Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Yud-Alef · Mishná 6 de 8

Vaso de cobre que saiu para fora das cortinas volta a entrar e é esfregado em lugar sagrado

כְּלִי נְחשֶׁת שֶׁיָּצָא חוּץ לַקְּלָעִים נִכְנָס וּמוֹרְקוֹ וְשׁוֹטְפוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A sexta mishná completa a sequência iniciada na anterior, tratando agora do vaso de cobre usado no cozimento da carne da oferenda de pecado. A lógica é a mesma — mas a técnica para retirá-lo da impureza é diferente: como o metal não se torna puro por um simples furo pequeno, como o barro, é necessário amassá-lo (produzindo uma abertura maior), para depois martelá-lo de volta à forma de vaso e cumprir dentro do átrio a esfregação e o enxágue exigidos.

O vaso de cobre que saiu do átrio antes de esfregado e enxaguado volta a entrar para cumprir ali o preceito; se, porém, se contaminou do lado de fora, amassa-se para retirá-lo da impureza, e só depois de reentrar — já restaurado à forma de vaso — recebe a esfregação e o enxágue exigidos.

Vaso de cobre que saiu para fora das cortinas — volta a entrar e é esfregado e enxaguado em lugar sagrado.Como no caso da veste e do vaso de barro, se o vaso de cobre em que se cozinhou a carne da oferenda de pecado sai do átrio antes de passar pela esfregação e pelo enxágue, permanecendo puro, basta que reentre para que o procedimento seja cumprido dentro do lugar sagrado.

Se se contaminou fora das cortinas, faz-se um furo nele, e volta a entrar e é esfregado e enxaguado em lugar sagrado.Quando o vaso de cobre se contamina do lado de fora, a técnica difere da usada para o barro: como o metal, ao contrário do barro, não se purifica por um furo pequeno — só um furo suficientemente grande retira o vaso metálico da categoria de impureza —, faz-se nele essa abertura maior; e, uma vez purificado, martela-se o vaso de volta à sua forma original, restaurando seu estatuto de utensílio, para então reentrar no átrio e cumprir ali a esfregação e o enxágue.

כְּלִי נְחשֶׁת שֶׁיָּצָא חוּץ לַקְּלָעִים, נִכְנָס וּמוֹרְקוֹ וְשׁוֹטְפוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ. נִטְמָא חוּץ לַקְּלָעִים, פּוֹחֲתוֹ, וְנִכְנָס וּמוֹרְקוֹ וְשׁוֹטְפוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 11:6
כלי נחשת שיצא חוץ לקלעים נכנס ומורקו כו': דבר תורה, אם בכלי נחשת בושלה מורק ושוטף במים. ומה שאמר פוחתו הוא שישבר אותו, אבל אינו חייב במריקה מן התורה אלא שנאמר כלי נחשת, ואין הפרש בין כלי נחשת ושאר מתכות:

Rambam observa que a obrigação de esfregar e enxaguar o vaso de cobre em que se cozinhou a oferenda de pecado é, por si só, um preceito da própria Torá. Sobre a expressão "amassa-se", explica que se trata de produzir nele uma quebra parcial suficiente para retirá-lo da impureza — sem que a esfregação em si seja um preceito derivado explicitamente do texto sobre a impureza, mas sim porque o versículo específico menciona "vaso de cobre". Rambam acrescenta que não há distinção, para esse fim, entre o cobre e os demais metais: a mesma regra se aplica a qualquer vaso metálico usado no cozimento da chatat.

Bartenura · Zevachim 11:6
פּוֹחֲתוֹ. דִּכְלִי מַתָּכוֹת אֵינוֹ טָהוֹר מִטֻּמְאָתוֹ בְּנֶקֶב כָּל שֶׁהוּא אֶלָּא בְּנֶקֶב גָּדוֹל. וּמִיהוּ אַחַר שֶׁפְּחָתוֹ, מַקִּישׁ עָלָיו בְּקֻרְנָס וּמְחַבְּרוֹ, כְּדֵי שֶׁיַּחֲזֹר שֵׁם כְּלִי עָלָיו, דְּבִשְׁעַת מְרִיקָה צָרִיךְ שֶׁיִּהְיֶה כְּלִי:

Bartenura confirma a razão técnica da diferença entre metal e barro: um vaso de metal só se purifica por um furo grande, ao contrário do barro. Por isso, depois de amassado o vaso de cobre para retirá-lo da impureza, é preciso martelá-lo e recompô-lo, de modo que volte a ter o estatuto de vaso — pois, no momento em que se realiza a esfregação exigida pela mishná, o objeto precisa necessariamente ter esse estatuto de vaso completo.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 94b–95a, sobre a Guemará desta mishná
פּוֹחֲתוֹ — דִּכְלֵי מַתָּכוֹת אֵינוֹ טָהוֹר מִטֻּמְאָתוֹ בְּנֶקֶב כָּל שֶׁהוּא אֶלָּא בְּנֶקֶב גָּדוֹל: וּמְשַׁנֵּי דְּרַצֵּף לֵיהּ מְרַצֵּף — אַחַר שֶׁפְּחָתוֹ מַכִּין עָלָיו בְּקוּרְנָס וּמְחַבְּרוֹ, וְחָזַר שֵׁם כְּלִי עָלָיו, וְגַבֵּי כְּלִי חֶרֶס אִיכָּא לְמֵימַר דְּנִיקְּבוֹ דְּמַתְנִיתִין בְּמוֹצִיא מַשְׁקֶה לְטַהֵר וַעֲדַיִן כְּלִי הוּא:

Rashi explica por que o procedimento do vaso de cobre difere do vaso de barro: um utensílio de metal só se purifica da impureza por um furo grande, ao contrário do barro, que se purifica já por um furo pequeno o suficiente para vazar líquido. Por isso, depois de amassado o vaso de cobre, é necessário martelá-lo de volta e recompô-lo, restaurando-lhe o estatuto de vaso — pois é como vaso que ele deve, então, ser esfregado e enxaguado dentro do átrio, cumprindo o preceito. Rashi observa ainda que, no caso do vaso de barro da mishná anterior, o furo exigido é apenas o suficiente para permitir a saída de líquido, mantendo o vaso ainda em condição de vaso íntegro.