Esta primeira mishná do Perek Yud-Guimel abre uma nova unidade temática do tratado: a responsabilidade por abater e por oferecer para cima uma oferenda fora do átrio do Templo, tratados como duas transgressões independentes. A mishná registra a posição dissidente de Rabi Yosei HaGelili, que isenta quem abate fora e depois oferece fora por já se tratar de algo desqualificado, e a réplica dos Sábios.
Aquele que abate e aquele que oferece para cima, fora, é responsável pelo abate e é responsável pela oferenda para cima. — A mishná abre esta nova unidade do tratado tratando de quem abate uma oferenda fora do átrio do Templo e, no mesmo momento de inadvertência, também a oferece para cima fora: os dois atos — abate e oferenda para cima — constituem transgressões independentes entre si, cada uma escrita separadamente na Torá, de modo que ele é responsável por ambas.
Rabi Yosei HaGelili diz: abateu dentro e ofereceu para cima fora, é responsável. Abateu fora e ofereceu para cima fora, é isento, pois não ofereceu para cima fora senão uma coisa desqualificada. — Rabi Yosei HaGelili distingue os dois casos: se o abate ocorreu dentro do átrio — de modo válido — e apenas a oferenda para cima foi feita fora, há responsabilidade plena, pois havia um momento em que o animal era apto. Mas se o próprio abate já ocorreu fora, o animal já ficou desqualificado desde então, de modo que a oferenda para cima subsequente recai sobre algo que nunca foi apto — e por isso, para ele, não há responsabilidade por esse segundo ato.
Disseram-lhe: também aquele que abate dentro e oferece para cima fora — visto que o tirou para fora, já o desqualificou. — Os Sábios replicam a Rabi Yosei HaGelili com o mesmo raciocínio que ele próprio usou: mesmo no caso em que o abate ocorreu dentro, no instante em que o sacerdote retira o animal para fora do átrio, ele já o desqualifica — e, portanto, quando o oferece para cima, também ali está oferecendo algo já desqualificado. Como, ainda assim, todos concordam que há responsabilidade nesse caso, conclui-se que o mesmo raciocínio deve valer também para quem abate fora, sustentando a posição do primeiro tanna contra a distinção de Rabi Yosei HaGelili.
Rambam explica que é lei da própria Torá que quem oferece sacrifícios fora do Templo é responsável por excisão (karet), pois está dito: "que oferecer oferenda de queima total ou sacrifício... à entrada da Tenda do Encontro" etc. Explica o argumento de Rabi Yosei HaGelili contra os Sábios: quem abate dentro e oferece para cima fora, ainda que ofereça algo desqualificado, teve um momento de aptidão; mas quem abate fora nunca teve momento de aptidão. E o que Rabi Yosei chama de "isento" refere-se apenas à isenção quanto à oferenda para cima — quanto ao abate, todos concordam que é responsável, pois a Torá disse "à entrada da Tenda do Encontro não o trará". Por isso, na opinião do primeiro tanna, quem abate fora e oferece para cima fora é responsável duas vezes, e Rabi Yosei diz uma vez; e a lei não segue Rabi Yosei.
Bartenura explica que aquele que abate oferendas sagradas fora e as oferece para cima fora, num único momento de inadvertência, é responsável pelo abate e responsável pela oferenda para cima, pois são dois corpos de transgressão distintos, já que ambos os verbos estão escritos: "que abater" e "que oferecer". Sobre "visto que o tirou, desqualificou-o", esclarece que, ainda assim, é responsável — e o mesmo vale para quem abate fora e oferece para cima fora. E Rabi Yosei HaGelili poderia responder: o que há de comum entre quem abate dentro e oferece para cima fora, que teve um momento de aptidão, e quem abate fora e oferece para cima fora, que não teve momento de aptidão? E a lei não segue Rabi Yosei HaGelili.
Rashi identifica que a mishná trata de quem abate oferendas sagradas fora e as oferece para cima fora, num único momento de inadvertência — sendo responsável pelo abate e pela oferenda para cima porque são dois corpos de transgressão distintos, já que ambos os verbos estão escritos: "que abater" e "que oferecer" (Levítico 17). Sobre a posição de Rabi Yosei HaGelili, explica que ele exige que a oferenda seja passível de ser recebida dentro, pois está escrito "e à entrada da Tenda do Encontro não o trará" — de modo que quem abateu fora já ofereceu apenas algo desqualificado. E sobre "visto que o tirou, desqualificou-o", esclarece que, ainda assim, é responsável, e o mesmo se aplica a quem abate fora e oferece para cima fora.