As oferendas de paz são santidade leve. Seu abate é em qualquer lugar do pátio, e seu sangue requer duas aplicações que são quatro. — Como a oferenda de agradecimento e o carneiro do nazireu, a oferenda de paz comum também pode ser abatida em qualquer ponto do pátio, com o mesmo regime de duas aplicações diagonais do sangue.
E são comidas em toda a cidade, por qualquer pessoa, em qualquer forma de alimento, por dois dias e uma noite. — Aqui está a diferença decisiva em relação à mishná anterior: por não vir acompanhada de pães que apressariam sua deterioração, a oferenda de paz comum recebe um prazo de consumo muito mais generoso — o dia do abate, a noite seguinte e ainda todo o dia posterior.
O que é retirado delas é como elas, exceto que o retirado é comido pelos sacerdotes, suas mulheres, seus filhos e seus servos. — Tal como na oferenda de agradecimento, a porção sacerdotal (peito e coxa) segue o mesmo prazo e local de consumo da carne comum, mas pode ser partilhada com toda a casa do sacerdote — esposa, filhos e escravos — e não apenas com ele.
Rambam explica que a Torá menciona “à porta da Tenda do Encontro” a respeito da oferenda de paz, sem especificar o norte, precisamente para habilitar todos os lados do pátio como local de abate. E deriva o prazo de dois dias e uma noite do versículo que declara que a carne remanescente deve ser queimada “no terceiro dia” — o que implica que ela era comestível até então, ou seja, no dia do abate, na noite seguinte e em todo o dia posterior.
Bartenura observa que a Torá trata da oferenda de paz em três passagens distintas (bovino, ovino e caprino), e que a variação de linguagem entre elas — “à porta” na primeira, “perante a porta” nas outras duas — ensina que todo o pátio, e não apenas o ponto exato diante da entrada, é válido para o abate. Confirma o prazo de dois dias e uma noite a partir do mesmo versículo citado por Rambam sobre a queima no terceiro dia.
Rashi detalha a lógica das três expressões bíblicas: uma exige que haja de fato uma “porta” aberta do Santuário no momento do abate (senão o abate é inválido); outra habilita toda a largura do pátio, não apenas o ponto exatamente diante da porta; e a terceira, ainda assim, desqualifica as câmaras laterais construídas junto ao pátio — mesmo aquelas cujo interior tem santidade plena — como locais válidos para o abate, por não estarem verdadeiramente “diante” da porta.