Seder Kodashim · Massechet Zevachim · Perek Yud-Alef · Mishná 4 de 8

Tanto a veste quanto o saco quanto a pele requerem lavagem em lugar sagrado

אֶחָד הַבֶּגֶד וְאֶחָד הַשַּׂק וְאֶחָד הָעוֹר טְעוּנִין כִּבּוּס בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A quarta mishná fecha o primeiro bloco do capítulo com uma generalização e um rigor notável: veste, saco de pelo de cabra e pele igualam-se na exigência de que a lavagem ocorra dentro do átrio sagrado do Templo — e a mesma exigência de local se estende à quebra do vaso de barro e à esfregação do vaso de cobre em que se cozinhou a carne da oferenda de pecado. A mishná destaca que, nesse ponto específico, a chatat é tratada com mais rigor do que as próprias oferendas santíssimas.

Veste, saco e pele igualam-se na obrigação de lavagem em lugar sagrado; e a mesma exigência de local se aplica à quebra do vaso de barro e à esfregação e ao enxágue do vaso de cobre usados no cozimento da oferenda de pecado — um rigor que a chatat tem, nesse ponto, além das próprias oferendas santíssimas.

Tanto a veste quanto o saco quanto a pele — requerem lavagem em lugar sagrado.A mishná generaliza o resultado da disputa anterior: uma vez que um material — veste comum, saco tecido de pelo de cabra, ou pele já apta a receber impureza — se enquadra na obrigação de lavagem, essa lavagem deve necessariamente ocorrer dentro do átrio do Templo, e não em qualquer outro lugar.

E a quebra do vaso de barro, em lugar sagrado. E a esfregação e o enxágue do vaso de cobre, em lugar sagrado.A mishná estende a mesma exigência de local a dois outros procedimentos ligados ao cozimento da carne da oferenda de pecado: o vaso de barro em que ela foi cozida deve ser quebrado dentro do átrio, e o vaso de cobre, que não se quebra mas se esfrega e enxágua para remover o resíduo absorvido, deve passar por esse processo também dentro do átrio.

Este é um rigor na oferenda de pecado, mais que nas oferendas santíssimas.A mishná encerra observando uma peculiaridade: embora a oferenda de pecado seja, em geral, uma categoria entre as oferendas santíssimas, ela recebe aqui um tratamento mais rigoroso do que as demais — pois só a respeito dela a Torá exige que a lavagem da veste, a quebra do vaso de barro e a limpeza do vaso de cobre ocorram especificamente dentro do lugar sagrado.

אֶחָד הַבֶּגֶד וְאֶחָד הַשַּׂק וְאֶחָד הָעוֹר, טְעוּנִין כִּבּוּס בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ. וּשְׁבִירַת כְּלִי חֶרֶס, בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ. וּמְרִיקָה וּשְׁטִיפָה בִּכְלִי נְחשֶׁת, בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ. זֶה חֹמֶר בַּחַטָּאת מִקָּדְשֵׁי קָדָשִׁים:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Zevachim 11:4
אחד הבגד ואחד השק ואחד העור טעונין כבוס כו': שבירת כלי חרס שבישל בו חטאת דבר תורה, ולא נאמר פסוק על השבירה שתהא במקדש, אבל עשאוה ככבוס שנאמר בו פסוק ר"ל שיהא במקדש. והדין הזה שדן המקרא בקרבן, דבר בקדשי דמה מן הבגדים במקום קדוש ושבירת כלי חרס שמבשלין אותן בהן, אין דין זה בשום חטאת לכבם קדשים אלא בחטאת לבדה, ולכך נאמר זה חומר בחטאת מקדשי קדשים:

Rambam explica que a quebra do vaso de barro em que se cozinhou a oferenda de pecado é, por si só, um preceito da própria Torá — mas o versículo não especifica explicitamente que essa quebra deva ocorrer no Templo; foi por analogia com a lavagem da veste, cujo versículo sim especifica o lugar sagrado, que os sábios equipararam a quebra do vaso à mesma exigência de local. E, observa Rambam, essa exigência de que veste, vaso de barro e vaso de cobre sejam tratados dentro do próprio Templo não se aplica a nenhuma outra categoria de oferenda santíssima — apenas à oferenda de pecado, donde a conclusão da mishná: este é, nesse ponto específico, um rigor exclusivo da chatat.

Bartenura · Zevachim 11:4
בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ. בָּעֲזָרָה: וּשְׁבִירַת כְּלִי חֶרֶס בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ. דְּבָתַר דִּכְתִיב תְּכַבֵּס בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ, כְּתִיב וּכְלִי חֶרֶס אֲשֶׁר תְּבֻשַּׁל בּוֹ יִשָּׁבֵר, אִיתְקַשׁ שְׁבִירַת כְּלִי חֶרֶס לְכִבּוּס, מַה כִּבּוּס בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ אַף שְׁבִירַת כְּלִי חֶרֶס בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ: זֶה חֹמֶר. אַכִּבּוּס קָאֵי:

Bartenura explica a fonte textual da equiparação: como o versículo sobre a quebra do vaso de barro ("e o vaso de barro em que for cozida será quebrado") vem logo depois do versículo sobre a lavagem em lugar sagrado, os sábios entenderam que a Torá justapôs as duas leis para que a quebra do vaso seguisse a mesma exigência de local que a lavagem da veste. Bartenura esclarece ainda que a observação final da mishná — "este é um rigor" — refere-se especificamente à exigência de lugar para a lavagem, e não a outros aspectos da comparação entre a chatat e as demais oferendas santíssimas.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Zevachim 93b, sobre a Guemará desta mishná
בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ — בָּעֲזָרָה: וּשְׁבִירַת כְּלִי חֶרֶס — שֶׁבִּשֵּׁל בָּהּ חַטָּאת בְּמָקוֹם קָדוֹשׁ, וּבַגְּמָרָא יָלֵיף לָהּ: זֶה חֹמֶר — אַכִּבּוּס קָאֵי: אֵין לִי אֶלָּא בֶּגֶד — סְתָם בְּגָדִים שֶׁבַּתּוֹרָה צֶמֶר וּפִשְׁתִּים: שַׂק — מִנּוֹצָה שֶׁל עִזִּים:

Rashi identifica "lugar sagrado" com o átrio do Templo, e observa que a exigência de que a quebra do vaso de barro ocorra nesse mesmo lugar é derivada na Guemará por uma leitura conjunta dos versículos sobre a lavagem e sobre a quebra. Sobre "este é um rigor", Rashi precisa que a frase se refere especificamente à exigência de lugar para a lavagem, e não a outros aspectos da lei. Na sequência da Guemará, Rashi explica a base para incluir saco e pele na mesma categoria de "veste": o termo "veste", quando usado sem qualificação na Torá, refere-se normalmente a lã e linho — e é por um princípio de generalização ("não tenho senão veste... também saco") que se estende a regra ao saco, tecido de pelo de cabra, e à pele.