Talmud Bavli · Massechet Eduyot · Perek Guimel
פֶּרֶק שְׁלִישִׁי

Mishná de Eduyot, terceiro perek — adaptada à trilha Bavli

12 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Eduyot não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1O toque, o carregar e a sombra: os dois nomes de contaminação
A abertura do Perek Guimel: quando metades de uma medida contaminante se somam

Todas as coisas que contaminam por tenda, se foram divididas e trazidas para dentro da casa, Rabi Dosa ben Harkinas declara puro, e os Sábios declaram impuro. Como assim? Aquele que toca em como dois meios-azeitonas da carniça, ou os carrega; e quanto ao morto: aquele que toca em como meia-azeitona e faz sombra sobre como meia-azeitona, ou toca em como meia-azeitona e como meia-azeitona faz sombra sobre ele; e faz sombra sobre como dois meios-azeitonas; faz sombra sobre como meia-azeitona e como meia-azeitona faz sombra sobre ele — Rabi Dosa ben Harkinas declara puro, e os Sábios declaram impuro. Mas aquele que toca em como meia-azeitona e outra coisa faz sombra sobre ele e sobre como meia-azeitona, ou faz sombra sobre como meia-azeitona e outra coisa faz sombra sobre ele e sobre como meia-azeitona — é puro. Disse Rabi Meir: também neste caso Rabi Dosa declara puro, e os Sábios declaram impuro. Tudo é impuro, exceto o toque com o carregar, e o carregar com a tenda. Esta é a regra geral: tudo o que é de um só nome é impuro; de dois nomes, é puro.O capítulo se abre com um caso técnico de pureza ritual que já ilustra o tema geral do Perek Guimel: um ponto em que os Sábios são mais rigorosos que Rabi Dosa. Partes de um cadáver humano ou de uma carniça animal — cada uma menor que a medida mínima de contaminação, o volume de uma azeitona — podem se somar, quando reunidas sob o mesmo teto, para completar essa medida e contaminar quem as toca, carrega ou sobre elas faz sombra (o fenômeno chamado ohel, "tenda"). Rabi Dosa sustenta que tais metades nunca se somam. Os Sábios sustentam que se somam quando a contaminação ocorre pelo mesmo modo — dois toques, duas sombras, dois carregamentos, um "só nome" — mas não quando ocorre por dois modos diferentes, como um toque e uma sombra, "dois nomes". Rabi Meir discorda até dos Sábios, afirmando que também dois modos diferentes se somam; a Halachá, porém, não segue Rabi Meir.

כָּל הַמְטַמְּאִין בְּאֹהֶל שֶׁנֶּחְלְקוּ, וְהִכְנִיסָן לְתוֹךְ הַבַּיִת, רַבִּי דוֹסָא בֶּן הַרְכִּינַס מְטַהֵר, וַחֲכָמִים מְטַמְּאִין. כֵּיצַד. הַנּוֹגֵעַ בְּכִשְׁנֵי חֲצָאֵי זֵיתִים מִן הַנְּבֵלָה אוֹ נוֹשְׂאָן, וּבַמֵּת, הַנּוֹגֵעַ בְּכַחֲצִי זַיִת וּמַאֲהִיל עַל כַּחֲצִי זַיִת אוֹ נוֹגֵעַ בְּכַחֲצִי זַיִת וְכַחֲצִי זַיִת מַאֲהִיל עָלָיו, וּמַאֲהִיל עַל כִּשְׁנֵי חֲצָאֵי זֵיתִים, מַאֲהִיל עַל כַּחֲצִי זַיִת וְכַחֲצִי זַיִת מַאֲהִיל עָלָיו, רַבִּי דוֹסָא בֶּן הַרְכִּינַס מְטַהֵר וַחֲכָמִים מְטַמְּאִין. אֲבָל הַנּוֹגֵעַ בְּכַחֲצִי זַיִת וְדָבָר אַחֵר מַאֲהִיל עָלָיו וְעַל כַּחֲצִי זַיִת, אוֹ מַאֲהִיל עַל כַּחֲצִי זַיִת וְדָבָר אַחֵר מַאֲהִיל עָלָיו וְעַל כַּחֲצִי זַיִת, טָהוֹר. אָמַר רַבִּי מֵאִיר, אַף בָּזֶה רַבִּי דוֹסָא מְטַהֵר וַחֲכָמִים מְטַמְּאִין. הַכֹּל טָמֵא, חוּץ מִן הַמַּגָּע עִם הַמַּשָּׂא, וְהַמַּשָּׂא עִם הָאֹהֶל. זֶה הַכְּלָל, כֹּל שֶׁהוּא מִשֵּׁם אֶחָד, טָמֵא. מִשְּׁנֵי שֵׁמוֹת, טָהוֹר:
Mishná 2Alimento disperso, o resgate do segundo dízimo e a imersão das mãos
Três testemunhos de Rabi Dosa contestados pelos Sábios

