A terceira mishná refina os limites técnicos exatos da regra: só o sangue que já foi recebido em um vaso sagrado e está apto para a aspersão obriga a lavagem da veste manchada — não o que respinga diretamente do pescoço do animal, nem o que já cumpriu seu papel no canto ou na base do altar, nem o que caiu no chão e foi recolhido depois. A mishná discute ainda, entre Rabi Iehudá e Rabi Eliezer, se a pele do animal, antes ou depois de esfolada, está sujeita à mesma obrigação que uma veste comum.
Espirrou-se do pescoço sobre a veste — não requer lavagem. Do canto e da base — não requer lavagem. Derramou-se sobre o pavimento e o recolheu — não requer lavagem. — A mishná lista três situações em que o sangue, apesar de tocar a veste, não obriga lavagem: quando respinga diretamente do corte no pescoço do animal, antes de ser recolhido em vaso; quando já foi aspergido no canto do altar ou derramado sobre sua base, cumprindo assim seu papel; e quando caiu primeiro no chão, sendo depois recolhido — pois nesse caso perdeu, ao cair, sua aptidão original para a aspersão.
Não requer lavagem senão o sangue que foi recebido em um recipiente e é apto para aspersão. — A mishná fecha o raciocínio com o princípio geral por trás dos três casos: a obrigação de lavar a veste manchada só se aplica ao sangue que, no momento em que respinga, está tecnicamente apto para ser aspergido — ou seja, que já foi recebido corretamente em um vaso sagrado, sem ter perdido essa aptidão por qualquer desvio no processo.
Espirrou-se sobre a pele antes de ser esfolada, não requer lavagem. Depois de esfolada, requer lavagem, palavras de Rabi Iehudá. — A mishná passa a discutir o caso da pele do animal ainda em processo de esfola. Segundo Rabi Iehudá, a pele que ainda cobre o animal não tem o estatuto de "veste" apta a receber impureza, e por isso o sangue que a mancha não obriga lavagem; mas, uma vez esfolada e separada do corpo do animal, a pele passa a ter esse estatuto, tornando-se sujeita à mesma obrigação de uma veste comum.
Rabi Eliezer diz: mesmo depois de esfolada não requer lavagem. — Rabi Eliezer discorda, exigindo um grau ainda maior de aptidão: para ele, a pele só se equipara a uma veste depois de curtida e preparada para uso como tal — a mera separação do corpo do animal não basta para sujeitá-la à obrigação de lavagem.
Não requer lavagem senão o lugar do sangue, e algo que seja apto para receber impureza, e apto para lavagem. — A mishná fecha esta seção com três condições cumulativas para que a obrigação de lavar se aplique: primeiro, só se lava o próprio lugar manchado, não a peça inteira; segundo, o material precisa ser, por sua natureza, apto a receber impureza — o que exclui, por exemplo, objetos de madeira; e terceiro, precisa ser um material que a lavagem efetivamente limpe, e não apenas raspe.
Rambam explica a base da disputa entre Rabi Iehudá e Rabi Eliezer: todos concordam que a pele com seu pelo, no momento em que está sendo esfolada, antes de curtida e preparada, ainda não se contamina como as demais coisas suscetíveis à impureza — mas já é apta, potencialmente, a essa impureza. A partir do versículo "e o que se espirrar de seu sangue sobre a veste", Rabi Iehudá deriva o princípio: assim como a veste é algo apto a receber impureza, também tudo o que for apto a receber impureza entra na regra — e a pele já esfolada se enquadra nessa aptidão, mesmo que ainda não se contamine de fato. Sobre "o lugar do sangue", Rambam explica que a lei exige lavar apenas a mancha, não a veste inteira, como está dito "o que se espirrou sobre ela lavarás". E sobre "apto para lavagem", explica que essa condição exclui objetos de madeira: ainda que sejam suscetíveis à impureza, não ficam obrigados à lavagem do sangue de oferenda de pecado que caia sobre eles, pois não são objetos que se lavam, mas apenas se raspam. A lei segue Rabi Iehudá.
Bartenura precisa a lógica de Rabi Iehudá: a pele, uma vez esfolada, já pode ser considerada apta a receber impureza — desde que se pense nela como cobertura para uma sela ou para forrar um leito, ainda que não tenha sido curtida. Já Rabi Eliezer discorda, exigindo que a peça esteja de fato pronta como utensílio, sem depender apenas de um pensamento de destinação. Sobre "apto para lavagem", Bartenura confirma que essa condição exclui objetos de madeira: ainda que suscetíveis à impureza, não são coisas que se lavam, mas apenas se raspam — e a halachá segue Rabi Iehudá.
Rashi esclarece que "do canto" se refere ao canto do próprio altar, e "da base" ao sangue restante destinado a ser derramado sobre a base — pois, uma vez cumprida a aplicação obrigatória do sangue, o restante já não obriga lavagem se cair sobre uma veste. "Derramou-se sobre o pavimento" refere-se ao sangue que caiu do pescoço do animal diretamente no chão, antes de ser recolhido em vaso. Sobre a disputa da pele, Rashi explica que o motivo exige um objeto "apto a receber impureza sem que falte apenas o trabalho de acabamento" — distinção que fundamenta a posição de Rabi Iehudá contra a de Rabi Eliezer, que exige a peça já pronta como utensílio. E confirma que "apto para lavagem" é explicado na Guemará como exclusão específica dos utensílios de madeira.