Com esta mishná, o capítulo muda de direção: das leis técnicas sobre responsabilidade por oferecer fora, passa a uma narrativa histórica sobre os lugares legítimos de culto antes da construção do Templo permanente. A quarta mishná estabelece o primeiro marco: a ereção do Tabernáculo no deserto, que proibiu os altares particulares (bamot) e transferiu o serviço sacrificial dos primogênitos para os sacerdotes.
Antes que o Tabernáculo fosse erguido, os altares particulares eram permitidos, e o serviço era feito pelos primogênitos. — Antes da ereção do Tabernáculo — desde a época dos patriarcas até a saída do Egito e o período inicial no deserto — qualquer israelita podia erguer seu próprio altar particular (bamá) e oferecer sacrifícios nele, e o serviço sacrificial cabia aos primogênitos de cada família, ainda não substituídos pelos sacerdotes.
Desde que o Tabernáculo foi erguido, os altares particulares foram proibidos, e o serviço passou a ser feito pelos sacerdotes. — Com a ereção do Tabernáculo no deserto, a centralização do culto começou: os altares particulares foram proibidos, e todo sacrifício passou a exigir o único altar do Tabernáculo — e, com essa mudança, o serviço sacrificial também passou dos primogênitos para os sacerdotes consagrados, descendentes de Aharon.
As oferendas de santidade suprema são comidas dentro das cortinas. As oferendas de santidade leve, em todo o acampamento de Israel. — A mishná acrescenta a regra de onde se comiam as oferendas nesse período do deserto: as de santidade suprema, reservadas aos sacerdotes, apenas dentro das cortinas que cercavam o átrio do Tabernáculo; as de santidade leve, de consumo mais amplo, em qualquer ponto do acampamento de Israel, organizado então em torno do Tabernáculo segundo as bandeiras das tribos.
Rambam confirma que "os jovens dos filhos de Israel" são os primogênitos, pois o serviço sacrificial sempre coube aos primogênitos, desde Adão até Moshé Rabênu. Observa, à margem, que hoje é permitido a um não-judeu oferecer sacrifícios ao Céu em qualquer lugar que deseje, desde que construa ali um altar particular — mas é proibido a um israelita ajudá-lo ou servir de seu agente para isso, já que aos israelitas foi ordenado não oferecer em qualquer lugar; é permitido, porém, instruí-los e ensiná-los como proceder. A proibição de oferecer em altar particular, a partir da ereção do Tabernáculo, deriva de "e à entrada da Tenda do Encontro não o trouxe", e a transferência do serviço aos sacerdotes está igualmente explícita nos versos da Torá.
Bartenura confirma que "o serviço nos primogênitos" deriva de "enviou os jovens dos filhos de Israel", identificados como os primogênitos aos quais cabia o serviço. Sobre a proibição dos altares particulares a partir da ereção do Tabernáculo, explica que ela deriva de "e à entrada da Tenda do Encontro não o trouxe", do que se conclui que a proibição está condicionada à existência de uma Tenda do Encontro. Precisa que a proibição recai especificamente sobre Israel: os não-judeus permanecem autorizados a oferecer sacrifícios ao Céu em qualquer lugar, mesmo nos dias de hoje; mas é proibido a um israelita servir-lhes de agente ou auxiliar nessa oferenda — embora seja permitido ensinar-lhes a ordem correta do procedimento.
Rashi confirma que a atribuição do serviço aos primogênitos deriva de Shemot 24, e que a proibição dos altares particulares após a ereção do Tabernáculo deriva do mesmo verso já citado sobre o abate de sacrifícios fora. Sobre a transferência do serviço aos sacerdotes, remete ao verso "aproxima-te do altar", dirigido a Aharon; sobre "dentro das cortinas", remete ao verso que situa o consumo da oferenda pelo pecado, da oferenda de culpa e da oferenda de cereais no átrio da Tenda do Encontro. Sobre "as oferendas de santidade leve em todo o acampamento de Israel", esclarece que se refere ao acampamento tal como organizado pelas bandeiras das tribos ao redor do Tabernáculo, cujos limites precisos já foram derivados dos versos no capítulo "Eizehu Mekoman", anteriormente no tratado.