּלִית, כְּדִבְרֵי בֵית שַׁמַּאי. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, אֵין טוֹבְלִין. גֵּר שֶׁנִּתְגַּיֵּר עֶרֶב פְּסָחִים, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, טוֹבֵל וְאוֹכֵל אֶת פִּסְחוֹ לָעֶרֶב. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, הַפּוֹרֵשׁ מִן הָעָרְלָה, כְּפוֹרֵשׁ מִן הַקֶּבֶר:
Mishná 3As três leniências de Rabi Yishmael
Terceira lista: Rabi Yishmael reduz a apenas três os casos que registra

Rabi Yishmael diz: três coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. O [livro] Kohelet não contamina as mãos, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: contamina as mãos. As águas de purificação que já cumpriram seu preceito: Beit Shamai declara puras; e Beit Hillel declara impuras. O cominho-preto: Beit Shamai declara puro, e Beit Hillel declara impuro. E o mesmo quanto aos dízimos.Rabi Yishmael reduz a lista a três casos. O primeiro toca uma questão central da canonização das Escrituras: se Kohelet — por seu tom por vezes cético — foi dito com inspiração divina como os demais Livros Sagrados, que "contaminam as mãos" (um decreto rabínico protetivo, para que se evitasse manusear rolos sagrados junto de alimentos de teruma). O segundo trata das águas de purificação misturadas com cinzas da vaca ruiva: depois de aspergidas sobre um impuro e cumprido seu papel, discute-se se as gotas restantes, ao pingarem no chão ou nas roupas, ainda contaminam quem as toca. O terceiro — o cominho-preto, tempero comum no pão — discute se, sendo pouco usado como alimento propriamente dito, está sujeito às leis de impureza alimentar e à obrigação de dízimos, ou se está isento delas.

רַבִּי יִשְׁמָעֵאל אוֹמֵר, שְׁלֹשָׁה דְבָרִים מִקֻּלֵּי בֵית שַׁמַּאי וּמֵחֻמְרֵי בֵית הִלֵּל. קֹהֶלֶת אֵינוֹ מְטַמֵּא אֶת הַיָּדַיִם, כְּדִבְרֵי בֵית שַׁמַּאי. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, מְטַמֵּא אֶת הַיָּדַיִם. מֵי חַטָּאת שֶׁנַּעֲשׂוּ מִצְוָתָן, בֵּית שַׁמַּאי מְטַהֲרִין, וּבֵית הִלֵּל מְטַמְּאִין. הַקֶּצַח, בֵּית שַׁמַּאי מְטַהֲרִין וּבֵית הִלֵּל מְטַמְּאִין. וְכֵן לַמַּעַשְׂרוֹת:
Mishná 4As duas leniências de Rabi Eliezer
A última e mais breve das quatro listas: apenas dois casos, ambos sobre a mesma parturiente

Rabi Eliezer diz: duas coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. O sangue de uma parturiente que não imergiu: Beit Shamai diz, é como sua saliva e como sua urina. E Beit Hillel diz: contamina úmido e seco. E concordam quanto à parturiente com fluxo, que ela contamina úmido e seco.Rabi Eliezer encerra a série de quatro listas — de Rabi Yehuda, Rabi Yosé, Rabi Yishmael e agora Rabi Eliezer — reduzindo-a a apenas dois casos, ambos, na verdade, dois aspectos do mesmo tema: o sangue que uma mulher expele depois do parto, durante os "dias de pureza" (quando já não é considerada em estado de nidá, mas ainda não imergiu no mikvê). Beit Shamai trata esse sangue com leniência — como saliva ou urina, que contaminam apenas enquanto úmidas —, enquanto Beit Hillel o trata como sangue menstrual pleno, que contamina tanto úmido quanto seco, enquanto ela não tiver imergido. Ambos os lados concordam, porém, que se a parturiente deu à luz durante um período de fluxo (zov) e ainda não completou a contagem dos sete dias limpos exigidos, seu sangue contamina plenamente — úmido e seco —, pois nesse caso ela ainda está no estatuto de zavá.

רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, שְׁנֵי דְבָרִים מִקֻּלֵּי בֵית שַׁמַּאי וּמֵחֻמְרֵי בֵית הִלֵּל. דַּם יוֹלֶדֶת שֶׁלֹּא טָבְלָה, בֵּית שַׁמַּאי אוֹמְרִים, כְּרֻקָּהּ וּכְמֵימֵי רַגְלֶיהָ. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, מְטַמֵּא לַח וְיָבֵשׁ. וּמוֹדִים בְּיוֹלֶדֶת בְּזוֹב שֶׁהִיא מְטַמְּאָה לַח וְיָבֵשׁ:
Mishná 5Quatro irmãos, duas irmãs
Um caso complexo de ibbum e chalitzá: quando duas cunhadas são, entre si, irmãs

Quatro irmãos, dois deles casados com duas irmãs; morreram os que eram casados com as irmãs — eis que elas fazem chalitzá e não se casam por levirato. E se se anteciparam e as desposaram, devem despedi-las. Rabi Eliezer diz em nome de Beit Shamai: devem mantê-las. E Beit Hillel diz: devem despedi-las.Este é um caso clássico das leis de yibum (levirato) aplicado a uma situação em que a solução simples é bloqueada por uma proibição cruzada: de quatro irmãos, dois estão casados com duas irmãs, e os outros dois não têm esposa. Quando os dois maridos morrem sem filhos, cada uma das viúvas cai, pela lei do levirato, sob a responsabilidade de ambos os irmãos sobreviventes — pois qualquer um deles poderia, em princípio, desposá-la. Mas se um dos irmãos sobreviventes desposasse uma das viúvas, o outro irmão ficaria impedido de desposar a segunda viúva, pois ela é irmã da esposa de seu irmão — e a lei proíbe que dois irmãos estejam casados com duas irmãs ao mesmo tempo, caso um deles more com a "irmã de sua cunhada". A solução da mishná é que ambas façam chalitzá, liberando-se do vínculo sem casamento. Mas se, apesar disso, os irmãos já as desposaram por engano, Beit Shamai (segundo Rabi Eliezer) e Beit Hillel discordam sobre se o casamento, uma vez consumado, deve ser mantido ou desfeito.

אַרְבָּעָה אַחִים, שְׁנַיִם מֵהֶם נְשׂוּאִין שְׁתֵּי אֲחָיוֹת, מֵתוּ הַנְּשׂוּאִים לָאֲחָיוֹת, הֲרֵי אֵלּוּ חוֹלְצוֹת וְלֹא מִתְיַבְּמוֹת. וְאִם קָדְמוּ וְכָנְסוּ, יוֹצִיאוּ. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר מִשּׁוּם בֵּית שַׁמַּאי, יְקַיְּמוּ. וּבֵית הִלֵּל אוֹמְרִים, יוֹצִיאוּ:
Mishná 6Akavya ben Mahalalel e o banimento
Um dos relatos mais citados da tradição rabínica sobre integridade intelectual e o preço da opinião minoritária

Akavya ben Mahalalel testemunhou quatro coisas. Disseram-lhe: Akavya, retrata-te das quatro coisas que costumavas dizer, e te faremos av beit din de Israel. Disse-lhes ele: É melhor para mim ser chamado tolo por todos os meus dias, do que tornar-me, por uma única hora, ímpio diante do Onipresente — para que não digam: por causa de um cargo de autoridade ele se retratou.

Ele costumava declarar impuro o cabelo depositado e o sangue verde. E os Sábios declaram puro. Ele costumava permitir a lã de um primogênito com defeito que caiu e foi colocada num nicho, e depois [o animal] foi abatido. E os Sábios proíbem. Ele costumava dizer: não se dão a beber as águas amargas nem à convertida nem à liberta. E os Sábios dizem: dá-se a beber. Disseram-lhe: houve um caso com Karkemit, uma escrava liberta que estava em Jerusalém, e Shemaiá e Avtalion a fizeram beber. Disse-lhes ele: deram-lhe de beber um exemplo semelhante.

