Quem abate a oferenda com a intenção de comer um azeitona da pele, do caldo, do tempero, dos restos [de carne aderidos à pele], dos ossos, dos tendões, dos cascos, dos chifres — fora de seu tempo ou fora de seu lugar — é válido, e não há responsabilidade por eles quanto a pigul, notar e tameh. — A mishná enumera oito categorias de material que, embora tecnicamente comestíveis ou usados na preparação da carne, não são consideradas parte do "corpo" da oferenda para efeitos destas três leis: a pele, o caldo do cozimento, o tempero que se deposita no fundo da panela junto com fiapos de carne, os restos de carne que ficam grudados na pele ao esfolar o animal, os ossos, os tendões, os cascos e os chifres (mesmo a parte próxima à carne viva, de onde sai sangue ao cortar). A intenção de comer um azeitona inteiro de qualquer uma dessas partes fora do tempo ou do lugar devido não transforma a oferenda em pigul, nem torna quem a come depois responsável por notar (sobra além do prazo) ou por comer em impureza — precisamente porque nenhuma delas é considerada "carne" da oferenda no sentido halachico pleno.
Rambam define tecnicamente cada termo: rotev é o caldo do cozimento; kipá é o tempero cozido junto ao prato próprio para ele; alal são os restos de carne que ficam aderidos à pele no momento de esfolar; guidim abrange tanto os tendões propriamente ditos quanto as artérias (que pulsam) e veias (que não pulsam), os ligamentos e os tendões que unem as articulações; e, ao mencionar chifres e cascos, refere-se especificamente às pontas finas, próximas ao corpo, de onde escorre sangue quando cortadas. Rambam então generaliza: quem tem a intenção de comer um azeitona de qualquer uma dessas partes fora do lugar devido não invalida a oferenda — que permanece plenamente válida —, porque, embora tecnicamente comestíveis, ninguém se preocupa com elas nem conta com elas para efetivamente alimentar-se. E aplica o mesmo princípio de forma ainda mais ampla: mesmo que a oferenda já seja, por outro motivo, pigul ou notar, e alguém coma um azeitona inteiro dessas partes — pele, chifres, cascos — em vez da carne propriamente dita, ou as coma em estado de impureza, não há responsabilidade de karet, ao contrário do que ocorre com quem come a carne real de uma oferenda pigul, notar, ou consumida em impureza.
Bartenura acrescenta uma segunda explicação para alal: em vez de "restos de carne aderidos à pele", pode ser o tendão do pescoço, que é duro e impróprio para consumo. Sobre chifres e cascos, esclarece que mesmo a porção próxima à carne viva — de onde sai sangue quando cortada — não é considerada carne. E, importante, expande o alcance da mishná para além do caso de pigul por intenção durante o abate: se a oferenda já é pigul por outro motivo e alguém depois come dessas partes (pele, chifres, cascos etc.) em vez da carne, está isento de karet; da mesma forma, quem come essas partes em estado de impureza corporal, tendo a oferenda em si sido abatida corretamente, não é responsável pela transgressão de comer coisas sagradas em impureza.
Rashi remete a definição de kipá ao tratado de Chulin, onde é explicada como o tempero e os fragmentos finos de carne que se depositam no fundo da panela durante o cozimento. Adota, para alal, a explicação do tendão do pescoço — duro e impróprio para consumo. E confirma os dois princípios finais da mishná: se a oferenda já se tornou pigul por causa da intenção sobre a carne ou sobre as partes destinadas ao altar, quem depois come dessas oito categorias periféricas em vez da carne está isento de karet; e, mesmo comendo-as em estado de impureza corporal quando a oferenda em si foi abatida validamente, também não há responsabilidade.