A oferenda de subida da ave, como era realizada? Ele subia pela rampa e virava-se para o caminho circundante, vinha ao chifre sudeste, beliscava a cabeça dela defronte à sua nuca, separando-a, e fazia escorrer o sangue dela sobre a parede do altar. — Ao contrário da oferenda de pecado, realizada abaixo da linha vermelha e no chifre sudoeste, a oferenda de subida da ave era feita na metade superior do altar, no chifre sudeste — próximo ao local das cinzas — e a meliká aqui separava completamente a cabeça do corpo, cortando os dois órgãos do pescoço.
Tomava a cabeça e aproximava o lugar do seu beliscamento ao altar, absorvia-a com sal e a lançava sobre as labaredas. — O sacerdote pressionava o local do corte contra a parede do altar para escoar o sangue restante da cabeça, salgava-a e a lançava separadamente sobre o fogo do altar, para consumi-la por inteiro.
Vinha ao corpo, e removia o papo, e a plumagem, e as vísceras que saíam com ela, e as lançava ao lugar das cinzas. — Voltando-se então ao corpo da ave, o sacerdote removia o papo (o buché) junto com a pele e a plumagem que o cobriam, e as vísceras que se soltavam junto, descartando tudo isso no depósito de cinzas — pois essas partes não são adequadas à combustão sobre o altar.
Rasgava sem separar; e se separou, é válida. — O corpo restante era rasgado entre as asas, sem que as duas metades fossem completamente separadas uma da outra — embora, se o sacerdote as separasse, a oferenda ainda permanecesse válida, pois este detalhe não é indispensável.
E absorvia-o com sal, e o lançava sobre as labaredas. — Por fim, o corpo já preparado era também salgado e lançado sobre o fogo do altar, completando a combustão total exigida de toda oferenda de subida.
Rambam explica que o local exato da meliká (“defronte à nuca”) não é declarado explicitamente para a oferenda de subida, mas é aprendido por analogia da oferenda de pecado; e, inversamente, que a separação completa dos dois órgãos é aprendida por contraste, já que a Escritura probe expressamente essa separação apenas na oferenda de pecado. Define o “murá” como o papo — equivalente ao estômago humano — e explica que sua remoção junto com a pele e a plumagem é exigência explícita da própria Torá, não mera prática sacerdotal.
Bartenura explica que a diferença entre subir ao topo (oferenda de subida da ave) e permanecer embaixo (oferenda de pecado) espelha, de modo invertido, a diferença entre as mesmas oferendas de animais grandes: ali a oferenda de pecado é feita em cima (chifres) e a oferenda de subida embaixo (base) — enquanto nas aves a relação se inverte. Detalha a técnica de remover o papo: cortar ao redor dele como uma espécie de janela, retirando pele e plumagem correspondentes junto com o órgão.
Rashi confirma que a oferenda de subida da ave se realiza no alto porque a Escritura não menciona “base” a seu respeito — apenas para a oferenda de pecado — e que o chifre sudeste é escolhido pela proximidade ao depósito de cinzas. Explica que o sal usado para enxugar a cabeça e o corpo era retirado do próprio depósito de sal mantido no topo do altar, um dos três locais onde o Templo guardava sal para os serviços.
A Guemará, segundo Rashi, formula o padrão invertido entre animais e aves de modo explícito: na oferenda animal, a oferenda de pecado sobe (aos chifres) e a de subida desce (à base); na oferenda de ave, o padrão se inverte, com a oferenda de subida subindo e a de pecado permanecendo embaixo — uma simetria deliberada que a própria Guemará destaca como fundamento das duas mishnayot 6:4 e 6:5.