Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Tet · Mishná 6 de 7

Os que saltaram para fora do altar

וְכֻלָּם שֶׁפָּקְעוּ מֵעַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Esta mishná trata de um acidente físico incomum: peças que, já sobre o altar e em processo de queima, saltam para fora dele por causa do próprio fogo. A regra geral é que não há obrigação de devolvê-las — mas a mishná abre uma exceção importante para membros inteiros de um sacrifício ainda antes da meia-noite, introduzindo também a questão de meilá, o uso indevido de bens consagrados ao Templo.

A regra geral de que o que salta do altar não é devolvido; o caso da brasa; e a exceção dos membros inteiros, que se devolvem antes da meia-noite — com meilá aplicável — mas não depois.

E todos esses que saltaram para fora do altar, não os devolve.Referindo-se aos itens da mishná anterior — a lã, o pelo, os ossos, os tendões, os chifres, as unhas — que subiram corretamente unidos ao corpo do animal e começaram a ser consumidos pelo fogo: se, no processo da queima, alguma parte salta para fora do altar e cai ao chão, não há obrigação de recolhê-la e devolvê-la.

E do mesmo modo a brasa que saltou para fora do altar.A mesma regra se aplica a uma simples brasa do próprio fogo do altar que salta para fora: também ela não precisa ser devolvida.

Membros que saltaram para fora do altar — antes da meia-noite, devolve, e há meilá por eles; depois da meia-noite, não devolve, e não há meilá por eles.A mishná introduz uma exceção significativa: quando se trata de membros inteiros de um sacrifício de holocausto — ainda substanciais, não meras cinzas — que saltam do altar antes da meia-noite (o limite dentro do qual, segundo a exigência rabínica, o processo de queima deveria estar praticamente concluído), o sacerdote deve devolvê-los ao fogo, pois eles ainda pertencem plenamente ao Templo, e usar essa carne indevidamente constitui meilá — a apropriação ilícita de bens consagrados. Mas se já passou da meia-noite, considera-se que o "mandamento" da queima já foi essencialmente cumprido, e por isso não há mais obrigação de devolver os membros, nem mais aplicação da proibição de meilá sobre eles.

וְכֻלָּם שֶׁפָּקְעוּ מֵעַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ, לֹא יַחֲזִיר. וְכֵן גַּחֶלֶת שֶׁפָּקְעָה מֵעַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ. אֵבָרִים שֶׁפָּקְעוּ מֵעַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ, קֹדֶם לַחֲצוֹת, יַחֲזִיר, וּמוֹעֲלִין בָּהֶן. לְאַחַר חֲצוֹת, לֹא יַחֲזִיר, וְאֵין מוֹעֲלִין בָּהֶן:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 9:6
וְכֻלָּן שֶׁפָּקְעוּ, פֵּרוּשׁ: כָּל אֵבָרִים שֶׁזָּכַרְנוּ שֶׁאִם עָלוּ לֹא יֵרְדוּ, אִם פָּקְעוּ מֵעַל גַּבֵּי הַמִּזְבֵּחַ לֹא יַחֲזִיר, וְכֵן גַּחֶלֶת שֶׁפָּקְעָה גַּם כֵּן לֹא יַחֲזִיר. וּפֵרוּשׁ "פָּקְעוּ" — עָפוּ, כְּמוֹ שֶׁאָנוּ רוֹאִים בְּמוֹקְדֵי הָאֵשׁ, שֶׁכָּל דָּבָר שֶׁיֵּשׁ בְּתוֹכוֹ לַחוּת הוּא עָף מִן הָאֵשׁ כְּשֶׁמַּתְחִיל אוֹתוֹ לַחוּת לְהִתְנוֹעֵעַ וְלָצֵאת. וּמַה שֶּׁאָמַר "קֹדֶם חֲצוֹת" וְלֹא אָמַר "כָּל הַלַּיְלָה", לְפִי שֶׁאָמַר הַכָּתוּב "הִיא הָעֹלָה עַל מוֹקְדָה עַל הַמִּזְבֵּחַ כָּל הַלַּיְלָה עַד הַבֹּקֶר"… אָמְרוּ "עַד חֲצוֹת" לְהַרְחִיק אָדָם מִן הָעֲבֵרָה.

Rambam esclarece que "todos esses que saltaram" refere-se aos mesmos membros mencionados na mishná anterior como "não descem" — se eles próprios saltam do altar pela ação do fogo, não há obrigação de recolocá-los, assim como uma brasa que salta. Explica que "pakéu" significa literalmente "voaram", como se observa quando a umidade interna de algo em combustão o faz saltar do fogo. E explica a razão pela qual a mishná fala em "antes da meia-noite", e não em "toda a noite" como o versículo literalmente permite: os Sábios estabeleceram a meia-noite como limite prático, para afastar a pessoa da transgressão de deixar a queima incompleta até muito perto do amanhecer.

