Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Yud-Alef · Mishná 7 de 8

Tanto o vaso em que se cozinhou quanto aquele em que se despejou fervente requerem esfregação

אֶחָד שֶׁבִּשֵּׁל בּוֹ וְאֶחָד שֶׁעֵרָה לְתוֹכוֹ רוֹתֵחַ טְעוּנִין מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A sétima mishná generaliza a exigência de esfregação e enxágue do vaso de cobre para além da oferenda de pecado, estendendo-a a qualquer oferenda cozida ou mesmo apenas fervida dentro dele — tanto santíssimas quanto de santidade leve, na visão da maioria dos sábios, contra a posição de Rabi Shimeon. A mishná discute ainda por quanto tempo o mesmo vaso pode ser reutilizado sem nova esfregação durante a festa, disputado entre Rabi Tarfon e os Sábios, e descreve a técnica exata dos dois procedimentos.

Tanto o vaso em que se cozinhou quanto aquele em que apenas se despejou carne fervente, e tanto para oferendas santíssimas quanto de santidade leve, requerem esfregação e enxágue — posição que Rabi Shimeon restringe, isentando as de santidade leve.

Tanto o vaso em que se cozinhou quanto aquele em que se despejou fervente — tanto oferendas santíssimas quanto oferendas de santidade leve — requerem esfregação e enxágue.A mishná generaliza a regra da esfregação e do enxágue vista nas mishnayot anteriores: ela não se limita ao vaso em que a carne foi efetivamente cozida sobre o fogo, mas se estende também ao vaso em que apenas se despejou carne já fervente de outro recipiente — pois em ambos os casos o sabor absorvido no vaso é o mesmo; e a regra vale tanto para as oferendas santíssimas quanto para as de santidade leve.

Rabi Shimeon diz: as oferendas de santidade leve não requerem esfregação e enxágue.Rabi Shimeon discorda quanto ao alcance da regra: para ele, apenas o vaso usado no cozimento das oferendas santíssimas — e da oferenda de pecado em particular — exige esse procedimento específico de esfregação e enxágue; as oferendas de santidade leve, embora ainda precisem de alguma purga do vaso, não estão sujeitas à mesma exigência técnica formal.

אֶחָד שֶׁבִּשֵּׁל בּוֹ וְאֶחָד שֶׁעֵרָה לְתוֹכוֹ רוֹתֵחַ, אֶחָד קָדְשֵׁי קָדָשִׁים וְאֶחָד קָדָשִׁים קַלִּים, טְעוּנִין מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, קָדָשִׁים קַלִּים אֵינָן טְעוּנִין מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה:
Sobre o tempo de uso do mesmo vaso ao longo da festa, e sobre a técnica exata da esfregação e do enxágue.

Rabi Tarfon diz: se cozinhou nele desde o início da festa, poderá cozinhar nele durante toda a festa. E os Sábios dizem: até o momento do comer.A mishná registra uma disputa sobre a frequência exigida da esfregação: Rabi Tarfon sustenta que, uma vez usado o vaso desde o começo da festa, ele pode continuar sendo reutilizado, sem nova esfregação, ao longo de todos os dias da festa — pois o uso contínuo faz com que cada cozimento novo "purgue" o sabor absorvido do anterior. Os Sábios discordam, exigindo que a esfregação e o enxágue ocorram, no máximo, até o fim do período em que ainda é permitido comer a carne cozida — não além.

Esfregação e enxágue — a esfregação é como a esfregação do copo, e o enxágue é como o enxágue do copo. A esfregação é com água quente, e o enxágue é com água fria.A mishná descreve a técnica exata dos dois procedimentos por analogia com a limpeza de um copo: a esfregação atua por dentro, removendo o que ficou absorvido nas paredes internas do vaso, e o enxágue atua por fora, como um acabamento final; a esfregação exige água quente, capaz de expelir o sabor absorvido, e o enxágue, água fria, como etapa complementar.

