A quinta mishná registra o segundo marco da série histórica: a entrada em Eretz Israel, com o acampamento em Guilgal durante os catorze anos de conquista e divisão da terra. Com o fim do acampamento organizado do deserto, os altares particulares voltaram a ser permitidos.
Chegaram a Guilgal, e os altares particulares foram permitidos. — Ao atravessar o Jordão e chegar a Guilgal, onde o Tabernáculo permaneceu durante os catorze anos de conquista e divisão da terra, cessou o acampamento organizado que existia no deserto — e, com ele, a condição que sustentava a proibição dos altares particulares. Qualquer israelita voltou a poder erguer seu próprio altar e oferecer nele.
As oferendas de santidade suprema são comidas dentro das cortinas. As oferendas de santidade leve, em qualquer lugar. — As oferendas de santidade suprema, trazidas ao Tabernáculo que permanecia em Guilgal, continuaram restritas ao consumo dentro das cortinas do átrio. Mas as oferendas de santidade leve, agora que os israelitas se espalhavam por toda a terra em processo de conquista, sem mais estarem confinados a um acampamento único, podiam ser comidas em qualquer lugar — não mais limitadas ao acampamento de Israel.
Rambam esclarece que em Guilgal não havia edifício construído, mas o próprio Tabernáculo que existia no deserto, montado ali. A explicação é que a Torá condiciona a proibição dos altares particulares à existência de um acampamento — e, assim que os acampamentos cessaram com a entrada na terra, exatamente no momento da chegada a Guilgal, esse preceito negativo deixou de vigorar, voltando a ser permitido a quem quisesse oferecer em altar particular, como era antes da ereção do Tabernáculo; a proibição só vigorou no deserto, enquanto havia acampamentos organizados. E observa que as oferendas de santidade leve podiam ser comidas em qualquer lugar precisamente porque não havia mais um acampamento definido, já que o povo se espalhava pela terra.
Bartenura confirma que em Guilgal não havia edifício, apenas as mesmas cortinas do Tabernáculo do deserto. Sobre a permissão dos altares particulares, explica que a Torá associa a proibição de abater fora ao "acampamento" — e, em Guilgal, não havia mais um acampamento organizado, já que o povo começava a se espalhar por toda a terra na conquista. Pela mesma razão, as oferendas de santidade leve podiam ser comidas em qualquer lugar, pois não havia mais o acampamento único que existia no deserto.
Rashi esclarece que a chegada a Guilgal ocorreu logo após a travessia do Jordão, e que ali o Tabernáculo ficou fixo durante os sete anos de conquista e os sete de divisão da terra; a permissão dos altares particulares deriva do verso posterior sobre "cada um fazendo o que é reto a seus próprios olhos". Sobre "oferendas de santidade suprema", explica que apenas as comestíveis não eram oferecidas em altar particular individual — pois nada que exige voto ou doação formal é oferecido em altar pequeno, nem há oferenda de cereais em altar particular; por isso a oferenda queimada era a única oferida em altar individual, sem ser comida, enquanto a oferenda pelo pecado e a de culpa exigiam altar comunitário e eram comidas dentro das cortinas. Sobre as oferendas de santidade leve em qualquer lugar, explica que, com o fim das bandeiras e a dispersão do povo pela terra em conquista, cessou também a santidade específica do acampamento de Israel; o segundo dízimo não é mencionado aqui porque os dízimos só passaram a valer depois da conquista e do assentamento definitivo.