A quinta mishná passa a um caso prático: o que fazer quando a veste manchada de sangue, ou o vaso de barro usado no cozimento, saem do átrio antes de cumprido o preceito de lavagem ou quebra dentro do lugar sagrado. A resposta é simples quando o objeto permanece puro — basta reentrar e cumprir o preceito; mas complica-se quando o objeto se contamina do lado de fora, pois um objeto impuro não pode ser trazido de volta ao átrio sem antes ser tornado apto a entrar.
Veste que saiu para fora das cortinas — volta a entrar e é lavada em lugar sagrado. — A mishná trata do caso em que a veste manchada de sangue de uma oferenda de pecado deixa o átrio do Templo antes de cumprido o preceito de lavagem. Como a veste continua pura, a solução é simples: ela reentra no átrio e ali é lavada, cumprindo normalmente o preceito.
Se se contaminou fora das cortinas, rasga-se, e volta a entrar e é lavada em lugar sagrado. — O caso se complica quando a veste, além de sair, também se contamina do lado de fora — pois um objeto impuro não pode, em princípio, ser trazido de volta ao átrio sagrado. A solução técnica é rasgar a maior parte da veste, o que basta para retirá-la da categoria de impureza — permitindo, então, que reentre no átrio para cumprir ali a lavagem da mancha de sangue.
Vaso de barro que saiu para fora das cortinas — volta a entrar e é quebrado em lugar sagrado. — A mishná aplica a mesma lógica ao vaso de barro em que se cozinhou a carne da oferenda de pecado: se sair do átrio antes de quebrado, permanecendo puro, basta reentrar para que seja quebrado dentro do lugar sagrado, como o preceito exige.
Se se contaminou fora das cortinas, perfura-se, e volta a entrar e é quebrado em lugar sagrado. — E, paralelamente ao caso da veste rasgada, se o vaso de barro se contamina do lado de fora, fura-se nele um pequeno orifício suficiente para retirá-lo da categoria de impureza, sem ainda anular seu estatuto de vaso — permitindo que reentre no átrio para ali ser propriamente quebrado, cumprindo o preceito.
Rambam explica que a solução do rasgo é, na verdade, uma exigência dos sábios: por lei da própria Torá, uma vez rasgada a maior parte da veste, ela já não estaria mais obrigada à lavagem, pois o versículo fala em "veste" — e uma peça já rasgada deixaria de ser, tecnicamente, uma veste íntegra. Mas os sábios exigiram que, mesmo assim, ela reentrasse no átrio para a lavagem, como reforço do preceito. Sobre o vaso de barro, Rambam precisa que o furo deve ser pequeno — do tamanho de uma raiz pequena — suficiente para purificá-lo da impureza sem ainda anular seu estatuto de vaso; caso o furo seja grande demais, o próprio vaso já deixaria de ser considerado vaso, e a quebra ritual dentro do Templo já não se aplicaria, pois teria sido efetivamente "quebrado" fora dele pelo próprio furo excessivo.
Bartenura confirma que a impureza, uma vez contraída fora do átrio, não pode ser trazida de volta para dentro das cortinas — daí a necessidade do rasgo, que remove a maior parte da veste e a torna pura. Sobre o vaso de barro, precisa que o furo exigido é especificamente do tamanho de uma raiz pequena: com esse furo, o vaso já se purifica da impureza mas continua sendo considerado vaso, permitindo cumprir dentro do átrio o preceito de sua quebra ritual; caso o furo seja maior, o próprio objeto já deixa de ter estatuto de vaso, e não haveria mais sentido em reentrá-lo para "quebrá-lo".
Rashi explica que "saiu para fora das cortinas" refere-se ao limite do átrio, e que a impureza contraída do lado de fora não pode simplesmente entrar de volta no espaço sagrado. Na Guemará, Rashi detalha a mecânica exata do rasgo exigido pela mishná: a Torá exige que a peça mantenha o nome de "veste" no momento em que é lavada — por isso o rasgo não deve dividir a veste em duas partes separadas, mas deixar uma porção suficiente, do tamanho de um lenço, unindo as duas metades; dessa forma a veste já se purifica da impureza, por ter sido rasgada em sua maior parte, mas ainda mantém seu estatuto de peça única, apta a ser levada de volta ao átrio para a lavagem do sangue.