A quarta mishná fecha o primeiro bloco do capítulo com uma generalização e um rigor notável: veste, saco de pelo de cabra e pele igualam-se na exigência de que a lavagem ocorra dentro do átrio sagrado do Templo — e a mesma exigência de local se estende à quebra do vaso de barro e à esfregação do vaso de cobre em que se cozinhou a carne da oferenda de pecado. A mishná destaca que, nesse ponto específico, a chatat é tratada com mais rigor do que as próprias oferendas santíssimas.
Tanto a veste quanto o saco quanto a pele — requerem lavagem em lugar sagrado. — A mishná generaliza o resultado da disputa anterior: uma vez que um material — veste comum, saco tecido de pelo de cabra, ou pele já apta a receber impureza — se enquadra na obrigação de lavagem, essa lavagem deve necessariamente ocorrer dentro do átrio do Templo, e não em qualquer outro lugar.
E a quebra do vaso de barro, em lugar sagrado. E a esfregação e o enxágue do vaso de cobre, em lugar sagrado. — A mishná estende a mesma exigência de local a dois outros procedimentos ligados ao cozimento da carne da oferenda de pecado: o vaso de barro em que ela foi cozida deve ser quebrado dentro do átrio, e o vaso de cobre, que não se quebra mas se esfrega e enxágua para remover o resíduo absorvido, deve passar por esse processo também dentro do átrio.
Este é um rigor na oferenda de pecado, mais que nas oferendas santíssimas. — A mishná encerra observando uma peculiaridade: embora a oferenda de pecado seja, em geral, uma categoria entre as oferendas santíssimas, ela recebe aqui um tratamento mais rigoroso do que as demais — pois só a respeito dela a Torá exige que a lavagem da veste, a quebra do vaso de barro e a limpeza do vaso de cobre ocorram especificamente dentro do lugar sagrado.
Rambam explica que a quebra do vaso de barro em que se cozinhou a oferenda de pecado é, por si só, um preceito da própria Torá — mas o versículo não especifica explicitamente que essa quebra deva ocorrer no Templo; foi por analogia com a lavagem da veste, cujo versículo sim especifica o lugar sagrado, que os sábios equipararam a quebra do vaso à mesma exigência de local. E, observa Rambam, essa exigência de que veste, vaso de barro e vaso de cobre sejam tratados dentro do próprio Templo não se aplica a nenhuma outra categoria de oferenda santíssima — apenas à oferenda de pecado, donde a conclusão da mishná: este é, nesse ponto específico, um rigor exclusivo da chatat.
Bartenura explica a fonte textual da equiparação: como o versículo sobre a quebra do vaso de barro ("e o vaso de barro em que for cozida será quebrado") vem logo depois do versículo sobre a lavagem em lugar sagrado, os sábios entenderam que a Torá justapôs as duas leis para que a quebra do vaso seguisse a mesma exigência de local que a lavagem da veste. Bartenura esclarece ainda que a observação final da mishná — "este é um rigor" — refere-se especificamente à exigência de lugar para a lavagem, e não a outros aspectos da comparação entre a chatat e as demais oferendas santíssimas.
Rashi identifica "lugar sagrado" com o átrio do Templo, e observa que a exigência de que a quebra do vaso de barro ocorra nesse mesmo lugar é derivada na Guemará por uma leitura conjunta dos versículos sobre a lavagem e sobre a quebra. Sobre "este é um rigor", Rashi precisa que a frase se refere especificamente à exigência de lugar para a lavagem, e não a outros aspectos da lei. Na sequência da Guemará, Rashi explica a base para incluir saco e pele na mesma categoria de "veste": o termo "veste", quando usado sem qualificação na Torá, refere-se normalmente a lã e linho — e é por um princípio de generalização ("não tenho senão veste... também saco") que se estende a regra ao saco, tecido de pelo de cabra, e à pele.