Talmud Bavli · Massechet Chalá · Perek Bet
פֶּרֶק שֵׁנִי

Mishná de Chalá, segundo perek — adaptada à trilha Bavli

8 mishnayot · sem Guemará no Talmud Bavli
Nota

Massechet Chalá não possui Guemará no Talmud Bavli — apenas a Mishná é impressa/estudada nesta trilha. Esta página apresenta a Mishná adaptada ao formato da trilha Bavli; para o estudo devocional completo, com fontes da Torá, halachot dos códigos e o perush dos mefarshim, veja a versão completa na Mishná.

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná 1"Frutos de fora da terra que entraram na terra, são obrigados em chalá"
Abrindo o Perek Bet, a mishná trata da fronteira geográfica da obrigação de chalá: o que importa não é onde o grão cresceu, mas onde a massa é amassada. Frutos de fora de Israel que chegam à terra ficam obrigados; o caso inverso — frutos da terra que saem dela — é objeto de disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Akiva

Frutos de fora da terra (cultivados fora de Eretz Israel) que entraram na terra, são obrigados em chalá (se deles se fizer massa dentro da terra de Israel). Saíram daqui para lá (frutos da própria terra de Israel que foram levados para fora dela, e lá se transformaram em massa): Rabi Eliezer obriga (sustenta que continuam sujeitos à chalá, por serem "pão da terra" em sua origem), e Rabi Akiva isenta (pois entende que a obrigação segue o lugar onde a massa é feita, não a origem do grão).

פֵּרוֹת חוּצָה לָאָרֶץ שֶׁנִּכְנְסוּ לָאָרֶץ, חַיָּבִים בַּחַלָּה. יָצְאוּ מִכָּאן לְשָׁם, רַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְחַיֵּב, וְרַבִּי עֲקִיבָא פּוֹטֵר:
Mishná 2"Terra de fora da terra que veio em barco à terra"
A mishná continua o tema geográfico: terra de fora de Israel trazida por barco só é equiparada à terra da própria Eretz Israel — para efeito de dízimos e do ano sabático — quando o barco toca fisicamente o solo. Em seguida, um caso diferente: massa amassada com suco de frutas, e não com água, é obrigada em chalá, mas por não estar apta a receber impureza pode ser comida mesmo com mãos impuras

Terra de fora da terra (solo trazido de fora de Eretz Israel) que veio em barco à terra (um barco carregado com essa terra, cujo casco tem uma abertura tapada por essa mesma terra), é obrigada em dízimos e no [ano] sétimo (o que nela crescer segue as leis da terra de Israel). Disse Rabi Yehudá: quando? (em que condição essa equiparação se aplica?) Quando o barco toca [o fundo] (fica encostado no solo, e não apenas flutuando). Massa que foi amassada com suco de frutas (em vez de água) é obrigada em chalá, e se come com mãos sujas (impuras, sem que isso a torne proibida, pois o suco de frutas não a torna apta a receber impureza).

עֲפַר חוּצָה לָאָרֶץ שֶׁבָּא בִסְפִינָה לָאָרֶץ, חַיֶּבֶת בַּמַּעַשְׂרוֹת וּבַשְּׁבִיעִית. אָמַר רַבִּי יְהוּדָה, אֵימָתַי, בִּזְמַן שֶׁהַסְּפִינָה גוֹשֶׁשֶׁת. עִסָּה שֶׁנִּלּוֹשָׁה בְמֵי פֵרוֹת, חַיֶּבֶת בַּחַלָּה, וְנֶאֱכֶלֶת בְּיָדַיִם מְסוֹאָבוֹת:
Mishná 3"A mulher senta-se e separa a sua chalá nua"
A mishná trata primeiro de uma questão de pudor associada à bênção da separação de chalá, e depois passa a um dilema prático: o que fazer quando não é possível preparar a massa em estado de pureza ritual — reduzi-la a porções pequenas, isentas da obrigação, ou aceitar prepará-la impura, posição de Rabi Akiva contra a maioria

