A sétima mishná generaliza a exigência de esfregação e enxágue do vaso de cobre para além da oferenda de pecado, estendendo-a a qualquer oferenda cozida ou mesmo apenas fervida dentro dele — tanto santíssimas quanto de santidade leve, na visão da maioria dos sábios, contra a posição de Rabi Shimeon. A mishná discute ainda por quanto tempo o mesmo vaso pode ser reutilizado sem nova esfregação durante a festa, disputado entre Rabi Tarfon e os Sábios, e descreve a técnica exata dos dois procedimentos.
Tanto o vaso em que se cozinhou quanto aquele em que se despejou fervente — tanto oferendas santíssimas quanto oferendas de santidade leve — requerem esfregação e enxágue. — A mishná generaliza a regra da esfregação e do enxágue vista nas mishnayot anteriores: ela não se limita ao vaso em que a carne foi efetivamente cozida sobre o fogo, mas se estende também ao vaso em que apenas se despejou carne já fervente de outro recipiente — pois em ambos os casos o sabor absorvido no vaso é o mesmo; e a regra vale tanto para as oferendas santíssimas quanto para as de santidade leve.
Rabi Shimeon diz: as oferendas de santidade leve não requerem esfregação e enxágue. — Rabi Shimeon discorda quanto ao alcance da regra: para ele, apenas o vaso usado no cozimento das oferendas santíssimas — e da oferenda de pecado em particular — exige esse procedimento específico de esfregação e enxágue; as oferendas de santidade leve, embora ainda precisem de alguma purga do vaso, não estão sujeitas à mesma exigência técnica formal.
Rabi Tarfon diz: se cozinhou nele desde o início da festa, poderá cozinhar nele durante toda a festa. E os Sábios dizem: até o momento do comer. — A mishná registra uma disputa sobre a frequência exigida da esfregação: Rabi Tarfon sustenta que, uma vez usado o vaso desde o começo da festa, ele pode continuar sendo reutilizado, sem nova esfregação, ao longo de todos os dias da festa — pois o uso contínuo faz com que cada cozimento novo "purgue" o sabor absorvido do anterior. Os Sábios discordam, exigindo que a esfregação e o enxágue ocorram, no máximo, até o fim do período em que ainda é permitido comer a carne cozida — não além.
Esfregação e enxágue — a esfregação é como a esfregação do copo, e o enxágue é como o enxágue do copo. A esfregação é com água quente, e o enxágue é com água fria. — A mishná descreve a técnica exata dos dois procedimentos por analogia com a limpeza de um copo: a esfregação atua por dentro, removendo o que ficou absorvido nas paredes internas do vaso, e o enxágue atua por fora, como um acabamento final; a esfregação exige água quente, capaz de expelir o sabor absorvido, e o enxágue, água fria, como etapa complementar.
E o espeto e a grelha, purga-se em água quente. — A mishná acrescenta os utensílios de assar — o espeto de metal e a grelha usada para assar carne diretamente sobre o fogo — que, por não terem paredes que retenham líquido como um vaso, não passam por esfregação e enxágue propriamente ditos, mas por uma purga simples em água fervente.
Rambam explica que a exigência de esfregação e enxágue se aplica a qualquer vaso usado para cozinhar ou reter alimento, seja de oferendas santíssimas seja de santidade leve. Sobre a posição de Rabi Tarfon, esclarece que ele permite usar o mesmo vaso, sem nova esfregação, durante todos os dias da festa — já que o oferente, ocupado com a alegria da festividade, não deveria ser sobrecarregado com essa tarefa diária; mas ao final da festa a esfregação se torna necessária segundo todos. Os Sábios, porém, exigem a esfregação já ao término de cada período de tempo permitido para o consumo. Quanto à técnica, explica que "como a esfregação do copo" significa que não é preciso esfregar até remover todo vestígio, bastando o padrão usual de limpeza; e explica a grelha como uma armação de ferro para assar carne, cuja purga consiste em derreter e remover a gordura absorvida — o procedimento sendo colocar os utensílios em água fervente sobre o fogo, despejar dessa água sobre eles e enxaguá-los em água fria. A lei segue os Sábios.
Bartenura explica a razão da posição de Rabi Tarfon: como as oferendas de paz são abundantes durante a festa, o sabor absorvido de um dia é "purgado" pelo cozimento do dia seguinte, de modo que o vaso nunca chega a reter sabor que se torne proibido por ultrapassar o prazo de consumo. Os Sábios, porém, exigem que a esfregação ocorra logo ao fim do tempo permitido para comer, sem demora além disso — e a lei segue essa posição. Bartenura identifica a grelha ("askelá") com o instrumento francês antigo usado para assar carne sobre brasas, e confirma que sua purga se faz em água quente.
Rashi esclarece a posição de Rabi Shimeon: mesmo isentando as oferendas de santidade leve da esfregação e do enxágue formais, ele concorda que o vaso ainda precisa de purga em água fervente, para não reter sabor que se tornaria proibido depois de vencido o prazo de consumo — a isenção de Rabi Shimeon se refere apenas à categoria técnica específica de "esfregação e enxágue", exigida pela Torá especificamente para as oferendas santíssimas. Sobre a posição de Rabi Tarfon, Rashi explica o mecanismo exato: como as oferendas de paz são abundantes durante a festa, e seu prazo de consumo é de dois dias, o cozimento de um dia expele o sabor absorvido no dia anterior e absorve o sabor do cozimento mais recente — de modo que o vaso nunca chega a reter, de fato, um sabor já vencido.