E o espeto e a grelha, purga-se em água quente.A mishná acrescenta os utensílios de assar — o espeto de metal e a grelha usada para assar carne diretamente sobre o fogo — que, por não terem paredes que retenham líquido como um vaso, não passam por esfregação e enxágue propriamente ditos, mas por uma purga simples em água fervente.

רַבִּי טַרְפוֹן אוֹמֵר, אִם בִּשֵּׁל בּוֹ מִתְּחִלַּת הָרֶגֶל, יְבַשֵּׁל בּוֹ אֶת כָּל הָרָגֶל. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, עַד זְמַן אֲכִילָה. מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה, מְרִיקָה כִּמְרִיקַת הַכּוֹס, וּשְׁטִיפָה כִּשְׁטִיפַת הַכּוֹס. מְרִיקָה בְּחַמִּין וּשְׁטִיפָה בְּצּוֹנֵן. וְהַשַּׁפּוּד וְהָאַסְכְּלָה מַגְעִילָן בְּחַמִּין:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 11:7
אחד שבישל בו ואחד שעירה לתוכו רותח כו', ר' טרפון אומר אם בשל בו מתחלת הרגל יבשל בו כו': הכלים שמשתמשים בהם לבשול ובמאכל הם טעונים מריקה ושטיפה, בין שהיו המבושלים בהם קדשי קדשים או קדשים קלים. ומה שאמר רבי טרפון יבשל בו כל הרגל, רוצה לומר יבשל בו כל היום כל ימות הרגל... מתוך שהוא עסוק בשמחת הרגל, ועל כל פנים צריכה מריקה לדברי הכל. וחכמים אומרים שלא יאחר למרקו אלא כפי זמן האכילה בלבד, וכשתכלה האכילה ממרק אותו. מריקה בחמין ושטיפה בצונן, ומה שאמר כמריקת הכוס ושטיפת הכוס רוצה לומר שאינו חייב להפליג עד שיסיר כל הרושם. ואיסכלא שבכה של ברזל שצולין עליה בשר, ופירוש מגעילן שיסיר השמנונית שנבלעה בשפוד. וסדר המעשה הזה לתת אותן הכלים לתוך מים רותחים כשהן על גבי האש, ושופכין עליהם מאותן המים, ושוטפן במים קרים, והלכה כחכמים:

Rambam explica que a exigência de esfregação e enxágue se aplica a qualquer vaso usado para cozinhar ou reter alimento, seja de oferendas santíssimas seja de santidade leve. Sobre a posição de Rabi Tarfon, esclarece que ele permite usar o mesmo vaso, sem nova esfregação, durante todos os dias da festa — já que o oferente, ocupado com a alegria da festividade, não deveria ser sobrecarregado com essa tarefa diária; mas ao final da festa a esfregação se torna necessária segundo todos. Os Sábios, porém, exigem a esfregação já ao término de cada período de tempo permitido para o consumo. Quanto à técnica, explica que "como a esfregação do copo" significa que não é preciso esfregar até remover todo vestígio, bastando o padrão usual de limpeza; e explica a grelha como uma armação de ferro para assar carne, cuja purga consiste em derreter e remover a gordura absorvida — o procedimento sendo colocar os utensílios em água fervente sobre o fogo, despejar dessa água sobre eles e enxaguá-los em água fria. A lei segue os Sábios.

Bartenura · Zevachim 11:7
יְבַשֵּׁל בּוֹ אֶת כָּל הָרֶגֶל. בְּלֹא מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה, וּלְבַסּוֹף הָרֶגֶל יִמְרֹק וְיִשְׁטֹף, לְפִי שֶׁכָּל יוֹם נַעֲשָׂה גִעוּל לַחֲבֵרוֹ, דְּמִתּוֹךְ שֶׁשְּׁלָמִים מְרֻבִּים בָּרֶגֶל אֵין בָּלוּעַ שֶׁלָּהֶן נַעֲשֶׂה נוֹתָר: וַחֲכָמִים אוֹמְרִים עַד זְמַן אֲכִילָה. שֶׁלֹּא יְהֵא בֵּין סוֹף הַבִּשּׁוּל לִתְחִלַּת מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה אֶלָּא זְמַן אֲכִילָה בִּלְבַד וְלֹא יוֹתֵר מִזֶּה. וַהֲלָכָה כַּחֲכָמִים: הָאַסְכְּלָא. גְּרַאדִיל"א בְּלַעַ"ז, וְהִיא עֲשׂוּיָה כְּעֵין שְׂבָכָה וְצוֹלִין עָלָיו צְלִי: מַגְעִילָן. בְּחַמִּין:

Bartenura explica a razão da posição de Rabi Tarfon: como as oferendas de paz são abundantes durante a festa, o sabor absorvido de um dia é "purgado" pelo cozimento do dia seguinte, de modo que o vaso nunca chega a reter sabor que se torne proibido por ultrapassar o prazo de consumo. Os Sábios, porém, exigem que a esfregação ocorra logo ao fim do tempo permitido para comer, sem demora além disso — e a lei segue essa posição. Bartenura identifica a grelha ("askelá") com o instrumento francês antigo usado para assar carne sobre brasas, e confirma que sua purga se faz em água quente.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 95b–97a, sobre a Guemará desta mishná
מַתְנִי' ר"שׁ אוֹמֵר קָדָשִׁים קַלִּים כוּ' — וּבַגְּמָ' מְפָרֵשׁ טַעְמָא, וְאִם תֹּאמַר הֲרֵי הַבָּלוּעַ נַעֲשֶׂה נוֹתָר וּפוֹלְטוֹ בְּהֶתֵּר לְאַחַר זְמָן, מוֹדֶה רַבִּי שִׁמְעוֹן דְּבָעֵי הַגְעָלָה בְּרוֹתְחִין, וּמִתּוֹרַת מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה הוּא דְּמַמְעֵט: מַתְנִי' יְבַשֵּׁל בּוֹ כָּל הָרֶגֶל — בְּלֹא מְרִיקָה וּשְׁטִיפָה, וּלְבַסּוֹף הָרֶגֶל יִמְרֹק וְיִשְׁטֹף, וְטַעְמָא מְפָרֵשׁ בַּגְּמָרָא: נַעֲשֶׂה גִּעוּל לַחֲבֵרוֹ — מִתּוֹךְ שֶׁהַשְּׁלָמִים מְצוּיִין בָּרֶגֶל, אֵין בָּלוּעַ שֶׁלָּהּ נַעֲשֶׂה נוֹתָר, שֶׁהֲרֵי זְמַן שְׁלָמִים לִשְׁנֵי יָמִים, וְכִי מְבַשֵּׁל בֵּיהּ שְׁלָמִים הָאִידְנָא וַהֲדַר מְבַשֵּׁל בֵּיהּ שְׁלָמִים לְמָחָר, פּוֹלֵט מַה שֶּׁבָּלַע אֶתְמוֹל וּבוֹלֵעַ מִן הָאַחֲרוֹנוֹת: הָאַסְכְּלָא — גַּרְדִּיל"י, וְצוֹלִין עָלָיו צְלִי:

Rashi esclarece a posição de Rabi Shimeon: mesmo isentando as oferendas de santidade leve da esfregação e do enxágue formais, ele concorda que o vaso ainda precisa de purga em água fervente, para não reter sabor que se tornaria proibido depois de vencido o prazo de consumo — a isenção de Rabi Shimeon se refere apenas à categoria técnica específica de "esfregação e enxágue", exigida pela Torá especificamente para as oferendas santíssimas. Sobre a posição de Rabi Tarfon, Rashi explica o mecanismo exato: como as oferendas de paz são abundantes durante a festa, e seu prazo de consumo é de dois dias, o cozimento de um dia expele o sabor absorvido no dia anterior e absorve o sabor do cozimento mais recente — de modo que o vaso nunca chega a reter, de fato, um sabor já vencido.