A mulher senta-se e separa a sua chalá nua (pode fazê-lo e recitar a bênção mesmo sem roupas), porque ela pode cobrir-se (sentando de certa forma, ocultando sua nudez), mas não o homem (que não consegue se cobrir totalmente na mesma posição). Quem não pode fazer sua massa em pureza (por estar impuro e não ter acesso próximo a água para imersão) deve fazê-la em kabin (porções pequenas, cada uma abaixo do volume mínimo que obriga em chalá), e não deve fazê-la em impureza (uma única massa grande, impura, da qual se separaria chalá impura). Mas Rabi Akiva diz: que a faça em impureza, e não a faça em kabin (pois é preferível separar a chalá, ainda que impura, a evitar totalmente a mitzvá reduzindo a massa).

הָאִשָּׁה יוֹשֶׁבֶת וְקוֹצָה חַלָּתָהּ עֲרֻמָּה, מִפְּנֵי שֶׁהִיא יְכוֹלָה לְכַסּוֹת עַצְמָהּ, אֲבָל לֹא הָאִישׁ. מִי שֶׁאֵינוֹ יָכוֹל לַעֲשׂוֹת עִסָּתוֹ בְטָהֳרָה, יַעֲשֶׂנָּה קַבִּין, וְאַל יַעֲשֶׂנָּה בְטֻמְאָה. וְרַבִּי עֲקִיבָא אוֹמֵר, יַעֲשֶׂנָּה בְטֻמְאָה וְאַל יַעֲשֶׂנָּה קַבִּים, שֶׁכְּשֵׁם שֶׁמְּטַמְּאָה הִיא אֶת הַתָּפֵל כָּךְ מְטַמְּאָה הִיא אֶת הַחַלָּה. אָמְרוּ לוֹ, אַף הִיא נַעֲשֵׂית קַבִּים:
Mishná 4"Quem faz sua massa em kabin, e se tocaram um ao outro"
Continuando o tema das porções kabin da mishná anterior, esta mishná define quando o contato entre elas as une para efeito de obrigação em chalá: mero toque não basta, é preciso que se grudem. Rabi Eliezer acrescenta um caso adicional, de pães já assados e reunidos numa cesta

Quem faz sua massa em kabin (porções pequenas, cada uma abaixo do volume mínimo) e se tocaram um ao outro (durante o processo, encostaram-se), estão isentas de chalá até que se grudem (o simples toque não as une; é necessário que fiquem coladas de tal forma que, ao separá-las, se rasgue um pedaço de uma para a outra). Rabi Eliezer diz: também quem tira [do forno] e coloca na cesta (pães já assados, retirados um a um), a cesta os une para [efeito de] chalá (mesmo sem estarem grudados, o simples fato de estarem juntos na mesma cesta os torna um só volume, obrigado em chalá).

הָעוֹשֶׂה עִסָּתוֹ קַבִּים וְנָגְעוּ זֶה בָזֶה, פְּטוּרִים מִן הַחַלָּה עַד שֶׁיִּשּׁוֹכוּ. רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, אַף הָרוֹדֶה וְנוֹתֵן לַסַּל, הַסַּל מְצָרְפָן לַחַלָּה:
Mishná 5"Quem separa sua chalá [ainda] farinha, não é chalá"
A mishná estabelece que a separação de chalá só é válida a partir da massa já formada, nunca da farinha crua; ainda assim, essa farinha "separada por engano" — se atingir o volume mínimo — permanece proibida a não-sacerdotes por uma medida de prudência, segundo Rabi Yehoshua, que ilustra sua posição com um caso concreto envolvendo um sábio não-sacerdote

