Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Yud-Alef · Mishná 5 de 8

Veste que saiu para fora das cortinas volta a entrar e é lavada em lugar sagrado

בֶּגֶד שֶׁיָּצָא חוּץ לַקְּלָעִים נִכְנָס וּמְכַבְּסוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A quinta mishná passa a um caso prático: o que fazer quando a veste manchada de sangue, ou o vaso de barro usado no cozimento, saem do átrio antes de cumprido o preceito de lavagem ou quebra dentro do lugar sagrado. A resposta é simples quando o objeto permanece puro — basta reentrar e cumprir o preceito; mas complica-se quando o objeto se contamina do lado de fora, pois um objeto impuro não pode ser trazido de volta ao átrio sem antes ser tornado apto a entrar.

A veste que saiu do átrio antes de lavada volta a entrar e é lavada dentro dele; se, porém, se contaminou do lado de fora, rasga-se primeiro para removê-la da impureza, e só então reentra para a lavagem — e o mesmo procedimento se aplica, com a quebra em vez de rasgar, ao vaso de barro.

Veste que saiu para fora das cortinas — volta a entrar e é lavada em lugar sagrado.A mishná trata do caso em que a veste manchada de sangue de uma oferenda de pecado deixa o átrio do Templo antes de cumprido o preceito de lavagem. Como a veste continua pura, a solução é simples: ela reentra no átrio e ali é lavada, cumprindo normalmente o preceito.

Se se contaminou fora das cortinas, rasga-se, e volta a entrar e é lavada em lugar sagrado.O caso se complica quando a veste, além de sair, também se contamina do lado de fora — pois um objeto impuro não pode, em princípio, ser trazido de volta ao átrio sagrado. A solução técnica é rasgar a maior parte da veste, o que basta para retirá-la da categoria de impureza — permitindo, então, que reentre no átrio para cumprir ali a lavagem da mancha de sangue.

Vaso de barro que saiu para fora das cortinas — volta a entrar e é quebrado em lugar sagrado.A mishná aplica a mesma lógica ao vaso de barro em que se cozinhou a carne da oferenda de pecado: se sair do átrio antes de quebrado, permanecendo puro, basta reentrar para que seja quebrado dentro do lugar sagrado, como o preceito exige.

Se se contaminou fora das cortinas, perfura-se, e volta a entrar e é quebrado em lugar sagrado.E, paralelamente ao caso da veste rasgada, se o vaso de barro se contamina do lado de fora, fura-se nele um pequeno orifício suficiente para retirá-lo da categoria de impureza, sem ainda anular seu estatuto de vaso — permitindo que reentre no átrio para ali ser propriamente quebrado, cumprindo o preceito.

בֶּגֶד שֶׁיָּצָא חוּץ לַקְּלָעִים, נִכְנָס וּמְכַבְּסוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ. נִטְמָא חוּץ לַקְּלָעִים, קוֹרְעוֹ, וְנִכְנָס וּמְכַבְּסוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ. כְּלִי חֶרֶס שֶׁיָּצָא חוּץ לַקְּלָעִים, נִכְנָס וְשׁוֹבְרוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ. נִטְמָא חוּץ לַקְּלָעִים, נוֹקְבוֹ, וְנִכְנָס וְשׁוֹבְרוֹ בְמָקוֹם קָדוֹשׁ:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 11:5
בגד שיצא חוץ לקלעים נכנס ומכבסו במקום כו': אם נטמא אחר שיצא, מפני שאי אפשר להכניס בגד טמא למקדש, קורע המקום שעליו הדם ומכניסו למקדש ומכבסו, וזה מדרבנן, אבל מדאורייתא אינו חייב לכבס אחר קריעה לפי שנאמר על הבגד. ונוקבו, שיקוב אותו נקבים קטנים כשיעור שורש קטן כדי שיטהר מטומאתו, אבל אם ניקבו נקבים גדולים אינו כלי ואינו חייב לשבר אותו במקדש, שנאמר וכלי חרס והוא כבר שברו חוץ למקדש מפני שהנקב הגדול הוא שבירה:

Rambam explica que a solução do rasgo é, na verdade, uma exigência dos sábios: por lei da própria Torá, uma vez rasgada a maior parte da veste, ela já não estaria mais obrigada à lavagem, pois o versículo fala em "veste" — e uma peça já rasgada deixaria de ser, tecnicamente, uma veste íntegra. Mas os sábios exigiram que, mesmo assim, ela reentrasse no átrio para a lavagem, como reforço do preceito. Sobre o vaso de barro, Rambam precisa que o furo deve ser pequeno — do tamanho de uma raiz pequena — suficiente para purificá-lo da impureza sem ainda anular seu estatuto de vaso; caso o furo seja grande demais, o próprio vaso já deixaria de ser considerado vaso, e a quebra ritual dentro do Templo já não se aplicaria, pois teria sido efetivamente "quebrado" fora dele pelo próprio furo excessivo.

Bartenura · Zevachim 11:5
בֶּגֶד. שֶׁנִּתַּז עָלָיו דַּם חַטָּאת וְיָצָא חוּץ לַקְּלָעִים: נִטְמָא חוּץ לַקְּלָעִים. לְאַחַר שֶׁיָּצָא, וְאִי אֶפְשָׁר לְהַכְנִיס טֻמְאָה לָעֲזָרָה: קוֹרְעוֹ. בְּרֻבּוֹ, וְטָהוֹר מִטֻּמְאָתוֹ: נוֹקְבוֹ. לְטַהֲרוֹ מִטֻּמְאָתוֹ, וְדַוְקָא נֶקֶב כְּשִׁעוּר שֹׁרֶשׁ קָטָן, דְּבָזֶה טָהַר מִטֻּמְאָתוֹ וַעֲדַיִן כְּלִי הוּא וּמְקַיֵּם בּוֹ מִצְוַת שְׁבִירָה בַּמִּקְדָּשׁ, אֲבָל אִם נִקַּב נֶקֶב גָּדוֹל, דְּיָצָא מִתּוֹרַת כְּלִי, שׁוּב אֵינוֹ נִכְנָס וְשׁוֹבְרוֹ:

Bartenura confirma que a impureza, uma vez contraída fora do átrio, não pode ser trazida de volta para dentro das cortinas — daí a necessidade do rasgo, que remove a maior parte da veste e a torna pura. Sobre o vaso de barro, precisa que o furo exigido é especificamente do tamanho de uma raiz pequena: com esse furo, o vaso já se purifica da impureza mas continua sendo considerado vaso, permitindo cumprir dentro do átrio o preceito de sua quebra ritual; caso o furo seja maior, o próprio objeto já deixa de ter estatuto de vaso, e não haveria mais sentido em reentrá-lo para "quebrá-lo".

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 94b, sobre a Guemará desta mishná
מַתְנִי' בֶּגֶד — שֶׁנִּיתַּז עָלָיו דַּם חַטָּאת וְיָצָא חוּץ לַקְּלָעִים: נִכְנָס — לָעֲזָרָה וּמְכַבְּסוֹ בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ: נִטְמָא חוּץ לַקְּלָעִים — לְאַחַר שֶׁיָּצָא, וְאִי אֶפְשָׁר לְהַכְנִיס טֻמְאָה לָעֲזָרָה: קוֹרְעוֹ — וְטָהוֹר מִטֻּמְאָתוֹ, וּמֻתָּר לְהַכְנִיסוֹ, וְנִכְנָס וּמְכַבְּסוֹ בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ: נוֹקְבוֹ — לְטַהֲרוֹ מִטֻּמְאָתוֹ: גְּמָ' בֶּגֶד אָמַר רַחֲמָנָא — שֶׁיְּהֵא שֵׁם בֶּגֶד עָלָיו בִּשְׁעַת כִּבּוּסוֹ: דְּמְשַׁיֵּר בֵּיהּ — שֶׁלֹּא יַבְדִּיל אֶת הַקֶּרַע עַל פְּנֵי כֻּלּוֹ לַחֲלֹק אֶת הַבֶּגֶד לִשְׁנַיִם, אֶלָּא מְשַׁיֵּר בּוֹ כְּדֵי רֹחַב סוּדָר, דְּמִטֻּמְאָתוֹ טָהוֹר הוֹאִיל וְנִקְרַע רֻבּוֹ:

Rashi explica que "saiu para fora das cortinas" refere-se ao limite do átrio, e que a impureza contraída do lado de fora não pode simplesmente entrar de volta no espaço sagrado. Na Guemará, Rashi detalha a mecânica exata do rasgo exigido pela mishná: a Torá exige que a peça mantenha o nome de "veste" no momento em que é lavada — por isso o rasgo não deve dividir a veste em duas partes separadas, mas deixar uma porção suficiente, do tamanho de um lenço, unindo as duas metades; dessa forma a veste já se purifica da impureza, por ter sido rasgada em sua maior parte, mas ainda mantém seu estatuto de peça única, apta a ser levada de volta ao átrio para a lavagem do sangue.