E o baniram, e ele morreu sob seu banimento, e o tribunal apedrejou seu caixão. Disse Rabi Yehuda: Deus me livre de dizer que Akavya foi banido! Pois o pátio [do Templo] nunca se fechou diante de nenhum homem de Israel tão grande em sabedoria e em temor do pecado quanto Akavya ben Mahalalel. Mas a quem, então, baniram? A Eliezer ben Chanoch, que pôs em dúvida a pureza das mãos. E quando ele morreu, o tribunal enviou [alguém] e colocaram uma pedra sobre seu caixão. Isso ensina que todo aquele que é banido e morre sob seu banimento, apedreja-se o seu caixão.Este é um dos textos morais mais lidos de toda a literatura tanaítica. Akavya ben Mahalalel sustentava quatro posições minoritárias em matéria de pureza ritual e de sotá (a mulher suspeita de adultério submetida às "águas amargas"). Quando lhe oferecem o mais alto cargo do tribunal de Israel em troca de retratação, ele recusa — não porque tenha certeza absoluta de suas posições, mas precisamente para que ninguém possa dizer, mais tarde, que ele trocou verdade por poder. Sua recusa lhe custa o nidui (banimento) e, segundo a leitura simples do texto, sua morte sob banimento e o apedrejamento simbólico de seu caixão — a marca mais severa de reprovação social na lei rabínica. Mas a mishná termina com uma reviravolta notável: Rabi Yehuda recusa-se a aceitar que um homem da estatura moral de Akavya tenha sido realmente banido, e revela que o verdadeiro banido foi outro sábio, Eliezer ben Chanoch, que duvidou publicamente da validade da própria instituição da pureza das mãos — um ato de desprezo pela autoridade rabínica, e não uma discordância halachica sincera como a de Akavya. A distinção é central: discordar com integridade, ainda que sozinho contra todos, não é o mesmo que zombar da tradição.

עֲקַבְיָא בֶּן מַהֲלַלְאֵל הֵעִיד אַרְבָּעָה דְבָרִים. אָמְרוּ לוֹ, עֲקַבְיָא, חֲזֹר בְּךָ בְּאַרְבָּעָה דְבָרִים שֶׁהָיִיתָ אוֹמֵר וְנַעֲשְׂךָ אַב בֵּית דִּין לְיִשְׂרָאֵל. אָמַר לָהֶן, מוּטָב לִי לְהִקָּרֵא שׁוֹטֶה כָּל יָמַי, וְלֹא לֵעָשׂוֹת שָׁעָה אַחַת רָשָׁע לִפְנֵי הַמָּקוֹם, שֶׁלֹּא יִהְיוּ אוֹמְרִים, בִּשְׁבִיל שְׂרָרָה חָזַר בּוֹ. הוּא הָיָה מְטַמֵּא שְׂעַר הַפִּקֻּדָּה וְדַם הַיָּרוֹק. וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין. הוּא הָיָה מַתִּיר שְׂעַר בְּכוֹר בַּעַל מוּם שֶׁנָּשַׁר וְהִנִּיחוֹ בְּחַלּוֹן וְאַחַר כָּךְ שְׁחָטוֹ. וַחֲכָמִים אוֹסְרִים. הוּא הָיָה אוֹמֵר, אֵין מַשְׁקִין לֹא אֶת הַגִּיֹּרֶת וְלֹא אֶת הַמְשֻׁחְרֶרֶת. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, מַשְׁקִין. אָמְרוּ לוֹ, מַעֲשֶׂה בְּכַרְכְּמִית, שִׁפְחָה מְשֻׁחְרֶרֶת שֶׁהָיְתָה בִירוּשָׁלַיִם, וְהִשְׁקוּהָ שְׁמַעְיָה וְאַבְטַלְיוֹן. אָמַר לָהֶם, דֻּגְמָא הִשְׁקוּהָ. וְנִדּוּהוּ, וּמֵת בְּנִדּוּיוֹ, וְסָקְלוּ בֵית דִּין אֶת אֲרוֹנוֹ. אָמַר רַבִּי יְהוּדָה, חַס וְשָׁלוֹם שֶׁעֲקַבְיָא נִתְנַדָּה, שֶׁאֵין עֲזָרָה נִנְעֶלֶת בִּפְנֵי כָל אָדָם מִיִּשְׂרָאֵל בְּחָכְמָה וּבְיִרְאַת חֵטְא כַּעֲקַבְיָא בֶּן מַהֲלַלְאֵל. וְאֶת מִי נִדּוּ, אֱלִיעֶזֶר בֶּן חֲנוֹךְ, שֶׁפִּקְפֵּק בְּטָהֳרַת יָדָיִם. וּכְשֶׁמֵּת, שָׁלְחוּ בֵית דִּין וְהִנִּיחוּ אֶבֶן עַל אֲרוֹנוֹ. מְלַמֵּד שֶׁכָּל הַמִּתְנַדֶּה וּמֵת בְּנִדּוּיוֹ, סוֹקְלִין אֶת אֲרוֹנוֹ:
Mishná 7As últimas palavras de Akavya
Encerramento do Perek Hei: o diálogo final entre Akavya e seu filho sobre a maioria, a tradição e a integridade

No momento de sua morte, disse a seu filho: Meu filho, retrata-te das quatro coisas que eu costumava dizer. Disse-lhe ele: E por que tu mesmo não te retrataste? Disse-lhe: Eu ouvi da boca da maioria, e eles ouviram da boca da maioria. Eu me mantive firme na tradição que ouvi, e eles se mantiveram firmes na tradição que ouviram. Mas tu ouviste da boca de um único indivíduo, e da boca da maioria. É melhor abandonar as palavras do indivíduo isolado e se apegar às palavras da maioria. Disse-lhe: Pai, recomenda-me aos teus colegas. Disse-lhe: Não te recomendarei. Disse-lhe: Acaso encontraste em mim alguma iniquidade? Disse-lhe: Não. Os teus próprios atos te aproximarão, e os teus próprios atos te afastarão.A última mishná do Perek Hei fecha o relato de Akavya ben Mahalalel com um ensinamento que se tornou clássico sobre o valor da tradição recebida e os limites da opinião individual. No leito de morte, Akavya pede ao próprio filho que abandone as quatro posições que ele — Akavya — jamais abandonara em vida. A pergunta do filho é natural: se seu pai nunca recuou, por que exige agora que ele o faça? A resposta de Akavya não é uma retratação disfarçada, mas uma distinção lógica precisa: ele mesmo recebeu sua tradição diretamente "da boca da maioria" — de muitos mestres, tanto quanto os que discordavam dele — e por isso tinha o mesmo direito de se manter firme nela que os Sábios tinham na sua. Mas seu filho recebeu a posição de Akavya apenas de um único indivíduo — o próprio pai — enquanto a posição da maioria lhe chega de muitas fontes; nesse caso, a balança pende claramente para a maioria. É um raciocínio sobre a força relativa das tradições, não sobre quem "tinha razão". Por fim, quando o filho pede uma recomendação pessoal aos colegas do pai, Akavya recusa — não por encontrar falha nele, mas porque, como diz a última frase da mishná e do próprio perek, são os atos de cada pessoa, e não o nome ou a recomendação de terceiros, que a aproximam ou a afastam da estima alheia.

בִּשְׁעַת מִיתָתוֹ אָמַר לִבְנוֹ, בְּנִי, חֲזֹר בְּךָ בְּאַרְבָּעָה דְבָרִים שֶׁהָיִיתִי אוֹמֵר. אָמַר לוֹ, וְלָמָּה לֹא חָזַרְתָּ בָּךְ. אָמַר לוֹ, אֲנִי שָׁמַעְתִּי מִפִּי הַמְרֻבִּים, וְהֵם שָׁמְעוּ מִפִּי הַמְרֻבִּים. אֲנִי עָמַדְתִּי בִּשְׁמוּעָתִי, וְהֵם עָמְדוּ בִּשְׁמוּעָתָן. אֲבָל אַתָּה שָׁמַעְתָּ מִפִּי הַיָּחִיד, וּמִפִּי הַמְרֻבִּין. מוּטָב לְהַנִּיחַ דִּבְרֵי הַיָּחִיד, וְלֶאֱחֹז בְּדִבְרֵי הַמְרֻבִּין. אָמַר לוֹ, אַבָּא, פְּקֹד עָלַי לַחֲבֵרֶיךָ. אָמַר לוֹ, אֵינִי מַפְקִיד. אָמַר לוֹ, שֶׁמָּא עֲוֶלָה מָצָאתָ בִּי. אָמַר לוֹ, לָאו. מַעֲשֶׂיךָ יְקָרְבוּךָ וּמַעֲשֶׂיךָ יְרַחֲקוּךָ: