A terceira mishná compara os dois atos — abate e oferenda para cima fora do átrio — mostrando um ponto em que o abate é mais rigoroso e outro em que a oferenda é mais rigorosa, e fecha com a disputa entre Rabi Shimon e Rabi Yosei sobre se cada ato sucessivo de oferecer partes da mesma oferenda gera responsabilidade separada, e sobre o que conta como altar para essa responsabilidade.
Há maior rigor no abate do que na oferenda para cima, e há maior rigor na oferenda para cima do que no abate. Maior rigor no abate: que aquele que abate para uso comum é responsável, mas aquele que oferece para cima para uso comum é isento. — A mishná compara agora os dois atos entre si, mostrando que nenhum deles é absolutamente mais grave que o outro — cada um é mais rigoroso em um aspecto específico. No abate, o rigor está na intenção: mesmo que a pessoa tenha em mente um uso comum e não sagrado ao abater fora, ainda assim é responsável; já na oferenda para cima, se a intenção era para uso comum, não há responsabilidade.
Maior rigor na oferenda para cima: dois que seguraram a faca e abateram juntos são isentos; seguraram um membro e o ofereceram para cima juntos, são responsáveis. — Aqui o rigor maior recai sobre a oferenda para cima: quando dois sacerdotes seguram juntos a faca e realizam o abate em conjunto, nenhum deles é responsável, pois a Torá fala de um único homem que abate; mas se dois seguram juntos um membro e o oferecem para cima, ambos são responsáveis, pois quanto à oferenda para cima a Torá inclui explicitamente mais de uma pessoa.
Ofereceu para cima, e voltou e ofereceu para cima, e voltou e ofereceu para cima — é responsável por cada oferenda para cima, palavras de Rabi Shimon. Rabi Yosei diz: não é responsável senão uma vez, e não é responsável até que ofereça para cima o topo do altar. — A mishná registra a disputa sobre alguém que, em momentos distintos de inadvertência, oferece para cima fora, sucessivamente, diferentes partes da mesma oferenda: para Rabi Shimon, cada ato de oferenda gera responsabilidade própria, ainda que se trate do mesmo animal; para Rabi Yosei, há apenas uma responsabilidade, e, além disso, ele exige que a oferenda tenha sido efetivamente colocada sobre o topo de um altar construído para esse fim — não bastando depositá-la em qualquer superfície.
Rabi Shimon diz: mesmo que tenha oferecido para cima sobre a rocha ou sobre a pedra, é responsável. — Rabi Shimon discorda também nesse ponto: para ele, não é necessário um altar propriamente construído — basta que a oferenda tenha sido colocada sobre qualquer rocha ou pedra para que haja responsabilidade.
Rambam explica que todas essas leis são tradição recebida, apoiada em versículos: quem abate para um homem [uso comum] é responsável, pois está escrito "sangue será imputado a esse homem" — mesmo abatendo para um homem comum; e sobre a oferenda para cima está dito "para fazê-lo para o Eterno" — até que tenha em mente fazê-lo para o Eterno, e então, se for fora, é responsável por excisão, e dentro é válido. Está dito sobre quem abate fora: "que abater um touro, ou cordeiro, ou cabra" — um, e não dois; e sobre quem oferece para cima fora: "qualquer homem da casa de Israel" — mesmo que sejam dois. E disse ainda, sobre quem oferece para cima fora, "para fazê-lo para o Eterno"; por isso Rabi Shimon diz que essa expressão recai sobre cada membro em particular, sendo responsável por cada um separadamente. Rabi Yosei diz que ela recai sobre a oferenda inteira, sendo responsável apenas pela oferenda completa; e diz também que não se chama "oferecer para cima", mesmo fora, senão sobre um altar, trazendo prova de Noé, sobre quem está dito "e ofereceu sobre a rocha para o Eterno". E a lei segue Rabi Yosei em tudo isso.
Bartenura explica que aquele que abate oferendas sagradas fora para consumo comum é responsável; mas aquele que oferece para cima fora para uso comum é isento pela oferenda para cima fora, pois quanto ao abate está escrito "o sangue será imputado ao homem" — mesmo abatendo para um homem — e quanto à oferenda para cima está escrito "para fazê-lo para o Eterno", não sendo responsável a menos que tenha em mente fazê-lo para o Eterno. Sobre "e abateram, são isentos", explica que está escrito "o sangue será imputado a esse homem" — um, e não dois; e sobre "e o ofereceram para cima, são responsáveis", que está escrito "qualquer homem... que oferecer para cima" para incluir dois que seguraram um membro e o ofereceram para cima juntos. Sobre "até que ofereça para cima o topo do altar", remete a "e Noé edificou um altar para o Eterno" — donde se conclui que, mesmo numa bamá individual fora, não há oferenda para cima sem altar. E sobre "mesmo que tenha oferecido para cima sobre a rocha", explica que está escrito "e o sacerdote aspergirá o sangue sobre o altar do Eterno, à entrada da Tenda do Encontro" — e não sobre um altar de bamá individual. E a lei segue Rabi Yosei.
Rashi esclarece que aquele que abate oferendas sagradas fora para consumo comum é responsável; e sobre aquele que oferece para cima para consumo comum, explica que é isento pela oferenda para cima fora, mas é responsável por idolatria, e que, se agiu intencionalmente quanto à idolatria e inadvertidamente quanto à oferenda para cima fora, não traz oferenda pelo pecado por sua inadvertência, sendo a razão explicada na Guemará. Sobre "dois que seguraram", remete a explicação à Guemará. Sobre "ofereceu para cima, e ficou sabendo, e voltou e ofereceu para cima", esclarece que se trata do mesmo animal, sendo a controvérsia entre os tannaim explicada na Guemará. Sobre "até que ofereça para cima o topo do altar", explica que seria necessário construir um altar para esse fim e então oferecer para cima, sendo a razão também explicada na Guemará.