Bartenura · Zevachim 9:6
וְכֻלָּם. בֵּין פְּסוּלִים שֶׁעָלוּ דִּתְנַן בְּהוּ לֹא יֵרְדוּ, בֵּין עֲצָמוֹת וְגִידִין שֶׁהֶעֱלָן מְחֻבָּרִים וַאֲכָלָתַן הָאֵשׁ. שֶׁפָּקְעוּ מֵעַל הַמִּזְבֵּחַ. לָאָרֶץ. לֹא יַחֲזִיר. אֵין צָרִיךְ לְהַחֲזִיר. אֵבָרִים שֶׁפָּקְעוּ כוּ'. אִי דְּאִית בְּהוּ מַמָּשׁ, שֶׁבְּשָׂרָם נִכָּר, אֲפִלּוּ לְאַחַר חֲצוֹת נַמִּי יַחֲזִיר, דְּלָא הָוֵי עִכּוּל. וְאִי דְּלֵית בְּהוּ מַמָּשׁ, שֶׁנִּשְׂרְפוּ כֻלָּן וְנַעֲשׂוּ גַּחֶלֶת, אֲפִלּוּ קֹדֶם חֲצוֹת לֹא יַחֲזִיר. אֶלָּא הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן, כְּגוֹן שֶׁנִּתְקַשּׁוּ מֵחֲמַת הָאֵשׁ שֶׁשָּׁלְטָה בְכֻלָּן וְנִשְׂרְפוּ וְלֹא נַעֲשׂוּ פֶּחָם, אֲבָל כְּעֵצִים יְבֵשִׁים הֵם מִתּוֹכָם.

Bartenura precisa o alcance de "todos esses": tanto os desqualificados que subiram e não descem quanto os ossos e tendões que subiram unidos e começaram a ser consumidos pelo fogo. Explica ainda o ponto mais delicado da mishná: se os membros que saltaram ainda têm substância real, com carne reconhecível, devem ser devolvidos mesmo depois da meia-noite, pois não houve ainda consumo completo pelo fogo; e se, ao contrário, já se tornaram brasa pura, sem substância, não são devolvidos nem antes da meia-noite. O caso próprio da mishná é intermediário: membros que endureceram pela ação do fogo e foram queimados, mas sem se transformar em carvão — permanecendo, por dentro, como madeira seca.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 86a–87a, sobre a Guemará desta mishná
מַתְנִי' וְכֻלָּם — הָנָךְ פְּסוּלִין שֶׁעָלוּ דִּתְנַן בְּהֶן לֹא יֵרְדוּ, בֵּין עֲצָמוֹת וְגִידִים שֶׁהֶעֱלָן מְחֻבָּר וְעִכְּלַתְּן הָאֵשׁ: שֶׁפָּקְעוּ מֵעַל הַמִּזְבֵּחַ — לָאָרֶץ: לֹא יַחֲזִיר — אֵין צָרִיךְ לְהַחֲזִיר: וּמוֹעֲלִין בָּהֶן — דְּאַכַּתִּי בְּנֵי מִזְבֵּחַ נִינְהוּ: וְאֵין מוֹעֲלִין בָּהֶן — דְּכֵיוָן דַּהֲווּ מְעֻכָּלִים הֲווּ לְהוּ דָּבָר שֶׁנַּעֲשֵׂית מִצְוָתוֹ, וְאֵין מוֹעֲלִים בּוֹ. בִּשְׂרִירֵי — קָשִׁין שֶׁנִּתְקַשּׁוּ מֵחֲמַת הָאֵשׁ שֶׁשָּׁלְטָה בְּכֻלָּן וְנִשְׂרְפוּ, אֶלָּא שֶׁלֹּא נַעֲשׂוּ פֶּחָם, אֶלָּא כְּעֵצִים יְבֵשִׁים הֵם מִתּוֹכָם. חֲצוֹת שֵׁנִי עוֹכַלְתָּן — שְׂרִירֵי דִּידְהוּ, חֲצוֹת שֵׁנִי שֶׁל לֵיל הַמָּחֳרָת.

Rashi confirma que "todos esses" são os itens desqualificados listados anteriormente como "não descem", assim como ossos e tendões que subiram unidos e foram consumidos pelo fogo. Sobre a razão da meilá antes da meia-noite, explica que os membros ainda pertencem ao altar; e sobre a ausência de meilá depois da meia-noite, explica que, uma vez consumidos pelo fogo dessa forma, tornaram-se "algo cujo mandamento já foi cumprido", categoria isenta de meilá. Explica ainda o termo "shririm" — os pedaços endurecidos pela ação do fogo que os percorreu por inteiro, queimados mas ainda não transformados em carvão, permanecendo por dentro como madeira seca — e esclarece que o segundo período de referência para o consumo desses pedaços é a meia-noite da noite seguinte.