Alimento disperso não se combina — palavras de Rabi Dosa ben Harkinas. Mas os Sábios dizem: combina-se. Resgata-se o segundo dízimo com metal não cunhado — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: não se resgata. Imergem-se as mãos para a água da purificação — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: se suas mãos se contaminaram, todo o seu corpo se contaminou.Três testemunhos independentes de Rabi Dosa ben Harkinas, cada um contestado pelos Sábios. No primeiro, trata-se de alimentos impuros amontoados mas fisicamente separados uns dos outros — como nozes ou amêndoas empilhadas — cada um sem a medida mínima (o volume de um ovo) para contaminar; Rabi Dosa sustenta que, por estarem separados, não se somam para formar essa medida, enquanto os Sábios sustentam que se somam. No segundo, trata-se do segundo dízimo (maasser sheni), que a Torá permite resgatar apenas por dinheiro cunhado (com uma imagem, "צורה"); Rabi Dosa permite o resgate mesmo com metal ainda não cunhado (assimon), o que os Sábios rejeitam. No terceiro, trata-se de quem tocou em algo que contamina apenas as mãos (sem contaminar o corpo inteiro) e precisa se purificar para tocar nas águas da purificação (mei chatat, feitas com as cinzas da vaca vermelha); Rabi Dosa permite imergir só as mãos, mas os Sábios instituíram uma medida adicional de rigor: se as mãos se contaminaram, todo o corpo é considerado contaminado, exigindo imersão completa.

אֹכֶל פָּרוּד, אֵינוֹ מִצְטָרֵף, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא בֶּן הַרְכִּינַס. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, מִצְטָרֵף. מְחַלְּלִין מַעֲשֵׂר שֵׁנִי עַל אֲסִימוֹן, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אֵין מְחַלְּלִין. מַטְבִּילִין יָדַיִם לַחַטָּאת, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אִם נִטְמְאוּ יָדָיו, נִטְמָא גוּפוֹ:
Mishná 3As entranhas do melão, as folhas descartadas e a lã da primeira tosquia
Duas leis de terumá e do dom da primeira tosquia

As entranhas do melão e as folhas descartadas do vegetal de terumá — Rabi Dosa permite aos estranhos, e os Sábios proíbem. Cinco ovelhas tosquiadas, uma mina e meia cada uma, estão sujeitas à lei da primeira tosquia — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: cinco ovelhas, seja qual for o peso.Dois testemunhos sobre agricultura sacerdotal. No primeiro, trata-se de partes de um vegetal separado como terumá (a porção sacerdotal) que normalmente ninguém aproveitaria — as sementes e o líquido do melão, e as folhas estragadas descartadas ao preparar um vegetal — que, justamente por serem refugo, Rabi Dosa permite que um não sacerdote (zar) as coma sem transgredir a proibição de comer terumá; os Sábios discordam e as proíbem como o restante do vegetal. No segundo, trata-se do dom da primeira tosquia (reshit ha-gez), que a Torá obriga entregar ao sacerdote quando o dono possui um rebanho mínimo de cinco ovelhas; Rabi Dosa exige, além do número de ovelhas, que cada uma produza pelo menos uma mina e meia de lã (a quantidade mínima considerada "tosquia"), mas os Sábios dispensam esse peso mínimo por ovelha, bastando o total do rebanho atingir a medida geral do dom.

מְעֵי אֲבַטִּיחַ וּקְנִיבַת יָרָק שֶׁל תְּרוּמָה, רַבִּי דוֹסָא מַתִּיר לְזָרִים, וַחֲכָמִים אוֹסְרִין. חָמֵשׁ רְחֵלוֹת גְּזוּזוֹת מָנֶה מָנֶה וּפְרַס, חַיָּבוֹת בְּרֵאשִׁית הַגֵּז, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, חָמֵשׁ רְחֵלוֹת כָּל שֶׁהֵן:
Mishná 4As esteiras e as tranças
Esteiras de junco e tranças de fio: qual grau de impureza recebem

Todas as esteiras são impuras por impureza de morto — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: também por impureza de midrás. Todas as tranças são puras, exceto a do cinto trançado — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: todas são impuras, exceto a dos vendedores de lã.Dois testemunhos sobre objetos tecidos simples. No primeiro, trata-se de esteiras (chotzalot) feitas de junco ou material semelhante, com uma borda ao redor, que servem como uma espécie de recipiente; Rabi Dosa sustenta que elas só recebem impureza de contato com um cadáver (por terem função de recipiente), mas não a impureza mais severa de midrás — a impureza transmitida por quem tem fluxo genital (zav) ao sentar ou deitar sobre um objeto — porque, em sua avaliação, não são próprias para se sentar ou deitar; os Sábios discordam e as consideram próprias para isso. No segundo, trata-se de fios trançados grossos, semelhantes a cordas; Rabi Dosa considera que nenhum deles é "tecido" o bastante para ser roupa e receber impureza, exceto a trança usada como cinto; os Sábios invertem a regra, considerando todas essas tranças roupa — e portanto suscetíveis a impureza — exceto a trança que os vendedores de lã usam para amarrar fardos, que tem função de corda, não de vestimenta.

כָּל הַחוֹצָלוֹת טְמֵאוֹת טְמֵא מֵת, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, מִדְרָס. כָּל הַקְּלִיעוֹת טְהוֹרוֹת, חוּץ מִשֶּׁל גַּלְגִּילוֹן, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, כֻּלָּם טְמֵאוֹת, חוּץ מִשֶּׁל צַמָּרִים:
Mishná 5A funda e sua bolsa
A suscetibilidade a impureza da funda de arremesso

A funda cuja bolsa é tecida é suscetível a impureza. E a de couro, Rabi Dosa ben Harkinas declara não suscetível, e os Sábios declaram suscetível. Se seu orifício do dedo se rompeu, é não suscetível; se sua alça de arremesso se rompeu, é suscetível.A mishná trata da kela, a funda usada para arremessar pedras — um utensílio com uma bolsa central onde se coloca a pedra, e duas alças nas extremidades: uma com um pequeno orifício onde se prende o dedo, outra que se segura na mão ao rodopiar a funda no ar antes de soltar a pedra. Quando a bolsa é tecida com fios, todos concordam que o utensílio é suscetível a impureza, como qualquer peça de tecido; a controvérsia surge quando a bolsa é feita de couro — Rabi Dosa a isenta, os Sábios a incluem. A mishná fecha com uma distinção prática: se rompe o orifício do dedo, a funda perde sua função e deixa de ser suscetível a impureza; mas se rompe apenas a alça de arremesso (a que se segura na mão), a funda continua servindo — pode-se ainda usá-la de outra forma — e por isso permanece suscetível.

הַקֶּלַע שֶׁבֵּית קִבּוּל שֶׁלָּהּ אָרוּג, טְמֵאָה. וְשֶׁל עוֹר, רַבִּי דוֹסָא בֶּן הַרְכִּינָס מְטַהֵר וַחֲכָמִים מְטַמְּאִין. נִפְסַק בֵּית אֶצְבַּע שֶׁלָּהּ, טְהוֹרָה. בֵּית הַפָּקִיעַ שֶׁלָּהּ, טְמֵאָה:
Mishná 6A mulher cativa e a terumá
A esposa de sacerdote que foi cativa e sua palavra sobre a própria pureza

A cativa come da terumá — palavras de Rabi Dosa ben Harkinas. Mas os Sábios dizem: há cativa que come, e há cativa que não come. Como assim? A mulher que disse: "fui cativada, mas sou pura" — ela come, pois a boca que proibiu é a mesma boca que permitiu. Mas se há testemunhas de que foi cativada, e ela diz: "sou pura" — ela não come.O caso trata da esposa (ou filha) de um sacerdote que foi feita cativa por um não judeu, situação que gera a suspeita de que tenha sido violada e, portanto, desqualificada para comer terumá — a porção sacerdotal — como qualquer mulher que se tornou "zoná" (profanada). Rabi Dosa permite que ela coma sem qualquer ressalva, apenas com base em sua própria palavra. Os Sábios distinguem: se é a própria mulher quem revela, por conta própria, que foi cativa, e ao mesmo tempo afirma que permaneceu pura, sua palavra é aceita integralmente — aplicando o princípio de que "a boca que proibiu é a boca que permitiu" (o mesmo relato que criaria a proibição também a resolve, pois ninguém é obrigado a contar sobre si mesma). Mas se o cativeiro já é conhecido por testemunhas externas, e apenas a alegação de pureza vem da própria mulher, sua palavra sozinha não basta para permitir que coma terumá.

הַשְּׁבוּיָה אוֹכֶלֶת בַּתְּרוּמָה, דִּבְרֵי רַבִּי דוֹסָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, יֵשׁ שְׁבוּיָה אוֹכֶלֶת וְיֵשׁ שְׁבוּיָה שֶׁאֵינָהּ אוֹכֶלֶת. כֵּיצַד. הָאִשָּׁה שֶׁאָמְרָה נִשְׁבֵּיתִי וּטְהוֹרָה אָנִי, אוֹכֶלֶת, שֶׁהַפֶּה שֶׁאָסַר הוּא הַפֶּה שֶׁהִתִּיר. וְאִם יֵשׁ עֵדִים שֶׁנִּשְׁבֵּית, וְהִיא אוֹמֶרֶת טְהוֹרָה אָנִי, אֵינָהּ אוֹכֶלֶת:
Mishná 7As quatro dúvidas de Rabi Yehoshua
Quatro casos de dúvida entre pureza e impureza, domínio privado e domínio público

Quatro dúvidas Rabi Yehoshua declara impuras, e os Sábios declaram puras. Como assim? O impuro está parado e o puro passa por ele; o puro está parado e o impuro passa por ele; a impureza está no domínio privado e a pureza no domínio público; ou a pureza está no domínio privado e a impureza no domínio público — dúvida se tocou ou não tocou, dúvida se fez sombra ou não fez sombra, dúvida se moveu ou não moveu — Rabi Yehoshua declara impuro, e os Sábios declaram puro.A mishná trata de quatro situações em que não se sabe se ocorreu contato entre uma pessoa ou objeto impuro e algo puro — por exemplo, um leproso parado sob uma árvore ou tenda, junto de quem passa alguém puro, sem se saber se este tocou, foi coberto pela mesma sombra, ou moveu o que estava parado. O ponto central da controvérsia é que, em cada um dos quatro casos, o elemento duvidoso está distribuído entre o domínio privado (reshut ha-yachid) e o domínio público (reshut ha-rabim) — categorias que, segundo a regra geral do sistema de pureza, determinam se uma dúvida se resolve para impureza (no privado) ou para pureza (no público). Rabi Yehoshua sustenta que, como o domínio privado está de algum modo envolvido em cada um desses quatro casos, a dúvida deve ser tratada como dúvida em domínio privado — e portanto impura. Os Sábios sustentam o oposto: como o domínio público também está envolvido, a dúvida se resolve como impura em domínio público — e portanto pura. A Halachá segue os Sábios.

אַרְבָּעָה סְפֵקוֹת רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין. כֵּיצַד. הַטָּמֵא עוֹמֵד וְהַטָּהוֹר עוֹבֵר, הַטָּהוֹר עוֹמֵד וְהַטָּמֵא עוֹבֵר, טֻמְאָה בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד וְטָהֳרָה בִּרְשׁוּת הָרַבִּים, טָהֳרָה בִּרְשׁוּת הַיָּחִיד וְטֻמְאָה בִּרְשׁוּת הָרַבִּים, סָפֵק נָגַע סָפֵק לֹא נָגַע, סָפֵק הֶאֱהִיל סָפֵק לֹא הֶאֱהִיל, סָפֵק הֵסִיט סָפֵק לֹא הֵסִיט, רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין:
Mishná 8Os três objetos de Rabi Tzadok
Três objetos que Rabi Tzadok considera utensílios e os Sábios consideram fixos

Três coisas Rabi Tzadok declara impuras, e os Sábios declaram puras: o prego do trocador de moedas; a arca dos moedores de grão; e o prego do relógio de pedra. Rabi Tzadok declara impuro, e os Sábios declaram puro.Três objetos utilitários cotidianos cujo status como "utensílio" — e portanto suscetível a receber impureza — é discutido. O prego do trocador de moedas era usado para pendurar a balança de pesagem (ou, segundo outra explicação, para fixar as venezianas da loja); a arca dos moedores de grão era uma espécie de caixa de madeira onde se recolhia o grão triturado no moinho; o prego do relógio de pedra (um mostrador solar rudimentar, com linhas marcando as horas) servia de gnômon, projetando sombra sobre as marcações. Rabi Tzadok considera os três verdadeiros utensílios, suscetíveis a impureza; os Sábios os consideram fixos ao chão ou destinados apenas a permanecer parados — não a serem manuseados como utensílios móveis — e por isso puros.

שְׁלֹשָׁה דְבָרִים רַבִּי צָדוֹק מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין. מַסְמֵר הַשֻּׁלְחָנִי, וְאָרוֹן שֶׁל גָּרוֹסוֹת, וּמַסְמֵר שֶׁל אֶבֶן שָׁעוֹת, רַבִּי צָדוֹק מְטַמֵּא וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין:
Mishná 9Os quatro objetos de Rabán Gamliel
Quatro objetos que Rabán Gamliel considera utensílios completos

Quatro coisas Rabán Gamliel declara suscetíveis a impureza, e os Sábios declaram não suscetíveis: a tampa da cesta de metal, se pertence a donos de casa; o suporte do raspador de banho; os utensílios de metal ainda não acabados; e a bandeja que se dividiu em duas partes. E os Sábios concordam com Rabán Gamliel quanto à bandeja que se dividiu em duas partes, uma grande e uma pequena: a grande é suscetível, e a pequena não é suscetível.Quatro casos em que Rabán Gamliel considera um objeto já suficientemente "utensílio" para receber impureza, enquanto os Sábios discordam. A tampa de uma cesta metálica usada por donos de casa (para guardar sucata e cacos de metal) tem, ela própria, formato de recipiente, o que leva Rabán Gamliel a considerá-la um utensílio à parte; os Sábios sustentam que, sendo feita apenas para cobrir, não é um utensílio independente. O suporte onde se penduram os raspadores de pele nas casas de banho é, para Rabán Gamliel, também um utensílio; para os Sábios, é apenas um acessório fixo. Vasos de metal ainda não finalizados — que precisam ainda de polimento, lixamento ou martelo — Rabán Gamliel já considera suscetíveis, enquanto os Sábios exigem que o trabalho esteja completo. E a bandeja de barro dividida ao meio em duas partes iguais: aqui os Sábios reconhecem que a divisão em partes desiguais, uma grande e uma pequena, faz da parte grande um utensílio (suscetível) e da pequena um mero fragmento (puro) — concordando nesse ponto com Rabán Gamliel, embora discordem quando as duas partes são iguais.