Quem separa a sua chalá [ainda] farinha, não é chalá (a separação não tem efeito jurídico algum), e é furto na mão do sacerdote (se um sacerdote a recebe pensando ser chalá válida, na realidade está tomando algo que ainda pertence ao dono original). A massa em si continua obrigada em chalá (a tentativa de separação a partir da farinha não isenta a massa que depois for feita com o restante). E a farinha (a porção que se tentou separar como chalá), se há nela o volume mínimo, fica obrigada em chalá (deve, ela mesma, ainda passar pelo processo de separação, quando virar massa), e é proibida a estranhos (a não-sacerdotes, por precaução, ainda que tecnicamente não seja chalá válida), palavras de Rabi Yehoshua. Disseram-lhe: aconteceu que um ancião, não-sacerdote, a tomou para si à força (desafiando a proibição, como prova de que ela não seria vinculante). Disse-lhes: também ele prejudicou a si mesmo e beneficiou os outros (ao comê-la, cometeu uma transgressão pessoal, mas, ao mesmo tempo, sua atitude serviu de precedente que outros usam para justificar comer dessa farinha, pensando estar liberada).

הַמַּפְרִישׁ חַלָּתוֹ קֶמַח, אֵינָהּ חַלָּה, וְגָזֵל בְּיַד כֹּהֵן. הָעִסָּה עַצְמָהּ, חַיֶּבֶת בַּחַלָּה. וְהַקֶּמַח, אִם יֶשׁ בּוֹ כַשִּׁעוּר, חַיֶּבֶת בַּחַלָּה, וַאֲסוּרָה לְזָרִים, דִּבְרֵי רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ. אָמְרוּ לוֹ, מַעֲשֶׂה וּקְפָשָׁהּ זָקֵן זָר. אָמַר לָהֶם, אַף הוּא קִלְקֵל לְעַצְמוֹ וְתִקֵּן לַאֲחֵרִים:
Mishná 6"Cinco quartos de farinha ficam obrigados em chalá"
Depois de tratar de casos particulares, a mishná fixa o volume mínimo de farinha que obriga em chalá — cinco quartos — e esclarece que esse volume pode ser completado somando-se não apenas o grão puro, mas também seu fermento e seus subprodutos (farelo fino e grosso), com uma exceção notável para o farelo que foi removido e depois devolvido

Cinco quartos de farinha (a medida "revi'it", um quarto de kav, medida antiga de volume) ficam obrigados em chalá (esse é o volume mínimo de farinha que, uma vez amassada, obriga a massa resultante em chalá). Eles, e seu fermento, e seu farelo fino, e seu farelo grosso, [somando] cinco quartos, ficam obrigados (mesmo que a farinha pura, sozinha, não chegue ao volume mínimo, pode-se completar a medida somando o fermento usado e os subprodutos naturais da moagem que ainda estão misturados a ela). Se seu farelo grosso foi retirado de dentro dela e devolvido para dentro dela (retirado numa etapa da preparação e depois recolocado de propósito, para completar artificialmente o volume), estas ficam isentas (essa recombinação artificial não conta para completar a medida).

חֲמֵשֶׁת רְבָעִים קֶמַח, חַיָּבִים בַּחַלָּה. הֵם וּשְׂאֹרָן וְסֻבָּן וּמֻרְסָנָן חֲמֵשֶׁת רְבָעִים, חַיָּבִין. נִטַּל מֻרְסָנָן מִתּוֹכָן וְחָזַר לְתוֹכָן, הֲרֵי אֵלּוּ פְטוּרִין:
Mishná 7"A medida da chalá é um vinte e quatro avos"
Depois de fixar o volume mínimo de massa que obriga em chalá, a mishná passa à proporção a ser separada dessa massa — que varia conforme o perfil de quem prepara: um particular separa mais (um vinte e quatro avos), um padeiro profissional separa menos (um quarenta e oito avos); e a proporção também muda conforme a impureza da massa tenha sido acidental ou intencional

