A segunda mishná aplica ao ato de comer o mesmo padrão de disputa da mishná anterior: o impuro que come alimento sagrado, seja este puro seja já impuro, é responsável. A mishná registra novamente a posição de Rabi Yosei HaGelili — que isenta o impuro que come algo já impuro — e a réplica dos Sábios, acrescentando o caso inverso do puro que come algo impuro.
O impuro que comeu, seja alimento sagrado impuro seja alimento sagrado puro, é responsável. — A mishná transpõe para o ato de comer o mesmo esquema da mishná anterior: uma pessoa em estado de impureza que come alimento sagrado é responsável — pouco importando se o próprio alimento estava puro ou já impuro — pois a transgressão central é a de um corpo impuro que consome coisa sagrada.
Rabi Yosei HaGelili diz: o impuro que comeu algo puro é responsável. E o impuro que comeu algo impuro é isento, pois não comeu senão uma coisa impura. — Rabi Yosei HaGelili distingue, tal como fez na mishná anterior a respeito do abate e da oferenda para cima: se a pessoa impura come alimento que ainda estava puro, há responsabilidade plena, pois havia ali algo apto a ser comido licitamente. Mas se o próprio alimento já estava impuro antes de ser consumido, para ele já não se trata mais de "comer sagrado" em sentido pleno, mas de comer uma coisa já impura — e por isso não há responsabilidade adicional pela impureza do corpo.
Disseram-lhe: também o impuro que comeu algo puro — visto que o tocou, já o tornou impuro. E o puro que comeu algo impuro é isento, pois não é responsável senão pela impureza do corpo. — Os Sábios replicam com o mesmo raciocínio da mishná anterior: no instante em que a pessoa impura toca o alimento puro, ela mesma já o torna impuro por seu contato — de modo que, tecnicamente, ela também acaba comendo algo já impuro; e, ainda assim, é certamente responsável. A mishná acrescenta o caso oposto: uma pessoa pura que come algo impuro é isenta, pois a responsabilidade aqui decorre exclusivamente da impureza do corpo de quem come, e não da impureza do próprio alimento.
Rambam explica que todos concordam que, se o corpo se tornou impuro e depois a carne se tornou impura, aquele que comer dessa carne é responsável por excisão; por isso não é correto opor a Rabi Yosei o argumento "visto que o tocou, já o tornou impuro" — pois a controvérsia só existe quando a carne se tornou impura primeiro e depois a pessoa, já transgressora, a comeu. Os Sábios dizem que é responsável por excisão porque entendem tratar-se de uma proibição abrangente (issur kolel): visto que, por força do contato, a carne pura se tornou proibida a ele, a mesma proibição recai também sobre a carne já impura, para que ele seja responsável também pela impureza do corpo. Rabi Yosei HaGelili não aceita o princípio da proibição abrangente — esse conceito será explicado adiante, em Keritot. Mas, quanto ao corpo em si, só é responsável por excisão se ele próprio estava impuro, sem se considerar a impureza da carne — e é isso que está dito: "a pessoa que tocar em qualquer coisa impura" refere-se à impureza do homem. E "isento" quer dizer isento de excisão, mas responsável por açoites; e está escrito na Tosefta de Zevachim que o puro que come impuro recebe os quarenta açoites. E a lei não segue Rabi Yosei.
Bartenura explica que, como Rabi Yosei HaGelili e os Sábios discordam nos dois casos — o do abate/oferenda fora e o do impuro que come — e essas duas controvérsias se assemelham, a mishná as ensina juntas. Sobre a posição de Rabi Yosei HaGelili, precisa que, quando o corpo se tornou impuro e depois a carne se tornou impura, ninguém discorda de que há responsabilidade por excisão; a controvérsia só existe quando a carne se tornou impura primeiro e depois o corpo: os Sábios sustentam o princípio da proibição abrangente — visto que a proibição da impureza do corpo recai sobre ele, proibindo-lhe a carne pura que antes lhe era permitida, essa mesma proibição recai também sobre a carne já impura, para que seja responsável também pela impureza do corpo; e Rabi Yosei HaGelili não aceita esse princípio. E a lei não segue Rabi Yosei HaGelili. Sobre "o puro que comeu impuro é isento", esclarece que é isento de excisão, mas recebe os quarenta açoites, por causa de "e a carne que tocar qualquer coisa impura não se comerá". E sobre "não é responsável senão pela impureza do corpo", remete a "e sua impureza estiver sobre ele, será extirpada" — o versículo fala da impureza do corpo.
Rashi explica que a razão de a mishná reunir as duas controvérsias — a do abate/oferenda fora e a do impuro que come — é que ambas se assemelham entre si, por isso foram ensinadas juntas. Sobre "visto que o tocou, já o tornou impuro", esclarece que, ainda assim, ao voltar e comê-lo, ele é responsável — pois tanto faz que a carne se tenha tornado impura por meio dele mesmo quanto por meio de terceiros. E sobre "não é responsável senão pela impureza do corpo", remete ao versículo "e sua impureza estiver sobre ele, será extirpada", explicado no capítulo Beit Shammai [acima, Zevachim 43a] como referindo-se à impureza do corpo — a saber, de alguém de quem a impureza já se dissipou.