אַרְבָּעָה דְבָרִים רַבָּן גַּמְלִיאֵל מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין. כִּסּוּי טֶנִי שֶׁל מַתָּכוֹת שֶׁל בַּעֲלֵי בָתִּים, וּתְלוֹי הַמַּגְרֵדוֹת, וְגָלְמֵי כְלֵי מַתָּכוֹת, וְטַבְלָא שֶׁנֶּחְלְקָה לִשְׁנָיִם. וּמוֹדִים חֲכָמִים לְרַבָּן גַּמְלִיאֵל בְּטַבְלָא שֶׁנֶּחְלְקָה לִשְׁנַיִם, אֶחָד גָּדוֹל וְאֶחָד קָטָן, הַגָּדוֹל טָמֵא וְהַקָּטָן טָהוֹר:
Mishná 10Três rigores de Rabán Gamliel, como Beit Shamai
Um caso raro: Rabán Gamliel segue o rigor de Beit Shamai

Em três coisas Rabán Gamliel foi rigoroso, como as palavras de Beit Shamai: não se guarda aquecida a água quente de um dia de festa para o Shabat; não se levanta a menorá num dia de festa; e não se assam pães grossos, senão apenas bolachas finas. Disse Rabán Gamliel: em todos os seus dias, a casa de meu pai nunca assou pães grossos, senão apenas bolachas finas. Disseram-lhe: o que faremos quanto à casa de teu pai, que foram rigorosos consigo mesmos, mas foram indulgentes com Israel, permitindo assar tanto pães grossos quanto pães assados sobre brasas?Esta mishná marca uma virada notável na estrutura do capítulo: depois de nove mishnayot em que os Sábios são, em vários pontos, mais rigorosos que sábios individuais, agora é Rabán Gamliel quem adota, excepcionalmente, o rigor de Beit Shamai — a escola normalmente mais restritiva — contra a posição mais permissiva de Beit Hillel (implícita nos Sábios). Os três casos giram em torno de preparar, num dia de festa (Yom Tov), algo destinado ao Shabat seguinte: guardar aquecida a água quente feita na véspera de festa; remontar as peças desmontáveis de uma menorá (o que se assemelha à proibição de "construir" em Shabat e festas); e assar pães espessos, mais trabalhosos, em vez de bolachas finas. Rabán Gamliel defende sua posição citando o costume de sua própria família — a "casa de meu pai" — mas os Sábios respondem com uma crítica mordaz: a família de Rabán Gamliel era rigorosa apenas consigo mesma, mas permitia publicamente ao povo de Israel assar tanto pães grossos quanto pães assados diretamente sobre as brasas — sugerindo que o costume familiar não deveria se tornar norma vinculante para todos.

שְׁלֹשָׁה דְבָרִים רַבָּן גַּמְלִיאֵל מַחְמִיר כְּדִבְרֵי בֵית שַׁמָּאי. אֵין טוֹמְנִין אֶת הַחַמִּין מִיּוֹם טוֹב לְשַׁבָּת, וְאֵין זוֹקְפִין אֶת הַמְּנוֹרָה בְּיוֹם טוֹב, וְאֵין אוֹפִין פִּתִּין גְּרִיצִין אֶלָּא רְקִיקִין. אָמַר רַבָּן גַּמְלִיאֵל, מִימֵיהֶן שֶׁל בֵּית אַבָּא לֹא הָיוּ אוֹפִין פִּתִּין גְּרִיצִין אֶלָּא רְקִיקִין. אָמְרוּ לוֹ, מַה נַּעֲשֶׂה לְבֵית אָבִיךָ שֶׁהָיוּ מַחְמִירִין עַל עַצְמָן וּמְקִלִּין עַל יִשְׂרָאֵל לִהְיוֹת אוֹפִין פִּתִּין גְּרִיצִין וָחֹרִי:
Mishná 11Três indulgências de Rabán Gamliel
Três indulgências rejeitadas pelos Sábios