A medida da chalá é um [de] vinte e quatro [avos] (a proporção padrão da massa que deve ser separada como chalá). Quem faz massa para si mesmo, e quem faz para a festa de casamento do filho, [separa] um vinte e quatro avos (mesmo fazendo uma quantidade maior de massa para a ocasião, o particular sempre separa nessa proporção maior). O padeiro que faz para vender no mercado, e também a mulher que faz para vender no mercado, [separam] um quarenta e oito avos (proporção menor, por fazerem grandes quantidades comercialmente). Se sua massa ficou impura por engano ou por acidente [fora de seu controle], [separa] um quarenta e oito avos (uma proporção reduzida, já que essa chalá impura só pode ser queimada, e não se quer desperdiçar mais do que o necessário). Se ficou impura intencionalmente, [separa] um vinte e quatro avos (a proporção maior, penalizadora), para que o transgressor não saia lucrando (evitando que, ao tornar a massa impura de propósito, a pessoa se beneficie separando menos).

שִׁעוּר הַחַלָּה, אֶחָד מֵעֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה. הָעוֹשֶׂה עִסָּה לְעַצְמוֹ, וְהָעוֹשֶׂה לְמִשְׁתֵּה בְנוֹ, אֶחָד מֵעֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה. נַחְתּוֹם שֶׁהוּא עוֹשֶׂה לִמְכֹּר בַּשּׁוּק, וְכֵן הָאִשָּׁה שֶׁהִיא עוֹשָׂה לִמְכֹּר בַּשּׁוּק, אֶחָד מֵאַרְבָּעִים וּשְׁמֹנָה. נִטְמֵאת עִסָּתָהּ שׁוֹגֶגֶת אוֹ אֲנוּסָה, אֶחָד מֵאַרְבָּעִים וּשְׁמֹנָה. נִטְמֵאת מְזִידָה, אֶחָד מֵעֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה, כְּדֵי שֶׁלֹּא יְהֵא חוֹטֵא נִשְׂכָּר:
Mishná 8"Rabi Eliezer diz: separa-se do puro sobre o impuro"
Encerrando o Perek Bet, a mishná trata de uma exceção proposta por Rabi Eliezer à regra geral — já conhecida do Perek Alef — de que não se separa chalá do puro para cobrir o impuro. Ele descreve um método técnico que uniria duas massas por meio de uma pequena porção intermediária, tornando-as, teoricamente, uma só massa "próxima"; os sábios rejeitam esse método

Rabi Eliezer diz: separa-se do puro sobre o impuro (propõe uma exceção à regra geral que proíbe tirar chalá pura de uma massa para cobrir a obrigação de outra massa impura). Como? (por qual método isso seria possível?) Massa pura e massa impura (duas massas separadas, uma em cada condição): toma-se a medida de chalá de uma massa cuja chalá ainda não foi retirada (da massa pura), e coloca-se [uma porção] menor que um ovo no meio (uma pequena quantidade de massa, abaixo do volume que pode transmitir impureza, posicionada entre as duas massas, tocando ambas), para que se tire do que está próximo (criando, por meio dessa ponte física de contato, uma unidade tecnicamente "contígua" entre as duas massas, cumprindo o requisito de que a chalá seja separada apenas do que está fisicamente próximo). Mas os sábios proíbem (rejeitam esse método como estratagema inválido).

רַבִּי אֱלִיעֶזֶר אוֹמֵר, נִטֶּלֶת מִן הַטָּהוֹר עַל הַטָּמֵא. כֵּיצַד, עִסָּה טְהוֹרָה וְעִסָּה טְמֵאָה, נוֹטֵל כְּדֵי חַלָּה מֵעִסָּה שֶׁלֹּא הוּרָם חַלָּתָהּ, וְנוֹתֵן פָּחוֹת מִכַּבֵּיצָה בָּאֶמְצַע, כְּדֵי שֶׁיִּטֹּל מִן הַמֻּקָּף. וַחֲכָמִים אוֹסְרִין: