A cadeia descendente prossegue das aves às oferendas vegetais, e dentro destas últimas distingue a oferenda do pecador da voluntária; a mishná fecha com um caso paralelo já introduzido na cadeia das aves: a precedência da oferenda de pecado sobre a de subida, agora também no momento da consagração.
As aves precedem as oferendas vegetais, porque são tipos de sangue. — Qualquer oferenda cujo sangue é aspergido no altar — mesmo a mais simples das aves — tem categoria superior à oferenda vegetal, que não envolve sangue algum, pois é o sangue que produz a expiação mais abrangente.
A oferenda vegetal do pecador precede a oferenda vegetal voluntária, porque vem por causa de um pecado. — A minchat choté, trazida pelo pobre em lugar de um sacrifício de animal por certas transgressões, precede qualquer oferenda vegetal trazida como dádiva voluntária, pelo mesmo princípio que faz a oferenda de pecado preceder a de subida.
E assim também em sua consagração: a oferenda de pecado da ave precede a oferenda de subida da ave. — Não apenas no momento do oferecimento, mas já no ato de separar e nomear o par de aves, o dono deve declarar primeiro qual delas será a oferenda de pecado — a precedência se estende do sacrifício propriamente dito até o próprio ato de consagração.
Rambam identifica a minchat choté como o décimo de efá que o pobre traz por impureza do santuário e suas coisas sagradas, ou por juramento de testemunho, como já mencionado no início deste tratado. E a Torá disse “e oferecerá o que é para a oferenda de pecado primeiro” — dali derivaram um paradigma para todas as oferendas de pecado, de que precedem as oferendas de subida trazidas junto com elas, seja em ave, seja em animal. E o que a mishná diz, “e assim também em sua consagração”, significa que, no momento em que o dono separa suas oferendas, diz primeiro “esta é oferenda de pecado” e só depois “esta é oferenda de subida”.
Bartenura explica: “porque são tipos de sangue” — e os tipos de sangue têm expiação mais abrangente. “A oferenda de pecado da ave precede a de subida” — pois está escrito (Levítico 5) “e oferecerá o que é para a oferenda de pecado primeiro”, estabelecendo um paradigma para todas as oferendas de pecado, de que precedem a oferenda de subida, seja em animal, seja em ave. “E assim também em sua consagração” — quando o dono separa seu par de aves, isto é, duas rolinhas ou dois pombinhos, nomeia primeiro a oferenda de pecado.
A guemará testa o princípio de que a oferenda de pecado precede a de subida — ensinado nesta mishná a respeito das aves — contra uma baraita sobre a ordem dos touros, carneiros e cordeiros entre as adicionais de Sucot. Rashi esclarece a primeira leitura proposta: tratar-se-ia das adicionais da festa, em que os bodes são oferenda de pecado e os cordeiros oferenda de subida, e a baraita ensina que os cordeiros precedem — o que pareceria contradizer o princípio. A guemará rejeita essa leitura: não se trata de comparação com uma oferenda voluntária, mas de duas oferendas de subida, e por isso não há contradição alguma quanto à precedência entre pecado e subida. Rashi explica ainda por que os touros precedem os carneiros e estes precedem os cordeiros: os touros têm mais libações associadas — três décimos de efá, contra dois do carneiro e um do cordeiro — e o carneiro tem uma vantagem sobre o cordeiro por causa da cauda gorda, acrescentada às suas partes queimadas; e ainda que aqui se trate de uma oferenda de subida, inteiramente consumida pelo fogo, esse aspecto de acréscimo ao altar também se encontra nas ofertas de paz e de pecado.