Ele também disse três coisas para indulgência: varre-se entre os leitos; coloca-se incenso sobre as brasas num dia de festa; e assa-se um cabrito inteiro nas noites de Pêssach. Mas os Sábios proíbem.Depois de três rigores (mishná anterior), a mishná registra três indulgências de Rabán Gamliel, rejeitadas pelos Sábios — mostrando que sua posição não era simplesmente "seguir Beit Shamai", mas uma linha própria, mais estrita em alguns pontos e mais branda em outros. Varrer o chão entre os leitos do banquete (onde se reclinava para comer) era proibido pelos Sábios por temor de que se nivelassem buracos no piso de terra, um trabalho proibido em dia de festa; Rabán Gamliel permite. Colocar incenso sobre brasas para perfumar o ambiente em dia de festa era proibido pelos Sábios por não ser necessidade essencial de todos — reservada a pessoas mais refinadas ou de mau odor; Rabán Gamliel permite. E assar um cabrito inteiro, com a cabeça sobre as pernas e as entranhas — à semelhança do cordeiro pascal descrito em Shemot 12 — na noite do Seder, era proibido pelos Sábios por parecer que se está comendo carne sacrificial fora do Templo (já que o próprio sacrifício pascal não existia mais após a destruição); Rabán Gamliel permite, mas a Halachá segue os Sábios nos três casos.

אַף הוּא אָמַר שְׁלֹשָׁה דְבָרִים לְהָקֵל. מְכַבְּדִין בֵּין הַמִּטּוֹת, וּמְנִיחִין אֶת הַמֻּגְמָר בְּיוֹם טוֹב, וְעוֹשִׂים גְּדִי מְקֻלָּס בְּלֵילֵי פְסָחִים. וַחֲכָמִים אוֹסְרִים:
Mishná 12Três permissões de Rabi Elazar ben Azaria
A última mishná do capítulo: três permissões atribuídas a Rabi Elazar ben Azaria

Três coisas Rabi Elazar ben Azaria permite, e os Sábios proíbem: sua vaca saía com a correia que tinha entre os chifres; penteia-se o gado num dia de festa; e mói-se a pimenta em seu próprio moinho. Rabi Yehudá diz: não se penteia o gado num dia de festa, porque causa ferida, mas escova-se. Mas os Sábios dizem: não se penteia, nem sequer se escova.A mishná final do capítulo reúne três testemunhos atribuídos a Rabi Elazar ben Azaria. O primeiro trata das leis de Shabat sobre o que um animal pode "sair" carregando sem violar a proibição de transportar um fardo; a mishná esclarece, no comentário dos sábios, que a vaca em questão nem sequer era de Rabi Elazar, mas de sua vizinha — atribuída a ele apenas porque não protestou contra o uso. Os outros dois casos tratam de trabalhos permitidos em dia de festa: pentear o gado com um pente de dentes finos de ferro (o que pode ferir a pele do animal) e moer pimenta num pequeno moinho próprio (em vez de recorrer a utensílios manuais mais simples). Rabi Yehudá propõe uma posição intermediária quanto ao penteado: proíbe o pente de ferro, que fere, mas permite escovar com um instrumento de dentes grossos, que não fere; os Sábios, mais rigorosos, proíbem os dois. A Halachá segue Rabi Elazar ben Azaria apenas quanto a pentear o gado — pois nesse ponto ele se alinha com a posição de Rabi Shimon de que um ato sem intenção de causar dano é permitido, mesmo que incidentalmente cause um efeito normalmente proibido.

שְׁלֹשָׁה דְבָרִים רַבִּי אֶלְעָזָר בֶּן עֲזַרְיָה מַתִּיר, וַחֲכָמִים אוֹסְרִין. פָּרָתוֹ יוֹצְאָה בִרְצוּעָה שֶׁבֵּין קַרְנֶיהָ, וּמְקָרְדִין אֶת הַבְּהֵמָה בְּיוֹם טוֹב, וְשׁוֹחֲקִין אֶת הַפִּלְפְּלִין בָּרֵחַיִם שֶׁלָּהֶן. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אֵין מְקָרְדִין אֶת הַבְּהֵמָה בְּיוֹם טוֹב, מִפְּנֵי שֶׁהוּא עוֹשֶׂה חַבּוּרָה, אֲבָל מְקַרְצְפִין. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אֵין מְקָרְדִין אַף לֹא מְקַרְצְפִין: