Não removeu nem o papo, nem a plumagem, nem as vísceras que saem com ela, nem a absorveu com sal — toda alteração que fizer nela depois de ter feito escorrer o seu sangue, é válida. — Todos os detalhes descritos na mishná anterior sobre a preparação do corpo da oferenda de subida — remoção do papo, da plumagem, das vísceras, e a salga — são prática ideal, mas não indispensáveis: uma vez que o sangue já escoou sobre a parede do altar, completando o serviço essencial, qualquer omissão posterior não compromete a validade da oferenda.
Separou na oferenda de pecado, ou não separou na oferenda de subida — desqualificou. — Em contraste direto, a regra que distingue as duas melikôt — um só órgão cortado na oferenda de pecado, os dois órgãos na oferenda de subida — é indispensável, pois pertence ao próprio ato do abate, que precede e condiciona toda a aspergão do sangue.
Fez escorrer o sangue da cabeça e não fez escorrer o sangue do corpo — é desqualificada. — Na oferenda de subida da ave, onde cabeça e corpo são separados e queimados individualmente, o sangue do corpo é o elemento essencial — pois é ali que se concentra a maior parte do sangue — e sua ausência invalida a oferenda por completo, mesmo que o sangue da cabeça tenha sido devidamente escoado.
Fez escorrer o sangue do corpo e não fez escorrer o sangue da cabeça — é válida. — Inversamente, se apenas o sangue do corpo foi escoado — a porção principal — a oferenda permanece válida mesmo sem o escoamento do sangue da cabeça, que constitui apenas uma fração menor do total.
Rambam explica a razão fisiológica por trás da regra do último par de cláusulas: a maior parte do sangue do animal concentra-se no corpo — fígado, coração e os vasos que deles saem — e não na cabeça, por isso a Mishná se apoia sobre o sangue do corpo como o elemento indispensável. Esclarece também a medida mínima exigida em cada meliká: a maior parte de um órgão na oferenda de pecado, a maior parte de ambos na oferenda de subida.
Bartenura reforça o princípio geral implícito na mishná: qualquer alteração que ocorra antes do serviço do sangue — como trocar a regra de separação entre as duas melikôt — é desqualificante, enquanto o que ocorre depois do escoamento do sangue não afeta a validade. Confirma que o sangue do corpo é indispensável precisamente porque nele se concentra a maior parte do sangue da ave.
Rashi resume, no mesmo enunciado da mishná, o princípio que separa o essencial do acessório: trocar o número de órgãos cortados entre as duas oferendas invalida por ser uma alteração anterior ao serviço do sangue — a linha que a Guemará explora com maior profundidade para justificar por que apenas o sangue do corpo, e não o da cabeça, é indispensável.